quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Vader - The Empire (2016)


Vader - The Empire (2016)
(Shinigami Records/Nuclear Blast - Nacional)


01. Angels Of Steel
02. Tempest
03. Prayer To The God Of War
04. Iron Reign
05. No Gravity
06. Genocidius
07. The Army-Geddon
08. Feel My Pain
09. Parabellum
10. Send Me Back To Hell
Bônus (Ep Iron Times)
11. Parabellum
12. Prayer To The God Of War
13. Piesc I Stal (Panzer X cover)
14. Overkill (Motörhead cover)

O Vader é dessas raras bandas que não precisa inovar a cada trabalho. Álbum após álbum, apresentam seu Death/Thrash rápido, furioso e brutal, que tanto faz a alegria de seus fãs e do qual você não enjoa de forma alguma. Mal comparando, é tipo um Motörhead do Death Metal. Vindo de dois trabalhos simplesmente fabulosos, Welcome to the Morbid Reich (11) e Tibi et Igni (14), a tarefa de The Empire, 13º álbum de estudio dos poloneses (se contarmos Future of the Past I e II, exclusivamente de covers) não era das mais fáceis. Mas bem, estamos falando do Vader.

Vale chamar a atenção também para a surpreendente estabilidade na formação da banda. Piotr "Peter" Wiwczarek (vocal/guitarra), Spider (guitarra), Hal (baixo) e James Stewart (bateria) estão juntos desde 2011 e pela primeira vez, desde The Beast (04)/Impressions in Blood (06), repetem a mesma formação em estúdio de um álbum para o outro (em 2004 o saudoso Krzysztof "Doc" Raczkowski ainda era o baterista da banda, mas foi substituído em estúdio por Daray, que acabou se tornando membro do Vader após o falecimento de Doc no ano seguinte). Todo esse tempo tocando juntos, serviu para deixar o quarteto ainda mais entrosado e coeso e isso se reflete muito bem nas músicas aqui presentes.

Canções rápidas e diretas, em pouco mais de 33 minutos de duração. É isso que encontramos aqui. Se comparado com Tibi et Igni, The Empire é um álbum um pouco menos técnico, remetendo mais ao material lançado pela banda em meados dos anos 2000, mas de forma alguma isso afeta sua qualidade. Os vocais de Peter continuam infernais como sempre e sua parceria com Spider funciona muito bem, já que além de riffs viscerais, também temos alguns dos solos mais ferozes já escutados em um álbum do Vader. Hal e James formam uma parte rítmica matadora, agressiva e bastante técnica.


A sequência inicial é avassaladora, com a destruidora e veloz “Angels Of Steel”, a thrasher  “Tempest”, com algumas passagens mid tempo e a brutal e raivosa  “Prayer To The God Of War”, que já havia saído em agosto, no EP Iron Times e tem nítida influência das bandas da Bay Area. Sim, prezados leitores, o lado Thrash Metal do Vader está muito em evidência em The Empire. O massacre continua com a mais cadenciada “Iron Reign”, que chega para dar um “alívio” aos ouvidos, para logo em seguida entrar a selvagem “No Gravity”. Com blast beats simplesmente animais, “Genocidius” chega quebrando tudo e ainda tem uma pequena homenagem que se você prestar atenção na introdução e na letra, sacará fácil para quem é. “The Army-Geddon” é a faixa diferentona do álbum, já que pende para o Death Metal mais moderno e remete muito mais a um Decapitated, com seus riffs quebrados, do que ao som mais old school que estamos acostumados. Na sequência final, temos a brutal “Feel My Pain”, onde a parte rítmica brilha, a já conhecida  “Parabellum” e “Send Me Back To Hell”, mais cadenciada e que emana um ar sinistro do começo ao fim. A versão nacional conta com o EP Iron Times de bônus, com destaques para as versões de Piesc I Stal (Panzer X, outra banda de Peter) e Overkill (Motörhead).

A produção, mixagem e masterização ficaram mais uma vez por conta do irmãos Wojtek e Slawek Wieslawski. Temos aqui o melhor resultado já obtido em um trabalho do Vader. Conseguiram deixar tudo limpo e claro, mas sem perder o peso e a agressividade. A capa, assim como do seu antecessor, foi feita pelo mestre Joe Petagno, onde podemos dizer que temos a versão dos poloneses do “Trono de Ferro”.

Mais uma vez o Vader vai direto ao ponto, com um trabalho que é um verdadeiro massacre sonoro. Deixando sua veia Thrash um pouco mais evidente, conseguiram lançar um trabalho muito bem equilibrado, que não soa cansativo em momento algum e que te obriga a deixar o aparelho no modo repeat por um bom tempo. E se prepare para ficar com o pescoço muito dolorido, pois bater cabeça aqui vai ser obrigatório.

NOTA: 9,0

Vader é:
- Piotr "Peter" Wiwczarek (vocal/guitarra);
- Spider (guitarra);
- Hal (baixo);
- James Stewart (bateria).

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Dee Snider – We Are The Ones (2016)

Dee Snider – We Are The Ones (2016)
(Shinigami Records/earMUSIC – Nacional)


01. We Are The Ones
02. Over Again
03. Close To You
04. Rule The World
05. We’re Not Gonna Take It
06. Crazy For Nothing
07. Believe
08. Head Like A Hole
09. Superhero
10. So What

Quando um músico consagrado vai lançar um trabalho solo, você já espera algo de muita qualidade, que honre seu legado. No caso de Dee Snider, já imagina uma música que trafegue entre o Hard e o Heavy, com aquela veia oitentista que consagrou sua carreira com o Twisted Sister. É o normal e o esperado. Mas lembrem-se, estamos falando de um músico de personalidade forte. Ok, seu primeiro trabalho solo, Never Let the Bastards Wear You Down (00), era um álbum forte e composto por canções nunca utilizadas pelo TS, mas seu trabalho seguinte, Dee Does Broadway (12), era exatamente o que o título diz, ou seja, composto por canções de musicais da Broadway.

Entendo perfeitamente aqueles que não gostaram de We Are The Ones. Realmente, não deve ser nada fácil esperar um álbum de Hard/Heavy clássico e se deparar com um trabalho que trafega pelo Rock Alternativo dos anos 90/00 e as vezes até mesmo chega a ser descaradamente Pop. Dee Snider tentou fugir do óbvio e fazer algo mais “contemporâneo”, com isso já ficando claro desde o início, com a escolha do produtor (e que coescreveu boa parte das canções aqui presentes), o premiado Damon Ranger, que trabalhou com artistas como Kanye West, Smashing Pumpkins, Smoking Popes, Rhymefest, dentre outros. Ou seja, ele estava bem decidido sobre que rumo dar à sua música aqui.

A ideia básica, como ele mesmo disse em entrevistas que antecederam o lançamento, era abandonar o passado e seguir em frente com sua música, levando-a para novas gerações. E bem, é a partir dessa premissa que We Are The Ones deve ser analisado. Sim, em um primeiro momento é difícil se libertar das amarras e pensar fora da caixa, se desprender do passado de Dee. Eu mesmo precisei de um tempo considerável de audição para tal coisa, mesmo já tendo uma ideia do que encontraria, imagine então um fã die hard de Twisted Sister. Esse provavelmente não terá tal paciência. 


Vamos começar pelas melhores. “We’re Not Gonna Take It” é uma bela versão acústica do clássico do TS, contando apenas com a voz de Dee e um piano. Outro cover presente aqui é o para “Head Like A Hole”, do Nine Inch Nails, que ficou surpreendentemente legal. Outra muito boa é a altamente emocional e acústica “So What”, que encerra muito bem os trabalhos. Essas três canções fazem juz ao talento de Snider e nem mesmo o fã mais radical pode reclamar. Tá, talvez reclame do cover do NIN, mas isso não tira a qualidade do mesmo. Passado isso, vamos à parte polêmica.

Boa parte de We Are The Ones poderia estar em qualquer álbum de Rock Alternativo da segunda metade dos anos 90 ou dos anos 2000. Canções como “Over Again” (cáustica e com bom refrão) e “Crazy For Nothing” (com uma pegada pop e refrão que pega fácil) poderiam estar sem exagero algum em um álbum do Foo Fighters. Nelas, a voz de Dee chega a soar como a de Dave Grohl em alguns momentos, só que obviamente mais dinâmica. Já “We Are The Ones” (enérgica), “Close To You” (um tanto datada), “Rule The World” (bem melodiosa) e “Believe” (beeeem pop) teriam espaço no repertório de bandas como Smashing Pumpkins, Thirty Seconds To Mars, Panic! at the Disco, Fall Out Boy ou Blink 182. “Superhero” é a única indefensável. Aqui Snider mergulha de cabeça no pop de uma forma que torna a canção constrangedora. Na boa, consigo imaginar a Kate Perry cantando a mesma.

No final, existem duas formas de se avaliar We Are The Ones. Do ponto de vista do que a maioria espera de um trabalho de Dee Snider, fica difícil defender a álbum. Como ele mesmo falou em uma entrevista para a Billboard em agosto de 2016, “a maioria dos meus fãs de Heavy Metal vai odiá-lo”. E bem, provavelmente está certíssimo em sua fala. Mas a questão é que esse não é um álbum feito para atingir o fã de Metal. Essa nunca foi a intenção. Dentro dessa proposta de fazer um som mais contemporâneo e atingir uma nova parcela do público, We Are The Ones é sim um bom trabalho. Claro, não dá pra negar que é inconstante em alguns momentos, mas na maior parte do tempo o talento de Dee fala mais alto. A questão aqui é: você consegue pensar fora da caixa?

Nota: 7,0

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Misconducters – Circadian (2016)


Misconducters – Circadian (2016)
(MS Metal Records – Nacional)


01. Invasion
02. Reset
03. Wasting Away
04. Misconducter
05. Circadian
06. New Line
07. Power Driven
08. Bad Slave

Para quem ainda não conhece o Misconducters, a banda foi originalmente formada em Londres no ano de 2008, pelas mãos de Den, vocalista e guitarrista, que lá residia na época. De lá para cá, já foram lançados 4 EP’s, You’re Asking For It… (08), Braindead (09), New Blood (10), Reset (12) e, antes de Circadian, 3 Cd’,s, It’s All Yours (10), Hypnopaedia (14) e Boundless (15) (resenha aqui).

Em seu 4º álbum de estúdio, continuam mantendo aquela mesma pegada característica de seus trabalhos anteriores, ou seja, uma mescla bem interessante de Metal Tradicional, Punk e Hardcore, que em alguns momentos faz com que remetam vagamente ao Motörhead, pelo fato de sua música ser bem direta. Ainda assim, sua sonoridade possui uma cara muito própria e característica. Chama a atenção o fato de, nesse intervalo de 1 ano entre Boundless e Circadian, seu som ter amadurecido mais um pouco, já que as faixas aqui soam um pouco mais variadas e mais bem trabalhadas, mas de forma alguma a banda perdeu sua essência. A mudança não foi drástica, apenas ocorreram pequenos ajustes aqui e ali que elevaram um pouco mais a qualidade do material.


Os vocais de Den pendem para um lado mais Hardcore, dando uma dose considerável de agressividade à música do Misconducters. A parte instrumental, como dito, está mais bem trabalhada e claro, carregada de energia e agressividade, com todos mostrando boa técnica. “Invasion”, faixa que abre o trabalho, mostra algumas reminiscências de Black Sabbath nas guitarras, além de soar bem forte. “Reset” mescla muito bem Hard e Punk e tem boa pegada. Já a faixa título se mostra bem variada, enérgica, sendo na minha opinião a melhor de todo o trabalho. Outra que vale destacar é “Bad Slave”, a mais curta de todo álbum e que vai direto ao ponto, sem enrolação.

Gravado no Lumen Studio (São Paulo), por Caio Schmid e Armani Abarno, Circadian teve produção da própria banda, com masterização e mixagem realizadas por Caio. O resultado final é muito positivo, já que a música soa clara, com todos os instrumentos audíveis, mas sem perder a crueza necessária para a proposta do Misconducters. Já a capa e o layout foram obra do próprio Den, com bons resultados. Um álbum altamente indicado para os que apreciam música pesada, enérgica, agressiva e direta, mas que não deixa de ser bem trabalhada e ter boa técnica.

NOTA: 8,0

Misconducters (gravação):
- Den (vocal/guitarra);
- Brisa (baixo);
- Vitão (bateria).

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quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Sonata Arctica – The Ninth Hour (2016)


Sonata Arctica – The Ninth Hour (2016)
(Shinigami Records/Nuclear Blast - Nacional)


01. Closer to an Animal
02. Life
03. Fairytale
04. We Are What We Are
05. Till Death’s Done Us Apart
06. Among the Shooting Stars
07. Rise a Night
08. Fly, Navigate, Communicate
09. Candle Lawns
10. White Pearl, Black Oceans (Part II: By the Grace of the Ocean)
11. On the Faultline (Closure to an Animal)
12. Run to You (Bryan Adams cover)

E lá se vão quase 2 décadas desde que o Sonata Arctica lançou seu elogiado debut, Ecliptica (99), praticando um Power Metal calcado no Stratovarius e que empolgou muito os fãs do estilo. Após isso, mais 3 álbuns, Silence (01), Winterheart's Guild (03) e Reckoning Night (04), e o nome dos finlandeses estava definitivamente consolidado entre os principais do estilo. Nada parecia poder abalar o caminho rumo ao topo, até que em 2007 surge Unia.

Não, Unia não é um álbum ruim, ao contrário, mas marcou uma virada na carreira do Sonata Arctica. Ali deixaram de ser uma simples cópia do Stratovarius e iniciaram a busca por uma sonoridade própria. Colocaram o pé no freio, adicionaram influências Prog em seu som e seguiram em frente, mesmo com os fãs mais die hard reclamando. Ok, os álbuns seguintes foram um tanto inconstantes, mas com Pariah's Child (14) (resenha aqui), encontraram o equilíbrio necessário para sua música.

De certa forma, The Ninth Hour é uma continuação natural do que ouvimos no trabalho anterior, já que conseguem equilibrar de forma razoável as duas fases da banda, por mais que pendam um pouco mais para o Prog/Power Sinfônico que tem se tornado a cara da banda. Ainda assim, é um álbum um pouco mais difícil que o anterior e, ao menos para mim, necessitou de umas audições adicionais. Os fãs daquele Sonata old school podem ir direto a “Fairytale”, “Till Death’s Done Us Apart” e “Rise a Night”. São as que caem para o lado do Power Metal puro e simples, velozes, com bateria rápida, riffs melódicos e refrões marcantes. Também podem arriscar a épica e rica “White Pearl, Black Oceans (Part II: By the Grace of the Ocean)”, com seus mais de 10 minutos e que continua a história de “White Pearl, Black Oceans”, faixa presente em Reckoning Night.


Já os fãs da fase pós-Unia, certamente gostarão de músicas como “Closer to an Animal”, com boa dose de Prog, uso farto dos teclados (elemento central de boa parte das canções) e riffs melodiosos, “Life”, com uma certa dose de exagero, refrão daqueles que vicia e boas melodias e a boa “Fly, Navigate, Communicate”, que consegue transitar com naturalidade entre as duas fases da banda. Completam ainda o trabalho, a emocional e lenta “We Are What We Are”, as introspectivas baladas “Among the Shooting Star” e “Candle Lawns” (compostas na época de Stones Grow Her Name (12)) e “On the Faultline (Closure to an Animal)”, uma releitura alternativa da faixa de abertura, que sinceramente, julguei um tanto desnecessária. A versão nacional ainda tem um cover nem tão inusitado assim (se você lembrar que Tony Kakko toca no Northern Kings) para “Run to You”, do cantor pop canadense Bryan Adams.

Com ótimas melodias, algumas um pouco mais fortes e outras bem emotivas, arranjos vocais de bastante qualidade e uma boa utilização de elementos sinfônicos, o Sonata Arctica conseguiu lançar um trabalho equilibrado e com qualidade. Ok, falta um pouco de energia em um ou outro momento e achei Kakko um pouco contido em passagens onde poderia soltar mais a voz, mas isso em nada compromete o resultado final. Os fãs da primeira fase continuarão chiando, os atuais podem estranhar uma ou outra passagem, mas dando a devida atenção ao trabalho, podem descobrir um álbum cativante e com ótimos momentos.

NOTA: 8,0

Sonata Arctica é:
- Tony Kakko (vocal);
- Elias Viljanen (guitarra);
- Pasi Kauppinen (baixo);
- Tommy Portimo (bateria);
- Henrik Klingenberg (teclado).

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Lusferus - Desolation’s Theme (2015)


Lusferus - Desolation’s Theme (2015)
(Eternal Hatred Records - Nacional)


01. A Taste of Aquarian Age
02. Luciférico Hino
03. The Throne
04. Desolation’s Theme
05. Silent Bird of Changes
06. Four Concepts Aligned
07. Apostasy

Quando afirmamos que as bandas nacionais não deixam nada a dever se comparadas às gringas, não é apenas um discurso ufanista sem qualquer tipo de embasamento. É apenas uma simples constatação de quem acompanha de perto o underground nacional. Um exemplo disso é o Lusferus, surgido em Ribeirão Preto/SP, no ano de 2007 e que em 2015 lançou seu terceiro trabalho,  Desolation’s Theme, sempre apostando em um Black Metal com aquela pegada nórdica típica dos anos 90.

O quarteto formado por Goehrnis (vocal/guitarra), O.Gelfuso (guitarra), Mutt (baixo) e Ivåder (bateria) pratica um Black Metal que vai te remeter a formações como Dissection, Sacramentum, Naglfar e afins, mas sem soar como cópia, já que mostram personalidade de sobra em sua música. Em todas as composições aqui presentes, mesmo que não apresentem nada propriamente novo, temos energia de sobra, agressividade, peso e, principalmente, ótimas melodias.

Quem teve a oportunidade de escutar os trabalhos anteriores do Lusferus, o EP Luciférico Hino (07), e os álbuns Opus Satanus: Apostasia (08) e Black Seeds ov Obscure Arts (13), vai notar de cara que a banda soa bem mais madura. Por mais que fossem bons trabalhos, não tinham o nível de qualidade que encontramos em Desolation’s Theme. Talvez a maior prova disso é que, logo após a breve introdução, temos uma ótima regravação para a faixa título do EP de estreia. Aqui ela soa mais sutil e bem trabalhada, com ótimas guitarras e melodias, além de belas passagens acústicas. É um dos grandes destaques do álbum. Outra regravação presente é a última faixa, “Apostasy”, que encerra o debut da banda e que aqui soa superior à original. Realmente muito boa. 


Das 4 faixas restantes, propriamente inéditas, “The Throne” é obscura, direta e tem boa inclusão de vocais limpos, a cargo de Gelfuso, “Desolation’s Theme” é densa e alterna bem momentos mais cadenciados com outros mais rápidos, além de ter as melhores melodias de todo o trabalho. Já “Silent Bird of Changes” é um belíssimo interlúdio acústico, que prepara o terreno para a feroz e cadenciada “Four Concepts Aligned”, que conta com vocais adicionais de Paolo Bruno, do Desdominous.

Gravado no Under Studio, a produção foi feita pela banda em parceira com Rômulo Ramazini, que também foi o responsável pela mixagem. Já a masterização foi obra de Sandro Resende, no Finalize Studio Audio Post. O resultado final foi bom, já que deixou tudo muito claro, mas sem deixar o peso e a agressividade de lado. A capa e o design do encarte foram feitos por Rafael Tavares, que já trabalhou com nomes como Blood Red Throne, Chaos Synopsis, Coldblood, Queiron e Ocultan. Não menos que ótimos.

Ao final, o Lusferus mostra que para fazer um som de alta qualidade, não se faz necessário apresentar algo propriamente novo, bastando você saber usar as boas referências a seu favor, imprimindo sua identidade. Um trabalho consistente, extremo e diversificado, que não fica devendo nada ao que vem lá de fora.

NOTA: 8,5

Lusferus é:
- Goehrnis (vocal/guitarra);
- O.Gelfuso (guitarra);
- Mutt (baixo);
- Ivåder (bateria).

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Anita Latina - Anita Latina (2016)


Anita Latina - Anita Latina (2016)
(Alternative Music - Nacional)


01. Desert
02. Baião
03. Insunity
04. The Day Your Savior Comes
05. Love (Defend Against Its Devotees)
06. Nullius In Verba
07. Zomia
08. Zephyr

Uma das coisas legais de não se ter a cabeça fechada para música é que isso muitas vezes te dá a oportunidade de conhecer bandas bem legais, que procuram sair daquele ABC básico do Rock. Esse é o caso desse Power Trio de Campinas/SP, formado em 2010 e que chega aqui a seu primeiro trabalho completo de estúdio.

Com sua formação estabilizada há algum tempo e contando com Bruno Ganzoni (vocal/baixo/teclado), Tarcísio Barsalini (guitarra) e Matheus Vazquez (bateria), todos graduandos em música pela Unicamp, o Anita Latina (sim, eu sei, o nome causa certo arrepio) aposta em uma espinhosa mistura de Rock Alternativo, Hard, Progressivo, Jazz, Fusion e MPB. A história da música mostra que, normalmente, quem tenta abraçar o mundo acaba de braços vazios, mas felizmente esse não é o caso aqui.

Na maior parte do álbum, é muita coisa ocorrendo ao mesmo tempo na música do trio. O instrumental se mostra bem intrincado e técnico, a todo tempo elementos de fora são inseridos, mas ainda assim, dada a categoria dos instrumentistas, conseguem manter a coesão e a coerência do trabalho. Claro, não estamos falando aqui de músicas fáceis de serem consumidas e eu mesmo necessitei de algumas audições para me acostumar à proposta do Anita Latina, mas quando isso ocorre, fica difícil não gostar do que se escuta.


Uma coisa que facilita bastante a audição é que, apesar do alto nível de complexidade, não estamos lidando com músicas longas, como seria lógico de se pensar. Metade delas sequer chega aos 5 minutos de duração. Dentre as 8 aqui presentes, destacaria a faixa de abertura, “Desert”, que se mostra bem enérgica e pesada, “Baião”, com letra em português e que bem, o nome deixa bem claro o que o ouvinte encontrará pela frente (mas garanto, as influências de música popular foram muito bem encaixadas aqui) e “The Day Your Savior Comes”, uma das mais técnicas aqui presentes, com boa influência de Jazz e momentos que remetem ao Rush.

Quanto à produção, ai já entra uma questão mais de gosto pessoal meu. Gravado no Basement Studio, teve produção de Caio Ribeiro (também responsável pela masterização, no Electrosound) e co-produção de Tarcísio Jr, tendo a dupla também feito a mixagem. Está tudo claro, audível, bem timbrado, pesado, como deve ser. Mas para o meu gosto, achei um pouco crua demais, já que na minha cabeça, a proposta da banda pede um som mais refinado. De qualquer forma, é bem-feita e ficou bem orgânica, fugindo das produções mais plastificadas dos dias atuais. A ótima e criativa parte gráfica foi obra de Lucas Piro.

Ao final, é inevitável pensar até onde o Anita Latina pode chegar com o tempo e o amadurecimento natural que a estrada dá a qualquer banda. Não é um trabalho fácil, mas que decididamente vale o tempo gasto com audições adicionais, porque qualidade eles possuem de sobra e isso é mais que indiscutível.

NOTA: 8,0

Anita Latina é:
- Bruno Ganzoni (vocal/baixo/teclado);
- Tarcísio Barsalini (guitarra);
- Matheus Vazquez (bateria).

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sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

Grave Digger – Healed by Metal (2017)


Grave Digger – Healed by Metal (2017)
(Napalm Records – Importado)


01. Healed by Metal   
02. When the Night Falls   
03. Lawbreaker   
04. Free Forever    
05. Call for War   
06. Ten Commandments of Metal    
07. The Hangman's Eye    
08. Kill Ritual    
09. Hallelujah   
10. Laughing with the Dead

Em 2017, o Grave Digger, sempre capitaneado por Chris Boltendahl, completa 37 anos de existência (incluindo aquele período obscuro entre 1986 e 1991, onde utilizaram os nomes Digger e Hawaii). Então nada melhor do que soltar um novo trabalho, seu 18º da carreira, contando aqui com Stronger than Ever (86) (Digger) e Exhumation (The Early Years) (15, onde regravaram alguns antigos clássicos da sua primeira fase). Poucas bandas de sua geração são tão longevas.

Nessas quase 4 décadas, sempre se mantiveram firmes e fiéis ao seu estilo, mesmo nos conturbados anos 90, período no qual, por sinal, lançaram alguns grandes álbuns, como Heart of Darkness (95), Tunes of War (96) e Knights of the Cross (98). Mesmo na primeira década dos anos 2000, em uma fase onde na minha visão, Boltendahl e cia não andaram lá muito inspirados, lançaram ao menos um grande trabalho, Rheingold (03). Mas a verdade é que, após a saída de Manni Schmidt e a entrada de Axel "Ironfinger" Ritt em 2009, as coisas voltaram a melhorar, culminando no ótimo Return of the Reaper (14) (resenha aqui).

Bem, sejamos sinceros, quando falamos de Grave Digger, sabemos exatamente o que esperar dessa verdadeira instituição germânica. Heavy/Power simples, puro, direto, sem inovações e surpresas. Você sabe que encontrará todos os clichês do gênero presentes em suas músicas, mas a verdade é que eles sabem brincar muito bem com os mesmos e o que tinha tudo para soar repetitivo (bem, não deixa de soar), acaba sendo absurdamente divertido. Muito disso vem da honestidade, energia e paixão com que fazem sua música. É nítida a honestidade dos mesmos em cada nota tocada.

Chris Boltendahl continua com seus vocais ásperos, dessa vez mais cantados do que gritados (o que é ótimo), enquanto os experientes Jens Becker (baixo) e Stefan Arnold (bateria), formam uma parte rítmica forte, pesada e afiadíssima. Mas também nem poderia ser diferente, afinal, estão ali desde Knights of the Cross. O “estreante” Marcus Kniep (era técnico de bateria da banda desde 2009) se sai muito bem ocupando o posto de tecladista, no lugar de H.P. Katzenburg, que saiu do Grave Digger logo após Return of the Reaper, depois de quase 2 décadas na função. Mas todos os louros aqui vão para Axel Ritt. O cara simplesmente destrói durante os 37 minutos de duração de Healed by Metal (até nisso foram old school), com uma guitarra monstruosa, riffs épicos e ótimos solos. 


O álbum abre com a já conhecida faixa título, mais mid tempo, com um refrão daqueles feito para se cantar junto (são vários durante todo o trabalho) e totalmente anos 80. Perfeita para ser tocada ao vivo. Dando prosseguimento, temos uma das melhores aqui presentes, “When the Night Falls”, mais raivosa, agressiva e com ótimas melodias e riffs. Logo em seguida entra o momento Judas Priest/Saxon, com a dobradinha “Lawbreaker”/“Forever Free”, que poderiam estar em qualquer álbum da dupla. Já que falamos em momento, temos também o “sou muito fã de mim mesmo”, com a enérgica e direta “Call for War”. Por que falo isso? The Dark of the Sun. Entendedores entenderão. E nisso se vai a primeira metade de Healed by Metal sem que você ao menos tenha percebido isso.

Abrindo a segunda metade, temos outra faixa mid tempo, “Ten Commandments of Metal”, com todo seu clima oitentista, seguida pela destruidora, pesada e sombria “The Hangman's Eye”, outra que se destaca um pouco acima das demais durante a audição. “Kill Ritual” é um Power Metal tipicamente alemão, rápido, feroz, tem riffs afiadíssimos e aquele refrão cativante. Poderia estar em qualquer um dos primeiros álbuns do Blind Guardian ou mesmo no Rheingold. Certamente vai deixar os fãs felizes. Já “Hallelujah” tem uma das melodias mais cativantes de todo o trabalho e um desempenho primoroso de Axel Ritt, que culmina em um dos melhores solos do álbum. Encerrando, temos “Laughing with the Dead”, cadenciada, pesada e a mais épica de todo o trabalho. É outra que consigo imaginar sendo executada ao vivo, com o público cantando o refrão a plenos pulmões. Melhor encerramento, impossível.

Um pouco mais direto e pesado que seu antecessor, Healed by Metal não foge da já conhecida fórmula que o Grave Digger possui para compor. Muitos podem se incomodar com isso e sinceramente, não os condeno, afinal, esse tipo de solução pode realmente soar cansativa, principalmente se faltar inspiração (como ocorreu em vários momentos nos anos 2000). Mas sinceramente, nem sempre se faz necessário que uma banda saia de sua zona de conforto e isso ficou provado aqui. Simplesmente, um álbum de Heavy Metal puro, como muitos deveriam ser. Precisa mais? Acho que não.

NOTA: 8,5

Grave Digger é:
- Chris Boltendahl (vocal);
- Axel Ritt (guitarra);
- Jens Becker (baixo);
- Stefan Arnold (bateria);
- Marcus Kniep (teclado)

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quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Sepultura - Machine Messiah (2017)


Sepultura - Machine Messiah (2017)
(Nuclear Blast - Importado)


01. Machine Messiah
02. I Am The Enemy
03. Phantom Self
04. Alethea
05. Iceberg Dances
06. Sworn Oath
07. Resistant Parasites
08. Silent Violence
09. Vandals Nest
10. Cyber God

Você goste ou não, o Sepultura é a maior banda de Metal já surgida nesse país. Mas também é a que mais divide opiniões. Quantas vezes já não escutei frases como “o Sepultura acabou no Arise” (ou variações da mesma, trocando o nome do álbum pelo Schizofrenia ou Chaos A.D.), ou então que sem os irmãos Cavalera, não é Sepultura, ou que deveriam ter acabado após Roots, com a saída de Max. Existem também aqueles que mesmo após quase 20 anos, não conseguem aceitar a presença de Derrick Green na banda. Tem também aquela turma que critica duramente Andreas Kisser, pelo mesmo aceitar fazer participações ao lado de artistas populares. Por último, temos aqueles que realmente não gostam da música praticada pelo grupo hoje em dia, o que não tem nada de errado. A verdade é que hoje em dia, qualquer coisa parece motivo para se criticar o Sepultura.

Por outro lado, existem aqueles que nunca abandonaram a banda, mesmo em seus piores momentos. Nesse time, temos aqueles que defendem o Sepultura pela sua importância para o Metal nacional, os que os apreciam pelas suas apresentações ao vivo e até mesmo os que realmente gostam do material lançado pós-Roots. Eu particularmente estou no time que admira a banda pelo fato da mesma nunca ter se acomodado, sempre fazendo o que tiveram vontade e olhando para o futuro, nunca para o passado. A verdade é que sempre optaram pelo caminho mais difícil, musicalmente falando. Seria muito mais cômodo terem passado o restante da carreira relançando eternamente o Beneath The Remains (89) ou o Arise (91). Não receberiam a saraivada de críticas de muitos por aí e certamente seria garantia de material de qualidade.

Mas aí não seria o Sepultura, uma banda que sempre carregou uma inquietação musical grande em todas as suas fases. Se não ousassem, certamente perderíamos muito ao não ter trabalhos de grande qualidade como Chaos A.D. (93) e Roots (96), um álbum que mesmo criticado por muitos fãs “das antigas”, angariou enorme respeito em todo o mundo e elevou o nome do grupo ao hall dos grandes do Metal, além de deixar a todos com aquela eterna dúvida de até onde poderiam ter chegado se não ocorresse o traumático rompimento de Max com o restante da banda. Aliás, de lá para cá a caminhada não tem sido das mais fáceis e acidentes de percurso ocorreram. Acho que nem o mais fanático adorador da banda, pode negar que Nation (01) é um trabalho fraquíssimo e Against (98) e Roorback (03) passam longe de empolgar como um todo. Com a dupla Dante XXI (06) e A-Lex (09) a situação começou a melhorar, ao menos do ponto de vista de qualidade, mas foi com seus dois últimos álbuns, Kairos (11) e The Mediator Between Head and Hands Must Be the Heart (13) que aparentemente a locomotiva voltou aos trilhos.


Sobre a temática de Machine Messiah, nada melhor do que usar as próprias palavras de Andreas Kisser para explicar a mesma. “A maior inspiração para o Machine Messiah é a robotização da sociedade atualmente. O conceito de um Deus Máquina que criou a humanidade, e agora parece que este ciclo chega ao fim, retornando ao ponto inicial”. Aliás vale dizer que, há tempos, o Sepultura vem se mostrando uma banda diferenciada quando falamos de conceitos para seus álbuns. E bem, falar da “robotização” de nossa sociedade não poderia ser mais atual.

Muitos certamente continuarão criticando, mas gosto muito dos vocais de Derrick Green. Me recuso a tecer comparações com Max Cavalera, isso seria injusto, já que são fases totalmente diferentes, até mesmo em matéria de sonoridade, mas aqui ele executa um belíssimo trabalho. Talvez o melhor nesses quase 20 anos de banda. Andreas Kisser é um caso à parte. Sua capacidade de forjar riffs marcantes é algo ímpar, aqui temos alguns verdadeiramente bons, e os solos, em muitos momentos, chegam a remeter ao Sepultura antigo. Para mim, um dos melhores em seu instrumento na atualidade. Paulo Jr, bem….é o Paulo Jr e você sabe exatamente o que esperar dele. É discreto e eficiente e isso já basta. Agora, Eloy Casagrande é um capítulo à parte. O cara é monstruoso, soberbo atrás de seu kit de bateria e ouso dizer que até mesmo supera Igor em seus tempos de glória. O que ele faz aqui é simplesmente espetacular.

Mas vamos ao que realmente interessa. O álbum abre justamente com a faixa título, que certamente poderá causar estranhamento em alguns. Sombria, começa com vocais limpos de Derrick, para mais à frente explodir em peso. É lenta, angustiante, tem riffs marcantes e é muito forte, mas confesso que me soou meio deslocada como faixa de abertura. Em seguida, temos a já conhecida “I Am The Enemy”, que mescla Thrash com aquele Hardcore dos anos 90, e soa simplesmente feroz e raivosa. É dessas músicas que não dá tempo ao ouvinte para respirar. E o solo vai te remeter aos melhores momentos do Sepultura no passado. “Phantom Self” é outra já conhecida e que choca já no seu início, com sua percussão e suas orquestrações (elaboradas pelo Maestro Renato Zanuto). Conta com a participação de um violinista tunisiano, trazido pelo produtor Jens Bogren para participar do álbum, o que acaba dando uma vibração mais oriental nos momentos em que o violino surge. É uma das faixas mais vigorosas e interessantes do trabalho. “Alethea” é outra música muito forte e se destaca principalmente pelo ótimo uso de percussões, não só na introdução como também durante a música. Ainda assim é a mais fraca dessa primeira metade, apesar de estar muito longe de ser ruim. Apenas não é tão marcante quanto as demais. Encerrando a primeira metade do trabalho, temos a instrumental “Iceberg Dances”, com um arranjo definitivamente empolgante e hipnótico. É uma música bem variada e temos, além de algumas passagens tribais, a utilização de um órgão, momentos que remetem ao Jazz e até mesmo à música Flamenca. E prestem atenção no trabalho da dupla Kisser/Eloy. Os caras são os donos de Machine Messiah.


A segunda metade abre com a minimalista “Sworn Oath”, que além de possuir bom groove e peso, possui melodias bem sinistras e ótimos elementos orquestrais. Sem dúvida uma música muito intensa. As passagens orquestrais (belíssimas por sinal) voltam a dar as caras em “Resistant Parasites”, pesada, raivosa e com uma pegada bem Thrash. Tem uma parte percussiva bem interessante e Eloy novamente detona. Kisser também brilha, com ótimos riffs. Isso vale também para “Silent Violence”, uma pedrada Thrash, poderosa e empolgante, dessas de te fazer quebrar o pescoço. Alternando algumas partes mais cadenciadas com outras mais velozes, é outra que vai te remeter ao Sepultura do passado em alguns momentos. Já “Vandals Nest” tem passagens bem velozes e empolgantes, mas confesso que achei ela a mais “fraca” dessa segunda metade. E olha que Casagrande e Kisser simplesmente detonam tudo durante os quase 3 minutos de duração da mesma. Para fechar o trabalho, temos “Cyber God”, que assim como a faixa de abertura, começa bem lenta, sinistra e conta com alguns vocais limpos de Derrick. Aliás, aqui temos seu melhor desempenho em todo o álbum. E sim, sei que isso já está soando chato, mas prestem atenção no trabalho de guitarra e bateria aqui. Esses caras fazem tudo parecer tão fácil.

Gravado, produzido, mixado e masterizado no Fascination Street Studios, em Örebro, Suécia,  Machine Messiah teve a chancela do onipotente, onisciente e onipresente Jens Bogren, “O Cara” quando se trata de produção nos dias de hoje. E bem, o resultado foi excelente e é visível que houve preocupação com cada detalhe aqui presente. Mas o mais incrível é que apesar disso, o trabalho soa assustadoramente orgânico e natural, mesmo que em alguns momentos estejam ocorrendo diversas coisas ao mesmo tempo na música. Em suma, não soa robótico, frio. A capa é um belíssimo trabalho da artista filipina Camille Della Rosa (http://www.camilledelarosa.net/), intitulado Deus Ex-Machina e apesar de ter sido criada 6 anos atrás, se encaixou perfeitamente com o conceito do álbum. Simplesmente uma das melhores que vi nos últimos anos.

Os detratores da banda continuarão batendo forte, afirmando que o tempo do Sepultura já passou. Ok, direito deles, afinal, cada um pensa como quiser. Mas gostando ou não, isso em nada vai diminuir a relevância dos caras e nem mudar o fato de que lançaram seu melhor trabalho nos últimos 20 anos. Sem medo de inovar, de trazer novos elementos para sua música e fazer diferente sempre, lançaram um trabalho digno da grandiosidade de sua história. E o mais importante, passam o recado para quem quiser entender, que o Sepultura pensa no futuro e não pretende viver do passado. Ainda estamos em janeiro, 2017 promete muito, mas desde já é candidato a um dos álbuns do ano.

NOTA: 9,0

Sepultura é:
- Derrick Green (vocal);
- Andreas Kisser (guitarra);
- Paulo Jr (baixo);
- Eloy Casagrande (bateria).

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terça-feira, 10 de janeiro de 2017

In Flames – Battles (2016)


In Flames – Battles (2016)
(Shinigami Records/Nuclear Blast - Nacional)


01. Drained
02. The End
03. Like Sand
04. The Truth
05. In My Room
06. Before I Fall
07. Through My Eyes
08. Battles
09. Here Until Forever
10. Underneath My Skin
11. Wallflower
12. Save Me
13. Greatest Greed (bônus)
14. Us Against The World (bônus)

Quando se é fã de uma banda, nunca é fácil resenhar a mesma, para o bem e para o mal. É complicado encontrar um meio termo quando se escreve. Ainda me recordo bem do meu primeiro contato com a música do In Flames, em janeiro de 1998. Nessa época, já residia em Minas, mas todo início de ano ia a Niterói, rever amigos e familiares. Aproveitava também para ir a uma loja, que ficava no centro da cidade, comprar camisas e cd’s, já que isso não era simples de se fazer morando em uma cidade do interior.

Era uma época pré-internet e nem sempre se tinha fácil acesso a informações ou a novas bandas e no meu caso, as fontes eram a Rock Brigade, na época e principal revista do estilo do país, e as viagens que fazia, quando me atualizava em conversas com amigos. Naquele janeiro de 1998, me deparei com Whoracle, 3º álbum de estúdio do In Flames e mesmo sem conhecer a banda, resolvi adquirir o cd, já que além de ter uma capa que achei foda (sim, houve uma época em que muitos compravam álbuns pela capa), me disseram que o som era similar ao At The Gates e ao Dark Tranquility.

O que eu não sabia até então, era que ao lado das duas bandas citadas acima, o In Flames havia sido um dos precursores do Death Metal Melódico. Claro, eu já conhecia o estilo através de dois clássicos do estilo, Slaughter of the Soul (At The Gates) e The Gallery (Dark Tranquility), mas meu conhecimento nessa área ainda era precário. Ainda assim, mesmo tendo contato com os trabalhos acima, nada havia me preparado para o que escutei quando “Jotun” explodiu nos altofalantes. Melodias totalmente grudentas, refrões marcantes, guitarras que despejavam riffs que remetiam ao Iron Maiden, mas unidos ao peso e à agressividade do Death Metal. Não tinha mais volta.

De lá para cá muita água passou por debaixo da ponte e o In Flames já não é mais a mesma banda no que tange sua sonoridade. A partir de Reroute to Remain (02) os suecos começaram a modernizar seu som, gerando revolta nos fãs mais antigos, mas angariando uma multidão de novos admiradores. E no fim, o Death Metal Melódico de outrora acabou por se tornar o mais puro Metal Alternativo, bem “americanizado”, poderíamos dizer. Isso é ruim? Do meu ponto de vista, não. Se na primeira fase, a banda gerou clássicos como The Jester Race (96), Whoracle (97), Colony (99) e Clayman (00), nanova lançou ao menos dois belíssimos trabalhos, Come Clarity (06) e A Sense of Purpose (08). Infelizmente, após isso, Jesper Strömblad partiu e o In Flames perdeu seu principal motor criativo, resultando assim no fraco Sounds of a Playground Fading (11) e no péssimo Siren Charms (14).

Mesmo não fazendo parte dos fãs radicais e que abominam a fase atual, o último trabalho dos suecos havia me decepcionado profundamente. Sendo assim, peguei para escutar Battles, seu 12º trabalho de estúdio, sem grandes esperanças. E bem, acabei me surpreendendo positivamente. Não, o In Flames não voltou a fazer aquele som do passado, mas conseguiu nos entregar um trabalho muito mais sólido e cativante que os anteriores. Pode-se dizer que deram “um passo atrás”, se reaproximando do que escutamos em Come Clarity e A Sense of Purpose. Os vocais de Anders Fridén soam mais agressivos e mesmo as partes mais melódicas soam bem superiores. Björn Gelotte e Niclas Engelin conseguem, em boa parte do tempo, despejar riffs com boas melodias, além de alguns solos bem legais, enquanto na parte rítmica, Peter Iwers (baixo), que infelizmente anunciou sua saída da banda após a turnê americana, e o baterista estreante Joe Rickard conseguem fazer um bom trabalho, soando bem diversificados.


Na maior parte do tempo, o Metal Alternativo fala mais alto, mas é possível pescarmos alguns elementos do Death Metal Melódico de outrora aqui e ali. “Drained”, faixa de abertura, soa bem forte e cativante, com ótimos riffs e boa performance vocal. A faixa seguinte, “The End”, mantém o nível em cima, com aquelas guitarras gêmeas que sempre foram marca registrada da banda (mas em uma proposta mais voltada para o Rock), melodias grudentas, refrão que te pega com facilidade e mais uma vez, bons vocais de Anders. “The Truth” é outra que se destaca com suas ótimas melodias, um belo trabalho das guitarras (que vai sim te remeter ao passado da banda, apesar delas não estarem tão pesadas), elementos eletrônicos bem utilizados e aquele refrão que você cantará já na primeira audição. “Battles” soa bem pesada e possui ótimo solo, descrição que se encaixa também para “Underneath My Skin”. “Save Me” também se destaca e cativa fácil o ouvinte.

Mas infelizmente nem tudo são flores aqui e em alguns momentos, o In Flames soa um pouco maçante, comum e sem inspiração. “Like Sand” é um bom exemplo disso. Não chega a ser ruim, mas não tem nada que te faça lembrar da mesma depois. Isso também vale por exemplo, para “In My Room”, que possui guitarras um tanto genéricas e “Before I Fall”, onde soam como qualquer outra banda de Metal Alternativo, algo que definitivamente eles não são. Já “Here Until Forever” é totalmente dispensável e teria feito bem ao álbum se tivesse sido limada do mesmo. É a única que realmente podemos chamar de ruim.

Gravado e mixado no West Valley Studios, em Los Angeles, Battles teve produção de Howard Benson (Sepultura, Motörhead, Sanctuary, Apocalyptica) e co-produção de Mike Plotnikoff (Fear Factory, Saxon, Scorpions), que foi também o responsável pela mixagem. Quanto à masterização, a mesma foi realizada no Sterling Sound, em Nova York, por Tom Coyne (Deicide, Entombed A.D., Mercyful Fate, Pantera, Testament). O resultado final é de primeira linha.

Ao final, apesar de alguns momentos esquecíveis, Battles acaba tendo um saldo muito positivo, já que é muito mais sólido e coeso que seu antecessor. Ok, ele soa como uma versão mais leve dos ótimos Come Clarity e A Sense of Purpose, ainda podem fazer melhor, mas, ao mesmo tempo, recoloca os suecos de volta nos trilhos com material de qualidade. Na versão que está saindo no Brasil, temos ainda duas faixas bônus que, sinceramente, poderiam ter entrado com sobras na versão padrão, pois são muito boas. Você é desses que espera ouvir o In Flames retornando ao som dos anos 90? Recomendo que pare de se iludir, isso não vai ocorrer. Agora, se você faz parte do time que curte a fase atual da banda, mas andou decepcionado com os últimos trabalhos, pode adquirir Battles sem medo de arrependimento.

NOTA: 7,5

In Flames (gravação):
- Anders Fridén (vocal);
- Björn Gelotte (guitarra);
- Niclas Engelin (guitarra);
- Peter Iwers (baixo);
- Joe Rickard (bateria).

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Inner Call - Inner Call (2016)


Inner Call - Inner Call (2016)
(MS Metal Records - Nacional)


01. The Dark Ages
02. Ride From Hell
03. Reasons
04. Inner Call
05. The Payment
06. Live In The War
07. Bad Minds
08. I’m Back (This Is Rock’n’Roll)

A história do Inner Call retrata bem as dificuldades de se fazer Heavy Metal no Brasil. A banda surgiu no ano de 2009 em Salvador, mas logo após lançarem uma demo naquele mesmo ano, mudanças radicais ocorreram. O baterista Luiz Omar mudou para São Paulo, por questões profissionais, e com a devida autorização dos ex-colegas de banda, remontou o projeto em sua nova cidade. Infelizmente, dada a dificuldade de encontrar os membros certos, o grupo passou por um grande hiato. Após finalmente estabilizar a formação, tudo parecia certo e entraram em estúdio para a gravação do debut. Trabalho gravado e divergências surgiram, obrigando a mudanças na formação que, ao final do processo, resultaram na saída dos demais membros, restando apenas Luiz Omar. Para fechar o ciclo, o mesmo retorna a Salvador e o Inner Call se renova, contando inclusive com seu vocalista original, Roberto Santos e estabilizando a formação que vem trabalhando na divulgação do debut.

Musicalmente, o Inner Call não inventa, apostando em um Heavy Metal Tradicional correto, pesado e sem espaço para modernidades e qualquer outro tipo de invenção atual. Os vocais de Fábio Lima soam bons, mas poderiam ser um pouco mais desenvolvidos, já que falta um pouco de força em alguns momentos. Já as guitarras de Rafael Perera e Renato Passero fazem um belo trabalho, com ótimos riffs e melodias, além de solos interessantes. A parte rítmica, com Régis Farina e Luiz Omar, também executa um belo trabalho, dando peso às canções e mostrando boa técnica. Em suma, todos fazem um bom trabalho.



As 8 canções aqui presentes soam, acima de tudo, verdadeiras e honestas. Você sente a vontade em cada nota e isso conta demais. Posso apontar como destaques, “The Dark Ages”, bem pesada e com um solo que chama a atenção, além de contar com a participação de Vivian Benevides nos vocais, “Ride From Hell” e “Reasons”, com ótimas melodias e “Bad Minds”, uma das mais pesadas e agressivas do trabalho, além de muito bem trabalhada.

Então chegamos no grande calcanhar de aquiles do álbum, a produção. Ela é apenas mediana e em alguns momentos, prejudica o trabalho. Vide por exemplo, os vocais que poderiam ter ficado mais encorpados aqui. O excesso de crueza também não ajudou em nada, já que a proposta da banda pede um pouco mais de esmero nesse sentido. Realmente é um ponto a ser melhorado no próximo trabalho e sim, prejudica o resultado final aqui. A capa foi concebida pelo baterista Luiz Omar e o design foi obra de Matheus Silva, com bons resultados finais nesse sentido.

Sem inventar e fazendo o básico do Heavy Metal, o Inner Call se saiu muito bem em seu trabalho de estreia. Pesado, agressivo e, claro, com melodias de qualidade, se mostram uma banda com ótimo potencial de crescimento. É questão de aparar as arestas normais de um debut para voarem mais alto dentro da cena nacional.

NOTA: 7,5

Inner Call (gravação)
- Fábio Lima – vocals
- Rafael Perera – guitarra
- Renato Passero – guitarra
- Regis Farina – baixo
- Luiz Omar – bateria

Inner Call é:
- Roberto Índio – Vocais;
- Alexandre Vitorino – Guitarras e backings;
- Benson Lisboa – Guitarras
- Uiliam Rocha – Baixo;
- Luiz Omar – Bateria e backings;

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quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

Ódio ao Extremo - Animal (2016)


Ódio ao Extremo - Animal (2016)
(Eternal Hatred Records - Nacional)


01. Kaos
02. Atentado Terrorista
03. Animal
04. Descartável
05. H’odeio
06. Palhaçada Generalizada
07. Merda
08. Na Real
09. Inverno Nuclear
10. Futuro do Brasil
11. Não!
12. Palestina
13. Nóia

Por um lado, o álbum de estreia do Ódio ao Extremo surpreende, já que a banda surgiu apenas em meados de 2012, mas já apresenta um trabalho altamente maduro. Já por outro, não surpreende em nada quando constatamos que a mesma vem da cidade de Lavras, no estado de Minas Gerais. E bem amigos, sabem como é, se a banda é mineira, tem 99,99% de possibilidade de ser muito boa. E bem, qualidade não falta aqui.

O quarteto mineiro não inventa e investe em um Crossover simplesmente brutal e sem espaço para enrolações. Talvez seja pelas letras em português e pelos ótimos vocais de João Mário, mas a primeira referência que vêm à cabeça durante a audição de Animal é o Ratos de Porão. Mas não pense que eles apenas emulam o som da banda de João Gordo e Cia, porque a coisa não é tão simples aqui. É possível, durante todo o trabalho, escutar reminiscências de nomes como D.R.I., Napalm Death, Exodus e muitos outros nomes. Desse caldeirão de influências, surge um som que faz jus ao adjetivo agressivo.


Totalmente direto, esse não é um trabalho indicado a pessoas de ouvido sensível, já que a brutalidade dá as caras durante toda a audição. Faixas como “Atentado Terrorista” e “Animal”, pendem mais para o Thrash e possuem até mesmo alguns toques de Grindcore, enquanto outras como “Descartável”, “Palestina” e “Nóia” pendem mais para o Hardcore. Vale também destacar a brutal “Merda” e a ótima “Futuro do Brasil”, tão caótica quanto nosso país.

A produção ficou a cargo de Celo Oliveira (Aneurose, The Black Rook, Traumer), assim como também a mixagem e a masterização, tudo realizado no Kolera Studios (RJ). Ficou com uma qualidade muito boa, mantendo a clareza dos instrumentos, que estão todos audíveis, mas sem tirar o peso, a agressividade e claro, aquela dose de sujeira necessária para tal proposta sonora. Já a bela parte gráfica ficou por conta de Marcus Lorenzet (Aneurose, Lothlöryen, Pagan Throne) da Artspell (www.artespell.net).

Tem ouvidos delicados e sensíveis? Então meu caro, passe longe do álbum de estreia do Odio ao Extremo, caso contrário poderá terminar com os ouvidos sangrando e claro, surdo. Uma das grandes revelações do Crossover nacional nos últimos anos.

NOTA: 8,0

Ódio ao Extremo é:
- João Mário (vocal);
- Samuel (guitarra);
- Bruno (baixo);
- Hauny (bateria).

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quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

Amenize – Black Sky (2015)


Amenize – Black Sky (2015)
(MS Metal Records – Nacional)


01. An Endless Dystopia
02. Unlocked
03. Rivals
04. Leeches
05. Blood River
06. Black Sky
07. T-Rex
08. The Creator

O Brasil sempre teve uma tendência forte a pender para o tradicionalismo dentro do Metal. É legal? Sim, certamente, eu particularmente gosto bastante dessa característica de nossas bandas, mas também acho primordial que junto disso, existam bandas que procurem se renovar e buscar sonoridades mais modernas, atuais, afinal, junto disso vem uma renovação necessária do público.

Natural de São Paulo e surgida em 2010, lançou no mesmo ano seu debut, When Angels Turn Into Demons e após um hiato de 5 anos, chegou a seu segundo trabalho. Sua aposta é em um Metal moderno, com alguma influência de Metalcore e que vai agradar em cheio a apreciadores de nomes como Atreyu, Sevendust, All That Remains, Killswitch Engage. Reminiscências de Djent também poder ser escutadas aqui e ali.

Black Sky não tem muito espaço para conversa e o ouvinte irá se deparar com uma música curta, grossa e intensa. O Amenize consegue mesclar muitíssimo bem peso, agressividade, bom groove e melodias. Os vocais de Bruno Corey vão do gritado ao melódico de forma muito natural e agradável, enquanto as guitarras despejam bons riffs. A parte rítmica mostra muita coesão, com destaque para o baterista Danilo Cruz, que senta a mão sem dó no seu kit. Entre as faixas aqui presentes, todas de muita qualidade, os destaques inegáveis ficam para a pesada e bruta “Unlocked”, “Rivals”, com melodias capazes de cativar o ouvinte, “Leeches”, faixa mais cadenciada e melodiosa e “Black Sky”, com uma pegada mais moderna. 


A produção foi do mestre Adair Daufenbach (Project46, John Wayne, Ponto Nulo No Céu) e bem, não preciso dizer o alto nível da mesma. É o melhor produtor do Brasil para sonoridades mais modernas e consegue sempre deixar tudo muito claro, mas sem perder peso e agressividade. Por sinal, ele também foi o responsável ela gravação do baixo, já que Ricardo Strani só entrou para a banda após a gravação do álbum. Já a capa é mais um trabalho de qualidade de João Duarte (www.jduartedesign.com), responsável por capas de bandas como Circle II Circle, Angra, Woslom, Metal Church, Torture Squad, dentre muitas outras.

Intensa, pesada, moderna e cheia de vigor, a música executada pelo Amenize vai agradar em cheio aos fãs de sonoridades mais atuais do Metal. E anotem bem esse nome, pois Bruno Corey (vocal), Brain (guitarra), Ricardo Strani (baixo) e Danilo Cruz (bateria), ainda vão fazer muito barulho (no melhor sentido da palavra) por aí.

NOTA: 8,0

Amenize é:
- Bruno Corey (vocal);
- Brain (guitarra);
- Ricardo Strani (baixo);
- Danilo Cruz (bateria).

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Outmask - A Kind of Being (2016)


Outmask - A Kind of Being (2016)
(MS Metal Records - Nacional)


01. Awakening
02. Contact
03. Blindness
04. Numb
05. Wilting
06. Unformed
07. Divinity
08. Reset

Surgido no ano de 2011, em Aracaju/SE, o Outmask é mais uma banda oriunda da rica cena nordestina. Apesar de apenas 5 anos de estrada e um single na bagagem, já chegam a seu debut apostando as fichas em uma mescla de Heavy, Prog Metal e Rock Progressivo, ou seja, uma mistura um tanto quanto difícil de acertar a mão. Felizmente, do ponto de vista instrumental, conseguem transitar com naturalidade e criatividade entre os estilos, chegando a surpreender nesse sentido, já que se trata de um trabalho de estreia.

Reparem que logo acima, falei que se saem bem do ponto de vista instrumental. Bem, isso não foi dito sem motivo. Enaldo de Paula mostra qualidades, como um timbre de voz agradável e bastante versatilidade, mas algumas falhas foram cometidas no trabalho vocal. A mais grave foi realmente no sentido da produção, já que a mesma comprometeu seriamente o trabalho de Enaldo. Se juntarmos isso a alguns exageros vocais, o desastre está causado. Alguns agudos aqui soam realmente irritantes. Fica também a dica para que procure cantar em tons mais confortáveis para sua voz, sem tentar ir além do alcance da mesma. A má produção só ressalta algumas tentativas suas nesse sentido.

Do ponto de vista instrumental, mostram um belo trabalho, com canções realmente bem estruturadas, bem técnicas e criativas, com mais destaque para os trabalhos de baixo e teclado. Aqui, mais uma vez, a produção não ajuda muito, mas felizmente não chega a prejudicar de verdade o resultado final. Músicas como “Awakening” e “Blindness” possuem passagens progressivas muito interessantes, mas sem abrir mão do peso. Belas melodias surgem nas cadenciadas “Unformed” e “Divinity”, que apesar de algumas partes mais atmosféricas, não abrem mão do peso em momento algum.


No final, fica aquela lição que eu insisto tanto. Deem real valor a produção, ela é o grande diferencial para novas bandas hoje. De nada adianta se apressar apenas para ter material lançado, porque no final, se o resultado não for muito bom em todos os aspectos, a banda acaba ficando para trás, já que vivemos tempos onde, apesar da tal crise do mercado musical, se lança CD’s como nunca. Nessa brincadeira, bandas com grande potencial acabam sendo suplantadas por outras menos talentosas, apenas porque essas acabam sendo mais profissionais em todos os sentidos.

O Outmask possui criatividade, talento e muito potencial de crescimento. Apesar do caminho musical que optou seguir, suas músicas não soam cansativas ou enjoativas em momento algum e isso é algo raro em se tratando de um debut. É realmente uma questão de aparar aquelas arestas normais de uma banda em início de carreira e logo estarão prontos para voar bem mais alto. Promissor.

NOTA: 7,0

Outmask é:
- Enaldo de Paula (vocal);
- Daniel Faria (guitarra);
- Marcel Freitas (baixo);
- Diego Vieira (bateria);
- Omar de Paula (teclado).

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terça-feira, 3 de janeiro de 2017

Coletânea O Subsolo (2016)


Coletânea O Subsolo (2016)
(Independente - Nacional)


01. In Soulitary - Hollow
02. Demolition - Manipulation
03. Texas Funeral - Hoje Eu Vou Beber
04. Dust Commando - No Grudge
05. Divago - Difícil
06. Bad Gnomo - Nada Vai Me Derrubar
07. Decolle - Vento
08. Tourette - Prisoner
09. V8 Corporation - The Pocket Man
10. Spidrax - Spidrax
11. Box 47 - Fechando Cortinas
12. Doctor Jimmy - Não Tenho Pressa
13. Mandíbula - Nossa História
14. Holiday Nice - Minacalot
15. Incerto HC - Mariah
16. N.O.A.R.F. - Don''t Tell Me
17. Dest_Lado - Mais Bebida
18. Fault Line - Isis
19. Crossed Crow - Unfold Paths
20. Red Razor - Napalm Pizza
21. Tribal - The Age of Frustration
22. Deadpan - Unmasked Living

Eis que o ótimo site O Subsolo lança sua primeira coletânea, com o intuito de ajudar a fortalecer mais a cena nacional. Aqui temos 22 nomes, de diversos estilos, alguns já mais consolidados e a grande maioria buscando seu lugar ao sol. Como boa parte desses tipos de trabalho, temos dois pequenos problemas: a grande variação de estilos, o que atrapalha um pouco a coesão do material e a produção, já que infelizmente, boa parte dos nomes aqui presentes falha miseravelmente nesse quesito. Nesse quesito, todos já sabem bem qual é meu pensamento. É muito mais negócio demorar um pouco mais, mas gravar algo bem produzido, do que lançar um material feito “nas coxas”. Mas vamos ao que realmente interessa, que é a iniciativa.

De cara, já temos alguns nomes que se destacam e que já possuem um bom nome dentro da cena brasileira. In Soulitary (SP) (resenha), com seu Death Melódico e diversificado (a música aqui presente conta inclusive com a participação de Mario Pastore), Demolition (MG) (resenha) e Red Razor (resenha), que apostam em um Thrash Metal de muita qualidade, Tribal (PR) (resenha), com seu Djent altamente complexo e Deadpan (SC), com seu Death técnico e muito bem trabalhado, estão definitivamente um nível acima dos demais participantes. São realidades da cena nacional.

A já dita variedade de estilos incomoda um pouco, principalmente pela distribuição das faixas no CD. Uma hora você está lá, escutando Rock com apelo mais pop e bem agradável (Divago) e de repente, entra um Hardcore daqueles furiosos e diretos (Bad Gnomo). Ou então está rolando um bom Rock, como o do Doctor Jimmy, que mostra bem que uma música de qualidade não precisa ser absurdamente complexa e que existe muita beleza na simplicidade, para de repente entrar um Reggae (Mandíbula, que apesar de ser bem-feito e bem produzido, me abstenho de opinar, pois não curto nada do estilo) e já logo em seguida emendar com um Punk/Hardcore bem melódico, como o do Holiday Nice. Essa montanha-russa acaba causando um pouco de falta de coesão ao trabalho, mas como o foco aqui é divulgar novos nomes, segue o enterro.


Falando um pouco mais dos demais nomes presentes, temos o Texas Funeral (SC), que apresenta um rock carregado de guitarras distorcidas e bem agradável. Já o Dust Commando (RS) (resenha) apresenta seu já conhecido Stoner de muita qualidade, mas que acaba um pouco prejudicado pela produção. O Decolle (SC) apresenta um Pop/Rock bem simples e com bom potencial, mas que precisa ser um pouco mais trabalhado para sair do lugar-comum do estilo, enquanto o Tourette (SP), mostra bastante competência em um Rock simples e com pegada acústica. Outro que aposta no Rock, com bom acento Pop, é o Dest_lado (SP), que apresenta uma música agradável e tem a particularidade de não possuir guitarras, já que além da vocalista, temos dois baixos e duas baterias. No mínimo curioso. O V8 Corporation (SC) é outro nome que mostra potencial com seu Metal moderno e agressivo, mas que acaba um pouco prejudicado pela produção. Outra banda que acaba prejudicada nesse sentido, mas com potencial visível é o Crossed Crow (SP). Na área do Metal Alternativo, temos o Fault Line (SP), que faz um New Metal um tanto datado, apesar de bem-feito. Tem potencial, mas precisa urgentemente encontrar um diferencial para sua música, que a torne um pouco mais atual. Já na turma do Punk/Hardcore, temos o Spidrax (SP), que faz um som que tem tudo para agradar fãs de Motörhead e Misfits, o Box 47 (SP), que se envereda por aquele Hardcore Melódico que esteve em voga anos atrás, soando datado e com uma produção que não ajuda, o que ocorre também com o Incerto HC (PE), com a diferença que seu som soa simples e agradável e o N.O.A.R.F. (SP), com um som enérgico e que empolga.

No final, o que fica mesmo é a grande iniciativa do O Subsolo em prol da nossa cena. Entre as bandas presentes, algumas se encontram mais prontas do que outras, mas todas possuem potencial de crescimento, bastando a algumas delas apenas mais tempo para amadurecer musicalmente, um processo que vem naturalmente através de ensaios e shows. Que tenhamos muito mais iniciativas como essa, pois são importantes para o fortalecimento do cenário.

NOTA: 8,0

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domingo, 1 de janeiro de 2017

Melhores álbuns – Dezembro de 2016


No primeiro domingo de cada mês o A Música Continua a Mesma fará uma lista com os melhores álbuns do mês anterior. Nela, respeitaremos as datas oficiais de cada lançamento, então sendo assim, não contaremos a data que os mesmos vazaram na internet, mas sim quando efetivamente foi ou será lançado.

Sendo assim, ai vão os melhores lançamentos de dezembro na opinião do A Música Continua a Mesma.

 
 
 
 
 
 
 
 
 


Menções Honrosas

Crimson Moon - Oneironaut