quarta-feira, 31 de maio de 2017

Dimmu Borgir - Forces Of The Northern Night (2017)


Dimmu Borgir - Forces Of The Northern Night (2017)
(Shinigami Records/Nuclear Blast - Nacional)


CD1
1. Xibir (Orchestra)
2. Born Treacherous
3. Gateways
4. Dimmu Borgir (Orchestra)
5. Dimmu Borgir
6. Chess With The Abyss
7. Ritualist
8. A Jewel Traced Through Coal
9. Eradication Instincts Defined (Orchestra)

CD2
1. Vredesbyrd
2. Progenies Of The Great Apocalypse
3. The Serpentine Offering
4. Fear And Wonder (Orchestra)
5. Kings Of The Carnival Creation
6. Puritania
7. Mourning Palace
8. Perfection Or Vanity (Orchestra)

Dia 28 de maio de 2011, Oslo, capital da Noruega. No Spektrum, o Dimmu Borgir executou mais um show da turnê de seu 9º álbum de estúdio, o controverso Abrahadabra (10). Mas essa não foi só mais uma apresentação. Acompanhando o trio principal da banda (o vocalista Shagrath e os guitarristas Silenoz e Galder), além de Cyrus (baixo), Daray (bateria) e Gerlioz (teclados), que tocavam ao vivo com a mesma, tivemos a participação mais que especial de 53 membros da Orquestra da Rádio da Noruega e 30 membros do coro Schola Cantorum, além da vocalista Agnete Kjølsrud em uma das canções.

Para tornar tudo ainda mais diferenciado, a apresentação foi filmada e transmitida em forma de documentário pela rádio e TV governamental norueguesa, a NRK. Um DVD com a mesma foi prometido pela banda, mas com a demora na época, versões piratas e de qualidade discutível do show começaram a surgir no mercado, tornando o material oficial extremamente desejado pelos fãs. E eis que, após 6 longos anos de espera, finalmente Forces Of The Northern Night deixa de ser um mito para se tornar uma realidade.

De cara, o ouvinte pode torcer um pouco o nariz para o setlist apresentado. Nada menos que 8 das 17 músicas aqui presentes saíram de Abrahadabra. Natural, já que o Dimmu Borgir estava divulgando o mesmo. Mas das 9 restantes, apenas “Mourning Palace” é do período referente aos anos 90, que para muitos fãs é o que concentra os melhores trabalhos e maior quantidade de clássicos. Felizmente, praticamente ignoraram In Sorti Diaboli (07), se concentrando principalmente no ótimo Puritanical Euphoric Misanthropia (01) e no bom Death Cult Armageddon (03).

Obstante essa ressalva no setlist, é inegável a força da apresentação. Se o colocarmos então lado a lado com os trabalhos de estúdio da banda a partir de 2003, ele adquire ainda mais força. O desempenho da Orquestra e do Coral beira o sublime, tamanha a perfeição. Não só tornam tudo grandioso ao extremo, como em muitos momentos conseguem dar um ar mais sinistro às canções aqui presentes. Ainda assim, vale dizer que em momento algum suplantam as guitarras de Silenoz e Galder, que imprimem muito peso à apresentação, lembrando que sim, estamos diante de um show de Metal. Vale destacar também o desempenho de Shagrath, superior ao que vinha apresentando nos trabalhos de estúdio da banda até então. Quanto aos demais músicos, Cyrus (baixo/Susperia) e Daray (bateria/ex-Vader) formam uma parte rítmica excelente, mas com uma orquestra e um coral tocando, o tecladista Gerlioz (ex-God Seed, ex The Kovenant) ficou meio deslocado na maior parte do tempo.


O CD1 se concentra principalmente nas músicas do Abrahadabra. Aqui, os destaques maiores vão para as ótimas “Gateways”, que conta com participação da vocalista Agnete Kjølsrud, “Dimmu Borgir”, essa tanto na belíssima versão orquestrada quanto na versão metálica e “Chess With The Abyss”. Já o CD2 se mostra superior, até por contar com um repertório superior em qualidade. Músicas como “Vredesbyrd”, a fantástica “Progenies Of The Great Apocalypse” e principalmente, as mais que clássicas “Kings Of The Carnival Creation” e “Mourning Palace” ficaram ainda mais grandiosas com orquestra e coral. E mesmo as demais, como “The Serpentine Offering” e “Puritania”, mantêm o nível de grandiosidade e qualidade lá no alto.

A produção não poderia ser menos do que primorosa, ainda mais para um trabalho que demorou 6 anos para ficar pronto. Você consegue perceber cada mínimo detalhe das canções e não soa como exagero algum dizer que a mesma conseguiu captar a essência do Symphonic Black Metal praticado pelo Dimmu Borgir nos dias de hoje. No fim, um trabalho mais que indicado para os fãs da banda, que finalmente podem aposentar as gravações piratas de Forces Of The Northern Night enquanto aguardam o novo trabalho de estúdio do trio, prometido para o final desse ano de 2017 (mas não se empolguem, Forces era para ter saído em 2012).

NOTA: 8,0

Dimmu Borgir é:
- Shagrath (vocal);
- Silenoz (guitarra);
- Galder (guitarra).

Facebook
Twitter
YouTube
Instagram (Silenoz)
Instagram (Shagrath)


terça-feira, 30 de maio de 2017

Datavenia - Welcome to the Underground (2016)


Datavenia - Welcome to the Underground (2016)
(Independente - Nacional)


01. Welcome to the Underground
02. Hate to the Bones
03. Metal God
04. Even if It Dies
05. The Last Chance
06. Hot Ginger Woman
07. Bang Your Head
08. Bad Days
09. Rescue Me
10. Unprotected

Ser uma banda de Heavy Metal no Brasil nunca foi uma tarefa das mais fáceis. Falta de apoio de parte público e dificuldades financeiras para fazer uma boa gravação são alguns dos desafios que toda banda enfrenta por essas paragens. Se o primeiro aspecto nunca é bom, o segundo, em algumas situações, pode acabar sendo positivo. Insanidade minha ao afirmar isso? Não, prezado leitor. E irei explicar o porquê de eu pensar isso.

Um dos grandes problemas que venho notando nos últimos anos é a ansiedade de boa parte dos novos nomes em lançar logo um trabalho de estreia. Não têm a paciência de lapidar sua sonoridade nos ensaios e, principalmente, nos palcos da vida. Além disso, por mais que hoje o acesso a boas produções seja mais fácil do que há 15 anos, ainda não é algo tão barato de se fazer, principalmente levando em conta a precária situação econômica do país. É algo que demanda investimento financeiro e tempo, duas coisas que estão sim, intrinsecamente ligadas. Em um mundo onde o acesso a música é facilitado pela internet e a quantidade de lançamentos diários em todo mundo beira o absurdo, vale mais ter calma e lançar algo diferenciado, que te coloque acima da concorrência, do que ser apressado e soltar um CD que te faça apenas ser mais um nome meio à multidão.

O Datavenia deveria servir de exemplo para os apressadinhos. Com 10 anos de estrada, a banda originária de Frederico Westphalen/RS teve paciência para lapidar sua sonoridade e esperar o momento certo de lançar sua estreia com a qualidade merecida. Musicalmente não apresentam nada de muito novo, já que o que temos aqui é um Heavy Metal bem pesado, que flerta com o Thrash e o Groove Metal, com referências muito claras: o Metallica da fase “Black Album” e o Pantera. E surpreendentemente, por mais que em alguns momentos as mesmas fiquem muito explícitas, ainda assim conseguem demonstrar personalidade. A maturidade dos gaúchos impressiona.

Os vocais de Guilherme Busatto, que também é guitarrista, primam pela agressividade e, principalmente, pela versatilidade. Nem mesmo nos momentos em que lembra James Hetfield ou Phil Anselmo você se sente incomodado, já que o mesmo não soa como um clone. Ao lado de Gabriel Quatrin, forma uma bela dupla nas guitarras, despejando ótimos riffs, que acima de tudo são marcantes, além de solos bem melodiosos. Já a parte rítmica, com Guilherme Argenta (baixo) e Eduardo Pegoraro (bateria), se mostra muito pesada, coesa e técnica, imprimindo boa variedade às músicas. Essas por sinal são muito bem arranjadas, além de possuírem ótimas linhas melódicas e refrões bem marcantes. A coisa é tão boa, que até os teclados que estão inseridos em algumas das canções se encaixam com perfeição nas mesmas.


O trabalho já abre com a faixa título, agressiva, com um riff marcante, refrão e melodia grudentos. Soa como uma mescla muito legal do Pantera com o Metallica. A sequência se dá com a cadenciada “Hate to the Bones” e segue com a arrastada e lenta “Metal God”. “Even if It Dies” se destaca pela variedade e pelas melodias, enquanto “The Last Chance” é uma balada pesada e cheia de classe. Um dos pontos altos de todo o álbum. “Hot Ginger Woman” é bem grooveada e tem boa dose de agressividade e “Bang Your Head” é a mais Pantera de todas, te fazendo bater cabeça sem nem perceber. Com o trabalho se encaminhando para o final, temos a soturna e arrastada “Bad Days”, onde Guilherme consegue imprimir grande variedade vocal, a pesada e cadenciada “Rescue Me” e a rápida “Unprotected”, bem influenciada pelo Metallica.

Gravado no Drumm Studio, com produção da banda e de Moris Drumm, conseguiram obter um resultado excelente, que deveria servir de exemplo para muitas bandas. Limpa, clara, moderna, sem perder o peso e a agressividade, além de soar totalmente natural. A parte gráfica, que ficou bem legal, ficou por conta da Agência Holy. Mostram que profissionalismo e underground podem e devem sim, caminhar lado a lado.

Mostrando muita personalidade e maturidade para um trabalho de estreia, o Datavenia nos presenteia com seu Heavy Metal pesado, agressivo e recheado de boas melodias, que vai agradar aos que curtem música bem feita. Um début para lá de empolgante e que os coloca entre as maiores promessas do cenário nacional na atualidade. Que o sucesso venha e que muitos se espelhem no quarteto gaúcho.

NOTA: 8,5

Datavenia é:
- Guilherme Busatto (vocal/guitarra);
- Gabriel Quatrin (guitarra);
- Guilherme Argenta (baixo);
- Eduardo Pegoraro (bateria).

Facebook
YouTube
Twitter
Instagram
Metal Media (Assessoria de Imprensa)


The Wasted - Rotten Society (2017)


The Wasted - Rotten Society (2017)
(Independente - Nacional)


01. Genocide
02. Everything is Under Control
03. Preachers of Hate
04. Heritage
05. Cannibals
06. Heart Attack
07. Hate Mankind Hate
08. Rational Madness

Na estrada há cerca de 6 anos, o The Wasted, originário de Tatuí/SP, já possui um EP autointitulado lançado no ano de 2015, e chega agora ao seu primeiro full lenght. O quarteto, formado por Neto Silver (vocal/baixo), Rafael Oliveira (guitarra), Lina Kruze (guitarra) e Rodrigo Mariano (bateria) segue pelos caminhos do Heavy/Thrash, bem pesado, agressivo e com nítidas influências de NY Hardcore, o que acaba sendo um tempero a mais para sua música.

Como não poderia deixar de ser, soam bem enérgicos e intensos, com boa técnica, mas sem exageros nesse sentido, resultando em uma sonoridade relativamente simples. Os vocais de Neto são bons, possuem um timbre agradável e deixam transparecer em algumas melodias as influências de NY Hardcore, mas pecam em vários momentos pela falta de uma maior agressividade. Mas nada que um pouco mais de estrada não resolva. As guitarras de Rafael e Lina também não procuram inventar. As bases remetem à já citada cena de Nova York e os riffs são simples, mas abusam do peso. Os solos também possuem qualidade. Neto, ao lado de Rodrigo, forma uma parte rítmica consistente, coesa e bem variada, o que é um ponto a favor.

São 8 músicas, que possuem um bom groove, refrões fortes e linhas melódicas que se destacam. O fato de alternarem passagens mais velozes com outras mais cadenciadas também é algo muito positivo. Dentre todas, valem ser citadas a abertura, com a variada “Genocide”, a ótima “Preachers of Hate”, um verdadeiro massacre Thrash, com uma melodia dessas bem grudentas, o crossover de “Everything is Under Control”, que te faz bater cabeça involuntariamente nas partes mais cadenciadas e puxadas para o Hardcore e abrir a roda de Mosh no meio da sala nas partes mais Thrash (que remetem ao Slayer) e “Hate Mankind Hate”, a mais agressiva e intensa de todo trabalho. As demais não comprometem e cumprem bem sua função.


Com a produção toda realizada pelo baterista Rodrigo Mariano, tendo sido gravado, mixado e masterizado no Estúdio Surto (Tatuí/SP), cabe certa ressalva aqui. Tudo está audível, claro, mas peca pela crueza excessiva. É algo que precisa ser melhor trabalhado no futuro. A parte gráfica é bem simples, com a capa tendo sido feita por Pablo Ferrarezi, com edição digital de Rafael Oliveira.

Musicalmente, o The Wasted não inventa nem reinventa nada, apresentando uma música simples e de bastante qualidade, graças à intensidade e energia que a mesma emana. Ajustes precisam ser feitos? Sim, claro, como nos vocais, na produção e algumas músicas que podem ser um pouco mais bem trabalhadas, mas ainda assim, temos em mãos uma boa estreia e a certeza absoluta que estamos diante de um nome muito promissor e que no futuro pode figurar nos escalões mais altos do Metal no Brasil.

NOTA: 7,0

The Wasted é:
- Neto Silver (vocal/baixo);
- Rafael Oliveira (guitarra);
- Lina Kruze (guitarra);
- Rodrigo Mariano (bateria)

Homepage
Facebook
YouTube
Twitter
Instagram
Soundcloud

Metal Media (Assessoria de Imprensa)

segunda-feira, 29 de maio de 2017

O Subsolo Vol.2 (Coletânea) (2017)


O Subsolo Vol.2 (Coletânea) (2017)
(Independente - Nacional)


01. Basttardos - Basttardos
02. Melanie Klain - Abençoados por Deus
03. Monstractor - Corrosive Envy
04. Cherry Ramona - Mulher Gato
05. Luciano Granja Grupo - Vontade de Voar
06. Kike Oliveira - Estou Tão Cansado
07. Defina - Cobaia Viva
08. Pinhead - Eu Sou Bebum e a Carne é Fraca
09. Boca Braba HC - Farda Verde Oliva
10. Peltstrok - O que o Mundo Precisa Ouvir
11. Reduto - Ardor
12. Decolle - Utopia Reversa
13. Vate Cabal - Bravo Mundo Novo
14. Turn Off - Opressor das Ideias
15. Liférika - Rua Augusta
16. Stone Head - Luxúria
17. Hellio Costa - Sangue na Marreta
18. Maverick - Upsidown
19. Ember of Renewal - Beaten By Demons
20. Tumulto - Massacrados

Bem, aqui temos em mãos o segundo volume da coletânea do ótimo site O Subsolo, agora com a presença de 20 bandas de variados estilos do nosso underground. Assim como no Cd anterior (resenha aqui), temos a união de nomes com um trabalho já consolidado, ou se encaminhando para tal, com outros que estão brigando por seu espaço na concorrida cena nacional, mostrando que temos espaço para todos.

Uma das falhas da edição anterior, que era a variação um tanto excessiva de estilos, foi mais atenuada aqui. Por mais que a coisa seja diversificada, existe uma coesão maior do material. Quanto à qualidade das produções, infelizmente isso é algo que cabe às bandas. Sendo assim, vamos nos deparar tanto com produções de qualidade, bem profissionais, como também com algumas bem deficitárias. Variações na qualidade das canções também ocorrem, mas é algo que se precisa entender, já que temos no mesmo CD bandas com mais de 25 anos de estrada e outras que sequer completaram seu primeiro ano de vida.

A sequência inicial é bem animadora. De cara, 3 nomes já conhecidos de quem acompanha o A Música Continua a Mesma, Basttardos (resenha aqui), Melanie Klain (resenha aqui) e Monstractor (resenha aqui), que mostram a qualidade que deles é esperada. Em seguida, três bons nomes que apostam no Rock cantando em português: o divertido Cherry Ramona; Luciano Granja Grupo, que te remete às bandas nacionais dos anos 80, como Capital Inicial e Biquini Cavadão; e Kike Oliveira, que se destaca por apresentar um trabalho de muito bom gosto (preste atenção no belíssimo solo). O Defina até mostra um som interessante, com letra no nosso idioma e que me remeteu a nomes do início dos anos 2000 (Gram, Ludov, Mop Top e afins), só que com um pouco mais de peso, mas o vocalista tem um timbre que lá pela metade da música, começou a me soar muito enjoativo. Uma pena. Já o Pinhead, por algum motivo, me lembrou do finado Baba Cósmica, algo que por si só é temeroso (ao menos para mim). Mas não vou negar, é bem feito e vai agradar com sua pegada mais Punk bem melódica, apesar da produção apenas mediana. Já o Boca Braba HC faz jus ao nome que carrega, com uma pegada que vai agradar aos fãs de NY Hardcore e letra que trata do período da Ditadura Militar. Em seguida temos o Rock Cristão do Peltstrok. É bem feito, bem produzido, mas a letra é excessivamente panfletária para agradar o público secular.  A segunda metade abre com o ótimo Reduto, provando que o Rock Nacional, apesar de não andar com muito espaço nos veículos de comunicação de massa, ainda consegue gerar nomes de muita qualidade. 


O Decolle é a única banda aqui que estava presente no primeiro volume da coletânea. Repito aqui o que falei da vez passada. É bem feito, tem bom potencial, mas precisa de algo a mais para sair do lugar comum do gênero e empolgar o ouvinte. O Vate Cabal já é conhecido de outras coletâneas e apresenta um Rock bem pesado e com muito potencial. Uma produção um pouco mais refinada cairia bem. O Turn Off se envereda pelo Punk/Hardcore, não apresentando nada de novo e pecando um pouco pela qualidade da produção. Precisa melhorar nesse sentido para ter alguma chance na cena inflacionada dos dias atuais. Já o Liférika apresenta um Rockão daqueles bem empolgantes e agressivos, mostrando qualidade de sobra. O Stone Head é um dos nomes mais novos aqui presentes, surgiu apenas em 2016, mas mostra uma qualidade muito boa para uma banda com tão pouco tempo de estrada. O Hellio Costa aposta no Hardcore, mas a produção é fraca e o som não empolga. Tem que ralar um pouco mais e trabalhar melhor suas canções. O Maverick é outra já conhecida do site (resenha aqui) e mostra o que dela esperamos, Thrash Metal de qualidade. O Ember of Renewal, que aposta em um Metal com pegada bem moderna, surgiu apenas no final de 2016, mas já colocou um EP no mercado no início de 2017. E bem, essa pressa reflete na qualidade da música. É bem feita, pesada, mas não apresenta nada que já não tenhamos escutado com mais qualidade em bandas com mais rodagem por ai. Aconselho lapidar melhor seu estilo, para assim encontrar uma personalidade sua antes de lançar um trabalho completo, já que o potencial da banda para voar mais alto é perceptível. Encerrando o trabalho, temos o nome mais experiente da coletânea, o paranaense Tumulto, que mostra um Heavy Metal pesado e correto (mas com produção deficitária).

Que essa bela iniciativa do O Subsolo perdure por muito mais tempo, já que esse espaço é importante, não só para a divulgação das bandas de nosso underground, como também para o amadurecimento das mesmas. Vale destacar que a bela capa
é uma fotografia do fotografo alemão Philipp Messinger, com quem o site fez uma parceira!
 
NOTA: 7,0

Facebook
Twitter
Soundcloud




Gestos Grosseiros - World's Hypocrisy (2017)


Gestos Grosseiros - World's Hypocrisy (2017)
(Independente - Nacional)

01. Intro
02. The Ambition
03. Intellectual Death
04. Crushing the Cross
05. Hate Against
06. Killing With the Religion
07. The Only Solution
08. The Antichrist
09. In the Name of God

Com quase 2 décadas de estrada, o Gestos Grosseiros é um veterano do nosso cenário Death Metal. Em seus dois álbuns anteriores, o bom Countdown to Kill (07) e o ótimo Satanchandising (11), apresentaram um som acima de tudo bruto e furioso, feito sob medida para agradar os fãs do estilo, e agora, após um hiato de 6 anos, finalmente retornam com seu 3º trabalho de estúdio.

E não é que esse tempo acabou fazendo muito bem ao trio formado por Andy Souza (vocal/bateria), Kleber Hora (guitarra) e Eduardo Ossucco (baixo)? Em World’s Hypocrisy, o Gestos Grosseiros mostra evolução e, principalmente, mais maturidade se comparado com seu material anterior (que já era muito bom). Sei que essas duas palavras costumam causar arrepios nos fãs, mas esses podem ficar relaxados, pois no caso tratado, a coisa foi absurdamente positiva, já que isso veio acompanhado, por mais contraditório que possa parecer, de uma continuidade.

A banda manteve seus pés muito bem fincados naquele Death Metal old school que sempre serviu de base para sua sonoridade. Claro que não se trata de um som datado, já que a produção ajuda demais a dar um ar mais moderno, mas a personalidade do trio está lá, marcada a ferro e fogo. O que notamos aqui é que o Gestos Grosseiros optou por dar mais variedade às suas canções, alternando aqueles momentos mais velozes com passagens mais cadenciadas, além de incluir algumas melodias interessantes nos solos. E vale dizer, isso tudo acabou deixando seu som ainda mais pesado e agressivo.

Andy Souza é um verdadeiro monstro, tanto no que tange os vocais, brutos e urrados, quanto na bateria. O cara bate forte, sem dó nem piedade, e ao lado do baixista Eduardo Ossucco, forma uma parte rítmica bem técnica, coesa, absurdamente precisa e pesada. Já Kleber Hora não tem dó dos ouvidos alheios, despejando riffs violentíssimos e bons solos. Vale dizer que o nível técnico é alto e as composições estão em um nível superior no que se refere a composição e estrutura.


Descontando a introdução, temos aqui 8 verdadeiras pedradas, que vão deixar até o mais calejado dos deathbangers com o pescoço dolorido. Dessas, 3 se colocam em um nível superior. “The Ambition”, “Killing With the Religion”, absurdamente brutas e bem técnicas, e a monstruosa “The Antichrist”, melhor faixa de todo o álbum, muito bem trabalhada, com ótimas mudanças de andamento, além de claro, muito pesada e agressiva. Outra que merece ser citada aqui é “Intellectual Death”, bem extrema e que conta com a participação especial de Flavia Mornietari, vocalista do Hellarise, o que acaba por dar uma dinâmica vocal muito legal à canção. Vale dizer que as demais faixas não citadas conseguem manter o mesmo nível de qualidade e se não constam aqui, é puramente uma questão de gosto pessoal.

A produção é outro ponto a se destacar aqui. O instrumental foi gravado no Masterpiece Studio (Guarulhos/SP), por Pedro Esteves, enquanto a gravação dos vocais e a mixagem foram realizadas no Up Tracks Studio (São Paulo/SP) por Thomas Meyer, guitarrista do Hellarise. A masterização foi feita no Absolute Master (Capivari/SP). O resultado final não poderia ser melhor, já que está tudo muito claro e audível, mas sem perder aquela dose de crueza e agressividade que o Death Metal do trio pede. Já a ótima capa ficou por conta de Thiago Medeiros, e casa perfeitamente com a música aqui presente.

Dando um passo à frente e se mostrando mais maduro, técnico e variado, o Gestos Grosseiros lançou não só seu melhor álbum, como também um dos melhores trabalhos do Death Metal nacional nesse ano de 2017. Se quer um som pesado, bruto e agressivo, com potencial para moer as vértebras do seu pescoço, pode correr atrás desse material sem medo, pois ele foi feito para você.

NOTA:8,5

Gestos Grosseiros é:
- Andy Souza (vocal/bateria)
- Kleber Hora (guitarra)
- Eduardo Ossucco (baixo)

Facebook
Twitter
YouTube
Metal Media (Assessoria de Imprensa)


sexta-feira, 26 de maio de 2017

Roadie Metal Vol.9 (2017) (Coletânea)


Roadie Metal Vol.9 (2017) (Coletânea)
(Independente - Nacional)


CD 01:
01. Ruins Of Elysium – Serpentarius
02. Older Jack – Wahnsinn
03. Pato Junkie – The Rag Doll
04. Stoneria – Latino Americano
05. Demons Inside – Remorse, Effect Of Traumas…Remains
06. Lasting Maze – Forsaken Land
07. Cálida – Viemos Para Ficar
08. The Phantom Of The Midnight – Midnight
09. Lo Han – Waiting For You
10. Pátria Refúgio – Guerras Atuais
11. Stonex – Maggots (In My Brain)
12. Ozome – Tudo Veio Da Lama
13. Marco Zero – Efeito Moral
14. Indominus – The Arsonist
15. In The Sent – Dar O Culto Da Manhã
16. Attivita Power Trio – Vestido De Seda
17. Lexuza – Natural

CD 02:
01. Heavenless – Hatred
02. Core Divider – Ignorance
03. Coast To Coast – Alive
04. Concept Of Hate – Black Stripe Poison
05. Vultures – A Strange Land
06. Unknown Code Of Existence – We Are Not Mere Aliens
07. R.I.V – Headache
08. Patrick Pedroso – Only Ashes
09. Elizabethan Wallpurga – The Serpent’ Eyes And The Horns Of Crown
10. Inferms – Sadistic Desire
11. Viletale – Vile
12. Sagrav – The Lynching
13. Tormentors – For Hate
14. Visceral – Maldito
15. Lascados – Sem O Próprio Chão
16. Bruno F. Vascotin – Resurrected
17. Rinits Horror Show – Morte De Verão

Eis que a coletânea do programa/site/assessoria Roadie Metal, capitaneada pelo batalhador do nosso underground, Gleison Júnior, chega a seu volume 9. Com 34 bandas participando, certamente é hoje o maior veículo de divulgação do nosso cenário, já que é distribuída gratuitamente através do programa. Sendo assim, não dá para deixar de louvar tal atitude e torcer para que a mesma ainda perdure por muito tempo.

Repetindo a inteligente tática do volume passado, as bandas foram divididas adotando o critério de estilos. No CD 1, temos nomes que seguem uma linha mais tradicional, enquanto no segundo a aposta é nos mais extremos, evitando assim um dos grandes problemas desse tipo de material, que é a discrepância entre estilos. Isso dá uma coesão muito legal a todo o material. Agora, a variação de qualidade das produções é algo que infelizmente não tem como ser sanado. Vai acontecer sempre, já que temos em um mesmo pacote bandas que já deram o passo crucial de terem um CD lançado, enquanto algumas outras ainda estão buscando seu lugar ao sol. Menos mau que, em grande parte do tempo, esses altos e baixos se dão pela qualidade das gravações e não tanto pela das bandas presentes. A arte, vale destacar, mais uma vez ficou por conta de Marcelo Nespoli e ficou muito boa.

Entre os principais destaques, temos alguns nomes que já passaram aqui pelo A Música Continua a Mesma. São os casos do Older Jack (resenha aqui), Stoneria (resenha aqui), Stonex (resenha aqui), Heavenless (resenha aqui), Concept of Hate (resenha aqui), Patrick Pedroso (resenha aqui) e Sagrav (resenha aqui). Já são realidades. Nesse grupo, também podemos incluir Ozome, que mostra a força do Rock Nacional cantado em português, além de fazer um uso muito bom de regionalismos, e o ótimo mezzo italiano, mezzo brasileiro, Ruins of Elysium, com um Metal Sinfônico realmente grandioso. Outro nome com um pé em outro país (no caso o Japão) é o ótimo Coast To Coast, que apresenta uma música carregada de energia e com uma pegada bem moderna. Uma das revelações do nosso cenário atual, o Elizabethan Wallpurga brilha com seu ótimo Black/Heavy e fecha o primeiro time de bandas desse volume.

Um pouco abaixo, mas mostrando qualidade, temos o Demons Inside, que precisa apenas dar uma leve melhorada no quesito produção, já que sua música é boa e pesada; o Lo Han, que serei sincero, só não está uma categoria acima devido ao inglês deficiente do seu vocalista, porque seu Stoner possui qualidade de sobra; e o bom Rock do Marco Zero. O Rock também é a praia do Attivita, que me remeteu a umas das bandas mais injustiçadas dos anos 80, o Zero, com o timbre vocal de Fabio Pimentel lembrando bastante o de Guilherme Isnard. Os mineiros do Lexuza são mais um grupo a entrar nessa lista, apresentando uma mescla interessante de Stoner e Rock Alternativo, com alguns trechos me remetendo ao Alice In Chains. Já o Core Divider apresenta uma música pesada, moderna e com muito groove, enquanto o Inferms apresenta um Death Metal simplesmente brutal, caminho também trilhado pelo Visceral, que faz jus ao nome que carrega. Também podem ser citados aqui o hardcore energético do Lascados e o punk para lá de agitado e divertido do Rinits Horror Show, que certamente agradará aos fãs de Misfits.


Na turma que está no caminho certo, podemos destacar o crossover do Pato Junkie, enérgico, pesado e precisando apenas de alguns pequenos ajustes (na produção) para decolar de vez. Já The Phantom Of The Midnight vem com uma pegada mais gótica e soa bem interessante, enquanto o Indominus, que se prejudicou com uma produção deficiente, vai agradar em cheio os amantes de um Metal oitentista, já que sua música é realmente boa. O Vulltures apresenta um Thrash Metal com boa cadência, e está seguindo o caminho certo com sua música pesada. O Unknown Code Of Existence se envereda pelo experimentalismo, pendendo para o Post-Metal e fazendo uma música que pode ser de difícil digestão para a maior parte do público. Ainda assim, mostram muito potencial. O Viletale apresenta um Death Metal bem cru e pesado, mas que carece ainda de alguns pequenos ajustes e uma produção um pouco melhor. A produção também é o calcanhar de aquiles do Tormentors, que nos mostra um Thrash old school feito na medida para os mais saudosistas. Fechando esse grupo, temos o trabalho de Bruno F. Vascotin, pesado, bruto, agressivo, bem-feito, mas que ainda precisa de algo a mais para se diferenciar.

Mas nem tudo nesse mundo são flores. Críticas são necessárias e em alguns momentos, podem soar duras. O Lasting Maze até faz um trabalho relativamente bem-feito, mas peca pela vocalista, que apesar de até ter um timbre agradável, dá umas escorregadas aqui e ali. Um pouco mais de capricho na produção ajudaria. A Cálida até mostra um instrumental caprichado, moderno, mas o vocal, me desculpe, tem um timbre que achei muito chato. Não funcionou mesmo aos meus ouvidos. O Pátria Refúgio é algo a ser estudado. Seu instrumental certamente vai agradar em cheio aos apreciadores de Power Metal, os caras sabem o que estão fazendo, mas a letra em português, nesse caso, não funcionou. Simplesmente não encaixou na música e é algo que precisa ser melhor trabalhado. O In The Sent é o ponto baixo da coletânea. Se a ideia era ser irônico, divertido e com trocadilhos inteligentes, sinto informar, mas erraram feio. Agora, se o plano era soar um pastiche de terceira daquele Rock engraçadinho típico dos anos 90, que destacou nomes como Mamonas Assassinas, Maria do Relento ou Babá Cósmica, ai merecem todas as palmas, pois acertaram no alvo. Você percebe que individualmente são bons instrumentistas, então o meu conselho é que foquem em algo mais sério. Nem todo mundo nasce para ser um Língua de Trapo ou um Premeditando o Breque (se quiserem seguir esse caminho, lhes aconselho a conhecer o brilhante trabalho de ambas, para aprender como fazer música irônica e bem-humorada). Já o R.I.V mostra potencial, mas seu Metal moderno soa um pouco confuso em alguns momentos e, ao menos levando em conta a música aqui presente, trabalhar um pouco mais sua música.

No final, o que temos é uma bela iniciativa e que, apesar de alguns poucos baixos, alcança o objetivo de dar espaço e apresentar novos nomes para nosso cenário. O volume 10, que já vem por ai, está saindo em formato DVD, o que promete ser bem interessante, enquanto as audições para o volume 11 já estão abertas. Então, se você tem banda, vale a pena correr atrás, pois essa é uma bela ferramente de divulgação. E que perdure assim por muitos mais anos.

NOTA: 8,0

Homepage
Facebook
Soundcloud
YouTube


quarta-feira, 24 de maio de 2017

Jupiterian - Archaic: Process of Fossilization (2017)


Jupiterian - Archaic: Process of Fossilization (2017)
(Cold Art Industry/Wolfblasphemer Distro - Nacional)


01. Archaic
02. Procession Towards the Monolith
03. Currents of Io
04. Mine Is Yours to Drown In (Ours Is the New Tribe) (Anathema Cover)
05. Behind the Wall of Sleep (Black Sabbath Cover)
06. Drag Me to My Grave (Demo Version with Violins)

Por algum motivo, o Doom e seus derivados, como Death/Doom, Sludge, Drone, Funeral Doom, Gothic e Stoner/Doom, nunca foram muito populares por esses lados, o que é meio absurdo, já que temos ótimas bandas nesses estilos. Vale dizer que muitas estão em pé de igualdade com qualquer grande banda do cenário internacional da atualidade. E o Jupiterian, surgido no ano de 2013 em São Paulo, sem sombra alguma de dúvida é um desses nomes. Para quem não conhece o trabalho do quarteto formado por V (vocal/guitarra), A (guitarra), R (baixo) e G (bateria), recomendo a audição urgente do seu debut, Aphotic, um dos melhores trabalhos de Doom lançados no mundo, no ano de 2015.

Quanto a Archaic: Process of Fossilization, trata-se da junção de 2 Ep’s que haviam saído apenas digitalmente, Archaic (14) e URN (17), além da demo de Drag Me to My Grave e que, para a felicidade de todos nós, a parceria dentre a Cold Art Industry e a Wolfblasphemer Distro disponibiliza pela primeira vez de forma física. Aliás, que belo trabalho temos aqui. Além do ineditismo do material, o mesmo vem acompanhado de dois posters de 24x36, um adesivo da banda com os dizeres “Jupiterian Congregation of False Gods” e um OBI. Material gráfico de primeira qualidade, que ficou por conta de Cauê Piloto. Fechando o pacote todo e tornando tudo ainda mais especial, o CD é limitado a 500 cópias, o tornando assim um material que certamente será desejado por muitos colecionadores.

O Death/Doom do Jupiterian sofre uma inegável e saudável influência de Sludge, que deixa o som lento, arrastado e agoniante do quarteto ainda mais pesado e sujo. Apesar das músicas serem longas, não padecem em momento algum de falta de variedade, algo que felizmente conseguem imprimir à sua música. Os guturais de V são assustadores e trazem algo de Black Metal aqui e ali, enquanto a guitarra de A é responsável por riffs verdadeiramente sujos e sombrios. A parte rítmica de R e G é abusivamente pesada, coesa e com boa técnica. Vale um destaque para as boas melodias que surgem aqui e ali, responsáveis por boa parte do clima melancólico e sombrio das canções.


“Archaic” abre o trabalho de forma lenta e esmagadora, com destaque para os ótimos riffs e para as mudanças de ritmo, que dão variedade à mesma. Já “Procession Towards the Monolith” consegue mesclar muito bem o lado mais atmosférico do Jupiterian com peso, muito peso. Uma das mais sombrias aqui presentes. Ultrapassando a casa dos 10 minutos, “Currents of Io” se destaca pelos belos arranjos, pelos ótimos riffs e melodias, e pela variedade que a impede de soar maçante. Na sequência, temos as duas faixas presentes no EP URN, os covers para “Mine Is Yours to Drown In (Ours Is the New Tribe)”, do Anathema, carregado de personalidade e simplesmente brutal (ouso dizer que em alguns aspectos, a julgo superior à original) e  “Behind the Wall of Sleep”, dos mestres do Black Sabbath, que além de ter uma cara própria e claro, mais peso, conseguiu manter o clima sombrio da versão original. Encerrando, a versão demo de  “Drag Me to My Grave” que obviamente surge com uma qualidade de gravação inferior às demais, mas se destaca pelos riffs e pelos excelentes arranjos de violino.

A produção é excelente, pois conseguiu deixar todos os instrumentos plenamente audíveis, mas sem perder aquela sujeira típica do Sludge, que a música pede. Ficou a cargo de V, com a mixagem sendo feita por Mories (Gnaw Their Tongues, De Magia Veterum) e masterização por James Plotkin (Conan, Electric Wizard, Egypt, Saint Vitus, Isis). Resultado de primeiríssima qualidade. E vos digo, Archaic: Process of Fossilization é um material mais do que obrigatório na coleção de qualquer fã de Doom Metal. Sendo assim, trate de correr atrás do seu, pois o que temos aqui é algo limitado e muito especial.

NOTA: 9,0

Jupiterian é:
- V (vocal/guitarra);
- A (guitarra);
- R (baixo);
- G (bateria).

Facebook
Bandcamp
YouTube
Cold Art Industry


Profecia do Caos - Pregação da Maldição (2016)


Profecia do Caos - Pregação da Maldição (2016)
(Independente - Nacional)


01. Intro/Profecia
02. Olhos Vendados
03. Punição
04. Nostradamus
05. Pilhagem
06. Apocalipse De Ódio
07. Visões
08. Pregação Da Maldição

Por mais que os fãs de Metal no Brasil sejam mais conservadores (e ao que parece cada vez mais, não só no que se refere à música), podemos observar que cada vez mais, estilos mais modernos estão conseguindo penetrar essa barreira. Surgido no ano de 2014 na cidade de Poços de Caldas/MG, o Profecia do Caos, formado por Edu Kammer (vocal), Natanael Leda e Fábio Basso (guitarras), Fernando Mohammed (baixo) e Brenner Valverde (bateria), aposta no Deathcore e, apesar do pouco tempo de estrada, já nos apresenta seu trabalho de estreia.

Efetivamente falando, não temos absolutamente nada de novo aqui. Sua música é pesada, mesclando elementos do Death Metal, do Metalcore e do Hardcore, vocais guturais, breakdowns e tudo mais que se espera de uma banda do estilo. As letras são em português, fazendo jus ao nome da banda e claro, as músicas são raivosas e enérgicas. Tudo dentro do esquema. E ai está o problema, não escutamos aqui nada que já não tenha sido feito dentro do estilo por outras bandas mais consagradas. Falta um diferencial ao Profecia do Caos.

Não que a banda seja ruim. Os vocais de Edu Kammer são muito bons, a dupla de guitarristas formada por Natanael e Fábio mostram bom entrosamento e despejam bons riffs, e a parte rítmica, com Fernando e Brenner se mostra ótima e bem técnica. Boas ideias surgem aqui e ali, as músicas mostram alguma qualidade, mas na maior parte do tempo fica aquela sensação de que faltou algo. Um pouco mais de variedade cairia bem, já que tudo é um pouco parecido demais. Trabalhar um pouco mais as composições seria uma boa no próximo álbum. 


As músicas se mostram bem objetivas, as vezes até um pouco além do recomendando, já que das 8 canções aqui presentes, apenas duas ultrapassam a casa dos 4 minutos, com três delas não chegando aos 3 minutos. Os destaques ficam com “Nostradamus”, a melhor de todo o álbum e que, apesar de ser a mais curta de todas, se mostra a mais variada, “Apocalipse De Ódio”, com uma boa melodia, muita agressividade e bons riffs, e o encerramento, com “Pregação Da Maldição”. Quanto à produção, realizada pela própria banda, está dentro da média e da proposta, não comprometendo em nada o resultado final. Vale dizer que o mesmo foi gravado, mixado e masterizado no Studio Athenas, em Poços de Caldas. Já a parte gráfica, ficou por conta do baixista Fábio Basso, ficando simples, mas muito funcional, obtendo bom resultado.

Apresentando o básico do estilo e algumas boas ideias, o Profecia do Caos mostra potencial para o futuro, afinal, estamos falando de uma banda que está completando seu terceiro ano de existência, mas com o que está apresentado aqui hoje, vai agradar apenas aqueles fãs menos exigentes de Deathcore e de outras sonoridades mais modernas. Se buscar algo mais original e mais bem trabalhado, não irá encontrar aqui. É esperar o amadurecimento natural da banda e os trabalhos futuros, para ver se tal potencial se confirma.

NOTA: 7,0

Profecia do Caos é:
- Edu Kammer (vocal);
- Natanael Leda (guitarra);
- Fábio Basso (guitarra);
- Fernando Mohammed (baixo);
- Brenner Valverde (bateria).

Facebook
YouTube


quinta-feira, 18 de maio de 2017

Nailed to Obscurity – King Delusion (2017)


Nailed to Obscurity – King Delusion (2017)
(Apostasy Records - Importado)


01. King Delusion    
02. Protean    
03. Apnoea    
04. Deadening    
05. Memento    
06. Uncage My Sanity    
07. Devoid    
08. Desolate Ruin

Se você não conhece o quinteto alemão Nailed to Obscurity, não precisa se sentir culpado, pois apesar de estarem na estrada desde 2005, não primaram por uma grande quantidade de lançamentos nesse período, sendo King Delusion apenas seu 3º trabalho de estúdio. Mas se você faz parte do time daqueles que teve a oportunidade de escutar os trabalhos anteriores, Abyss (07) e, principalmente, o ótimo Opaque (13), já sabe que irá se deparar com um Melodic Death/Doom de primeiríssima qualidade.

As referências aqui são bem claras e nomes como Katatonia, Novembers Doom, Daylight Dies, Swallow the Sun, Paradise Lost e Opeth virão à tona em algum momento da audição, mas ainda assim o Nailed to Obscurity passa longe de soar como mera cópia de qualquer um desses nomes, pois consegue forjar uma identidade própria através de doses de progressividade e, principalmente, das influências evidentes de Post-Rock/Metal. Todas essas influências são muito bem fundidas, gerando assim um som que, se não apresenta nada essencialmente novo, consegue soar absurdamente cativante.

Individualmente, todos encontram espaço para brilhar aqui. O vocalista Raimund Ennenga consegue se sair muito bem, tanto cantando urrado quanto limpo. Aliás, nos momentos mais melódicos, é ele o responsável pelo peso. Já a dupla de guitarristas Jan-Ole Lamberti e Volker Dieken brilha como nunca aqui, sendo ambos primordiais para o ótimo resultado final de King Delusion. Seus riffs trafegam com uma naturalidade absurda entre o Doom, o Post-Rock e o Post-Metal, soando pesados e imponentes, mas sem perder uma certa acessibilidade. A parte rítmica com o baixista Carsten Schorn e o baterista Jann Hillrichs consegue imprimir grande diversidade às canções, com maior destaque para Jann.


Musicalmente, o Nailed to Obscurity dá um passo à frente com relação a Opaque. As já citadas influências mais evidentes de Post-Rock/Metal e a inclusão de alguns vocais limpos enriqueceram  muito o resultado final. Isso já fica claro na sequência de abertura, com a faixa título, onde as ótimas melodias e o trabalho das guitarras consegue gerar um clima obscuro e sinistro e em “Protean”, faixa bem emotiva e onde Raimund Ennenga se destaca com um ótimo trabalho vocal. Após o obscuro interlúdio instrumental intitulado “Apnoea”, temos a excelente “Deadening”, que no seu instrumental se envereda pelos caminhos do Gothic Rock e conta com uma ótima mescla de vocais mais sussurrados com outros mais puxados para o Death. “Memento”, a faixa seguinte, é outra que se destaca pelos ótimos elementos de Post-Rock, sendo seguida pelo grande destaque do álbum, a épica “Uncage My Sanity”. Apesar dos mais de 12 minutos, se mostra uma música dinâmica, sombria, com ótimas melodias e onde partes mais pesadas são intercaladas com outras mais atmosféricas. Em alguns momentos, se torna impossível não lembrar do Novembers Doom. Fechando o trabalho, mais duas faixas de muita qualidade: “Devoid”, faixa cativante, com riffs e melodias marcantes que conseguem passar uma sensação de melancolia e “Desolate Ruin”, simplesmente esmagadora e sufocante.

O Nailed to Obscurity pode não reinventar o estilo com King Delusion, mas mesmo sem apresentar algo revolucionário, conseguiu forjar um conjunto de canções que, além de fluir de forma absurdamente natural, consegue ter uma cara própria e agrada qualquer fã de Melodic Death/Doom Metal. E que, com esse trabalho, consigam o merecido reconhecimento e entrem para o hall das principais bandas do estilo, porque qualidade para isso eles possuem de sobra.

NOTA: 8,5

OBS: Resenha originalmente publicada na October Doom Magazine nº 67. O link para leitura online e/ou download se encontra logo abaixo. Vale muito a pena baixar/ler.

Download: https://goo.gl/bTSlRW
Leitura Online: https://goo.gl/zjImbt

Nailed to Obscurity é:
- Raimund Ennenga (vocal);
- Jan-Ole Lamberti (guitarra);
- Volker Dieken (guitarra);
- Carsten Schorn (baixo);
- Jann Hillrichs (bateria).

Homepage
Facebook
Instagram
Bandcamp
Twitter



quarta-feira, 17 de maio de 2017

Heretic - Leitourgia (2015)


Heretic - Leitourgia (2015)
(Two Beers Or Not Two Beers - Nacional)

 
01. Rajasthan Ritual
02. I Am Shankar
03. Lamashtu
04. Ghost Of Ganheesha
05. Unleash The Kraken
06. Sensual Sickness
07. Sonoro
08. Solaris
09. Solitude (Black Sabbath cover)
10. The Hedonist

Desafiadora. Está aí uma palavra que cai bem para definirmos a música praticada pelo Heretic. Surgido em Goiânia/GO, no ano de 2010, o então trio resolveu apostar suas fichas em um nicho pouco explorado por bandas de Metal no Brasil, já que sua música é totalmente instrumental. Mas, surpreendentemente, esse nem é o grande diferencial do material que nos é apresentado, já que Leitourgia (seu 2º álbum de estúdio) nos reserva muitas outras surpresas. "E quais seriam essas?", deve estar se perguntando o caro leitor. Bem, vamos lá.

Ao olhar a capa, já temos uma boa pista do que encontraremos por aqui. Com uma gravura de uma suntuosa biblioteca de fundo, elementos orientais se misturam. O nome da banda está grafado seguindo um padrão da escrita árabe. O do cd, segue o alfabeto grego. Centralizado, entre os dois, um escaravelho, elemento importante da mitologia egípcia (diretamente relacionado ao Deus Khefri). E pode acreditar, quando a música começa a tocar, tudo isso é realmente transposto para a mesma.

E vale dizer que a sonoridade do Heretic não é ampla apenas pelo fato de agregar elementos orientais árabes, gregos e indianos (em alguns momentos, temos até instrumentos africanos), mas também por abranger estilos como o Prog, Thrash e Death Metal, resultando em uma música não só muito variada, como também bastante técnica. A verdade é que em momento algum abrem mão do peso, mesmo quando os arranjos étnicos surgem com força nas canções. Os riffs de Guilherme Aguiar são de muita qualidade e a parte rítmica, formada por Laysson Mesquita (baixo) e Diogo Sertão (bateria) é um espetáculo à parte. É de cair o queixo.


O álbum é muito bem equilibrado, mesmo não se tratando de uma proposta de fácil digestão. Vale destacar a faixa de abertura, “Rajasthan Ritual”, que certamente vai agradar os fãs de Prog, as pesadas “I Am Shankar” e “Ghost Of Ganheesha”, a ótima versão para “Solitude”, do Black Sabbath e a faixa que encerra os trabalhos, a ótima “The Hedonist”. Claro, nem tudo são flores por aqui, já que a produção deixa um pouco a desejar (poderia ser mais limpa, mais bem trabalhada) e não foram lá muito felizes na escolha dos timbres, mas nada que comprometa em excesso o resultado final.

Gosta de nomes que misturam Metal com música oriental, como Orphaned Land, Yossi Sassi, Melechesh, Myrath, Arkan ou até mesmo Nile, incluindo aí o trabalho solo de Karl Sanders? Então vale a pena buscar conhecer o trabalho do Heretic. Após Leitourgia, já contando apenas com Guilherme na formação e com a colaboração de diversos outros músicos, lançaram mais 2 álbuns, The Pessimist (15) e The Errorism (16), além de um EP, Keretika (16). Mais um nome promissor e, acima de tudo, original, surgido na cena nacional.

NOTA: 8,0

Heretic (gravação):
- Guilherme Aguiar (guitarra);
- Laysson Mesquita (baixo);
- Diogo Sertão (bateria).

Homepage
Facebook
YouTube


Dr. Kong - Protagonista (2016)


Dr. Kong - Protagonista (2016)
(Independente - Nacional)


01. Protagonista
02. Fale Tudo
03. Honoráveis Primatas
04. Olho Do Furacão
05. Consciência
06. Superficial
07. Indignação
08. Não Perca O Humor
09. Rarefeito
10. Passos
11. Me Chame Essa Noite
12. Por Sorte
13. Metanoia

O Rock Nacional viveu seu auge em matéria de popularidade nos anos 80. Bandas e artistas como Legião Urbana, Cazuza, Paralamas do Sucesso, Barão Vermelho, Ira!, Plebe Rude, Celso Blues Boy, Capital Inicial, Titãs, dentre alguns outros menos cotados, eram figurinhas carimbadas nas programações de rádio e nos programas de TV. A partir dos anos 90, com o crescimento de estilos mais populares, o mesmo iniciou uma espiral rumo ao underground, com poucos novos nomes surgindo e apenas o mesmos velhos nomes da década anterior conseguindo manter o mínimo de protagonismo. E de lá pra cá, podemos dizer que as coisas só pioraram.

Não que não existam bons nomes por ai. Basta uma busca minimamente criteriosa nos subterrâneos do Rock no Brasil para se constatar que várias bandas de qualidade surgiram nas últimas duas décadas, mas que infelizmente ficaram restritas a um público relativamente pequeno, sempre longe da grande mídia. Surgido no ano de 2015, em Goiânia/GO, o Dr.Kong se envereda pelo citado estilo, com alguns toques interessantes de Hard Rock e Blues que acabam por dar um tempero interessante à sua música.

Uma coisa que vem me incomodando cada vez mais é a pressa que algumas bandas têm de lançar seu trabalhos, mesmo que sua sonoridade ainda não esteja amadurecida para tal. Esse é o grande pecado do Dr.Kong. Individualmente, estamos diante de músicos talentosos, é algo que não dá pra negar. Eliel Carvalho e Gustavo de Carvalho apresentam um bom trabalho de guitarras, com as mesmas soando muito agradáveis, enquanto o baixista Gustavo Silva e o baterista Wagner Arruda formam uma parte rítmica coesa e de bastante qualidade. Não apresentam absolutamente nada de novo, mas soam acima de tudo honestos e agradáveis. As letras, em português, também são bem interessantes. O problema todo se dá quando o vocalista Flávio de Carvalho entra na música.


Não, Flávio não é um mau vocalista, justamente o contrário, mas peca em algo primordial para sua função, que é a personalidade. Uma hora, soa como um clone de Frejat (ex-Barão Vermelho), em outras, remete levemente a Herbert Vianna (Paralamas do Sucesso). Existem também aquelas passagens em que você pensa estar escutando o finado Renato Russo (Legião Urbana), ou então Kim (Catedral). Decididamente, em momento algum soa como Flávio de Carvalho e isso prejudica demais o resultado final, já que essa falta de identidade, somada ao fato de musicalmente não apresentarem nada de novo, acaba causando aquela sensação chata do “eu já ouvi isso antes”. Se não fosse a já citada honestidade que transborda em cada nota, isso poderia ser extremamente irritante.

Obstante isso, ainda assim temos momentos muito bons. A faixa-título, que abre o trabalho, soa como um daqueles rocks com pegada blues que o Barão Vermelho sempre fez com muita qualidade. Abstraia o fato de você jurar ser o próprio Frejat cantando e vai se divertir bastante, até porque o refrão da mesma é desses que pega fácil o ouvinte. Isso se repete na enérgica “Fale Tudo”, em “Olho do Furacão” e “Consciência” (com aquela pegada mais puxada para Rolling Stones e AC/DC, outra característica que o Barão sempre usou muito bem). O peso dá as caras em “Honoráveis Primatas” e “Indignação”. Ainda mostram ter o dom para compor baladas, com as boas “Não Perca O Humor” e “Me Chame Essa Noite”, que poderiam estar em qualquer trabalho da carreira solo de Frejat, tamanha a emulação das mesmas.

A produção mostra muita qualidade, com a mixagem e masterização tendo sido realizadas pelo guitarrista Eliel de Carvalho e por Guilherme Bicalho. Resultado final superior à média do que vemos por aí. A parte gráfica é simples e muito bem feita. Qualidade o Dr.Kong possui, falta agora buscarem com urgência dar uma cara própria à sua música, principalmente no que tange ao vocal. Por ser um trabalho de estreia de uma banda nova, acaba-se relevando tamanha falta de identidade, mas para trabalhos futuros essa benevolência dificilmente existirá. Se você gosta daquele Rock Nacional típico dos anos 80, e principalmente, Barão Vermelho, vale a pena dar uma chance ao quinteto.

NOTA: 7,0

Dr.Kong é:
- Flávio de Carvalho (vocal);
- Eliel Carvalho (guitarra);
- Gustavo de Carvalho (guitarra);
- Gustavo Silva (baixo);
- Wagner Arruda (bateria).

Homepage
Facebook
Instagram
YouTube
Twitter


terça-feira, 16 de maio de 2017

Nervochaos - Nyctophilia (2017)


Nervochaos - Nyctophilia (2017)
(Cogumelo Records - Nacional)


01. Moloch Rise
02. Ritualistic
03. Ad Majorem Satanae Gloriam
04. Season Of The Witch
05. Waters Of Chaos
06. The Midnight Hunter
07. Rites Of The 13 Cemeteries
08. Vampiric Cannibal Goddess
09. Stained With Blood
10. Lord Death
11. Dead End
12. World Aborted
13. Live Like Suicide

Não é exagero algum dizer que o Nervochaos é uma instituição do Metal Extremo nacional. São 21 anos de carreira, batalhando no underground e conquistando seu espaço, sempre com muita garra e paixão pelo estilo. Estreando sua nova formação em estúdio, com Lauro Nightrealm (vocal/guitarra, ex-Querion), Cherry (guitarra, Hellsakura), Thiago Anduscias (baixo), que retornou após 10 anos fora da banda (saiu em 2006, após Quarrel in Hell) e o sempre batalhador Edu Lane (bateria), podemos afirmar com 100% de certeza que vivem o seu melhor momento.

Em seu 7º trabalho de estúdio, intitulado Nyctophilia, o quarteto apresenta o trabalho mais maduro e forte de toda a sua carreira. Tendo como base aquele Death Metal com os 2 pés muito bem fincados na cena americana do final dos anos 80/início dos 90 (tendo como maiores referências Deicide e Morbid Angel, mas sem soar como cópia), adicionam elementos de estilos diversos como Thrash, Doom, Black e Hardcore, tornando sua sonoridade, além de bem variada, devastadora e com uma dose de obscuridade. Ok, pode não ser a reinvenção da roda, mas não tenha dúvida, por cerca de 44 minutos, você será exposto a um verdadeiro massacre sonoro.

Os vocais de Lauro Nightrealm estão simplesmente infernais e vão agradar em cheio aos fãs do estilo, até porque mesmo soando mais variados, com algumas incursões pelo Black Metal, não fogem daquela linha tradicional do estilo. Além disso, ao lado de Cherry, forma uma dupla de guitarristas simplesmente matadora, já que despejam alguns dos melhores riffs da carreira da banda, pendendo para o Thrash em muitos momentos. Já a parte rítmica se mostra absurda, soando bem coesa e técnica. Edu está, sem sombra alguma de dúvida, entre os melhores bateristas de Metal Extremo da atualidade, e o que ele faz em alguns momentos aqui é de cair o queixo.

O álbum já começa de forma simplesmente impiedosa, com a violenta “Moloch Rise”, mesclando Death Metal e Hardcore com maestria. Impressiona como uma música de menos de 3 minutos consegue ser tão variada, com passagens velozes e outras mais cadenciadas. Na sequência temos a violenta “Ritualistic”, que assim como a anterior, alterna passagens mais velozes e outras com um pouco mais de cadência, além de ter ótimos riffs. Sem dúvida é a que mais remete ao Deicide aqui. Podemos dizer que “Ad Majorem Satanae Gloriam” é a faixa “diferentona” de Nyctophilia. Com uma melodia simplesmente grudenta de tão boa, tem uma pegada gótica (sim colega, gótica), com um ar bem sombrio que a torna umas das faixas mais legais de todo o trabalho. A violência volta à tona com “Season Of The Witch”, que começa de forma mais pesada e lenta, para depois explodir em um verdadeiro massacre. Isso se repete em diversos outros momentos, não só nela, como em todo álbum. Destaque também para os vocais de Lauro, que em alguns momentos cai para o lado do Black Metal. Nessa mesma pegada, temos a forte e brutal “Waters Of Chaos”, que vai te fazer bater cabeça involuntariamente. Encerrando a primeira metade, “The Midnight Hunter” traz as influências de Hardcore novamente para o centro da música, soando absurdamente agressiva.


“Rites Of The 13 Cemeteries” abre a segunda metade seguindo o esquema de sua antecessora, com destaque para a dupla Thiago/Edu, que realizam um excepcional trabalho, enquanto “Vampiric Cannibal Goddess” se mostra um dos pontos altos de todo o CD. Sinistra, brutal e com riffs simplesmente esmagadores, é dessas que ficam na memória por dias. “Stained With Blood” começa de forma bem arrastada, lenta, quase Doom, até explodir em fúria. Alternando velocidade e cadência, é uma das mais variadas aqui. É nessa mesma linha que temos em sequência a violenta “Lord Death”, outra onde a bateria se destaca e “Dead End”, com o baixo se destacando, bons toques de Thrash e muito peso. Encerrando o álbum, outra dupla matadora. “World Aborted” soa bruta, alternando uma pegada um pouco mais lenta com alguns momentos altamente velozes, enquanto “Live Like Suicide” soa absurdamente agressiva e trafega com grande naturalidade entre o Death, o Thrash e o Doom, encerrando Nyctophilia com chave de ouro.

Faz-se mais do que necessário destacar a ótima produção. Gravado no Alpha Omega Studio, em Como, Itália, teve produção, mixagem e masterização realizadas por Alex Azzali (que já havia trabalhado com a banda nos dois últimos álbuns). O som ficou claro, limpo, cristalino, sendo possível escutar todos os instrumentos. Mas ainda assim, em momento algum soa artificial, como a maioria nos dias de hoje. Já a parte gráfica é um belíssimo trabalho de Alcides Burn (https://www.burnartworks.com/), não devendo nada a qualquer banda gringa.

Mostrando estar no seu auge técnico e criativo, o Nervochaos lançou não só seu melhor álbum, como também um dos grandes trabalhos nacionais desse ano de 2017, e candidato forte às listas de final de ano. É Death Metal da melhor qualidade, produzido com muito esmero para quebrar pescoços alheios. Prepare a cartela de relaxante muscular ou o telefone do ortopedista, pois ao final de Nyctophilia, você com toda certeza irá precisar de um dos dois.

NOTA: 8,5

Nervochaos é:
- Lauro Nightrealm (vocal/guitarra);
- Cherry (guitarra);
- Thiago Anduscias (baixo);
- Eduardo Lane (bateria).

Homepage
Facebook
YouTube
Instagram
Twitter
Bandcamp



domingo, 7 de maio de 2017

Melhores álbuns – Abril de 2017


No primeiro domingo de cada mês o A Música Continua a Mesma fará uma lista com os melhores álbuns do mês anterior. Nela, respeitaremos as datas oficiais de cada lançamento, então sendo assim, não contaremos a data que os mesmos vazaram na internet, mas sim quando efetivamente foi ou será lançado.

Sendo assim, ai vão os melhores lançamentos de abril na opinião do A Música Continua a Mesma.

 
 
 
 
 

 
 
 
 
 
 
 
 

 

terça-feira, 2 de maio de 2017

Marillion - Marbles in the Park (2017)


Marillion - Marbles in the Park (2017)
(Shinigami Records/earMusic – Nacional)


CD1
1. The Invisible Man
2. Marbles I
3. Genie
4. Fantastic Place
5. The Only Unforgivable Thing
6. Marbles II
7. Ocean Cloud
8. Marbles III
9. The Damage

CD2
1. Don’t Hurt Yourself
2. You’re Gone
3. Angelina
4. Drilling Holes
5. Marbles IV
6. Neverland
7. Out Of This World
8. King
9. Sounds That Can’t Be Made

Formado em Aylesbury, na região metropolitana de Londres, no ano de 1979, o Marillion fez o Rock Progressivo renascer nos anos 80, com o ótimo Script for a Jester's Tear (83). Música bem trabalhada e complexa na medida certa para não soar exagerada. Daí em diante, capitaneados por Fish e sua voz marcante, foram adicionando mais doses de melodia, mas sem perder as características básicas de sua música, resultando em uma sequência clássica composta por Fugazi (84) e seu maior sucesso comercial, Misplaced Childhood (85). Após isso, mais um álbum (que reforçou ainda mais o lado melódico) e Fish parte. Para muitos, o Marillion acabou ai.

Steve Hogarth, seu substituto, nunca foi aceito por uma parcela dos fãs. Muito disso se dá pelo fato de que sua entrada coincidiu justamente com a fase mais comercial da banda, que resultou no discutível Holidays in Eden (91), bem voltado para o Pop/Soft Rock, ou mesmo em outros não tão bons como This Strange Engine (97), Radiation (98) e Marillion.com (99), tentativas fracassadas de soarem mais modernos. Mas ao mesmo tempo, foi com Hogarth que lançaram trabalhos elogiadíssimos pela crítica, como o conceitual Brave (94), Afraid of Sunlight (95), um dos melhores de sua carreira, e Marbles (04).

A base de fãs do Marillion sempre foi muito forte, tanto que muito antes do crowdfunding virar moda no meio da música, já haviam trabalhado com a ideia nos lançamentos dos álbuns Anoraknophobia (01) e do próprio Marbles. Foi ela também que permitiu que a banda começasse a fazer convenções pelo mundo, os Marillion Weekends, reunindo milhares de fãs que têm a oportunidade de um contato mais direto com a banda e onde realizam apresentações especiais. E foi em um desses finais de semana, na Holanda em 2015, que resolveram apresentar em uma das noites o álbum Marbles na íntegra, reforçado por 2 canções retiradas de Afraid of Sunlight (“Out Of This World” e “King”) e a faixa título de Sounds That Can't be Made (12).


E bem, podemos dizer que esse é um trabalho mais do que indicado não só para os fãs da fase Hogarth, como também para os de boa música. Com uma qualidade de som cristalina, é possível apreciar músicas com uma boa dose de complexidade, mas que não abrem mão das belas melodias e de uma forte carga emocional. Em muitos momentos, os vocais cheios de classe de Steve se destacam, se colocando como o centro das atenções, mostrando que sim, existe Marillion sem Fish (só não é a mesma banda, o que não é um crime). Os maiores destaques aqui ficam por conta de “You’re Gone”, “Ocean Cloud”, “The Damage”, “Drilling Holes”, “The Invisible Man”, “The Only Unforgivable Thing” e “Angelina”.

Gravado e mixado por Michael Hunter (que já trabalha com a banda há algum tempo), como já dito, tem uma sonoridade mais que cristalina, beirando a perfeição, permitindo tanto ouvir cada detalhe das músicas, como também notar a empolgação do público. Você chega a se sentir no meio do mesmo em alguns momentos, caso feche os olhos durante a audição. Além disso, vem com um encarte belíssimo, com 16 páginas recheadas de belas fotos da apresentação. Um trabalho ao vivo primoroso e que mostra a banda vivendo sua melhor fase em quase 2 décadas.

NOTA: 9,0

Marillion é:
- Steve Hogarth (vocal);
- Steve Rothery (guitarra);
- Pete Trewavas (baixo);
- Mark Kelly (teclado);
- Ian Mosley (bateria).

Homepage
Facebook  
YouTube
Instagram
Twitter