terça-feira, 17 de abril de 2018

Fabiano Negri - The Lonely Ones (2018)


Fabiano Negri - The Lonely Ones (2018)
(Independente – Nacional)


01. Last Stand
02. Distant Shore
03. Lost Strangers
04. Behind The Sun
05. All Those Minds
06. Day After Day
07. Raped
08. Bad Love Song
09. Morning Rain
10. Let There Be Life

O mundo está doente. Uma simples passada na timeline ou nos grupos de redes sociais, ou mesmo em conversas descompromissadas no dia a dia, e o que vemos são os valores humanos se perdendo. A cada dia as pessoas vão se tornando mais intolerantes, a dificuldade de respeitar o outro, seja “semelhante” ou “diferente”, é cada vez maior. Comportamentos abusivos, arrogantes e depreciativos se tornam cada vez mais comuns. Intolerância, negligência, inveja, arrogância, egoísmo, cinismo é o que se tem de sobra. O foco é destruir o outro, seus sentimentos e esperanças, e para isso não se medem as palavras. Tudo é certo, desde que a pessoa que age julgue aquilo certo, independentemente de qualquer lei e de qualquer noção de respeito. “E daí se sou intolerante com o que é diferente, o que importa é o que acho certo!”. Falta amor e sobra ódio no mundo de hoje, e assim ele adoece cada vez mais.

Em um mundo cada vez mais embrutecido e ensandecido, como uma pessoa que sofre de depressão (que muitos rotulam de mimimi, em uma atitude que reflete tudo que escrevi no parágrafo acima) ou que possui dificuldade de se socializar sobrevive? Qualquer um que convive ou conviveu com tais problemas, seja por experiência própria ou através de pessoas próximas, sabe que nada disso é brincadeira ou frescura. E é isso que Fabiano Negri, um dos músicos mais talentosos do Rock nacional, resolveu abordar em The Lonely Ones, 22º álbum de sua carreira (contando carreira solo e as bandas das quais participa/participou).

A depressão e a dificuldade de socialização são os temas centrais aqui, e que, como o próprio Fabiano fez questão de frisar no release enviado à imprensa, são ligados abordando a história de um único indivíduo e da sua dificuldade de conviver nessa sociedade cada vez mais doente. Para completar esse panorama, resolveu adotar uma abordagem musical diferente da de costume, já que The Lonely Ones é um álbum acústico, totalmente na base da voz e violão, deixando o clima não só ainda mais intimista, como também mais emocional e reflexivo. É um trabalho que te coloca para pensar. A opção pelo formato acústico possibilita que Fabiano Negri mostre todo o seu talento como músico. O tema em si e a profundidade das letras exigem uma versatilidade vocal muito grande, já que cada faixa expressa um momento, uma emoção diferente, algo que ele consegue muito bem. Seu trabalho de violão se mostra muito inspirado, entregando ao ouvinte ótimas melodias. 


O resultado final é um álbum extremamente emocional, sentimental, um trabalho fortíssimo e que merece ser ouvido com toda atenção do mundo. Nenhuma das 10 canções aqui presentes soam deslocadas ou desnecessárias, funcionando muito bem dentro da proposta estabelecida por Fabiano. Obviamente existem aqueles destaques inevitáveis. “Last Stand” abre o álbum com Fabiano mostrando toda qualidade de sua voz. “Distant Shore” tem uma energia muito boa e ótimas melodias, características que compartilha com a belíssima “Behind The Sun”. Já “All Those Minds” me trouxe à cabeça “Seasons”, de Chris Cornell, presente na trilha sonora do filme Singles (no Brasil recebeu o título de Vida de Solteiro), o que não é pouca coisa. “Day After Day” consegue equilibrar de uma forma ímpar beleza e melancolia, sendo a minha preferida em todo álbum. “Raped” consegue ser ao mesmo tempo simples e densa, sendo uma canção muito profunda, sendo a simplicidade também o mote de “Morning Rain”. “Let There Be Life” fecha de forma muito forte, tendo talvez a melhor interpretação de Neri em todo o álbum.

Gravado no estúdio Minster (Campinas/SP), em incríveis 7 horas, o trabalho teve a produção de Fabiano e Ric Palma, sendo que esse também cuidou da mixagem e masterização. O resultado é perfeito e se encaixou perfeitamente dentro da proposta acústica do álbum. Abordando um assunto sério e pesado, mas de uma forma bem pessoal e emocional, Fabiano Negri não só esbanjou talento, mas também de sensibilidade, fazendo de The Lonely Ones um álbum que transborda sentimentos em cada canção. Uma aula de empatia, algo que está cada vez mais em falta no mundo de hoje.

NOTA: 88

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segunda-feira, 16 de abril de 2018

Magnum – Lost On The Road To Eternity (2018)


Magnum – Lost On The Road To Eternity (2018)
(SPV Steamhammer/Shinigami Records - Nacional)


CD 1
01. Peaches And Cream
02. Show Me Your Hands
03. Storm Baby
04. Welcome To The Cosmic Cabaret
05. Lost On The Road To Eternity
06. Without Love
07. Tell Me What You’ve Got to Say
08. Ya Wanna Be Someone
09. Forbidden Masquerade
10. Glory To Ashes
11. King Of The World

CD 2 (Live)
01. Sacred Blood – Divine Lies
02. Crazy Old Mothers
03. Your Dreams Won’t Die
04. Twelve Men Wise And Just

Desde seu surgimento, no ano de 1972, o Magnum construiu uma carreira sólida dentro do cenário do Hard Melódico/AOR. Seu debut, Kingdom of Madness (78), chegou a despertar a atenção de alguns, mas começaram mesmo a se destacar com seu 3º trabalho, Chase the Dragon (82), chegando ao auge (ao menos em popularidade) com os álbuns On a Storyteller’s Night (1985), Vigilante (1986) e Wings of Heaven (1988). Daí para frente, todos sabem o que ocorreu. O Grunge surgiu e modificou completamente o mercado, fazendo com que em 1995 os ingleses anunciassem seu fim, em um hiato que perdurou até 2001.

Mesmo nesse período, Bob Catley (vocal) e Tony Clarkin (guitarra), que são o coração do Magnum, não deixaram de trabalhar juntos, formando o Hard Rain ao lado do baixista Al Barrow, que acompanhou a dupla em 2001, quando resolveram reativar a banda. Desde então, foram aos poucos recolocando o grupo em posição de destaque, sendo que Lost On The Road To Eternity é seu 9º álbum desde o retorno, e 20º de toda a carreira. E aqui não tem muito mistério, já que o fã sabe exatamente o que vai encontrar em um álbum dos ingleses.

Bob Catley continua cantando uma enormidade, e consegue cativar qualquer um com seus vocais, enquanto seu parceiro de sempre, Tony Clarkin, mostra que merece mais reconhecimento, nos entregando riffs marcantes e melodias realmente grudentas. Al Barrow mostra porque é dono do posto de baixista há 17 anos e esbanja competência em seu instrumento. Apesar da estabilidade da formação desde o retorno, aqui temos 2 estreias. Na bateria. Harry James saiu, sendo substituído por Lee Morris, nome que os fãs de Paradise Lost conhecem bem. Já nos teclados, Mark Stanway, tecladista de longa data da banda, partiu, e em seu lugar agora temos Rick Benton, que já vinha tocando ao vivo com a banda desde 2016. Coube a ele a mais espinhosa das missões, e ele conseguiu se sair muito bem.


São 11 canções típicas do Magnum, com alguns altos e baixos, mas nada que comprometa de verdade o resultado final. “Peaches And Cream” é uma ótima faixa de abertura, animada, cativante e com ótimos vocais de Bob. “Show Me Your Hands” mantém o nível, soando agradável e se destacando pelo solo e pelos teclados. “Storm Baby” é uma típica balada do Magnum, bem melancólica, mas falta algo a mais para torná-la bombástica. “Welcome To The Cosmic Cabaret” é o momento mais épico de todo álbum, e aqui mesclam com competência o Rock Progressivo e o AOR, soando realmente grandioso. “Lost On The Road To Eternity” é um dos grandes momentos do álbum, e conta com a participação especial de Tobias Sammet, retribuindo assim as participações de Catley no Avantasia. A forma como os vocais se complementam é incrível. Daí para frente, o trabalho se torna um pouco inconstante. Se faixas como “Without Love” e “Ya Wanna Be Someone” se destacam pelas ótimas melodias e bons refrões, outras como “Tell Me What You’ve Got to Say”, “Forbidden Masquerade” e “Glory To Ashes”, se não chegam a ser propriamente ruins, tendo suas qualidades, nada acrescentam ao álbum. No encerramento, o nível volta a se elevar com outra faixa épica, “King Of The World”. Na versão nacional, temos um segundo Cd com 4 faixas ao vivo, o que torna esse material ainda mais interessante.

A produção ficou a cargo do guitarrista Tony Clarkin, com mixagem e masterização realizados por Sheena Sear (Avantasia, Marshall Law). O resultado foi muito bom, já que apesar de ter deixado tudo bem polido, não abriu mão da organicidade em momento algum. A capa é, mais uma vez, uma obra do mestre Rodney Matthews (Scorpions, Thin Lizzy, Nazareth, Eloy, Asia), sendo uma verdadeira obra de arte. Mesmo não sendo um álbum que possamos chamar de clássico, Lost On The Road To Eternity é um belo trabalho, já que tem tudo que um fã do Magnum espera. Se gosta de ótimas melodias e refrões grudentos, aqui está um álbum mais do que recomendado.

NOTA: 84

Magnum é:
- Bob Catley (vocal);
- Tony Clarkin (guitarra);
- Al Barrow (baixo);
- Lee Morris (bateria);
- Rick Benton (teclado).

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quinta-feira, 12 de abril de 2018

Saxon – Thunderbolt (2018)


Saxon – Thunderbolt (2018)
(Silver Lining Music/Shinigami Records - Nacional)


01. Olympus Rising
02. Thunderbolt
03. The Secret of Flight
04. Nosferatu (The Vampires Waltz)
05. They Played Rock and Roll
06. Predator
07. Sons of Odin
08. Sniper
09. A Wizard’s Tale
10. Speed Merchants
11. Roadie’s Song
12. Nosferatu (Raw Version)

Uma verdadeira lenda do Heavy Metal. Quando falamos de Metal Inglês e de NWOBHM, a maioria dos mortais pensa primeiramente em Judas Priest e Iron Maiden. Nada de errado nisso, levando em conta a importância que ambos possuem para a história do Metal como um todo. Mas o Saxon, com seus 40 anos de estrada, não pode de forma alguma ser esquecido. Se não angariou, em matéria de vendagens, a mesma popularidade dos dois nomes citados, conseguiu algo mais importante e difícil do que isso, que é o respeito dos fãs do estilo. Isso é algo que disco de ouro ou platina algum paga. Saxon é sinônimo de Heavy Metal e ponto final.

Falar do Saxon tem algo de especial para mim. Para quem não sabe, foi com uma resenha de Sacrifice (13) que no dia 02/03/2013 abri os trabalhos do A Música Continua a Mesma. E não foi uma escolha aleatória, pois ela se deu motivada justamente por esse respeito citado acima. Pouco mais de 5 anos se passaram e o quinteto formado por Biff Byford (vocal), Paul Quinn (guitarra), Doug Scarratt (guitarra), Nibbs Carter (baixo) e Nigel Glockler (bateria) chega ao seu 22º trabalho de estúdio, vivendo talvez sua melhor fase desde os anos 80. E Thunderbolt não decepciona.


Impressiona-me como Biff Byford parece não sentir o efeito do tempo. Continua simplesmente monstruoso, soando em muitos momentos até melhor do que nos anos 80 e 90. Sua voz não perdeu nada da qualidade nesses 40 anos frente ao Saxon, e continua forte e marcante. É um dos grandes diferenciais aqui. Paul Quinn e Doug Scarratt também estão monstruosos. Os riffs que são apresentados não são apenas ótimos, mas típicos da NWOBHM, e os solos estão primorosos. As guitarras gêmeas não poderiam faltar, e dão as caras de forma muito harmoniosa, soando incríveis. Fora isso, precisamos falar do peso das mesmas. Nunca em toda a sua história, o Saxon soou tão pesado quanto agora. Enquanto a lógica das bandas de sua geração é tirar um pouco o pé do acelerador (algo justificável e aceitável), eles fazem justamente o contrário. E é justamente esse peso que deixa a música do grupo atual e moderna, sem que eles precisem abrir mão de qualquer das suas características. Quanto a Nibbs Carter e Nigel Glocker, ambos possuem seus momentos de brilho durante Thunderbolt. Realizam um belíssimo trabalho, soando fortes e coesos.

Após uma breve introdução com “Olympus Rising”, surge a faixa título, um dos grandes destaques do trabalho. Estrondosa, com riffs fortes e os vocais inconfundíveis de Biff, tem tudo para se tornar um clássico do Saxon. “The Secret of Flight” é outra que tem tudo para virar clássica. É uma aula de Heavy Metal, soando imponente e com riffs muito incisivos, além de ótimas melodias. “Nosferatu (The Vampires Waltz)” é mais cadenciada e muito pesada, possuindo um ar bem sombrio, enquanto a excelente “They Played Rock and Roll” é diametralmente oposta, já que é uma homenagem a Lemmy e ao Motorhead, sendo assim uma canção dura, pesada e rápida. “Predator” é outra que esbanja peso, e surpreende pela inclusão de vocais guturais, executados aqui por Johan Hegg, do Amon Amarth. Isso a deixou com um ar feroz e sombrio.


“Sons of Odin” abre a segunda metade com uma levada mais cadenciada e soa simplesmente épica. Destaca-se não só pelas ótimas melodias, mas também pelo brilhante trabalho das guitarras e da bateria, que soa muito forte. Por algum motivo, me remeteu à fase de Dogs of War (95). Na sequência, temos “Sniper”, canção que soa bem bruta e enérgica, além de possuir um refrão muito legal. O tom mais épico volta a dar as caras em “A Wizard’s Tale”, outra que conta não só com boas melodias, como com riffs de muita qualidade, graças ao primoroso trabalho da dupla formada por Quinn e Sacarratt. “Speed Merchants” faz jus ao nome e esbanja energia, além de boas harmonias e melodias, sendo outro ponto alto do álbum. Se encaminhando para o final, temos “Roadie’s Song”, que é exatamente o que diz o nome, ou seja, uma homenagem aos roadies, peças fundamentais para que os shows aconteçam. É uma daquelas típicas canções do Saxon. Encerrando, temos uma outra versão para “Nosferatu”.

Toda a parte de produção ficou mais uma vez por conta de Andy Sneap, que já vem trabalhando com a banda desde Sacrifice. Nem preciso enaltecer a qualidade da mesma aqui. O legal de suas produções é que, mesmo que tudo fique claro e cristalino, as mesmas ainda assim soam bem pesadas e orgânicas, algo raro hoje em dia. Já a capa é obra de Paul Raymond Gregory, que já trabalhou inúmeras outras vezes com a banda, sendo responsável por trabalhos clássicos como Crusader (84), Dogs of War e Unleash the Beast (97). Mais uma vez o Saxon nos presenteia com um trabalho sólido, criativo e cativante, e que vai fazer a alegria dos fãs de Heavy Metal, que certamente baterão cabeça e erguerão os punhos para o ar durante a audição de Thunderbolt. Mais uma vez, o Saxon não decepciona!

NOTA: 93

Saxon é:
- Biff Byford (vocal);
- Paul Quinn (guitarra);
- Doug Scarratt (guitarra);
- Nibbs Carter (baixo);
- Nigel Glockler (bateria).

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quarta-feira, 11 de abril de 2018

Anvil - Pounding The Pavement (2018)


Anvil - Pounding The Pavement (2018)
(SPV/Steamhammer/Shinigami Records - Nacional)


01. Bitch In The Box
02. Ego
03. Doing What I Want
04. Smash Your Face
05. Pounding The Pavement
06. Rock That Shit
07. Let It Go
08. Nanook Of The North
09. Black Smoke
10. World Of Tomorrow
11. Warming Up
12. Don´t Tell Me (Bonus Track)

Muitos consideram o Anvil uma banda subestimada, e que merecia estar em uma posição muito melhor do que se encontra. Já outros, afirmam que são superestimados, muito em virtude do documentário de 2009, Anvil! The Story of Anvil, que mostrou as agruras pelas quais passaram Steve “Lips” Kudlow (vocal/guitarra) e Robb Reiner (bateria) nas últimas décadas para manter o Anvil vivo, o que acabou fazendo com que angariassem a simpatia de muitos fãs de Metal que até então ignoravam a existência do mesmo.

No fim, o que conta é que já são 41 anos de serviços bem prestados ao Heavy Metal, e álbuns como Metal on Metal (82), Forged in Fire (83) e Pound for Pound (88) que podem ser, goste você ou não da banda, colocados entre os clássicos do estilo nos anos 80. A fidelidade do Anvil ao estilo, mesmo nos nebulosos anos 90, assim como sua obstinação em enfrentar todos os obstáculos e situações adversas com as quais se depararam nessas 4 décadas, são prova do amor incondicional de Steve e Robb pelo Metal.

Em Pounding The Pavement, seu 17º trabalho de estúdio, o que vamos encontrar é exatamente aquilo que esperamos de um trabalho do Anvil, para o bem e para o mal, ou seja, aquela mescla de Hard e Heavy, com toques de Speed aqui e ali, que sempre marcou sua carreira. O Anvil não muda e nem vê motivos para fazer isso. Os vocais roucos de Lips continuam ali, firmes, fortes e característicos, enquanto sua guitarra despeja riffs sólidos e de qualidade. Chris Robertson, em seu 2º álbum com a banda, mostra um bom trabalho, enquanto Robb Reiner nos entrega exatamente o que esperamos, ou seja, um trabalho muito sólido de bateria.


Se não apresenta novidades, ao menos o Anvil acerta a mão na maior parte dos temas aqui apresentados, por mais que tenhamos um ou outro momento na qual a qualidade decai um pouco. A sequência de abertura é bem positiva, com “Bitch In The Box”, uma típica música do Anvil, com riffs totalmente oitentistas, e as barulhentas e “motorheadianas” “Ego” e “Doing What I Want”, que são vibrantes e divertidas como devem ser. “Black Smoke” é outra nessa mesma pegada, não negando as influências de Lemmy & Cia. Outros destaques ficam por conta da instrumental "Pounding The Pavement", com um ótimo trabalho de bateria, e as surpreendentes “Rock That Shit” e “Warming Up”, com seus pés fincados naquele Rock and Roll dos anos 50 e influências de Chuck Berry. Em contrapartida, “Smash Your Face” não empolga e, se não chega a ser ruim, é no mínimo uma canção genérica, assim como “Nanook Of The North” (apesar da boa cadência) e “World Of Tomorrow”, quase um plágio de “Sweet Leaf”, do Black Sabbath.

Gravado no Soundlodge Studio, na Alemanha, o trabalho teve produção de Jörg Uken, com um resultado final muito bom, já que tudo está bem claro e audível, mas sem excessos. A capa, seguindo o padrão Anvil de sempre, foi obra de Christoph "Stripe" Schinzel, que já vem trabalhando com o grupo desde Still Going Strong (02). Como sempre, um trabalho divertido e que cumpre bem a sua função. Se persistência é uma virtude, nenhuma banda é mais virtuosa que o Anvil.

NOTA: 83

Anvil é:
- Steve "Lips" Kudlow (vocal/guitarra);
- Chris Robertson (baixo);
- Robb Reiner (bateria).

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terça-feira, 10 de abril de 2018

Angra - Ømni (2018)

Angra - Ømni

Angra - Ømni (2018)
(earMUSIC/Shinigami Records - Nacional)


01. Light of Transcendence
02. Travelers of Time
03. Black Widow's Web (feat. Alissa White-Gluz)
04. Insania
05. The Bottom of My Soul
06. War Horns (feat. Kiko Loureiro)
07. Caveman
08. Magic Mirror
09. Always More
10. ØMNI - Silence Inside
11. ØMNI - Infinite Nothing

Antes de tudo, farei algumas considerações. Incomoda-me demais a forma como o fã de Metal no Brasil trata suas bandas. Existiu uma época na qual dizíamos que o brasileiro só dava valor a uma banda nacional quando a mesma ganhava reconhecimento e respeito no exterior. Hoje em dia, ouso dizer que nem isso, já que nem mesmo estas escapam das pesadas críticas. Parece que muitos headbangers por aqui sofrem com dois graves problemas, o complexo de vira-lata e o saudosismo agudo. Para esses, se é nacional, não presta, e as bandas deveriam repetir eternamente as batidas fórmulas dos anos 80 e 90, lançando o mesmo álbum por toda a carreira (poucas são, a nível mundial, as que podem se dar esse luxo).

Veja o caso do Angra. Obstante todas as turbulências e mudanças de formação que passaram em mais de 25 anos, continuam altamente respeitados no exterior, e vivendo para muitos uma de suas melhores fases. Ainda assim, é possível encontrarmos por aqui pessoas que criticam pesadamente a banda. Se a crítica fosse unicamente pelo aspecto musical, ok, afinal, ninguém é obrigado a gostar de uma banda apenas por ela ser respeitada lá fora (e aqui entram sem problema algum aqueles que lamentam por eles não se limitarem a lançar cópias de Angels Cry (93), Holy Land (96) ou Rebirth (01)), mas a verdade é que quase sempre as mesmas se dão por questões alheias à sua música.

Já vi pessoas criticando a banda pelo seu profissionalismo, por ela querer levar sua música a outros públicos, seja através de participações em eventos populares ou convidando músicos de outros estilos para participações especiais, ou simplesmente pelo músico X ou Y não estar mais na banda, como se fossem insubstituíveis. Até que Fabio Lione, que é tranquilamente um dos maiores vocalistas da história do Power/Prog, é um vocalista limitado, já vi falarem por aí. Vivemos a era dos Haters, onde o importante é simplesmente falar mal e despejar seu ódio contra algo, mesmo que sem critério algum. Uma prova disso é que antes mesmo de Ømni sair, já era possível ver pessoas falando mal do álbum sem nem mesmo ter escutado uma simples nota do mesmo.


Quando do lançamento de Secret Garden (15), o Angra vinha de uma fase turbulenta, com dois trabalhos que não eram dos mais empolgantes (ao menos para mim), Aurora Consurgens (06) e Aqua (10), um rompimento complicado com o baterista Aquiles Priester, e a saída do vocalista Edu Falaschi. Talvez por não se esperar tanto da banda naquele momento, o álbum acabou surpreendendo por sua profundidade, peso e modernidade. Foi um trabalho sólido, onde lançaram as bases para uma nova fase que estava por vir, trazendo definitivamente seu Power/Prog Sinfônico para o século XXI. Ok, não podiam imaginar que perderiam Kiko Loureiro para o Megadeth, mas ali estava o futuro musical da banda.

Nesse ponto, ØMNI não só é a continuação natural de Secret Garden, como possivelmente é seu trabalho mais ambicioso. Se já haviam colocado um pé fora da sua zona de conforto (e da dos fãs, claro), aqui trataram de colocar o outro, pois podemos ouvir um Angra mais complexo, com maior musicalidade, técnica e peso, e claro, sem medo de experimentar e diversificar sua música. Ao mesmo tempo em que temos momentos totalmente voltados para aquele Power Metal típico, ou seja, veloz e melódico (mas soando muito atual), também temos um maior apelo Prog. É também seu álbum mais pesado. Admito, não é álbum fácil, que se pega com um par de audições, já que ele nos exige muito mais, mas quando você se permite escutá-lo de cabeça aberta e sem opiniões preestabelecidas, ele ganha um novo brilho. E foi isso que ocorreu comigo.

O que temos aqui são 11 canções que soam acima da média, onde o Angra mescla com a competência mais que habitual Power, Prog e Metal Sinfônico (na medida certa, sem os exageros que ouvimos por aí), com passagens de Fusion e elementos percussivos que enriquecem demais o resultado final. Fábio Lione mostra o porquê de ser um músico diferenciado e respeitado dentro de seu estilo. Sua voz soa forte e consegue dar agressividade e emoção às canções. Rafael Bittencourt também se sai bem nos momentos em que assume os vocais, se mostrando bem sólido e agradando bastante. Além disso, ao lado de Marcelo Barbosa, executa um trabalho magistral nas guitarras, com riffs fortes, pesados, além de ótimos solos. Felipe Andreoli mostra a competência habitual no baixo, formando uma parte rítmica muito técnica e variada ao lado do ótimo Bruno Valverde.


A sequência de abertura é daquelas que vai fazer a alegria de qualquer fã de Power Metal. “Light of Transcendence” é veloz, com ótimas melodias, riffs pesados, possui um refrão cativante e tem uma utilização perfeita dos elementos sinfônicos (os arranjos no álbum ficaram a cargo de Francesco Ferrini, do Fleshgod Apocalypse). Já “Travelers of Time” até engana com os elementos percussivos do seu início (muito bons por sinal), para depois seguir uma linha mais tradicional. Os vocais de Fábio estão ótimos e Rafael surge como um diferencial interessante na parte final da canção. Definitivamente, uma canção épica. “Black Widow's Web” merece uma atenção especial, pois é uma faixa que causou bastante polêmica por contar com participação especial de Sandy. Ao que parece, para alguns ter uma cantora de apelo popular em uma canção faz da mesma algo ruim. Não vou negar que em um primeiro momento essa é uma canção que causa certo estranhamento, mas de forma alguma isso se dá pela participação da referida cantora. A questão é que aqui o Angra resolveu pensar um pouco “fora da caixa”. A participação de Alissa White-Gluz dá à mesma um nível de agressividade e peso que não é padrão em se tratando da banda, fazendo dela uma música intensa, escura e diferente de tudo que a banda já fez. É um dos destaques de Ømni.

O lado Prog Metal dá as caras na ótima “Insania”, que possui boas melodias, algumas passagens mais pesadas e um dos melhores refrões de todo o álbum. “The Bottom of My Soul” é a primeira balada do álbum e conta com os vocais de Rafael, que se sai muito bem. Tem um ar mais dramático e se destaca pelo bom solo. O Power Metal volta a dar as caras com a ótima “War Horns”, que conta com vocais fortes, um refrão que cativa e ótimo trabalho de guitarras. Por sinal, conta com a participação de Kiko Loureiro. “Caveman” tem uma pegada mais experimental, com forte utilização de percussão e parte da letra cantada em português. Sua pegada é mais Prog, e após o estranhamento inicial, se torna uma das faixas mais interessantes aqui presentes. Por falar em Metal Progressivo, em “Magic Mirror” o estilo domina por completo, com boa dose de complexidade, um trabalho muito legal de guitarras e uma pitada de Dream Theater. “Always More” é a segunda balada aqui presente, soando bem emocional e fugindo um pouco do trivial, além de belos vocais. Fechando o álbum, a dobradinha “ØMNI - Silence Inside”, com sua combinação perfeita de Power e Prog, melodias cativantes, boas passagens percussivas e riffs poderosos e a instrumental “ØMNI - Infinite Nothing”, com melodias de todas as canções anteriores.

Como em time que está ganhando não se mexe, na produção repetiram a escalação de Secret Garden, com Jens Bogren cuidando da produção e mixagem e Tony Lindgren sendo o responsável pela masterização. O resultado não é menos do que excelente. Já a capa foi obra de Daniel Martin Diaz, com o layout e artes adicionais feitos pelo brasileiro Gustavo Sazes. Acompanha a alta qualidade da música. Se Secret Garden estabeleceu as bases para o futuro do grupo, Ømni vem para consolidar de vez sua proposta para os próximos anos. Os haters de plantão podem bradar aos quatro ventos, babando de ódio, que o Angra acabou, mas como uma fênix, ele insiste em renascer de suas cinzas, turbulência após turbulência. Você pode gostar ou não do trabalho da banda (pelo aspecto musical), mas o respeito à importância da mesma para a história do Metal no Brasil é algo essencial. E que venham muitos outros grandes álbuns por aí.

NOTA: 90

Angra é:
- Fabio Lione (vocal);
- Rafael Bittencourt (guitarra/vocal);
- Marcelo Barbosa (guitarra);
- Felipe Andreoli (baixo);
- Bruno Valverde (bateria).

Participações Especiais:
- Alissa White-Gluz (vocal em “Black Widow's Web”);
- Sandy (vocal em “Black Widow's Web”);
- Kiko Loureiro (guitarra solo em “War Horns”);
- Francesco Ferrini (orquestrações);
- Alessio Lucatti (teclados);
- Nei Medeiros (teclados em “Insania” e Always More”)
- Tiago Loei (percussão em “Insania");
- Dedé Reis (percussão em "Travelers of Time", "Black Widow's Web", "War Horns" e "Caveman")
- Wellington Sancho (percussão em "The Bottom of My Soul", "Magic Mirror", "Always More" e "ØMNI - Silence Inside")

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terça-feira, 3 de abril de 2018

Transcendent - Awakening (2017)

Transcendent - Awakening

Transcendent - Awakening (2017)
(Independente - Nacional)


01. Welcome
02. Word Redemption
8,0 03. Inside Out
04. Hopeless
05. Dreamless
06. Awakening
07. Second Breath
08. Alienation
09. Interference
10. Z42
11. Sweet Tasting Demise
12. Transcendence
13. The Best I Can
14. Monsters

Surgido no ano de 2003, na cidade de São Paulo, o Transcendent passou por todas as etapas que uma banda deve passar quando se trata de underground. Gravou uma Demo em 2007, Crucify, e um EP autointitulado em 2009. Tudo dentro do script. Mas o passo seguinte, seu 1º álbum completo de estúdio, acabou demorando um pouco além do que o esperado, já que só veio à luz do dia em janeiro do ano passado. São as dificuldades inerentes a se fazer Heavy Metal no Brasil.

Mas no fim, se serve de consolo, podemos dizer que esses 8 anos que separam o EP Transcendent de Awakening, seu debut, acabaram por ser extremamente positivos, já que nesse tempo a banda pôde não só lapidar mais algumas de suas canções (“Alienation”, “Z42” e “Transcendence” estavam presentes no trabalho de 2009), como também crescer ainda mais tecnicamente e forjar novos temas dentro da sua realidade. O que temos em mãos é um material que denota, acima de tudo, maturidade musical, algo que só o tempo pode dar.

O que temos diante de nós é um Metal Progressivo de muita qualidade, virtuoso, absurdamente técnico e complexo, com muitas mudanças de tempo e passagens quebradas, mas que, pasmem, esbanja musicalidade. Além disso, influências de Heavy e Rock Progressivo podem ser notadas, o que enriquece ainda mais o resultado final. Os vocais de Leandro Baracho são muito bons, equilibrando bem melodia e agressividade (quando essa se faz necessária), enquanto a guitarra de Miller Borges nos entrega bons riffs, boas melodias, peso e solos de muita qualidade. A parte rítmica, com o baixista Lucas Nakan e o baterista Dino Ramos esbanja força, técnica e versatilidade, enquanto os teclados de Lucas Cavalcante estão muito bem encaixados, enriquecendo ainda mais o resultado final.


São 14 canções, todas de muita qualidade, mas com os inegáveis destaques. “Welcome”, faixa de abertura, tem boa utilização do teclado (dá um ar meio psicodélico às coisas) e da guitarra, além de ótimas melodias. “Word Redemption” é outra onde a guitarra se destaca, e possui bom peso e ótimo trabalho da parte rítmica. “Inside Out” é uma das canções mais pesadas do álbum, com bons riffs e ótimo desempenho vocal. “Awakening” é um Prog que se destaca pelas boas melodias, enquanto “Second Breath” mostra boa influência de Heavy Tradicional, além de equilibrar muito bem as passagens mais melódicas e as mais agressivas. “Z42” se mostra bem diversificada, além de se utilizar de elementos regionais de forma bem interessante.

A produção do trabalho é muito boa, tendo ficado a cargo de Tiago Pollon, com a masterização realizada pelo experiente Andy VanDette (Bruce Dickinson, Deep Purple, Fates Warning, Rush, Savatage, Tool). Conseguiu equilibrar muito bem clareza com uma dose de sujeira, soando assim bem orgânica. Já a capa é obra de Victor Toush, sendo simples, mas bonita. Com Awakening, o Transcendent prova que é possível sim, soar técnico e virtuoso sem ser pedante e chato. Sem abrir mão da musicalidade e fazendo uma música repleta de personalidade, o quinteto se coloca entre os melhores do gênero dentro do cenário nacional, além de se mostrar mais do que pronto para voos mais altos.

NOTA: 84

Transcendent é:
- Leandro Baracho (vocal);
- Miller Borges (guitarra);
- Lucas Nakan (baixo);
- Dino Ramos (bateria);
- Lucas Cavalcante (teclado).

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domingo, 1 de abril de 2018

Melhores álbuns – Março de 2018


No primeiro domingo de cada mês o A Música Continua a Mesma fará uma lista com os melhores álbuns do mês anterior. Nela, respeitaremos as datas oficiais de cada lançamento, então sendo assim, não contaremos a data que os mesmos vazaram na internet, mas sim quando efetivamente foi ou será lançado.

Sendo assim, ai vão os melhores lançamentos de fevereiro na opinião do A Música Continua a Mesma.

1º. Judas Priest - Firepower
 

2º. Neros Benedictios - Ermo
 

3º. Rocka Rollas - Celtic Kings
 

4º. Between The Buried And Me - Automata I 


5º. Monster Magnet – Mindfucker


6º. Ministry – AmeriKKKant
 

7º. Susperia - The Lyricist


8º. Degola - The Age of Chastisement


9º. Demonical - Chaos Manifesto


10º. Primordial - Exile Amongst The Ruins
 

Menções Honrosas

- Rivers of Nihil - Where Owls Know My Name


- Memoriam - The Silent Vigil


- Mournful Congregation - The Incubus Of Karma


- Blaze Bayley - The Redemption of William Black (Infinite Entanglement Part III)

 

quarta-feira, 28 de março de 2018

Kamala - Eyes of Creation (2018)


Kamala - Eyes of Creation (2018)
(Independente - Nacional)

01. Internal Peace
02. Stay with Me
03. Open Door
04. Something to Learn
05. Purpose of Life
06. Believe
07. Deep Breath
08. Eyes of Creation
09. Wake Up

Eis que após o ótimo Mantra (15) e o EP Consequences of Our Past Vol I (17) (com regravações de canções do 3 primeiros trabalhos), o Kamala lança Eyes of Creation, seu 5º álbum de estúdio. Para quem não conhece a banda, ela surgiu no ano de 2003, na cidade de Campinas/SP, e desde então vêm batalhando duro e enfrentando todas as intempéries de se fazer Metal no nosso país, se caracterizando por um Thrash Metal pesado, agressivo, moderno e técnico. Hoje é um trio formado por Raphael Olmos (guitarra/vocal), Allan Malavasi (baixo/vocal) e Isabela Moraes (bateria/ex-Sinaya, ex-Lethal Storm), que substituiu Estevan Furllan no ano passado.

Mantra foi, para mim, um dos melhores lançamentos de 2015, e por isso eu esperava com certa ansiedade por esse trabalho. E bem, se você estava na mesma situação que eu, posso adiantar que certamente não vai se decepcionar com Eyes of Creation. Em comparação com seu antecessor, temos aqui uma banda com um senso de melodia um pouco maior (o que torna sua música ainda mais cativante), mas que em momento algum soa menos pesada ou agressiva do que antes. Seu Thrash Metal enérgico e vigoroso continua intocado, e isso é uma virtude. Os vocais continuam alternando entre o rasgado e o gutural, com ótimos trabalhos tanto de Raphael quanto de Allan. A dinâmica vocal que os dois dão às canções é muito boa. No que diz respeito ao trabalho de guitarra, ele como sempre está muito bom, com ótimos riffs e solos. Allan e Isabela formam uma parte rítmica que já mostra muito entrosamento e técnica, e em muitos momentos se destacam no álbum.


Não se deixe enganar pela introdução acústica, com harpa e violão, de “Internal Peace”, faixa que abre o trabalho, pois logo ela explode em fúria e agressividade. “Stay with Me” dá sequência ao álbum com bons riffs, refrão forte e esbanjando groove, além de ter um ótimo solo, enquanto “Open Door” tem peso de sobra e de destaca pela ótima variedade vocal imposta por Raphael e Allan. “Something to Learn” se mostra não só uma canção enérgica, como também detentora de ótimos riffs e melodias. É um dos pontos altos de todo o álbum. “Purpose of Life” se destaca pelo uso do didgeridoo (um instrumento de sopro australiano) em seu início, mas também pela boa cadência e peso simplesmente esmagadores. “Believe” é outra que se destaca pelas ótimas melodias e pelo bom groove, assim como a empolgante “Deep Breath”, que conta com a participação especial de Marcus Dotta (Addicted to Pain, Hatematter, ex-Warrel Dane) na bateria, além de um ótimo refrão e riffs fortíssimos. A instrumental “Eyes of Creation” retrata com perfeição o que é o álbum, equilibrando de forma ímpar melodia e agressividade, além de mostrar toda a técnica da banda, e “Wake Up” encerra os trabalhos de forma densa, mesclando momentos acústicos e introspectivos com outros mais pesados e agressivos.

Gravado no Estudio RG (Americana/SP), o trabalho teve a produção, mixagem e masterização realizadas por Guilherme Malosso e co-produção de Yuri Camargo (que formam o duo de Atmospheric Black Metal Motherwood, responsável por um dos melhores lançamentos nacionais de 2017). O resultado final é muito bom, deixando tudo claro e audível, mas sem perder a agressividade. Também foram felizes nas escolhas dos timbres. Já a belíssima capa foi obra de Felipe Rostodella. Se mostrando mais maduro do que nunca, e apresentando um trabalho muito coeso, o Kamala nos presenteia com um álbum de Thrash que esbanja não só agressividade, peso e intensidade, como também criatividade. Certamente é um dos grandes álbuns do estilo que você irá escutar no Brasil esse ano.

NOTA: 86

Kamala é:
- Raphael Olmos (Guitarra/Vocal);
- Allan Malavasi (Baixo/Vocal);
- Isabela Moraes (Bateria).

Participações Especiais:
- Corentin Charbonnier (Harpa em “Internal Peace”)
- Victor Martins (Didgeridoo em “Purpose in Life”)
- Marcus Dotta (Bateria em “Deep Breath”)

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segunda-feira, 26 de março de 2018

Preceptor - Dogmatismo (2017)


Preceptor - Dogmatismo (2017)
(Songs for Satan/Misanthropic Records/Jazigo Distro/Philosofic Arts - Nacional)


01. A Peste
02. Corporações Criminosas
03. Maldição
04. Universo de Máscaras
05. Preceptor
06. 2810
07. Poseidon
08. Dogmatismo
09. Alienação Corrupção
10. Desespero
11. Depression Field

Ter uma banda de Metal no Brasil não é das missões mais simples. O estilo é praticamente invisível para a grande mídia (ficando restrito apenas à mídia alternativa), seu fã ainda é visto com ressalvas por grande parte da sociedade, e mesmo entre esses, poucos realmente dão apoio de verdade à cena, indo a shows, adquirindo materiais e coisas do tipo. Você realmente tem que amar o que faz. É esse o caso de Dú (Vocal/Mata Borrão, ex-Vector Underfate), Grilão (Guitarra/ex-Mortthrash), Sérgio Wildhagen (Guitarra/Expurgo, ex-Akerbeltz, ex-Mortthrash), Fred (Baixo/Throll) e Morone Hiffer (Bateria/ex-Necrobiotic, ex-Vector Underfate), que formam o Preceptor.

Para quem não conhece, o Preceptor surgiu em 2004, em Belo Horizonte, capital das Minas Hellrais, e investe em um Death Metal Tradicional com uma pegada que remete totalmente aos anos 80 e 90, e referências a nomes clássicos como Benediction, Bolt Thrower, Death, Morbid Angel e Entombed. E vejam bem, eu disse referências, pois sua sonoridade pesada, bruta agressiva e variada em momento algum soa como cópia ou datada. Ao contrário, sua música possui bastante personalidade e tem uma cara bem atual, sem precisar apelar para “modernices”. Vale citar também o fato de que, apesar de possuir boa técnica, não abusam disso nas canções, algo bem comum nas bandas mais atuais. Isso faz com que sua música seja bem direta, dando assim ao fã de Death Metal exatamente o que ele espera.

Dú mostra um gutural muito bom, soando bruto, mas não impedindo que o ouvinte consiga entender as ótimas letras, quase todas em português (só uma aqui é cantada em inglês). Grilão e Sérgio são uma ótima dupla e nos presenteiam com riffs de muita qualidade, bem fortes e que esbanjam fúria. Freddy e Morone mostram muito entrosamento e formam uma parte rítmica muito coesa, que esbanja peso e acima de tudo, variedade. Nesse ponto, vale dizer que o Preceptor opta por alternar passagens mais cadenciadas com outras mais velozes, fazendo com que suas músicas não soem cansativas. Ponto para eles. Para os que acompanham a banda há algum tempo e tiveram contato com o EP de 2010, Missiva Apocalíptica, fica nítido o amadurecimento musical do grupo, já que as composições soam muito mais coesas e com personalidade.


De cara temos “A Peste”, uma composição que é um retrato perfeito do que iremos ouvir durante todo o álbum. É agressiva, pesada e alterna as passagens mais velozes com as mais cadenciadas. Uma verdadeira pedrada. “Corporações Criminosas” é outra que se destaca pelas boas mudanças de ritmo, além de ter um ótimo trabalho de guitarras. “Maldição” esbanja rispidez, enquanto “Universo de Máscaras” se destaca não só pelos bons riffs, como também pelas ótimas linhas de baixo. “Preceptor” é tudo que esperamos de um bom Death Metal, ou seja, veloz, forte e brutal. Já “2810” e “Poseidon” se destacam principalmente pelas ótimas mudanças de tempo. “Dogmatismo” é sem dúvida alguma minha canção preferida em todo álbum, dessas forjadas sob medida para destruir pescoços alheios. “Alienação Corrupção” esbanja energia por todos os lados e deixa muito evidente as influências de Hardcore e Grindcore presentes na banda, enquanto “Desespero” tem todo aquele clima típico do Death Metal dos anos 90. Te faz viajar no tempo. Para encerrar, a faixa mais “diferentona” de todo o álbum, “Depression Field”. Além de ser a única cantada em inglês, soa bem densa e tem uma pegada mais Doom. Rivalizou com “Dogmatismo” pelo posto de minha preferida.

A produção é outro ponto a se destacar aqui. Ficou por conta da própria banda, com mixagem e masterização realizadas por Dennis Israel (Echelon, Dark Age, Falling Leaves, Amon Amarth). Conseguiram equilibrar muito bem clareza e crueza. Sabe aquelas produções plastificadas e artificiais que escutamos com cada vez mais frequência? Decididamente isso não ocorre aqui, já que a mesma soa bem orgânica. Também foram muito felizes na escolha dos timbres. A belíssima capa foi obra de Daniel Tavares, sendo uma das mais legais do ano passado. Sabe aquele CD perfeito para fazer você afastar os móveis da sala e sair batendo cabeça? Pois é, Dogmatismo é assim. Um verdadeiro soco na boca do estômago! Se gosta de Death Metal bem tocado, direto, forte e agressivo, corra atrás, pois não vai se arrepender.

NOTA: 85

- Du (Vocal);
- Grilão (Guitarra);
- Sérgio Wildhagen (Guitarra)
- Fred (Baixo);
- Morone Hiffer (Bateria).

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sexta-feira, 23 de março de 2018

Judas Priest – Firepower (2018)


Judas Priest – Firepower (2018)
(Sony Music – Nacional)


01. Firepower
02. Lightning Strike
03. Evil Never Dies
04. Never the Heroes
05. Necromancer
06. Children of the Sun
07. Guardians
08. Rising from Ruins
09. Flame Thrower
10. Spectre
11. Traitors Gate
12. No Surrender
13. Lone Wolf
14. Sea of Red

Lá se vão quase 50 anos de carreira. E não falamos de qualquer carreira, já que Judas Priest é o principal responsável por moldar todo um estilo, a ponto de ser impossível dissociar o nome da banda do Heavy Metal. Mas a verdade é que, gostem os mais fanáticos ou não, obstante o tamanho da lenda, faz tempo que o Judas não lança um trabalho que seja capaz de unir seus fãs, que te faça escutar o mesmo e pensar que estamos diante de um possível clássico. Mas convenhamos, nem dá para condená-los, afinal, faz parte do cerne do ser humano se acomodar com algumas situações.

De meados dos anos 90 para cá, as coisas não foram tranquilas para o Judas. Primeiro Halford saiu, sendo substituído por Tim “Ripper” Owens, com quem a banda lançou dois trabalhos, Jugulator (97) e Demolition (01). A repercussão não foi das melhores e em 2003, realizando o sonho de seus fãs, uniram-se novamente a Rob. Após isso, foram mais 3 álbuns, Angel of Retribution (05), Nostradamus (08) e Redeemer of Souls (14). Por mais que esses sejam trabalhos que possuem qualidades e defensores, a realidade é que todos passaram longe de serem unanimidades. Some-se a isso mais 2 fatos de suma importância: em 2011, K.K. Downing anunciou sua aposentadoria, se retirando da banda, e mais recentemente, Glenn Tipton se afastou das turnês, em decorrência dos efeitos do Mal de Parkinson, doença degenerativa com a qual convive há um tempo. No caso do primeiro, Richie Faulkner assumiu o posto, enquanto no segundo, Andy Sneap passou a excursionar com a banda.

Não vou mentir. Eu não esperava muita coisa mais vinda do Judas Priest, dado o fato de que já não lançavam um trabalho acima da média desde o fabuloso Painkiller (90). E vou além, acho que muitos fãs também compartilhavam desse pensamento, mesmo que não tivessem coragem de assumi-lo, afinal, quando uma banda chega ao status de lenda dentro de um estilo, a tendência é que o fã vire muito mais um “torcedor” do que um fã propriamente dito, fechando os olhos assim para falhas cometidas, recusando-se a aceitar que sim, lendas do Heavy Metal também cometem equívocos musicais. Por tudo isso, minha alegria por Firepower é sincera.


Não irei aqui cometer o exagero de dizer que seu 19º álbum de estúdio é um clássico. Falar isso seria totalmente leviano e eu estaria jogando para a torcida. Se é ou não é, o tempo tratará de dizer. O que posso afirmar é que o Judas Priest nos presenteou com um álbum que honra sua história. Por quase 30 anos, o fã esperou pelo legítimo sucessor de Painkiller, e justamente no momento mais improvável de sua carreira (que queiram ou não, se encaminha para o fim, pois o tempo é inexorável), o mesmo acabou surgindo. Muito do que escutamos poderia estar no citado clássico, mas não é só ele que dá as caras por aqui. Em Firepower, ecos de trabalhos como British Steel (80), Defenders of the Faith (84) e dos dois primeiros da carreira solo de Rob Halford, Resurrection (00) e Crucible (02), podem ser escutados pelos ouvintes mais atentos. Até mesmo momentos que remetem a Ram It Down (88) podem ser notados. Firepower é, pura e simplesmente, um álbum de Heavy Metal. E que álbum!

Não podemos discutir a capacidade de Rob Halford, pois ele é um dos maiores vocalistas do Rock/Metal de todos os tempos. Mas seria hipocrisia querer fechar os olhos para seus desempenhos recentes, afinal, a idade chega para todos. Em Redeemer of Souls, por mais que tenha feito um trabalho para lá de competente, em muitos momentos seus vocais soavam um pouco forçados. Já aqui não vemos isso, e Rob nos entrega seu trabalho mais sólido e diversificado em muito tempo. É nítida a paixão com a qual ele canta esse material. As guitarras soam pesadas e fortes, despejando não só riffs marcantes, como também ótimos duetos. Tipton dispensa qualquer presentação, enquanto Richie Faulkner se mostra ainda mais à vontade e adaptado à banda em seu segundo trabalho. Sobre Ian Hill e Scott Travis, não temos muito o que falar. Linhas de baixo marcantes, classudas, e bateria pesada, técnica e variada. É o que se espera da dupla e é o que nos entregam.


De cara, “Firepower” se mostra uma boa faixa de abertura, rápida e com boas bases, sendo seguida por “Lightning Strike”, uma música forte e que poderia estar sem problema algum em Painkiller. “Evil Never Dies” é um dos grandes momentos do álbum, e tem tudo para se tornar uma faixa clássica da banda, com boas guitarras, variação rítmica, um belo solo e refrão marcante. “Never the Heroes” é outra que se destaca pelo refrão, além de possuir boas melodias e um clima épico. Já “Necromancer” tem uma pegada um pouco mais moderna e riffs deveras sinistros, mas, ainda assim, uma bela canção de Heavy Metal Tradicional. “Children of the Sun” se destaca não só pela cadência e pelo peso, mas também por ser dessas faixas grudentas e que ficam na sua cabeça por um bom tempo.

Após a breve instrumental “Guardians”, a segunda metade do álbum abre com a fantástica “Rising from Ruins”, intensa, épica, com uma fortíssima linha de baixo e ótimos solos que esbanjam melodias. “Flame Thrower” apresenta aquele Heavy Metal típico do Judas, com ótimos riffs, sendo seguida por “Spectre”, faixa onde a parte rítmica se destaca e que possui melodias verdadeiramente contagiantes. Se você quiser saber o que é um verdadeiro Heavy Metal oitentista, escute a faixa seguinte, “Traitors Gate”, intensa, enérgica, e épica. “No Surrender” mescla com perfeição ímpar e de forma explosiva Hard e Heavy Metal. Difícil não se contagiar com sua energia e fúria. A pesada “Lone Wolf” se diferencia bastante das demais, com um ótimo riff principal e influência de Black Sabbath, enquanto “Sea of Red” encerra Firepower de forma épica.

A produção foi feita pela da dupla Andy Sneap (Amon Amarth, Accept, Megadeth, Exodus, Kreator), e um velho conhecido, Tom Allom, com quem o Judas trabalhou do período que foi de British Steel até Ram It Down. O resultado foi uma produção de altíssimo nível, bem mais polida e elaborada que as anteriores. A parte gráfica ficou por conta de Claudio Bergamin (Halford, Battle Beast) e Mark Wilkinson (com quem trabalham há 3 décadas), e vale dizer que a capa remete de certa forma ao clássico Screaming for Vengeance (82). No fim, temos uma verdadeira seleção de músicas para se cantar junto, levantando seus punhos para o alto. Uma honesta e verdadeira declaração de amor ao Metal.

NOTA: 91

Judas Priest é:
- Rob Halford (Vocal);
- Glenn Tipton (Guitarra);
- Richie Faulkner (Guitarra);
- Ian Hill (Baixo);
- Scott Travis (Bateria).

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quinta-feira, 22 de março de 2018

Tchandala - Resilience (2017)


Tchandala - Resilience (2017)
(Independente - Nacional)


01. The Flame
02. Labyrinth
03. Valley of Greed
04. Lamento do Velho Chico
05. Tears of River
06. Echoes Through the Fourth Dimension
07. Flatland
08. Shadows
09. Father’s Spirit
10. Caesar
11. Resilience
12. Echoes Through the Fourth Dimension (Acústica)

Surgido em Aracaju/SE, no ano de 1996, o Tchandala já está aí há mais de duas décadas batalhando arduamente no nosso meio underground. Resilience é seu 3º trabalho completo de estúdio e vem após um hiato de 5 anos do lançamento do bom Fear of Time (12), mostrando a banda mais madura e coesa do que nunca, e vivendo o que certamente é o melhor momento criativo de sua carreira. Musicalmente, para quem não conhece o quinteto sergipano, o que temos aqui é um Heavy Metal Tradicional que aposta principalmente nas boas melodias e no peso, como era de se esperar, mas que não soa datado em momento algum.

Ao contrário de muitos nomes da atualidade, que preferem emular aquela sonoridade tipicamente oitentista, o Tchandala opta por seguir uma linha mais “moderna”, por assim dizer. Sua música soa atual, e acima de tudo, possui personalidade de sobra. O trabalho vocal de Dejair Benjamim é muito bom, e em momento algum soa cansativo. Para completar, ainda têm o apoio de uma série de convidados especiais, dentre eles Tim “Ripper” Owens (ex-Judas Priest, ex-Iced Earth) e Iuri Sanson (Hibria), o que ajuda a enriquecer a mais o álbum nesse sentido. As guitarras de Thamise Ducci e Rafael Moraes (que saiu posteriormente, sendo substituído por Siuari Damaceno) nos entregam ótimos riffs e solos de qualidade, enquanto a parte rítmica, com Sando Souza (Baixo) e Pablo Rubino (Bateria), mostra técnica e muito peso.


São 12 músicas, todas de muita qualidade, mas com aqueles inevitáveis destaques. “The Flame”, faixa que abre o álbum, apresenta não só boas guitarras, como também um refrão grudento e boas melodias. “Valley of Greed” é agressiva e possui ótimos riffs, além de contar com a participação mais do que especial de Iuri Sanson (Hibria), que enriquece demais o resultado final. “Tears of River” é um Prog/Power carregado de energia, com uma boa utilização de elementos regionais e com direito à Banda de Pífano de Caruaru encerrando a mesma. “Echoes Through the Fourth Dimension” é uma música semi-acústica, que cativa com facilidade o ouvinte e conta com participação do duo Write Me a Letter (a mesma também recebeu uma bela versão puramente acústica, que encerra o trabalho). “Caesar”, além de contar com vocais de Tim “Ripper” Owens, se mostra pesada e com um ótimo trabalho da dupla de guitarristas. Mas a melhor de todas é sem dúvida alguma “Resilience”, uma verdadeira pedrada, e que se destaca não só pelo peso e energia, como pelos riffs e pelo bom trabalho vocal. Em alguns momentos, você consegue pescar algo de Judas Priest na mesma.

A produção ficou por conta da banda e da dupla Marcos Franco e Dan Loureiro, sendo que ambos foram responsáveis pela mixagem e masterização do álbum, enquanto a mixagem e masterização da faixa "Lamento do Velho Chico" foi realizada por Sérgio Basseti. O resultado final ficou muito bom, já que tudo soa claro e limpo, mas com uma organicidade muito legal e que passa longe do artificialismo de muitos trabalhos atuais. Já a belíssima capa e o ótimo design do encarte ficou por conta de Marlon Delano. Com uma música mais pesada, coesa e melhor trabalhada, o Tchandala mostra que o tempo só lhe fez bem, trazendo a maturidade necessária para lançar um trabalho de primeiríssima categoria e que tem tudo para colocá-lo entre as principais bandas nacionais do estilo.

NOTA: 83

Tchandala é (Gravação):
- Dejair Benjamim (Vocal)
- Thamise Ducci (Guitarra)
- Rafael Moraes (Guitarra)
- Sandro Souza (Baixo)
- Pablo Rubino (Bateria)

Tchandala é:
- Dejair Benjamim (Vocal)
- Thamise Ducci (Guitarra)
- Siuari Damaceno (Guitarra)
- Sandro Souza (Baixo)
- Pablo Rubino (Bateria)

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quarta-feira, 21 de março de 2018

Killepsia – Killepsia (EP) (2017)


Killepsia – Killepsia (EP) (2017)
(Independente – Nacional)


01. Role Model
02. Bordado
03. Império
04. Incertezas

O Killepsia surgiu no ano de 2013, em Porto Alegre/RS, tendo lançado já no ano seguinte seu primeiro EP, Kronophobia. Passados 3 anos e algumas mudanças de formação, soltaram no ano passado seu segundo trabalho do mesmo tipo, autointitulado. E o que temos aqui é uma mistura bem interessante de Heavy Metal, Rock Progressivo, MPB e Jazz, fazendo da sonoridade do quarteto algo diversificado e diferenciado.

Sua música se mostra bem coesa e equilibrada, o que é um ponto positivo. Apesar de técnicos, conseguem fazer sua música de uma forma bem simples, sem exageros, fazendo com que suas canções soem agradáveis, mesmo para aqueles que não são tão fãs de Progressivo. Chama também a atenção o fato de que, apesar de ótimas melodias, não abrem mão do peso, com direito a algumas passagens bem agressivas aqui e ali.

O trabalho de guitarras de Vicente Queiroz e Giuseppe Oppelt é muito bom, com destaque principalmente para os solos. Na parte rítmica, Ian Ge Eff imprime algumas linhas bem fortes de baixo, enquanto Rafael Severo se mostra um baterista altamente técnico e diversificado. O único senão, a meu ver, fica no que tange o trabalho vocal, dividido por Vicente e Ian. Não que ele seja ruim, mas fica aquém do que a música do Killepsia pede. Senti um pouco de insegurança em alguns momentos, e falta alcance a voz de ambos. Isso faz com que, em alguns momentos, os vocais não correspondam ao que o instrumental pede (e acreditem, nessa parte eles são ótimos).

 

São 4 canções, todas muito bem arranjadas, e com boas variações de tempo. Destaca-se o fato também de que uma delas é cantada em inglês, e as demais em português. “Role Model” abre o trabalho com uma forte linha de baixo e possui boa agressividade, mas achei a mais fraca do EP, principalmente no que diz respeito ao trabalho vocal. “Bordado” tem uma pegada mais acessível, com algo de Pop/Rock aqui e ali, mas sem abrir mão do peso (principalmente nas bases). E aqui constatamos que o Killepsia se sai melhor cantando em português do que em inglês (fica aí a dica para trabalhos futuros). “Império” é a mais diversificada de todas as canções aqui presentes, com seus quase 8 minutos de duração. Enérgica, passeia entre o Metal e o Progressivo, com ótimos resultados. Encerrando, temos a forte “Incertezas”, densa, técnica e, certamente, a mais pesada de todo o trabalho.

Produzido e mixado por Vicente Telles, com coprodução de Ian Ge Eff e masterização realizada por Marcos Abreu. O resultado final é razoável: está tudo bem claro e audível, com boa timbragem e um clima mais orgânico, mas em um ou outro momento a crueza acaba soando um pouco além da conta, levando em conta a proposta do quarteto. Ainda assim, está longe de comprometer. Já a capa, simples e funcional, é obra de Pedro Valadão. Mostrando muita personalidade e diversidade, o Killepsia surpreende pela ótima música aqui apresentada. Acertando esses pequenos detalhes apontados aqui e ali, estarão mais do que prontos para voos muito mais altos.

NOTA: 81

Killepsia é:
- Vicente Queiroz (Guitarra/Vocal);
- Ian Ge Eff (Baixo/Vocal);
- Giuseppe Oppelt (Guitarra);
- Rafael Severo (Bateria).

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terça-feira, 20 de março de 2018

Destruction - Thrash Anthems II (2017)


Destruction - Thrash Anthems II (2017)
(Nuclear Blast/Shinigami Records - Nacional)


01. Confused Mind
02. Black Mass
03. Front Beast
04. Dissatisfied Existence
05. United By Hatred
06. The Ritual
07. Black Death
08. Antichrist
09. Confound Games
10. Rippin’ You Off Blind
11. Satan’s Vengeance
12. Holiday In Cambodia (Bonus Track - Dead Kennedys Cover)

Quando uma banda consagrada dentro de seu estilo resolve regravar velhos sucessos, a recepção por parte dos fãs mais antigos não costuma ser das melhores. Confesso que eu mesmo tenho um pé atrás com esse tipo de iniciativa, desaprovando-as em certas ocasiões. E vale dizer que nem sempre isso se dá pelo fato de o ouvinte estar arraigado a tradicionalismos, mas sim porque certas canções soam perfeitas em sua forma original, e nada do que se faça com elas as tornarão superiores às suas versões originais.

Em 2007 o Destruction lançou Thrash Anthems, um álbum que trazia para o século XXI antigos clássicos de seu repertório. O resultado divide opiniões até hoje, tendo uma parcela de seu público que o aprovou com louvor, e outra que não se empolgou tanto. Dez anos se passaram e os alemães resolveram fazer nova investida nesse sentido, dessa vez com uma campanha de financiamento coletivo no site PledgeMusic, onde não só os fãs ajudaram a financiar o álbum, como também escolheram o repertório. Ele chegou às mãos dos fãs em julho de 2017 e em novembro a Nuclear Blast resolveu fazer seu lançamento mundial.

Dos anos 80 para cá, Schmier e Mike cresceram como músicos, e Vaaver certamente é o melhor baterista, do ponto de vista técnico, a passar pelo Destruction. A produção também é infinitamente superior, soando limpa, com as guitarras mais fortes e pesadas, mantendo até mesmo a força dos riffs originais. Tudo isso se reflete no resultado final, já que, acima de qualquer coisa, temos um trabalho muito sólido. Mas aí vem aquela pergunta: as versões aqui ficaram superiores às originais? Não, de forma alguma. A verdade é que essas canções são temas únicos justamente por aquele clima inigualável que elas possuem e que de forma alguma poderia ser reproduzido 3 décadas depois.


Mas veja bem, isso não faz de Thrash Anthems II um álbum dispensável. Em primeiro lugar, o repertório foi muito bem escolhido pelos fãs, e cobre todos os trabalhos da banda desde a demo Bestial Invasion of Hell (84) até Cracked Brain (90). Além disso, mesmo que as versões não soem superiores às originais, ainda sim ficaram muito boas, já que soam mais vivas do que nunca. Além do mais, é uma forma de apresentar, com uma roupagem mais moderna, antigos clássicos da banda para uma geração que não é tão apegada àquela sonoridade tipicamente oitentista, ou que não tem fácil acesso ao material do período. Os maiores destaques ficaram por conta de “Confused Mind” (Eternal Devastation (86)), “Black Mass” (Sentence of Death (84)), “Black Death” (Infernal Overkill (85)), “Rippin’ You Off Blind” (Cracked Brain (90), originalmente com vocais de André Grieder) e “Satan’s Vengeance” (Bestial Invasion of Hell/Sentence of Death (84)). Vale dizer que ainda temos um cover para “Holiday In Cambodia”, do Dead Kennedys, e participações especiais dos guitarristas Ol Drake (ex-Evile), Michael Amott (Arch Enemy) e V.O. Pulver (Pänzer).

Toda a parte de produção mais uma vez ficou por conta de V.O. Pulver, com ótimos resultados, já que deixou tudo limpo, claro, agressivo e pesado, mas sem saturação em excesso (um problema de trabalhos passados do Destruction). A capa, como vem ocorrendo já há algum tempo, foi obra de Gyula Havancsák. Se você é desses fãs mais puristas e radicais, existe sim a possibilidade de não gostar tanto assim de Thrash Anthems II, mas se você faz parte da geração mais nova de fãs desse gigante do Thrash alemão, certamente esse é um álbum que vai te agradar em cheio. Pode não ter o brilho dos velhos clássicos, mas é sólido, correto, respeitoso e acima de tudo, de qualidade.

NOTA: 83

Destruction é:
- Schmier (Vocal/Baixo);
- Mike (Guitarra);
- Vaaver (Bateria).

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