sexta-feira, 24 de março de 2017

Aversions Crown - Xenocide (2017)

Aversions Crown - Xenocide (2017)
(Shinigami Records/Nuclear Blast - Nacional)


01. Void
02. Prismatic Abyss
03. The Soulless Acolyte
04. Hybridization
05. Erebus
06. Ophiophagy
07. The Oracles Of Existence
08. Cynical Entity
09. Stillborn Existence
10. Cycles Of Haruspex
11. Misery
12. Odium

Pode-se dizer que com a mesma velocidade que se popularizou, o Deathcore estagnou. O cenário foi inundado por bandas que mesclavam riffs tipicamente Death, vocais guturais e breakdowns, soando praticamente idênticas umas às outras. Dentro desse panorama, quando os australianos do Aversions Crown surgiram com seu debut, Servitude, no ano de 2011, não despertaram tanto a atenção, já que não apresentavam muita coisa de novo. Ainda assim, conseguiram um contrato com a Nuclear Blast e 3 anos depois, soltavam seu segundo álbum, Tyrant. Durante esse tempo, a banda rodou mundo afora, tocando ao lado de nomes de peso como Thy Art Is Murder, All Shall Perish e The Acacia Strain.

Pois esses 6 anos e toda a estrada percorrida pela banda só os fizeram muito bem. Se em Servitude a banda soava um pouco mais técnica e se em Tyrant pendia para um lado mais experimental e atmosférico, em Xenocide ela resolveu mesclar o que de melhor fez em seus trabalhos anteriores. Se mostrando muito mais madura e técnica, seu terceiro trabalho soa mais sofisticado, complexo e sim, podemos dizer, menos “Core” e mais “Technical Death Metal”. Os vocais estão simplesmente brutais e muito variados, enquanto as guitarras conseguem equilibrar riffs daqueles de fazer qualquer um bater cabeça, com passagens atmosféricas interessantes. A parte rítmica esbanja técnica e variedade, com destaque maior para o trabalho da bateria, simplesmente esmagadora.


Efetivamente, o Aversions Crown não apresenta nada de muito novo, soando como uma mescla do The Faceless com o Whitechapel, algo de Thy Art Is Murder e até mesmo de Cattle Decapitation (com quem já excursionaram). Mas mesmo sem soar original, sua música invariavelmente prende o ouvinte. “Prismatic Abyss” é totalmente Death, com ótimos riffs e melodias, além do destaque para a bateria, enquanto “The Soulless Acolyte” é simplesmente brutal, variada e com ótimo desempenho vocal. “Hybridization” é outra esmagadora e com ótimo groove, enquanto “Erebus” é uma verdadeira carnificina, com seus riffs simplesmente destruidores. Outra igualmente feroz é “Ophiophagy”, com um clima sinistro e onde a bateria dá outro show. Mais uma que vale a pena destacar é “Odium”, faixa que encerra o trabalho de forma simplesmente esmagadora, equilibrando bem momentos brutos, melódicos e atmosféricos.

A produção ficou a cargo de Adam Merker e da própria banda, com mixagem e masterização feitas por Mark Lewis (Carnifex, Deicide, Fallujah, Cannibal Corpse, Death Angel, Whitechapel). Ótimo resultado, com tudo claro, limpo, mas ainda assim agressivo e pesado, Já a bela capa foi obra de Ryohei Hase. Com um trabalho implacável, variado, carregado de virtuosismo e com ótimos riffs, o Aversions Crown pode até não apresentar grandes novidades, mas mostra que mesmo em um estilo que anda um tanto estagnado, é possível ainda se fazer um trabalho relevante. Obrigatório para os fãs de Deathcore.

NOTA: 8,5

Aversions Crown é:
- Mark Poida (vocal);
- Mick Jeffery (guitarra);
- Chris Cougan (guitarra);
- Jayden Mason (bateria).

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terça-feira, 21 de março de 2017

Lancer - Mastery (2017)


Lancer - Mastery (2017)
(Shinigami Records/Nuclear Blast - Nacional)


01. Dead Raising Towers
02. Future Millennia
03. Mastery
04. Victims of the Nile
05. Iscariot
06. Follow Azrael
07. Freedom Eaters
08. World Unknown
09. Widowmaker
10. Envy of the Gods
11. The Wolf and the Kraken (bonus track)

Eis que o sueco Lancer chega a seu terceiro trabalho de estúdio, o primeiro pela Nuclear Blast, e a primeira pergunta que faço é: onde está a avestruz guerreira/apocalíptica que sempre estampou suas capas (ela estilizadas nas cobras da Medusa não contam)? Mas brincadeiras à parte, quem teve a oportunidade de escutar Lancer (13) e Second Storm (15), sabe exatamente o que encontrará aqui. Power Metal old school da melhor qualidade, mesclando com muita qualidade, Helloween, Gamma Ray e Iron Maiden.

Aqui não é diferente. O quinteto formado por Isak Stenvall (vocal), Fredrik Kelemen (guitarra), Peter Ellström (guitarra), Emil Öberg (baixo) e Sebastian Pedernera (bateria), apresenta exatamente o que se espera dele. Vocais característicos do estilo, velocidade, bons riffs, parte rítmica pesada e coesa e refrões bombásticos e marcantes. Absolutamente nada de novo, como pode notar, mas ainda assim, por algum motivo, a música do Lancer soa muito legal e divertida. As referências estão todas lá, você as percebe o tempo todo, mas mesmo assim não consegue achar isso chato ou repetitivo. Lembra quando o Hammerfall era legal? Então. Mastery cativa o ouvinte.

A faixa de abertura, “Dead Raising Towers”, já chega mostrando todo o poderio da banda, com um riff forte, agressivo, influências de NWOBHM e um refrão marcante, que você fatalmente se pegará cantando de primeira. “Future Millennia” é um Power Metal padrão, até um pouco comum, mas com bom trabalho de guitarra. Aliás, Fredrik e Peter se saem muito bem, com suas guitarras gêmeas, que remetem diretamente aos bons tempos do Maiden. Quem curte o estilo certamente vai achar uma boa música. A faixa título é um dos pontos altos aqui. Um pouco menos veloz, tem ótimas melodias, boa agressividade e um refrão grudento, que inevitavelmente vai te remeter a algumas coisas feitas pelo Edguy. “Victims of the Nile” é mais cadenciada, tem um certo viés progressivo que a aproxima da sonoridade atual do Iron, enquanto “Iscariot”, que encerra a primeira metade do trabalho, vai te remeter aos bons momentos do Helloween, com sua velocidade, seus bons riffs e refrão fácil.


A segunda metade abre com a ótima “Follow Azrael”, outra com pegada mais cadenciada, ótima utilização de guitarras gêmeas, melodias marcantes e ótimo solo. O refrão mais uma vez, pode te remeter ao Edguy. Já em “Freedom Eaters”, o maior destaque vai para Emil Öberg. Seu baixo domina a música, que tem bons momentos, sendo outra que pode te remeter a nomes como Gamma Ray e Helloween. “World Unknown” é aquela típica balada Power Metal, mas não empolga muito. Talvez empolgaria se possuísse um refrão mais forte e marcante. Em seguida, “Widowmaker” vem para recolocar o álbum nos trilhos. Rápida, com boas guitarras gêmeas e um refrão que pega fácil, faz o ouvinte bater cabeça involuntariamente. “Envy of the Gods” encerra o álbum de forma épica, com boas melodias, alguns toques de progressivo e muito de Helloween da fase Keppers. Na versão nacional, temos mais duas faixas bônus. A ótima “The Wolf and the Kraken”, mid-tempo, com ótimos riffs e melodias, além de uma versão não creditada de “Follow Azrael”, que é a mesma que consta no video lançado, quase 2 minutos mais curta.

Mastery teve produção da banda e de Gustav Ydenius, que já havia exercido o mesmo papel em Second Storm. Ele também foi o responsável pela mixagem, enquanto a masterização ficou por conta do experiente Miro (Avantasia, Epica, André Matos, Kamelot, Rhapsody). O resultado final não foi menos que ótimo, com tudo claro, limpo, mas sem perder peso e agressividade. Repetindo o mesmo time do trabalho anterior, a capa foi obra de Dimitar Nikolov (que também fez a do álbum anterior), com design de layout do brasileiro Marcelo Vasco.

Ok, o Lancer não apresenta absolutamente nada de novo em matéria de sonoridade, é aquele Power Metal básico, sem qualquer pretensão de ousar ou soar original, mas ainda assim consegue prender a atenção do ouvinte, graças a ótima qualidade das músicas. Uma prova de que não se faz necessário inovar sempre para fazer boa música. Certamente um dos melhores álbuns do estilo que você vai escutar em 2017.

NOTA: 8,5

Lancer é:
- Isak Stenvall (vocal);
- Fredrik Kelemen (guitarra);
- Peter Ellström (guitarra);
- Emil Öberg (baixo);
- Sebastian Pedernera (bateria).

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King Woman - Created in the Image of Suffering (2017)


King Woman - Created in the Image of Suffering (2017)
(Relapse Records - Nacional)


01. Utopia
02. Deny
03. Shame
04. Hierophant
05. Worn
06. Manna
07. Hem

Aos que desconhecem, o King Woman surgiu no ano de 2009, na Bay Area, como um projeto solo da vocalista Kristina Esfandiari (Miserable, ex-Whirr), apostando inicialmente em uma linha mais voltada para o Post Metal/Shoegaze. O tempo passou e o projeto foi tomando cara de banda, com sua sonoridade se expandindo e ganhando características próprias, graças a influências bem vindas de Doom Rock, Drone, Psychedelic e Stoner. O EP Doubt (15) cumpriu bem o papel de despertar a atenção do público, preparando assim o terreno para seu álbum de estreia, intitulado Created in the Image of Suffering.

Se você teve contato com Doubt, já lhes aviso, esse é um trabalho ainda mais pesado e escuro. A força motriz por detrás da música do King Woman, como não poderia deixar de ser, continua sendo a voz de Kristina Esfandiari. Assombrosa e dramática, ela consegue transpor emoção enquanto canta, algo muito importante no que tange à forte proposta lírica adotada, mesmo que não varie muito sua voz, o que pode soar cansativo para alguns. Tendo sido criada dentro de uma comunidade cristã bem fechada e sofrendo com uma forte doutrinação, isso gerou nela uma raiva por anos e anos de abuso religioso. Em suas letras, ela exorciza demônios, em busca de liberdade e paz, após tamanho sofrimento.

A faixa de abertura, “Utopia” (na versão digital, abre com a instrumental "Citios"), já deixa muito claro o que devemos esperar do álbum. Riffs monstruosos, arrastados, atmosfera assustadora e vocal que reforça esse clima obscuro. “Deny” soa intensa e visceral, com os vocais suaves e obscuros de Kristina dando o tom. Já “Shame”, passa todo um clima de opressão, com suas melodias fortes e riffs simplesmente implacáveis. Mas o ponto alto realmente se dá com a ótima “Hierophant”. Simplesmente esmagadora, possui uma melodia mais refinada e um clima bem minimalista, além de um ótimo trabalho da parte rítmica, que dá a variação necessária à canção. O refrão é marcante e fica na sua memória por um bom tempo. As três faixas seguintes, “Worn” (mais atmosférica e com ótimo refrão), “Manna” e “Hem”, mantêm o clima obscuro que permeia as canções anteriores, não deixando a qualidade cair.


Gravado por Jack Shirley (Deafheaven, Wreck & Reference, Oathbreaker) no The Atomic Garden Studio, possui uma ótima qualidade sonora, pois conseguiu deixar tudo muito claro, mas longe daquela insipidez que ouvimos em muitas produções por ai. A música aqui não soa fria, mas parece viva. Já a capa é obra do brasileiro Pedro Felipe, mais conhecido como Ars Moriendee, que nos últimos anos trabalhou com bandas como as americanas Christian Mistress e Pale Chalice, e as brasileiras Ruinas de Sade, Son of a Witch e Death by Starvation. Uma das capas mais bonitas que vi nesse ano de 2017.

A mescla de Doom, Psychedelic e Shoegaze, tem como resultado final um álbum muito forte e emocional, carregado de belas melodias, mas também de atmosferas sombrias e assustadoras. Tem tudo para ser um dos grandes destaques do estilo nesse ano de 2017.

NOTA: 8,5

King Woman é:
- Kristina Esfandiari (vocal);
- Colin Gallagher (guitarra);
- Peter Arensdorf (baixo);
- Joey Raygoza (bateria).

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quinta-feira, 16 de março de 2017

Chaos Synopsis – Gods of Chaos (2017)


Chaos Synopsis – Gods of Chaos (2017)
(Dunna Records/Black Legion Productions – Nacional)


01.  Raising Hell
02.  Storm of Chaos
03.  Black God
04.  Serpent in Flames
05.  Opposer of Gods
06.  The Beast That Sieges Heaven
07.  Sixteen Scourges
08.  Badlands Terror
09.  Gods of Chaos
10.  Cocaine (Andralls cover)

Surgido no ano de 2005, o Chaos Synopsis começou sua caminhada rumo ao topo do underground nacional em 2009, com o bom Kvlt ov Dementia. Em seguida, vieram os ótimos e conceituais Art of Killing (13), onde falavam sobre alguns dos principais serial killers da história, e Seasons of Red (15), no qual através da relação entre grandes conquistadores e os povos conquistados, trataram de assuntos como violência, opressão e religião. Agora, apresentam Gods of Chaos, sem dúvida alguma seu trabalho mais coeso e maduro até então.

Mais uma vez, o quarteto nos presenteia com um trabalho conceitual, agora abordando Deuses antigos ligados à ideia de caos, escuridão, violência e destruição, temática perfeita para seu Death/Thrash agressivo e raivoso. Além disso, conseguem se mostrar ainda mais variados e técnicos do que no trabalho anterior, mostrando que não estão dispostos a se acomodar, evoluindo sempre em todos os sentidos. Não podemos também ignorar as boas melodias que surgem durante todo o tempo, mostrando que nem só de fúria se faz a sua música. Aliás, elas são um grande diferencial na sonoridade do Chaos Synopsis.

Individualmente, todos têm seus momentos de brilho. Jairo Vaz, a cada trabalho lançado, vai se mostrando um vocalista melhor, além de formar uma parte rítmica cada vez mais afiada com Friggi Mad Beats. Este, por sinal, pode e deve ser colocado entre os principais bateristas do Brasil, pois o cara destrói tudo em Gods of Chaos, esbanjando técnica e dando peso e diversidade às composições. Estreando em estúdio, a dupla de guitarristas formada por Luiz Ferrari e Diego Sanctus se mostra entrosada, despejando não só alguns dos melhores riffs que você irá escutar em um álbum de Death/Thrash esse ano, como ótimos solos. Certamente a melhor formação do Chaos Synopsis até hoje, já que conseguem mostrar grande entrosamento.Outra vez, os caras conseguem soar diferenciados do ponto de vista lírico, fugindo do óbvio. E o melhor de tudo é que você consegue traçar paralelos entre os Deuses tratados e o que você escuta naquele momento.

A primeira metade do álbum abre com a absurda “Raising Hell”, que aborda ninguém menos que Satan (ou Satanás, ou Diabo, ou Capeta, ou seja lá qual o nome que você dá ao mesmo), o grande inimigo das religiões que possuem sua matriz em Abraão. Com guitarras simplesmente infernais e um refrão forte, está entre os grandes destaques do álbum. Em seguida temos “Storm of Chaos”, que trata de Guabancex, deidade feminina da mitologia Taino (povo que habitava a ilha de Hispaniola, onde hoje fica a República Dominicana e o Haiti), Senhora dos ventos e responsável por grandes tempestades. As guitarras despejam não só riffs devastadores, como também melodias marcantes, destruindo tudo que encontram pelo caminho. “Black God” vai até a mitologia eslava, para tratar de Czacnobóg (ou Chernobog), conhecido como o Deus Negro, relacionado com a escuridão, a morte e o caos. E é exatamente essa a sensação que você tem durante a audição da mesma, com destaque para o ótimo refrão. Ela ainda conta com as participações especiais de Uappa Terror (Terrordome) e Wojciech Michalak nos vocais. A cadenciada e técnica “Serpent in Flames” trata de Leviathan, o mítico monstro do mar presente no Antigo Testamento, que já despertou múltiplas interpretações na história. Pesada e bruta, possui ótimas mudanças de andamento e citações bíblicas na letra, retiradas do livro de Jó e usadas para descrever o monstro. Encerrando a primeira metade do trabalho, temos “Opposer of Gods”, onde abordam Seth, o Deus do caos, do deserto, da violência e da guerra no Egito antigo. As guitarras conseguem trazer aquele clima oriental à música, que soa simplesmente destruidora. É a encarnação do espírito do mal em forma de música.


A segunda metade mantém a qualidade lá no alto, abrindo com a enérgica “The Beast That Sieges Heaven”, que trata do monstruoso Titã Typhoon (ou Tifão), responsável dentre outras coisas, pelos ventos ferozes e terremotos, além de ser pai de alguns monstros mitológicos (Esfinge, Leão de Nemeia, Cérbero, Quimera, dentre outros) e de ter feito quase todos os Deuses fugirem de medo do Monte Olimpo enquanto ele escalava o mesmo. Alternando momentos mais velozes e outros mais cadenciados, consegue ser tão brutal e raivosa quanto Typhoon (seria ele tocando bateria aqui?). “Sixteen Scourges” retorna ao Oriente, agora falando de Ahriman, o arquétipo do mal, o equivalente a Satanás dentro do Zoroastrismo (primeira religião monoteísta a ser adotada por um Império, bem antes do Cristianismo). Bem diversificada, é dessas canções que são capazes de espalhar um rastro de morte e destruição por onde passar. Friggi parece estar possuído e as guitarras despejam riffs brutais, enquanto os vocais de Jairo criam um clima maligno. A faixa seguinte, “Badlands Terror”, nos leva para a América do Norte, abordando Unhcegila, uma criatura em forma de serpente responsável por desaparecimentos e mortes na mitologia Lakota/Sioux. Assim como a criatura, a música consegue impor uma aura de caos e medo, graças ao ótimo trabalho das guitarras, com suas melodias sinistras. A faixa-título é simplesmente brutal e opressiva, com todo seu peso e cadência. Aqui todas as deidades abordadas tem seu espaço e as guitarras impõem um ar sinistro. Encerrando, temos um cover altamente enérgico para “Cocaine”, do Andralls, que ficou realmente muito bom.

Gravado no Coruja Estúdio, Gods of Chaos foi produzido e mixado por Friggi, enquanto sua masterização foi feita por Neto Grous, no Absolute Master. O resultado final foi ótimo, com tudo bem claro, mas sem perder o peso e a agressividade. Também foram muito felizes na escolha dos timbres. Já a capa é obra de Rafael Tavares, que conseguiu transpor para a imagem todo o conceito por trás da música do quarteto. Mostrando estar em seu melhor momento, o Chaos Synopsis lança seu trabalho mais maduro, sem que para isso precise abrir mão da fúria que lhe é característica. Como eles mesmos dizem no release, verdadeiros arautos do caos. Um álbum que vai te fazer bater cabeça furiosamente até moer cada vértebra existente no seu pescoço. Esse leva o nosso selo Dorflex de qualidade, porque não duvide, o relaxante muscular vai se fazer necessário.

NOTA: 9,0

Chaos Synopsis é:
- Jairo Vaz (vocal/baixo);
- Luiz Ferrari (guitarra);
- Diego Sanctus (guitarra);
- Friggi Mad Beats (bateria).

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Merchandise Oficial (com CD na pré-venda)
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Malkuth - Extreme Bizarre Seduction (2001/2016) (Relançamento)


Malkuth - Extreme Bizarre Seduction (2001/2016) (Relançamento)
(Obscure Chaos Distro/Ihells Productions/Metalvox/Underground Brasil Distro - Nacional)


01. The Cry of Adelain (Embrace the Lesbian Goddess)
02. Deep Melancholy State: A Poetic Suicide in the Name of Loucyfer
03. My Crucial Story About the Jesus Sinner
04. Devil Bride, Our Erotic Dark Desires
05. Extreme Bizarre Seduction
06. Gilles de Rais, Lord of Rais
07. Lapidis Funebris
08. ...And Ancient Witches Consume Psychotropic Teas
09. The Demon’s Mark in my Skin
10. Deep Melancholy State: A Poetic Suicide in the Name of Loucyfer (Live in Natal/RN 2002)
11. Devil Bride, Our Erotic Dark Desires (Live in Natal/RN 2002)
12. Feast of the Grand Whore (Rotting Christ Cover) (Live in Natal/RN 2002)

Não é de hoje que a região nordeste se destaca como um celeiro de grandes bandas. Surgido no ano de 1993, em Jaboatão dos Guararapes/PE, o Malkuth se firmou como um dos maiores e mais influentes nomes do cenário Black brasileiro. Em mais de duas décadas de carreira, foram seis álbuns de estúdio, um EP, e um trabalho ao vivo que firmaram a banda no primeiro time do underground nacional.

Dentre essas obras, uma das mais importantes certamente é Extreme Bizarre Seduction, 2º álbum de estúdio da banda, lançado em 2001, e sem dúvida, um dos maiores clássicos do Black Metal em nossas terras. Em 2015 o material foi relançado, remasterizado, com uma nova capa e 3 faixas ao vivo como bônus (uma delas, um cover para “Feast of the Grand Whore”, do Rotting Christ) , o que só reforça sua importância e qualidade, além de torná-lo ainda mais atraente, mesmo para os que possuem a versão original do mesmo (lançado na época pela finada Demise).

Nunca se prendendo a fórmulas prontas, Extreme Bizarre Seduction resistiu bem ao teste do tempo, se mostrando mais que relevante até os dias de hoje. Nele, o Malkuth conseguiu mesclar com maestria momentos agressivos, brutais e velozes com ótimas melodias. Em momento algum se furtaram de buscar diferenciais para suas composições, tanto que em alguns momentos nos deparamos tanto com vocais limpos, quanto com vocais femininos, algo que enriqueceu muito o resultado final. Os teclados também são muito bem encaixados, como podemos observar em canções como “Deep Melancholy State: A Poetic Suicide in the Name of Loucyfer”, “Devil Bride, Our Erotic Dark Desires” (onde os vocais femininos agregam muito) ou na clássica faixa-título, que conta também com riffs marcantes e cortantes. Outras que se destacam demais são a soturna e pesada “Gilles de Rais, Lord of Rais” e a rápida e violenta “Lapidis Funebris”.


Em matéria de produção, não podemos exigir muito, mesmo com a remasterização pela qual passou o material (realizada por Hugo Veikon). No final dos 90, início dos 2000, gravar um álbum não era das coisas mais fáceis, principalmente no que tange o aspecto financeiro. Ainda sim, levando em conta a época na qual o mesmo foi gravado, temos uma boa qualidade de produção (realizada na época por Proclo e pela banda). Mas não se iluda, pois se trata de uma gravação ríspida e crua, que passa longe das produções rebuscadas da atualidade. A nova capa foi obra de Wagner Matos, substituindo a feita por Cyber Necro Daemon (tecladista da banda na época), e que pode ser vista na parte interna do encarte.

Mesmo passados 16 anos, a verdade é que Extreme Bizarre Seduction não perdeu em nada sua força, mostrando uma música que ainda hoje se mostra atual, com uma riqueza de elementos que davam um diferencial à sua sonoridade. E mesmo com tanto tempo passado, continuo com a mesma impressão que tinha na época, de que se o Malkuth tivesse acesso a uma produção de qualidade, como a que ouvíamos vinda de bandas gringas, teria extrapolado nossas fronteiras, já que não ficava devendo nada ao que ouvíamos em matéria de Black Metal naquele período. Um trabalho mais que necessário na coleção de qualquer amante do estilo.

NOTA: 8,5

Malkuth (gravação):
- Sir Ashtaroth (vocal/guitarra)
- Holocausto (baixo)
- Cyber Necro Daemon (teclado)
- Daniela Nightfall (vocal feminino/teclado)
- Nightfall (bateria)

Malkuth (faixas-bônus)
- Sir Ashtaroth (vocal/guitarra)
- Flammellian (baixo)
- Cyber Necro Daemon (teclado)
- Nighhtfal (bateria)

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quarta-feira, 15 de março de 2017

Demonic Death Judge - Seaweed (2017)


Demonic Death Judge - Seaweed (2017)
(Suicide Records - Importado)


01. Taxbear
02. Heavy Chase   
03. Seaweed    
04. Cavity   
05. Backwoods   
06. Pure Cold   
07. Saturnday     
08. Peninkulma

Ao que não possuem o prazer de conhecer, o Demonic Death Judge é um quarteto surgido na Finlândia, no ano de 2009, como um projeto paralelo de 4 membros do sexteto de Industrial Death Metal Total Devastation (que curiosamente possui na sua formação 3 irmãos e 2 irmãos gêmeos). Inicialmente composto por Jaakko Heinonen (vocal), Lauri Pikka (bateria), além de Saku e Pasi Hakuli (guitarra e baixo, respectivamente), lançaram os EP’s Demonic Death Judge (09), Kneel (10), um split com as bandas Frogskin e Semtex e os álbuns The Descent (11) e Skygods (12).

Mas após o lançamento deste último, os gêmeos Hakuli optaram por ficar apenas com a banda principal, sendo substituídos por Toni Raukola (guitarra) e Eetu Lehtinen (baixo), ambos membros de outra banda finlandesa, o Burweed, que pratica uma espécie de mescla de Atmospheric Sludge com Metal Alternativo. Com essa formação, soltaram um split muito interessante ao lado do Coughdust em 2015 e agora, no início de 2017, finalmente liberaram seu terceiro trabalho, intitulado Seaweed.

O que esperar do terceiro álbum do Demonic Death Judge? Bem, não existe mistério aqui, já que o mesmo é uma continuação mais do que natural de Skygods. Andamento arrastado típico do Doom,  riffs sujos, duros, bem Sludge, unidos a uma vibe Stoner/Psychedelic Rock, um vocal que parece ter bebido uns 10 litros de água de algum pântano, soando bastante ameaçador, baixo pulsante e bateria esmagadora. Algumas canções possuem um lado mais épico/atmosférico, rendendo alguns momentos quase hipnóticos para quem escuta o álbum. Peso e distorção também não faltam aqui, apesar das boas melodias que surgem durante todo o trabalho, que soa absurdamente consistente. Seaweed também consegue nos passar aquela sensação gélida, fria, típica de bandas de Black nórdicas, mesmo que você não encontre elementos propriamente ditos do estilo na música do quarteto.


O álbum abre com “Taxbear”, lenta, simples, pesada e que mostra o lado mais vigoroso do DDJ, assim como a faixa seguinte, “Heavy Chase”, simplesmente viciante e com algo de Stoner Rock. “Seaweed” agrega elementos mais melódicos, mas sem perder a força. Nela é possível também notar boas influências de Atmospheric Sludge trazidas pelos novos integrantes. Essa influência também se mostra bem forte na instrumental “Cavity”, que vem logo em seguida, onde boas melodias e elementos psicodélicos acabam agregando muito à canção. “Backwoods” vêm em sequência, com boas guitarras, elegante e deixando o lado Stoner da banda bem em voga, além de ter um dos solos mais legais de todo o trabalho. Pode-se dizer que ela encerra o Lado A do álbum. Com bons elementos psicodélicos e riffs pantanosos, “Pure Cold” se mostra umas das músicas mais fortes de todo trabalho, assim como “Saturnday”, faixa que vem em seguida e que possui alguns elementos atmosféricos. Ambas estão na casa dos 7 minutos e juntos com “Peninkulma”, outra que chega perto desse tempo e encerra o álbum trazendo à tona novamente influências de Atmospheric Sludge e até mesmo algo de Post-Rock em seu início, formam a parte épica do trabalho. É justamente esse lado que permite que a banda agregue novos elementos às suas canções, enriquecendo um pouco mais sua sonoridade.

Se por um lado, esse é o álbum mais acessível do Demonic Death Judge, por outro é o mais variado e rico em matéria de sonoridade. E o melhor, conseguiram isso sem mudar qualquer uma das características primordiais de sua música, que são o peso, os riffs sujos e o clima psicodélico. Tudo continua ali, intacto, mas com maior riqueza. Uma verdadeira martelada em seu tímpano.

NOTA: 8,5
OBS: Resenha originalmente publicada na October Doom Magazine nº 66. O link para leitura online e/ou download se encontra logo abaixo. Vale muito a pena baixar/ler.

Download: https://goo.gl/jnPXw6
Leitura Online: https://goo.gl/Fj6LiK

Demonic Death Judge é:
- Jaakko Heinonen (vocal);
- Toni Raukola (guitarra);
- Eetu Lehtinen (baixo);
- Lauri Pikka (bateria)

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terça-feira, 14 de março de 2017

Mortuo - Old Memories of the Past (2015)


Mortuo - Old Memories of the Past (2015)
(Tornhate Records/Violent Records/Pictures From Hell/Impaled Records/Rock Animal/Metal Rock StudioWear/Infernal Rites Records/Heavy Metal Rock/Genocidio Records/Metal Hatred - Nacional)


01. In All the Places       
02. Obscure Ancient War       
03. For Profanation       
04. Hunting in the Darkness       
05. Road of Evil       
06. Past I: The End of Hope       
07. Old Memories of the Past       
08. Past II: The Consequence       
09. Devil Eyes (Evilusions cover)       
10. Raise the Dead (Bathory cover)

Aqui temos a personificação máxima do que vem a ser uma One Man Band. O Mortuo é um projeto capitaneado por Vox Morbidus, que simplesmente cuidou de todos os aspectos desse trabalho, O cara não só compôs todas as músicas, como também tocou todos os instrumentos, gravou, mixou, masterizou, além de ter feito a capa de Old Memories of the Past, debut e até agora, único álbum da banda. Não soa exagero dizer que essa é a sua personificação artística.

Musicalmente, a aposta é naquele Black Metal que marcou a segunda geração do estilo, no início dos anos 90. Ou seja, tome referências a nomes como Mayhem, Darkthrone, Emperor e outras grandes bandas do período. Mas não se engane; apesar disso, o Mortuo têm personalidade própria. Sua música possui um clima gélido, sombrio e para lá de melancólico, mesclando com classe agressividade e passagens atmosféricas.


Os vocais são naquela linha bem rasgada, enquanto as guitarras despejam aqueles riffs gélidos e que cortam como navalhas afiadas. As linhas de baixo são bem marcantes e o teclado foi muito bem encaixado, sem qualquer tipo de exagero. A bateria, programada, fica devendo um pouco se comparado com o restante, mas nada que venha a comprometer o resultado final. Das 10 faixas aqui presentes, duas são covers. “Devil Eyes”, do Evilusions, ex-banda de Vox, e “Raise the Dead”, cover do magistral Bathory, que ficou bem legal. Das restantes, vale destacar a violenta e variada “Obscure Ancient War”, “Hunting in the Darkness”, onde o teclado se destaca com boas melodias, a cadenciada e brutal “Road of Evil” e a ótima “Past I: The End of Hope”, sinistra e muito bem trabalhada.

A produção é exatamente aquilo que esperamos. É suja, ríspida e agressiva, mas permitindo que escutemos todos os instrumentos sem grande dificuldade. Parece realmente ter sido feita nos anos 90.  Se você gosta daquele Black Metal praticado pelas bandas nórdicas na primeira metade dos anos 90, intenso, agressivo e impiedoso, o Mortuo é a banda indicada. E que venham mais álbuns por ai, porque Old Memories of the Past conseguiu deixar aquele gosto de quero mais.

NOTA: 8,0

Mortuo é:
- Vox Morbidus (todos os instrumentos).

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segunda-feira, 13 de março de 2017

Flammea - A História da Flammea: Dark Brain/Fisrt Scream (2015) (Compilação)


Flammea - A História da Flammea: Dark Brain/Fisrt Scream (2015) (Compilação)
(Rock Brigade Records - Nacional)


01. Blinded Eyes (“First Scream” Demo - 1993)
02. Out of Sight (“First Scream” Demo - 1993)
03. Scream of Sadness (“First Scream” Demo - 1993)
04. Fucking Bastard (“First Scream” Demo - 1993)
05. Fear (“First Scream” Demo - 1993)
06. Dark Brain (“First Scream” Demo - 1993)
07. Out of Sight (rehearsal - 1990)
08. In Front of the Mirror (rehearsal - 1990)
09. Dark Brain (“Dark Brain” Demo - 1991)

Para os que desconhecem a história do Metal no Brasil, a Flammea surgiu no ano de 1989, em Brasilia, e ao lado das também brasilienses Valhalla e Volkana, formaram umas das primeiras bandas compostas apenas por mulheres de nosso cenário. Se hoje a presença feminina tem e tornado cada vez mais forte, não poderíamos dizer que tal fato era muito comum nos anos 80 e 90. Naquela época, apenas isso já seria o suficiente para despertar atenção ao seu nome, mas não pense que faltava qualidade ao seu som. Justamente o contrário, e aqui temos uma prova cabal disso.

Apostando em um Thrash Metal pesado, técnico e agressivo, mas com algumas doses de Metal Tradicional e sim, Hard Rock, a Flammea fez barulho na cena com as demos Dark Brain e First Scream. Chegaram a assinar um contrato com o selo Rock Brigade Records na época (mudaram para São Paulo no início dos anos 90, para facilitar a gravação), mas infelizmente, devido às constantes crises econômicas que o país vivia na época e todas as dificuldades advindas disso, resolveram encerrar as atividades. Após um breve revival em 2010 e o lançamento dessa compilação em 2015, voltaram à ativa no ano passado, fato a ser louvado.


Nesse trabalho, temos as faixas presentes nas demos First Scream, Dark Brain e uma demo-ensaio. Sendo assim, não espere grande qualidade sonora e entenda, acima de tudo, que isso é o registro de uma das épocas mais importantes do Metal no Brasil. Sem dúvida um documento de suma importância para entendermos um pouco de nossa história e da grande importância da presença feminina para o estilo no país. Musicalmente, nos deparamos com um Thrash Metal de qualidade, bem trabalhado, pesado e em muitos momentos, visceral. As canções aqui presentes se mostram bem variadas, alternando momentos mais velozes com outros mais cadenciados. Entre os destaque aqui, apontaria “Blinded Eyes”, com seu ótimo trabalho de guitarra, a mais cadenciada “Out of Sight”, que possui um refrão agradável, a pesada e técnica “Scream of Sadness” e a clássica e enérgica “Dark Brain”, que aqui aparece em duas versões.

No quesito produção, não tem como cobrar muito, já que se tratam de demos gravadas nos anos 90, e só quem viveu a época sabe a dificuldade que era conseguir uma gravação de qualidade. Ainda assim, para os padrões da época, a qualidade está boa, já que os instrumentos estão bem audíveis. Mas tenha em mente que vai se deparar com uma gravação suja e crua. Com um som pesado, forte e técnico, a Flammea mostra que merecia melhor sorte nos anos 90, pois tinha qualidade para receber mais reconhecimento. Que sua volta agora seja vitoriosa.

NOTA: 8,0

Flammea 1993:
- Vania Parma (vocal);
- Neila Abrahão (guitarra);
- Roberta Jacoto (guitarra);
- Sueli Mazzuco (baixo);
- Lu Terra (gaita/teclado);
- Ana A. Lima (bateria).

Flammea 1991:
Shirley Jovi (vocal);
Dayse Bentim (guitarra);
Zane Galvão (baixo);
Ana A. Lima (bateria).

Flammea 1990:
Shirley Jovi (vocal);
Dayse Bentim (guitarra);
Adriana Tavares (guitarra);
Zane Galvão (baixo);
Ana A. Lima (bateria).

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sexta-feira, 10 de março de 2017

Flageladör/Axecuter – Headbangers Afterlife (2016) (Split)


Flageladör/Axecuter – Headbangers Afterlife (2016) (Split)
(Mindscrape Music – Nacional)


Flageladör
01. As Intermitências da Morte (Instrumental)
02. Terceira Guerra Mundial
03. A Canção do Aço
04. Sangue Negro, Alimento das Bestas
05. Filhos da Bomba (Celso Blues Boy Cover)

Axecuter
06. Attack
07. Creatures in Disguise
08. In For Kill
09. Medieval Tyranny
10. Gimme More (Kiss Cover)

Eis aqui um trabalho que remete aos anos 80 em todos os sentidos, a começar pelo formato adotado, o do split, no caso aqui unindo os niteroienses do Flageladör e os curitibanos do Axecuter, duas bandas com boa rodagem dentro do underground nacional. E é justamente a experiência de ambas que acaba sendo o grande diferencial de Headbangers Afterlife.

Musicalmente, o nível de inovação aqui é zero. Do primeiro ao último segundo, tudo aqui irá remeter o ouvinte aos anos 80, tornando a audição desse split uma verdadeira viagem no tempo. A sonoridade de ambas possui similaridades, já que trafegam entre o Speed, o Thrash e o Metal Tradicional, com muita rispidez e algumas melodias aqui e ali. Bandas como Motörhead, Sodom, Destruction ou Diamond Head fatalmente poderão vir à mente em algum momento. Mas, apesar de todos os clichês do gênero se fazerem presentes, a verdade é que tanto o Flageladör como o Axecuter conseguem trabalhar muito bem os mesmos, evitando assim soarem chatos e repetitivos.


Cabe ao Flageladör as honras de abrir o trabalho. Adotando o português como idioma, fica impossível não nos lembrarmos dos primórdios do estilo no Brasil. Das 5 canções aqui presentes, destacam-se “Terceira Guerra Mundial”, bem direta e com ótimos riffs, a ótima “A Canção do Aço”, que te leva de volta aos anos 80 e o surpreendente cover para “Filhos da Bomba”, de Celso Blues Boy, que encerra a parte que cabe aos cariocas e mostra que, apesar da proposta sonora bem voltada para um Speed/Thrash, o radicalismo não tem vez por aqui.

O Axecuter tem uma sonoridade um pouco mais bem trabalhada, com uma influência mais presente de Metal Tradicional. “Attack”, que abre sua parte no split, se destaca pelos ótimos riffs e pelo ótimo trabalho da parte rítmica. “Creatures in Disguise” tem uma veia mais “motörheadiana”, enquanto “Medieval Tyranny” certamente vai te fazer sair batendo cabeça pelo quarto. Vale destacar que encerram sua parte com um cover para “Gimme More”, do Kiss.


Agora vamos falar da produção. O Flageladör teve sua parte gravada por Hugo Golon, no Soundhouse. A crueza dá o mote aqui. É um pouco complicado abordar esse lado, já que se por um lado, esse lado mais cru está totalmente dentro da proposta sonora da banda, que é soar totalmente anos 80, por outro, fica abaixo dos padrões atuais, até mesmo de nomes que seguem essa vertente. Mas vale destacar que a gravação é totalmente audível e você escuta perfeitamente todos os instrumentos. É mais uma questão de gosto. Se você curte algo bem cru, certamente irá aprovar. Eu particularmente acho que poderiam refinar sua proposta um pouco mais (sem exageros, claro, para não perder a essência da coisa). Quanto ao Axecuter, sua parte teve produção de Maiko Thome e do vocalista/guitarrista Danmented, tendo sido gravado, mixado e masterizado no Avant Garde Studio. O resultado final é muito bom, já que além de audível e limpo, conseguiu ter aquela dose de refinamento que citei ali acima, mas sem perder a crueza necessária.

A capa foi obra de Marcio Aranha, tendo sido concebida por Danmented, e confesso, achei muito legal a visão que ela passa do que seria o inferno para um headbanger. Fora que ao bater o olho na mesma, você já fica sabendo exatamente o que irá escutar por aqui (repare no DJ). Com uma sonoridade enérgica e que não nega em momento algum suas origens e influências, tanto o Flageladör quanto o Axecuter conseguiram forjar um trabalho que vai agradar em cheio os amantes daquele Metal feito nos anos 80. Acima de tudo, um trabalho que exala honestidade.

NOTA: 7,5

Flageladör é (gravação):
- Armando Exekutor (vocal/guitarra);
- Turko Basura (baixo);
- Hugo Golon (bateria).

Axecuter é (gravação):
- Danmented (vocal/guitarra);
- Rascal (baixo);
- Vigo (bateria).

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Torturizer – Faceless (2016) (EP)


Torturizer – Faceless (2016)
(Independente – Nacional)


01. Bloodthirsty (Intro)
02. Faceless
03. Human Collector
04. Torture Machine
05. Carnivore
06. Death Emperor
07. Death Lights

A cena nordestina tem se mostrado muito profícua nos últimos anos, gerando nomes de muita qualidade. Dentro desse panorama, o Maranhão tem se mostrado um dos maiores celeiros de bandas da região. É de lá que vem o Power Trio Torturizer, que aposta em um Thrash Metal calcado nas bandas do cenário alemão, mas com um toque de Death Metal para ajudar ainda mais no quesito brutalidade.

O fato de pender mais para a linha germânica do estilo já é algo positivo, em um cenário onde boa parte dos novos nomes opta por simplesmente emular os grandes nomes da Bay Area. As influências de Death Metal são encontradas principalmente nos vocais, que remetem muito à cena de bandas da Flórida da primeira metade dos anos 90. Aliás, Willian Vieira (também baixista) se sai muito bem nesse sentido, assim como também consegue formar uma parte rítmica bem consistente e técnica ao lado do baterista Wilton Vieira. Já as guitarras de Luís Baldez são responsáveis por alguns riffs para lá de interessantes, além de bons solos.


Vale destacar que o Torturizer não aposta apenas na velocidade o tempo todo, já que possui alguns momentos mais cadenciados aqui e ali, que acabam ajudando a dar certa diversidade ao material. Isso pode ser visto, por exemplo, em canções como “Faceless” e “Human Collector”, dois dos destaques aqui. Já dentre as que apostam mais na velocidade, os destaques ficam com a bem trabalhada “Carnivore” e a diversificada “Torture Machine”, talvez a melhor canção de todo o trabalho.

Gravado, mixado e masterizado por Luis Baldez, Faceless sofre como toda produção independente no Brasil, pecando principalmente pelo excesso de crueza, o que afeta um pouco o resultado final, já que algo um pouco mais trabalhado ajudaria em muito a sonoridade do Torturizer. Mas, obstante isso e mesmo não apresentando nada de novo, o resultado final acaba sendo positivo, já que o potencial de crescimento mostrado aqui nos faz colocar o trio no hall de bandas a serem observadas nos próximos anos. Melhorando um pouco a produção e colocando mais identidade nas canções, estarão mais que prontos para um trabalho completo.

NOTA: 7,0

Torturizer é:
- Willian Vieira (vocal/baixo);
- Luís Baldez (guitarra);
- Wilton Vieira (bateria).

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quinta-feira, 9 de março de 2017

Goatlove - Guadalajara (2016)


Goatlove - Guadalajara (2016)
(Independente - Nacional)


01. Shine
02. Down to the River
03. Rise, Caeser, Rise
04. Liar
05. Saturn’s Honey
06. Hipshake
07. Apes
08. We Shall Rise
09. Sunshine Colours

Se tem uma coisa que dá gosto, é escutar uma banda que procura fugir do lugar-comum. Esse é o caso do Goatloave e seu Goat ‘N’ Roll. Formado por Roger Lombardi (vocal), Marco Nunes (guitarra), Pedro Lobão (guitarra), Lucas Barone (baixo) e Alexandre Watt (bateria), já haviam chamado a atenção com seu debut, The Goats Are Not What They Seem (12), com uma mistura bem interessante de Pós-Punk, Gothic Rock, Classic Rock, Hard e algumas pitadas de Metal, e agora, após 4 longos anos, nos apresenta seu segundo trabalho, intitulado Guadalajara.

Esse é um álbum mais maduro e coeso que o de estreia, o que não é pouca coisa. As características principais nele apresentadas continuam fortemente presentes aqui, mas fica nítido que deram aquele passo à frente na sua música, principalmente nos arranjos, que se mostram melhores trabalhados. Os vocais de Roger continuam marcantes, com ele soando muito mais como um crooner do que como um vocalista, algo que pode causar estranhamento em alguns, mas que é um puta diferencial na sonoridade da banda. A dupla de guitarristas formada por Marco Nunes e Pedro Lobão, soa mais afiada que nunca nos riffs e solos, enquanto Lucas Barone (baixo) e Alexandre Watt (bateria) formam uma dupla sólida e coesa.

O álbum abre com a marcante “Shine”, enérgica e que pende mais para o Gothic Rock, enquanto a faixa seguinte, “Down to the River”, tem aquela veia Hard do Goatlove mais acentuada, com um refrão desses que gruda na cabeça. “Rise, Caesar, Rise” mantém a energia lá em cima, com muito peso, intensidade e outro refrão marcante. Aliás, essa é uma característica forte em todo trabalho, já que basta uma audição para sair cantando os mesmos por ai. O lado pós-punk dá as caras na ótima “Liar”, com aquele climão totalmente anos 80 e influência de nomes como Sisters Of Mercy e The Mission. Só por essa sequência, já é possível notar a amplitude sonora do trabalho. Mas a coisa não para aqui. 


“Saturn’s Honey” e “Hipshake” são bem enérgicas e mesclam com muita categoria Hard Rock e Punk. Ambas contam com a participação especial da vocalista Anita Cecília Pacheco nos refrões, o que enriquece ainda mais o resultado final. Bem crua, “Apes” mostra outro lado da banda, já que conta com influências daquele Rock Industrial. Mas atente, quando falamos de Rock Industrial, estamos falando daquela segunda geração pós-punk e nomes como Killing Joke, Skinny Puppy, Cabaret Voltaire e afins, que tiveram influências nos primórdios do estilo. Já “We Shall Rise” é o momento experimental de Guadalajara, já que consiste em mais de 16 minutos de batidas tribais e sons eletrônicos. Encerrando a obra, a bela e setentista “Sunshine Colours”, que conta com as participações de Paulo Anhaia no violão e Cleilton Chaves no Ukelele. Qualquer semelhança com Led Zeppelin aqui não é mera coincidência, com direito a citação direta da obra dos ingleses aqui. Melhor forma de encerrar o trabalho, impossível.

Gravado no Fábrica do Zé Studios, o álbum teve produção de Marco Nunes e Roger Lombardi, com a mixagem e masterização sendo realizadas no The Goatroom Studios, por Marco. Sem dúvida, outro ponto onde evoluíram ainda mais, já que o nível aqui é ótimo. Tudo claro, audível, bem timbrado, mas com uma dose de crueza e sujeira necessárias ao som do Goatlove. Já a capa, uma foto de domínio público, foi elaborada em cima de ideia de Ricardo Batalha. Um trabalho que, ao final de tudo, acaba primando pela originalidade, já que não escuto hoje por aí uma banda que misture de forma tão competente e divertida algumas referências tão dispares como o quinteto faz. Se gosta de uma música autêntica, escute Guadalajara.

NOTA: 9,0

Goatlove é:
- Roger Lombardi (vocal);
- Marco Nunes (guitarra);
- Pedro Lobão (guitarra);
- Lucas Barone (baixo);
- Alexandre Watt (bateria).

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Constraint - Between War and Terror (2015)


Constraint - Between War and Terror (2015)
(Black Board Records - Importado)


01. War Hymn        
02. Signs        
03. Rest in Pain        
04. About War        
05. Constraint        
06. Lobotomie        
07. Help Me        
08. 1000 Years        
09. Terrorist        
10. Marching at the Front        
11. Hail of Bullets        
12. The End

Em algum momento na Suíça, no ano de 2008, 5 amigos resolveram que era hora de formar uma banda e tocarem juntos. Nada muito diferente do que ocorre todos os dias no restante do mundo. Após algumas jams (e a composição da faixa The End, que fecha esse trabalho), o nome Constraint foi escolhido e o resto é história. Finalmente, 7 anos após sua fundação, chegaram ao seu debut, intitulado Between War and Terror.

Quanto ao estilo, bem, estamos falando de um país que já rendeu ao Metal, nomes do gabarito de Celtic Frost, Coroner e Samael. Sendo assim, a aposta aqui é em um Thrash/Death pesado, agressivo e que procura não inventar, entregando o básico do estilo, o que de certa forma acaba sendo muito bom. Em uma época em que bandas parecem não ter mais limites para experimentações, é ótimo ter um pouco daquela sonoridade padrão do estilo.

Individualmente falando, o vocal de Stefan soa bem agressivo, mas pouco varia nas canções aqui presentes, o que pode soar um pouco cansativo em alguns momentos. É algo a ser trabalhado em um próximo álbum (programado para o ano que vem). As guitarras de Adrian e Cyrill são responsáveis por bons riffs e solos, enquanto a parte rítmica, com o baixista Marcel e o baterista Florian, se mostra bem coesa, com boa técnica e imprime a diversidade necessária às músicas.


Dentre as canções aqui presentes, os maiores destaque ficam com “Signs”, “About War”, ambas com riffs cativantes, “Lobotomie”, com um ótimo solo, “Help Me” e “1000 Years”, com ótimas melodias, além de “Terrorist” e  “Marching at the Front”, ambas com ótimos riffs e bom groove. A produção, que ficou por conta da banda, com o auxílio de Andy Classen (Belphegor, Destruction, Krisiun, Tankard) ajuda muito no resultado final, já que não soa nem plastificada e nem uma emulação de bandas dos anos 80/90. Andy também foi responsável pela mixagem e masterização de Between War and Terror. Já a capa, foi obra de René Meier e embala um digipack caprichadíssimo, desses que dá gosto de ver.

Ao final, Between War and Terror pode não surpreender e nem soar inovador, até porque essa não é a intenção do Constraint, mas é justamente por isso que ele tem tudo para agradar em cheio os apreciadores de um bom Thrash/Death.

NOTA: 7,5

Constraint é:
- Stefan (vocal);
- Adrian (guitarra);
- Cyrill (guitarra);
- Marcel (baixo);
- Florian (baterista).

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quarta-feira, 8 de março de 2017

DOOL - Here Now There Then (2017)


DOOL - Here Now There Then (2017)
(Prophecy Productions - Importado)


01. Vantablack
02. Golden Serpents
03. Words on Paper
04. In Her Darkest Hour
05. Oweynagat
06. The Alpha
07. The Death of Love
08. She Goat

Nos últimos anos, a cena foi tomada de assalto por bandas que emulam aquele som setentista, mesclando Classic Rock, Stoner e Rock Psicodélico, com temática ocultista. Se por um lado, essa onda gerou algumas bandas bem legais, por outro acabou sendo responsável por centenas de nomes genéricos e que não se diferenciam de nada uns dos outros. Por isso acaba sendo muito legal quando nos deparamos com uma banda que busca fugir da fórmula pronta do estilo. Esse é o caso do holandês DOOL.

Apesar de ter surgido apenas no ano de 2015, na cidade de Rotterdam, o DOOL tem experiência de sobra, já que reúne alguns dos principais nomes do cenário rock da Holanda. Aqui temos o baixista Job van de Zande e o baterista Micha Haring, ambos do The Devil’s Blood, os guitarristas Nick Polak (Gold) e Reinier Vermeulen (The New Media) e a vocalista/guitarrista Ryanne van Dorst, famosa em seu país não só pela carreira construida sob o nome de Elle Bandita, como também pela participação em diversos programas de TV. Convenhamos, um time mais do que capaz de fazer um trabalho de qualidade.

Claro que em um primeiro momento, é tentador e inevitável traçarmos um paralelo entre o DOOL e o The Devil’s Blood, mas a maior diversidade sonora com a qual nos deparamos dificulta essa missão, fora o fato de não seguirem aquela linha Occult Rock e de soarem mais pesados. Além das influências óbvias de Classic Rock e Psicodélico, temos doses de Rock Gótico/Pós-Punk e Doom, que acabam por dar um tempero a mais na música praticada pelo quinteto. Sendo assim, em alguns momentos, é necessário um pouco mais de atenção para absorver tudo que escutamos. Ryanne van Dorst se destaca por seus incríveis vocais, e sem dúvida ela é o grande diferencial do DOOL, já que consegue criar alguns climas realmente sombrios e melancólicos com sua voz. As guitarras (são três aqui) são responsáveis por ótimas melodias e alguns riffs bem marcantes, que poderiam tranquilamente estar em algum álbum de Doom Metal. Já a parte rítmica, como não poderia deixar de ser, mostra um entrosamento ímpar, se mostrando sólida, técnica, variada e acima de tudo, pesada. 


A épica “Vantablack”, com seus mais de 10 minutos, abre o álbum com um riff letárgico e nítidas influências de Doom, criando um clima bem escuro. Elementos psicodélicos também são jogados em meio a essa mistura, deixando tudo ainda mais interessante. A faixa seguinte, Golden Serpents, pende mais para o Classic Rock, com ótimas melodias e algo de Blue Öyster Cult (talvez por isso você pense no Ghost em determinados momentos), enquanto “Words on Paper”, que trafega entre o psicodelismo e o Metal, se destaca pelas ótimas guitarras. Fechando a primeira metade do álbum, “In Her Darkest Hour” tem um tom mais escuro, melodias marcantes e é outra que carrega alguns elementos de Classic Rock. “Oweynagat” foi o primeiro single da banda, tendo sido lançada em setembro de 2016, e tem muito daquele Rock Gótico dos anos 80, podendo te remeter invariavelmente a nomes como The Sisters of Mercy ou The Mission. Ela é seguida por “The Alpha”, outra que trafega com muita naturalidade entre o psicodelismo e o Doom Metal e pela emotiva “The Death of Love”. Encerrando o álbum, a direta “She Goat” te deixa com aquela vontade de escutar tudo de novo.

Gravado e produzido por Pieter Kloos (The Devil's Blood, Motorpsycho), a sonoridade é clara, audível, mas com uma pequena e saudável dose de sujeira, fugindo das produção plastificadas da atualidade. Os timbres escolhidos também foram de rara felicidade. Se você pensar que Here Now There Then é apenas o trabalho de estreia do DOOL, fica impossível não imaginar o quão alto eles podem chegar, já que esse é realmente um debut acima da média. Se você está cansado de escutar bandas que se limitam a copiar umas as outras, deveria dar uma chance aos holandeses, pois as chances de se surpreender positivamente são grandes. Desde já, umas das revelações de 2017.

NOTA: 8,5

DOOL é:
-  Ryanne van Dorst (vocal/guitarra);
-  Nick Polak (guitarra);
-  Reinier Vermeulen (guitarra);
-  Job van de Zande (baixo);
-  Micha Haring (bateria).

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terça-feira, 7 de março de 2017

Pain of Salvation - In the Passing Light of Day (2017)


Pain of Salvation - In the Passing Light of Day (2017)
(Hellion Records - Nacional)


01. On a Tuesday
02. Tongue of God
03. Meaningless
04. Silent Gold
05. Full Throttle Tribe
06. Reasons
07. Angels of Broken Things
08. The Taming of a Beast
09. If This Is the End
10. The Passing Light of Day

No início de 2014, Daniel Gildenlöw se dirigiu ao mesmo hospital onde nasceu, exatamente no mesmo dia da semana (uma terça), para tratar de uma dor que sentia. E quase não saiu de lá. O que parecia algo simples, se mostrou na verdade uma Fascite necrosante (bactéria comedora de carne humana, para os leigos) que quase o matou. Os médicos correram contra o tempo para salvar sua vida e após isso, foram 4 dolorosos meses em uma cama de hospital, até finalmente ter alta. Foi essa forte experiência que serviu de base para o 10º álbum de estúdio do Pain of Salvation, In the Passing Light of Day.

Quando se fala de Metal Progressivo, o headbanger não muito familiarizado com a cena já pensa em nomes como Dream Theater, Symphony X, Fates Warning ou Queensrÿche. Não é crime algum. Mas qualquer um que já tenha tido contato com o estilo não consegue deixar de lembrar dos suecos do Pain of Salvation. Surgida ainda nos anos 80 e sempre capitaneada pelo genial Daniel Gildenlöw, a banda só veio a lançar seu primeiro trabalho em 1997, o não menos que brilhante Entropia. Após isso, uma sequência de 3 álbuns simplesmente primorosos, One Hour by the Concrete Lake (98), The Perfect Element I (00) e Remedy Lane (02), além do reconhecimento como uma das bandas mais brilhantes do estilo. Ok, após isso tiveram uma fase um tanto experimental e que não agradou a alguns, mas agora as coisas parecem finalmente terem entrado novamente nos eixos.

Pelo conceito que o envolve, fica claro que In the Passing Light of Day é um trabalho denso, intenso, sombrio e emocionalmente pesado. Sendo assim, não estamos diante de um álbum de fácil assimilação para os que não estão acostumados à sonoridade da banda, mas aqueles que a acompanham há algum tempo certamente encontrarão alguns paralelos com clássicos da primeira fase. Aliás, é louvável como, apesar de trazer tais elementos, em momento algum sua música soa requentada. Ao contrário, é moderna e bem atual. Momentos mais pesados se alternam com outros mais melódicos e atmosféricos, dando grande diversidade ao álbum. Os vocais de Gildenlöw se destacam, pela grande emoção que conseguem transmitir. Tanto as guitarras de Daniel e de Ragnar Zolberg quanto os teclados de Daniel Karlsson se encaixam muito bem nas canções, enquanto a parte rítmica, com Gustaf Hielm (baixo) e Léo Margarit (bateria) esbanja técnica, peso e variedade. Aliás, a bateria aqui está simplesmente impecável.


“On a Tuesday” abre os trabalhos com um riff bem pesado e moderno e possui muitas mudanças de tempo. É o cartão de visitas do álbum, mostrando um pouco do que encontraremos pela frente. “Tongue of God” e “Meaningless” mantém o nível de complexidade mais alto, com suas mudanças de tempo, um ótimo trabalho da parte rítmica e boa dose de peso. Vale destacar também o ótimo trabalho de backing vocals em ambas. Em seguida, a adrenalina abaixa um pouco, com a belíssima balada “Silent God”, com um belo piano e refrão marcante. “Full Throttle Tribe” traz novamente os arranjos mais complexos à tona, além de soar bem intensa e enérgica. “Reasons”, que foi o segundo single, soa bem agressiva e moderna, além de possuir ótimo groove. Podemos dizer que a mesma encerra a primeira parte do álbum, já que daqui para frente o trabalho se torna um pouco mais intimista. “Angels of Broken Things” possui um clima sufocante, melodia bem forte e um solo belíssimo. Já “The Taming of a Beast” tem uma pegada um pouco mais Rock e talvez o melhor desempenho vocal de Daniel, sendo um dos grandes destaques aqui presentes. A faixa seguinte, “If This Is the End”, transborda melancolia e tem um dos riffs mais fortes de todo trabalho, preparando o caminho para o encerramento monumental, que se dá com a faixa-título. De uma riqueza simplesmente exuberante, possui uma forte carga emocional e em muitos momentos, soa majestosa. Uma das melhores músicas da carreira do Pain of Salvation.

Ao final, em In the Passing Light of Day, Gildenlöw se mostra um compositor único, genial, pois a forma como ele consegue transpor os sentimentos para as canções mexe com o ouvinte de uma forma muito forte, intensa. Uma verdadeira aula de Metal Progressivo, brilhante, profundo e que certamente estará em todas as listas de melhores do ano em Dezembro. Forte candidato a melhor álbum de 2017.

NOTA: 9,5

Pain of Salvation é:
- Daniel Gildenlöw (vocal, guitarra);
- Ragnar Zolberg (guitarra);
- Gustaf Hielm (baixo)
- Léo Margarit (bateria);
- Daniel Karlsson (teclado).

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segunda-feira, 6 de março de 2017

Vulcano - XIV (2017)


Vulcano - XIV (2017)
(Vingança Music/Voice Music - Nacional)


01. Propaganda and Terror
02. The Tides of Melted Metal
03. Thunder Metal
04. Necrophagy
05. Behind the Curtains
06. Thou Shalt Not Kill
07. Paradise on Holocaust
08. The Face of The Abyss
09. To Kill Or Die
10. I’m Back Again

“Os portais do inferno se abrem para vocês. Se preparem. Agora, Vuuuulllcanoooo!”. Nada define melhor o Metal nacional do que a frase proferida por Angel na abertura de Live! (85), primeiro trabalho completo do Vulcano (sim, os caras lançaram um ao vivo antes do debut). Surgida no ano de 1981, o grupo santista foi a vanguarda do Metal Extremo não só no Brasil, como na América Latina como um todo, sendo reconhecidos mundialmente no meio underground por isso. Sua importância para a música pesada é indiscutível.

Quantas bandas por ai podem se orgulhar de estarem completando 36 anos de estrada? Quantas pode se orgulhar de terem em sua discografia dois álbuns com o poder de fogo de Live! e Bloody Vengeance (86)? Poucas, prezado leitor, bem poucas mesmos. Desde seu retorno em 2004, o Vulcano tem se mostrado absurdamente produtivo, basta saber que esse é seu 7º trabalho de estúdio desde então e que, além disso, soltaram nesse período mais um ao vivo e um DVD contando toda a sua trajetória.

Capitaneado pelos lendários Zhema Rodero (guitarra) e Arthur “Von Barbarian” (bateria) e contando ainda com Luiz Carlos Louzada (vocal), Gerson Fajardo (guitarra) e Carlos Diaz (baixo, de volta à banda, onde tocou entre 2006 e 2013), o Vulcano retorna com o sucessor de The Awakening an Ancient and Wicked Soul (14), deixando de lado certas “modernidades” apresentadas nos últimos trabalhos, como as afinações mais baixas, e soando mais tradicional do que nunca, em uma verdadeira aula de Thrash Metal oitentista.


Os vocais rasgados de Luiz Carlos Louzada continuam formidáveis, enquanto a dupla formada por Zhema e Gerson Farjado despeja riffs verdadeiramente agressivos e impiedosos. A parte rítmica, com Carlos Diaz e Arthur, mostra o peso, a variedade e a coesão que dela são esperadas, mantendo o alto nível individual que observamos em XIV.  Apostando suas fichas na velocidade (apesar de alguns momentos mais cadenciados aqui e ali) e na simplicidade que lhe é característica, o Vulcano não inventa e nos presenteia com 10 músicas de altíssima qualidade em pouco mais de 33 minutos, mostrando que realmente não estavam para brincadeira.

Com um riff para lá de marcante e velocidade de sobra, “Propaganda and Terror” chega metendo o pé na porta e quebrando tudo. O nível se mantém com a tríade “The Tides of Melted Metal”, “Thunder Metal” e “Necrophagy” que vão te levar de volta aos anos 80 com sua pegada bem old school que remete aos primórdios da banda. Já “Thou Shalt Not Kill” tem uma levada mais cadenciada e ótimos riffs, enquanto “Paradise on Holocaust” se sobressai não só pela velocidade e agressividade, como também pelo seu refrão pra lá de marcante. Outra que vale a pena destacar é a brutal “To Kill Or Die”, que têm um pé bem fincado no Death Metal.

Gravado e mixado no O Beco Estúdio (Santos/SP), álbum contou com produção de Zhema e Ivan Pellicciotti, soando claro, audível, pesado e principalmente, bem orgânico, passando longe das produções plastificadas dos dias atuais. A capa, simples (e bela) como o som da banda, foi obra da Just Design/Estúdio Multimídia. Simples e honesto, como todo álbum de Metal deveria ser, XIV faz jus a todo pioneirismo e grandiosidade do Vulcano. Originalmente lançado no bandcamp da banda no final de 2016, ele está ganhando agora em 2017 sua versão física, que vale muito a pena ser adquirida.

NOTA: 8,5

Vulcano é:
- Luiz Carlos Louzada (vocal);
- Zhema Rodero (guitarra);
- Gerson Fajardo (guitarra);
- Carlos Diaz (baixo);
- Arthur “Von Barbarian” (bateria).

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Atlantis - Hotter Than A Burning Church (2016) (EP)


Atlantis - Hotter Than A Burning Church (2016) (EP)
(Cripta Discos/Sangue Frio Records - Nacional)


01. Hotter Than A Burning Church
02. Wandering Warrior
03. Stormbringer & Mournblade
04. Mistress of the Night

Surgido no ano de 2013, na cidade catarinense de Jaraguá do Sul, o Power Trio Atlantis estreou 2 anos depois com o EP Summoning the Witch (resenha aqui). Nele, apesar da fraca produção e de algumas arestas que precisavam ser aparadas, mostraram um bom potencial de crescimento. Eis que já no ano seguinte soltaram um novo EP, que originalmente foi lançado em fita cassete no mercado chileno (limitado a 60 cópias) e que posteriormente, ganhou sua versão física para o mercado brasileiro.

Bem, quem escutou o EP anterior, sabe exatamente o que encontrará aqui. É aquela sonoridade típica da NWOBHM, calcada principalmente em nomes como Angel Witch, Diamond Head e Iron Maiden (principalmente nos dois primeiros álbuns), mas sem deixar de lado nomes mais atuais que seguem essa linha, como o sueco Enforcer e o canadense Cauldron. Ou seja, se espera uma sonoridade mais moderna, não é escutando um trabalho do Atlantis que irá encontrá-la, até porque toda a estética aqui remete aos anos 80, desde a composição das músicas, até o visual dos músicos, a produção e a capa, naquele estilo “tosco” (ou como alguns amigos meus dizem, estilo Metal Faber-Castell), mas que é muito legal, pois você identifica o estilo da banda só de olhar para ela.

Musicalmente, fica meio complicado falar de Hotter Than A Burning Church. Confesso eu que imaginava a banda conseguindo chegar um degrau acima nesse trabalho, mas a sensação ao final da audição é que o Atlantis não evoluiu tanto quanto se esperava. Claro, alguns aspectos aqui são superiores ao da estreia, já que as composições amadureceram um pouco, apesar de ainda soarem excessivamente emuladas de suas maiores influências. Os refrões estão um pouco mais fortes, e os riffs e solos mostram mais qualidade, mas é só. 


A produção é terrível e isso prejudica enormemente o trabalho, já que em alguns momentos tudo fica um tanto quanto embolado, quase desconexo. Entendo que a ideia seja passar aquele clima bem oitentista, mas até para esse determinado período, a produção soa fraca. Bandas já citadas, como o Cauldron, Enforcer, assim como também o Skull Fist, já mostraram que é plenamente possível ter uma produção que soe oitentista, mas com qualidade. O vocal de Tino Barth, infelizmente carece de mais força. Isso já era um problema detectado em Summoning the Witch e que infelizmente aqui, incomoda ainda mais. Pior que ele se mostra muito bom guitarrista, sempre encontrando boas soluções, principalmente nos solos, bem agradáveis. Talvez seja o caso de ele assumir apenas a guitarra e buscarem um vocalista mais adequado à proposta sonora da banda.

Tudo isso é uma pena, pois músicas como a faixa título, bem rápida e com bom refrão, “Wandering Warrior”, com seu belo trabalho de guitarra e influência fortíssima de Iron Maiden e “Stormbringer & Mournblade”, com um pé no Speed/Thrash, certamente empolgariam muito com uma produção decente e vocais que soassem mais fortes. O Atlantis tem tudo para crescer e assumir um lugar no primeiro escalão do Metal nacional, já que seu potencial é evidente, mas para isso, precisa mesmo aparar as arestas que insiste em manter. Uma gravação mais profissional não é crime. Caso contrário, será apenas mais uma banda que poderia voar alto, mas que ficará relegada aos porões do nosso underground. E convenhamos, isso seria uma pena.

NOTA: 7,0

Atlantis é:
- Tino Barth (Vocal/Guitarra)
- Jonathan Odorizzi (Baixo)
- Bruno Eggert (Bateria)

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