terça-feira, 8 de agosto de 2017

Havok - Conformicide (2017)


Havok - Conformicide (2017)
(Shinigami Records/Century Media - Nacional)


01. F.P.C
02. Hang 'Em High
03. Dogmaniacal
04. Intention to Deceive
05. Ingsoc
06. Masterplan
07. Peace Is In Pieces
08. Claiming Certainty
09. Wake Up
10. Circling the Drain
11. String Break (Bonus Track)
12. Slaughtered (Bonus Track)

De toda a leva de bandas surgidas na onda do Retro-Thrash dos últimos anos, os americanos do Havok possuem uma posição de destaque, sendo talvez responsáveis pelo melhor álbum desse período, o excelente Time Up (11). Após um hiato de 4 anos, desde o lançamento do ótimo Unnatural Selection (13), o quarteto, estreando mais uma vez nova formação, agora com o excelente baixista Nick Schendzielos (Cephalic Carnage, Job for a Cowboy), nos apresenta Conformicide, seu 4º trabalho de estúdio. E meus amigos, que trabalho.

Muitos fãs do estilo possuem certa implicância com os novos nomes que tomaram a cena Thrash de assalto nos últimos anos, já que a maioria esmagadora das mesmas se limita a emular e reciclar a sonoridade e riffs dos nomes consagrados do estilo nos anos 80. Eu mesmo sou um que tem um pé atrás com grande parte dessas bandas. Mas decididamente esse não é e nunca foi o caso do Havok, uma banda que sempre primou pela qualidade e por não se satisfazer em ser apenas mais um nome no meio de tantos outros.

Claro, existiam alguns nomes que serviam como referência para sua sonoridade, como Evile, Warbringer e Exodus, assim como hoje é inevitável não pensarmos em nomes como Megadeth e Testament, mas a verdade é que nada aqui soa como material reciclado dessas bandas. Sua música consegue, como poucas, unir aquela energia e atitude do Thrash Metal Old School, com a técnica e variedade da escola atual do estilo, remetendo até mesmo a nomes do Progressive Thrash, como o excelente Vektor. Gostem ou não, o Havok soa como Havok e não como nenhum dos nomes citados acima.

Conformicide é a prova cabal da evolução do quarteto como banda, já que não só soa mais maduro, como também mais variado e dinâmico. Os vocais de David Sanchez se mostram fortes, com algumas reminiscências de Overkill, ao mesmo tempo em que ele faz uma dupla primorosa com Reece Scruggs. O trabalho das guitarras é um dos grandes diferenciais aqui. Os riffs soam afiadíssimos, simplesmente cruéis, enquanto os solos estão ótimos. Só conseguem ser suplantados em posição de destaque pelo incrível trabalho do estreante Nick Schendzielos. Além de ser simplesmente monstruoso em seu instrumento, foi ajudado pela ótima produção, que deixou o baixo 100% audível, algo que, convenhamos, é bem improvável em um trabalho do estilo. Ao lado de Peter Webber, forma uma das melhores partes rítmicas do Thrash Metal atual. Aliás, cabe dizer que a bateria aqui soa simplesmente visceral.


Cabe dizer que a maior parte das canções aqui ultrapassa a casa dos 5 minutos, com algumas chegando até mesmo aos 7 (o que pode incomodar alguns), mas sem exageros, não existe nenhuma música aqui que possa ser taxada de fraca ou descartável, já que todas soam muito fortes. Destas, eu destacaria “F.P.C”, com uma letra fortíssima, baixo primoroso e parte rítmica carregada de groove, “Hang 'Em High”, com alguns dos riffs mais viciantes de toda a obra (e outro ótimo desempenho de Nick), “Intention to Deceive” e “Ingsoc”, ambas com ótimas mudanças de tempo, além de bons solos e riffs capazes de cativar a qualquer um, além de “Masterplan”, simplesmente grandiosa, e “Claiming Certainty”, ríspida e direta.

Aqui estamos diante de uma das melhores produções que escutei no gênero nos últimos anos. Com engenharia, produção e mixagem a cargo de Steve Evetts e masterização realizada por Alan Douches, o resultado final é ótimo. Soa clara, audível, com o baixo bem presente, além de pesada e agressiva como deve ser. E o melhor, sem aquele ar plastificado que escutamos por aí. Já na parte gráfica, a capa foi obra de Hasley Swain, com arte de Andrei Bouzikov, Gregory Lenni e o próprio Hasley, além de layout feito por Matt Akana. Simplesmente excelente.

O que vou dizer pode até mesmo soar controverso, mas ouso afirmar que estamos diante de um trabalho que, se tivesse sido lançado nos anos 80, seria comentado por todos até hoje. Unindo o antigo e o novo, a verdade é que Conformicide não é apenas um clássico do Thrash Metal moderno, mas do estilo como um todo, tamanha sua qualidade e ferocidade. Sim, os caras superaram Time Up!

Eis aqui o álbum que coloca de forma definitiva, o Havok no topo da cena Thrash da atualidade. Certamente o melhor álbum do estilo em 2017.

NOTA: 9,0

Havok é:
- David Sanchez (vocal/guitarra);
- Reece Scruggs (guitarra);
- Nick Schendzielos (baixo);
- Peter Webber (bateria).

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