terça-feira, 25 de abril de 2017

Once Human – Evolution (2017)


Once Human – Evolution (2017)
(Shinigami Records/earMUSIC – Nacional)


01. Flock of Flesh
02. Eye of Chaos
03. Mass Murder Frenzy   
04. Gravity
05. Dark Matter
06. Paragon
07. Drain   
08. Killers for the Cure
09. Passenger

Logan Mader se notabilizou na segunda metade dos anos 90 como guitarrista do Machine Head. Após sua saída da banda, chegou a tocar rapidamente com o Soulfly e teve alguns projetos menores. A partir de 2004, optou por focar apenas em seu trabalho como produtor, onde indiscutivelmente se saiu muito bem. E assim foi até o ano de 2014, quanto Monte Conner (ex-Roadrunner e atualmente na Nuclear Blast) lhe apresentou a vocalista Lauren Hart.

Empolgado com o talento da mesma, Logan resolveu voltar às atividades fora de estúdio, surgindo assim o Once Human. No ano seguinte, foi lançado o debut da banda, The Life I Remember, que se não empolgou muito, serviu para colocar o nome da banda em evidência, como sendo o retorno de Mader. Eis que agora, 2 anos depois, ressurge com uma formação renovada, graças à entrada dos guitarristas Max Karon e Skylar Howren (passaram a ser 3 guitarras) e do baterista Dillon Trollope, e um novo álbum, que acertadamente recebe o nome de Evolution.

Evolução é o que realmente ouvimos aqui, já que é nítido o amadurecimento do Once Human quando comparamos seu novo álbum com o debut. Ao invés de simplesmente fazerem um Death Melódico comum, corajosamente optaram por sair da zona de conforto e acrescentar novos elementos à sua música. Aqui, aquela sonoridade típica do “Gothemburg Sound” se une a elementos de Thrash/Groove Metal e a tendências progressivas típicas de bandas Djent, principalmente Meshuggah, uma das referências mais claras aqui presentes, ao lado do Arch Enemy.

Vale dizer que muito da influência do Arch Enemy vem dos vocais de Lauren Hart. Sua voz remete demais à de Angela Gossow quando canta de forma agressiva, ficando impossível não fazer tal associação. Ainda assim, vale dizer que ela também se sai muito bem nos poucos momentos em que canta de forma mais limpa. Decididamente, se trata de uma vocalista de talento e com um futuro muito promissor, bastando agora adquirir um pouco mais de personalidade própria. O trabalho das 3 guitarras aqui presentes é muito bom, e conseguem não só imprimir boa dose de agressividade e até mesmo brutalidade, como também ótimas melodias. A parte rítmica esbanja técnica e faz muito bem seu serviço, dando dinâmica e variedade às canções.


Por sinal, são 9 aqui que, se não apresentam nada de novo ou revolucionário, podem agradar aqueles que apreciam uma pegada mais moderna. A faixa de abertura, “Flock of Flesh”, talvez seja o principal destaque de Evolution. Riffs marcantes, muita agressividade e algumas melodias marcantes dão o tom da mesma, servindo como uma espécie de portfólio do que o ouvinte irá encontrar dali para frente. “Eye of Chaos” é outra com bons riffs e melodias, e vai te fazer balançar a cabeça involuntariamente. Em “Gravity”, tanto os riffs quanto a parte rítmica possuem forte influência de Djent/Progressivo, podendo remeter ao Meshuggah em alguns momentos, algo que ocorre também na ótima “Passenger”, que encerra o trabalho. “Paragon” merece ser citada, já que além de possuir um refrão muito bom, é um dos poucos momentos onde os vocais de Lauren mostram personalidade própria, deixando claro que sim, ela pode soar como Lauren Hart e não como Angela Gossow. Sinceramente, ela deveria explorar mais o recurso da voz limpa, pois soa muito agradável nos poucos momentos em que o faz aqui.

A produção e mixagem, como não poderia deixar de ser, ficaram a cargo de Logan Mader. Já a masterização foi realizada pelo onipresente, onipotente e onisciente Jens Bogren. Não preciso nem dizer muito a respeito, mas conseguiram unir um som claro, limpo, com agressividade e brutalidade. A capa foi obra de Seth Siro Anton (Kamelot, Paradise Lost, Nile, Moonspell, Exodus) e, como de praxe em seus trabalhos, tem um resultado final bem marcante. Consistente, diversificado e técnico, além de claro, conseguir equilibrar muito bem melodia e brutalidade, o Once Human parece encontrar cada vez mais seu rumo. Se não apresenta absolutamente nada de novo, consegue mostrar potencial latente com Evolution. Basta se aprofundar mais na sonoridade mostrada aqui e adquirir mais personalidade. Alcançando isso, logo estarão no primeiro escalão do Metal.

NOTA: 7,0

Once Human é:
- Lauren Hart (vocal);
- Logan Mader (guitarra);
- Max Karon (guitarra);
- Skylar Howren (guitarra);
- Damien Rainaud (baixo);
- Dillon Trollope (bateria).

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segunda-feira, 24 de abril de 2017

Immolation – Atonement (2017)


Immolation – Atonement (2017)
(Shinigami Records/Nuclear Blast - Nacional)


01. The Distorting Ligh
02. When the Jackals Come
03. Fostering the Divide
04. Rise the Heretics
05. Thrown to the Fire
06. Destructive Currents
07. Lower
08. Atonement
09. Above All
10. The Power of Gods
11. Epiphany

Sem dúvida, ao lado de nomes como Death, Cannibal Corpse, Morbid Angel ou Obituary, o Immolation é uma das grandes lendas do Death Metal. Surgido das cinzas do Rigor Mortis no ano de 1988 e sempre capitaneado pelos míticos Ross Dolan (vocal/baixo) e Robert Vigna (guitarra), são responsáveis por ao menos dois clássicos inegáveis do estilo, os brutais Dawn of Possession (91) (um dos melhores trabalhos de estreia da história do Metal) e Here in After (96). Só isso já seria o bastante para gravar seu nome a ferro e fogo na história do Metal Extremo, mas não custa nada lembrar que mesmo após as duas obras-primas citadas, ainda lançaram outros álbuns memoráveis, como Close to a World Below (00), Unholy Cult (02) e Majesty and Decay (10).

A verdade é que sempre tiveram uma carreira para lá de consistente, lançando álbuns não menos do que ótimos, e mesmo o anterior, o apenas bom Kingdom of Conspiracy (13), é superior a 80% do que vemos por aí sendo lançado com o rótulo de Death Metal. Aliás, não é exagero dizer que se existe uma banda que hoje em dia ainda capta a essência do estilo, essa é o Immolation. De cara, a capa de Atonement, seu 10º trabalho de estúdio, já nos chama a atenção. E não só pela sua beleza, mas pelo fato de terem retornado a utilizar seu antigo logo, que havia sido aposentado após Here in After. Isso já cria uma expectativa e te faz perguntar se retornaram às suas raízes. E já adiante que em parte, a resposta é sim.

Quem acompanha o Immolation sabe que sua carreira possui duas fases bem divididas. No início da carreira, adotavam uma abordagem mais bruta, mais extrema, mas desde os anos 2000 passaram a seguir uma linha onde todo o peso e brutalidade vinham acompanhados de muita técnica e complexidade. Pois em Atonement esses dois lados se unem de uma forma absurdamente natural e sem soar forçado em momento algum. Os guturais de Ross Dolan continuam soando infernais e inteligíveis, ao mesmo tempo em que ele faz uma dupla destruidora com o baterista Steve Shalaty. Ritmos quebrados, viradas absurdas e muita técnica dão o tom na parte rítmica. Enquanto isso, Robert Vigna e o estreante Alex Bouks (ex-Incantation) realizam um trabalho que beira o magistral, com alguns dos melhores riffs da banda nos últimos anos.


A abertura, com “The Distorting Light”, é um retrato fiel do álbum. Clima para lá de sombrio, os vocais marcantes de Dolan, aqueles riffs infernais e dissonantes típicos do Immolation e uma bateria quebrada e simplesmente explosiva. “When the Jackals Come” é outra que se destaca por sua brutalidade e por manter bem o pique da abertura. Inquietante, alterna com competência passagens mais velozes com outras mais cadenciadas. E a bateria é um show à parte. Outra que vale muito a pena destacar é “Rise the Heretics”, brutal, com riffs simplesmente devastadores e alguma influência de Black Metal. É dessas músicas moldadas para quebrar pescoços. “Destructive Currents” tem uma pegada mais old school, com seu peso e brutalidade implacáveis, enquanto “Epiphany” encerra o álbum de forma magistral, com riffs simplesmente malditos, algumas boas melodias e mais uma atuação impecável de  Steve Shalaty.

A produção ficou a cargo de Paul Orofino, que vem trabalhando com a banda desde Failures for Gods (99), com mixagem e masterização feitas por Zack Ohren (Cattle Decapitation, Fallujah, Carnifex, Deeds of Flesh, Suffocation e o próprio Immolation). O resultado final é ótimo e muito superior ao que ouvimos em Kingdom of Conspiracy. Soa orgânica, mas consegue manter uma pegada moderna. Já a belíssima capa, certamente uma das mais belas que você irá ver esse ano, foi obra de Pär Olofsson (Exodus, Malevolent Creation, Unleashed, Immolation), com arte adicional de Zbigniew Bielak (Enslaved, Paradise Lost,Behemoth, Ghost, Vader). Decididamente um primor.

Bem diversificado, esse é um trabalho que consegue unir o melhor do Immolation. Se por um lado, o peso brutal das músicas pode nos levar a traçar um paralelo entre Atonement e o clássico Here in After, por outro, sua técnica e complexidade nos remete ao que de melhor apresentaram de 2000 para cá. Tentando resumir tudo, é como se estivéssemos diante de uma versão mais atual e moderna de seus dois primeiros álbuns. Com uma atmosfera escura, inquietante e maléfica, Dolan e Vigna nos dão mais uma aula de como fazer Death Metal Tradicional, de qualidade e sem soar datado. Obrigatório na coleção dos fãs do estilo.

NOTA: 9,0

Immolation é:
- Ross Dolan (vocal/baixo);
- Robert Vigna (guitarra);
-  Alex Bouks (guitarra)
- Steve Shalaty (bateria).

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quinta-feira, 20 de abril de 2017

Edenbridge - The Great Momentum (2017)


Edenbridge - The Great Momentum (2017)
(Shinigami Records/ SPV Steamhammer - Nacional)


1. Shiantara
2. The Die Is Not Cast
3. The Moment Is Now
4. Until the End of Time
5. The Visitor
6. Return to Grace
7. Only a Whiff of Life
8. A Turnaround in Art
9. The Greatest Gift of All

De toda aquela grande leva de bandas de Metal Sinfônico com vocalistas femininas surgidas no final dos anos 90 e início dos anos 2000, poucas se mantiveram fiéis à sua sonoridade original. Com quase 20 anos de carreira, o austríaco Edenbridge é um desses raros exemplos. Capitaneado pela vocalista Sabine Edelsbacher e pelo guitarrista Lanvall, fugiram pouca coisa da fórmula que estabeleceram ainda em seu primeiro trabalho de estúdio, o ótimo Sunrise in Eden (00). O que para muitos poderia ser um grave problema, acaba sendo uma das grandes vantagens do grupo sobre a concorrência.

The Great Momentum é o 9º álbum de estúdio do Edenbridge e vem para suceder o burocrático The Bonding (13), uma das raras patinadas do grupo em quase duas décadas de estrada (a outra é Aphelion, de 2003). Fico me perguntando como uma banda que lançou trabalhos clássicos dentro do seu estilo (e que podem bater de frente com os melhores álbuns do Nightwish e Epica), como o já citado Sunrise in Eden e, principalmente, Shine (04) e The Grand Design (06), pode não ser tão reconhecida como deveria, enquanto bandas com uma carreira muito mais inconstante e menos inspirada (alguém ai gritou Within Temptation?) conseguem ter mais visibilidade. Bem, a vida nem sempre é justa.

Antes de tudo, precisamos falar sobre Sabine. Lanvall, com todo o seu talento, até pode ser a alma do Edenbridge, mas ela é sem dúvida o coração da banda. Cantando melhor do que nunca, consegue imprimir emoção às canções, além de adaptar sua voz ao que cada música pede, soando mais agressiva quando preciso, e mais emocional quando isso se faz necessário. Mais do que as partes sinfônicas ou as guitarras, ela é a peça central da música do grupo austríaco. O trabalho das guitarras aqui por sinal é ótimo, já que em momento algum abrem mão do peso, com Lanvall e Dominik Sebastian formando um bela dupla. E sobre o primeiro, mesmo quando se aventura em outros instrumentos, como baixo, teclado e piano, o resultado é igualmente ótimo. Suas orquestrações são simplesmente bombásticas e fazem a felicidade de qualquer amante do gênero. O estreante baterista Johannes Jungreithmeier mostra ao que veio e bate pesado, além de dar bastante variedade ao seu instrumento.

Vale dizer que como de praxe, trabalham muito bem as melodias aqui. Aliás, é indiscutível que esse sempre foi um dos diferenciais da banda. Em The Great Momentum, procuraram dar uma boa variedade ao material, existindo uma boa alternância entre faixas com uma pegada mais Power Metal com outras onde o lado mais emocional predomina. Se na visão de alguns isso pode quebrar um pouco o ritmo, por outro evita que tudo se torne cansativo e repetitivo. Ponto para eles. E, mais uma vez, recorreram a uma orquestra real para a gravação das partes sinfônicas. Aqui a participação foi da Junge Philharmonie Freistadt. Esse tipo de opção deixa inegavelmente o som mais vivo, mais forte e orgânico. Soa infinitamente superior a samples de estúdio.


A abertura, com “Shiantara”, já nos dá um panorama geral do trabalho. Riffs e bateria pesados, arranjos orquestrais de bom gosto e que soam bombásticos, os vocais incríveis de Sabine e aquele equilíbrio perfeito entre o lado Metal e o Sinfônico da banda. A fórmula está posta e é muitíssimo bem utilizada daqui em diante. A sequência, com “The Die Is Not Cast” é um dos pontos altos do álbum. Atmosfera pesada, ótimos riffs, orquestrações e coros bem encaixados e variados, certo clima oriental em alguns momentos e ótimos solos, tanto de teclado quanto de guitarra. “The Moment Is Now” consegue soar acessível, mas sem perder seu lado mais pesado e agressivo. As melodias aqui são ótimas e possui um riff realmente cativante. A belíssima Power Ballad “Until the End of Time” conta com um dueto entre Sabine e o vocalista Erik Martensson, que a deixa ainda mais emocional. Após esse breve descanso, o lado mas pesado e agressivo volta a das as caras com “The Visitor”, que se destaca pelo trabalho das guitarras e pelas orquestrações.

“Return to Grace” já chega de cara explicitando suas influências de música oriental e soa muito enérgica. Com riffs bem agressivos e um solo muito bom, possui um ótimo arranjo de cordas e um desempenho implacável de Johannes Jungreithmeier, que mostra bem ao que veio durante toda a canção. A adrenalina abaixa um pouco com outra balada, “Only a Whiff of Life”. Não entendam mal, ela é linda, suave, transborda emoção através da voz de Sabine, mas poderia ter sido deixada como bônus, até porque antecede o grande momento de The Great Momentum (ah vá, foi um trocadalho do carilho hahahaha), a dobradinha composta por “A Turnaround in Art”, pesada, com ótimos riffs e algumas das melhores orquestrações do álbum, e “The Greatest Gift of All”, o ápice de todo o trabalho. Simplesmente épica, consegue soar suave, emotiva e emocional, mas sem perder o peso, algo importante no trabalho do Edenbridge. Os vocais de Sabine estão incríveis e o piano está muito bem encaixado, ajudando demais nesse lado mais emotivo citado acima. E meus amigos, que orquestrações, que coros! Tudo aqui é grandioso. Sem dúvida, uma das melhores canções da carreira dos austríacos.

A produção ficou a cargo de Lanvall, que fez a mixagem ao lado de Karl Groom. Já a masterização foi realizada pelo ótimo Mika Jussila, no lendário Finnvox Studio, na Finlândia. E que produção, amigos. Clara, limpa, cristalina, mas pesada. Seu grande mérito é sem dúvida, deixar a guitarra sempre em primeiro plano, mesmo nos momentos em que as orquestrações se fazem mais presentes. E convenhamos, em um álbum de Metal, nada mais justo que a guitarra estar à frente, mantendo o lado Metal como protagonista do trabalho. A bela capa foi feita em parceira por Anthony Clarksson e o baterista Johannes Jungreithmeier, que também foi o responsável por todo layout do encarte.

Não, The Great Momentum não é o melhor trabalho do Edenbridge, até porque esse posto é disputado por Shine e The Grand Design, mas ainda sim é um álbum de altíssimo nível e que supera em muito os últimos lançamentos de outros pares renomados do estilo. Não espere inovação ou grandes mudanças estilísticas, até porque não são afeitos a isso, mas se você aprecia Power Metal Sinfônico, esse é um CD obrigatório na sua coleção.

NOTA: 8,5

Edenbridge é:
- Sabine Edelsbacher (vocal);
- Lanvall (guitarra/teclado);
- Dominik Sebastian (guitarra);
- Johannes Jungreithmeier (bateria).

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Black Star Riders - Heavy Fire (2017)


Black Star Riders - Heavy Fire (2017)
(Shinigami Records/Nuclear Blast - Nacional)


01. Heavy Fire
02. When the Night Comes In
03. Dancing with the Wrong Girl
04. Who Rides the Tiger
05. Cold War Love
06. Testify or Say Goodbye
07. Thinking About You Could Get Me Killed
08. True Blue Kid
09. Ticket to Rise
10. Letting Go of Me
11. Fade (Bonus Track)

A história já é conhecida por todos. Após mais uma turnê de reunião do Thin Lizzy (que durou “só” de 2004 a 2012), o guitarrista Scott Gorham decidiu que era hora da banda voltar a lançar um novo álbum de inéditas, algo que não ocorria desde 1984, e diria até, impensável desde o falecimento do lendário Phil Lynott. Mas como o baterista Brian Downey, único membro original da banda naquele momento (Gorham entrou em 1974), não estaria no projeto, Scott acertadamente optou por alterar o nome da mesma para Black Star Riders, e com a entrada do baixista Robbie Crane e do baterista Jimmy DeGrasso (que anunciou recentemente sua saída), soltaram o ótimo All Hell Breaks Loose (13), seguido de The Killer Instinct (15).

Ambos os trabalhos tiveram ótima repercussão, afinal, o Heavy Rock praticado pelo quinteto era empolgante e possuía muita qualidade. Ainda assim, aquele rótulo de “somos os Thin Lizzy com outro nome” parecia ter pegado a banda, até porque a sonoridade adotada era totalmente similar. Em seu terceiro trabalho de estúdio, Heavy Fire, ainda não podemos dizer que o BSR se livrou dessa sombra (até porque isso parece não incomodar), mas já podemos observar uma maior independência estilística em sua música. E olhe meus amigos, isso acaba sendo muito, mas muito bom mesmo, pois o que já era bom, parece estar ficando ainda melhor.

Claro, não dá para negar que a base da sonoridade aqui continua sendo o Thin Lizzy, mas em muitos momentos, observamos esse lado ser mesclado com novas influências, deixando claro que o quinteto está disposto a buscar novas possibilidades para suas músicas. Qualquer comparação entre Ricky Warwick e Phil Lynott é totalmente injusta, até porque o primeiro se sai muito bem mais uma vez, soando cada vez melhor a cada lançamento. Scott e Damon Johnson se mostram ainda mais afiados em Heavy Fire, com um trabalho de guitarras muito bom. Riffs pesados, ótimas harmonias e aquelas boas e velhas guitarras gêmeas fazem parte do repertório da dupla. A parte rítmica é não menos que excelente, afinal, Robbie Crane e Jimmy DeGrasso são músicos acima da média, brilhando em muitos momentos.


Pense em um trabalho verdadeiramente homogêneo. Esse é Heavy Fire, e não se assuste se a cada audição feita, você descobrir uma nova música preferida. É assim que a coisa funciona aqui. A abertura, com a faixa título, já dá amostras das novas influências encontradas no trabalho. É um Hard/Heavy com algo de Rock Sulista aqui e ali, e pitadas daquele Hard típico da Sunset Strip. “When the Night Comes In” empolga pelas boas guitarras, os ótimos vocais, com direito a backing vocals femininos no cativante refrão. Já “Dancing with the Wrong Girl” poderia estar em qualquer álbum do Thin Lizzy nos anos 70, tamanha a similaridade. Pesada, com bom groove e ótimos riffs, “Who Rides the Tiger” poderia estar em qualquer álbum de Hard nos anos 80, apesar de ser perceptível algo daquele Rock Alternativo dos anos 90 nas guitarras. Encerrando a primeira metade do álbum, temos a sentimental e agradável “Cold War Love”.

A segunda metade abre com “Testify or Say Goodbye”, que possui uma melodia absurdamente agradável, ótimo uso do Mellotron (tocado por Johnson) e linhas vocais agradabilíssimas. O álbum tem sequência com “Thinking About You Could Get Me Killed”, com ótimas linhas de baixo, bom groove, guitarras marcantes e novamente, algo de Rock Alternativo aqui e ali (nada exagerado, não precisam se assustar). “True Blue Kid” possui bom groove, com ótimo desempenho da dupla Crane/DeGrasso, além de boas guitarras. “Ticket to Rise” tem uma pegada que remete ao Thin Lizzy, ótimos vocais, refrão marcante e mais uma vez, ótimos backing vocals femininos, que fazem a música grudar na sua cabeça. E vale destacar o ótimo solo de guitarra, o melhor de todo o trabalho. A versão padrão do álbum encerra com “Letting Go of Me”, empolgante, poderosa e com um destaque maior para a bateria. É outra com leves traços de Rock Alternativo nas guitarras aqui e ali. Na edição nacional, temos uma faixa bônus, a emocional “Fade”, bonita balada que consegue manter o alto nível do trabalho.

A produção do álbum (excelente, vale dizer) ficou por conta do experiente Nick Raskulinecz, que já trabalhou com nomes diversos como Deftones, Foo Fighters, Danzig, Rush, Death Angel e Apocalyptica. Talvez esteja aí um dos motivos para a maior variedade encontrada. A mixagem foi realizada por Jay Ruston, enquanto a masterização foi feita por Paul Logus. Já a divertida capa e toda a concepção do encarte (muito bom, por sinal) foi obra da dupla Paul Tippett e Adrian Andrews, da Vitamin P. Decididamente, um dos trabalhos mais divertidos de se escutar desse ano de 2017. E só para provocar um pouco, se o Thin Lizzy ainda estivesse por aí soltando trabalhos de estúdio, certamente soaria como o Black Star Riders. Tradicional, mas moderno e sem soar forçado ou datado.

NOTA: 8,5

Black Star Riders é (gravação):
- Ricky Warwick (vocal);
- Scott Gorham (guitarra);
- Damon Johnson (guitarra);
- Robbie Crane (baixo);
- Jimmy DeGrasso (bateria).

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quarta-feira, 19 de abril de 2017

Quintessente - The Belief Of The Mind Slaves (2016) (Single)


Quintessente - The Belief Of The Mind Slaves (2016) (Single)
(Independente - Nacional)


01- The Belief Of The Mind Slaves
02- Matronæ Gaia (bonus track)

Ter uma banda de Metal no Brasil nunca foi fácil, já que as pedras que se encontram pelo caminho são muitas. Surgido no Rio de Janeiro em 1994, com o nome de Quintessence, o grupo carioca lançou duas demos, The Mask of Dead Innocence (96) e Lonely Seas of a Dreamer (00) e depois entraram em um longo hiato de lançamentos. Em 2015, optaram por fazer uma pequena alteração no nome e agora, finalmente, estão preparando seu álbum de estreia. Mas antes disso, resolveram soltar esse single, para preparar o terreno.

Chama a atenção, positivamente, a sonoridade adotada pelo Quintessente. Ao contrário de boa parte dos nomes que surgem no nosso cenário, que optam por se enveredar por estilos mais tradicionais, o quinteto formado por André Carvalho (vocal), Cristina Müller (teclado/vocal), Cristiano Dias (guitarra), Henrique Bessa (baixo) e Mark Souza (bateria), resolveu apostar em um Death Metal Progressivo, totalmente atual, ao qual adicionam outras influências diversas, de estilos como Gothic, Doom e Metal Tradicional.

Os vocais de André se destacam pela variedade, e ele se sai bem tanto cantando de forma agressiva como mais limpa. Cristina Müller é cirúrgica, tanto nos seus vocais, quanto no teclado, que possui ótimas linhas e é responsável por dar um ar sinfônico à banda. Já Cristiano Dias se sai muito bem na guitarra, despejando bons riffs e melodias, enquanto a dupla Henrique Bessa/Mark Souza, forma uma parte rítmica que esbanja técnica e peso. Indiscutivelmente, “The Belief Of The Mind Slaves” é uma grande música. Os arranjos são ótimos e em muitos momentos, me remeteram à fase atual do Amorphis. A energia que ela emana é incrível e cumpre bem a tarefa de nos deixar ansiosos pelo debut. Já “Matronæ Gaia” é uma faixa tirada da demo Lonely Seas of a Dreamer, e aqui podemos ver o quanto a banda evoluiu sua proposta de 2000 para cá. È uma música que pende mais para o Doom, mas nela já podemos perceber a base da atual sonoridade do Quintessente.



A produção fico por conta de Celo Oliveira e da própria banda, sendo que o primeiro também realizou a mixagem e masterização do mesmo, tudo no Kolera Studio. O resultado final é bom, já que os instrumentos estão bem timbrados, além de claros, audíveis e pesados. Um pouco menos de crueza pode ajudar ainda mais o som do quinteto. De resto, é esperar pelo lançamento do seu debut, programado para esse ano de 2017 e torcer para que tenha a mesma qualidade do que escutamos aqui.

NOTA: 8,0

Quintessente é:
- André Carvalho (vocal);
- Cristiano Dias (guitarra);
- Henrique Bessa (baixo);
- Cristina Müller (teclado e vocal),
- Mark Souza (bateria).

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terça-feira, 18 de abril de 2017

Indiscipline - Sanguínea (2017)


Indiscipline - Sanguínea (2017)
(Shinigami Records - Nacional)


01. Fear In Your Eyes
02. Take It Or Leave It
03. Nasty Roar
04. Burning Bridges
05. Degrees Of Shade
06. Losing My Mind
07. Born Dead
08. Higher
09. Miss Daniel
10. Poison

A presença cada vez maior das mulheres no meio do Rock/Metal é algo a ser louvado por todos. Essa ocupação de espaços e o protagonismo crescente ajuda muito no combate ao machismo nosso de cada dia (sim colega, o meio do Metal em nada se difere do que vemos em nosso cotidiano). O Power Trio feminino Indiscipline foi formado no Rio de Janeiro, em  2012, e 2 anos depois soltou uma demo, In My Guts, que fez criar uma expectativa pelo seu debut, devido a qualidade da mesma. E eis que Sanguínea finalmente chega às nossas mãos. A aposta do trio é em uma mescla de Heavy Metal com Hard Rock, mas você também pode perceber aquela energia típica do Punk e elementos de Grunge, principalmente no que diz respeito às ótimas linhas vocais de Alice D’Moura.

Ela é sem dúvida um dos principais destaques de Sanguínea, já que aposta mais na melodia do que na agressividade, obtendo ótimos resultados nesse sentido. Seu trabalho no baixo também não fica atrás, já que o mesmo soa bem forte e assume posição de protagonista quando necessário, algo muito importante em uma configuração de Power Trio, onde temos apenas uma guitarra. Por sinal, a experiente Maria Fernanda Calls (ex-Vociferatus, ex-Impacto Profano, ex-Melyra, e única integrante original) se sai excepcionalmente bem aqui, colocando muito peso na guitarra, graças aos ótimos riffs. Seus solos também são muitíssimo agradáveis de se escutar. Fazendo dupla com Alice na parte rítmica, Ale De La Vega faz um belíssimo trabalho cuidando das baquetas. Sua bateria soa simplesmente furiosa, pesada e bem diversificada.

A capacidade que o Indiscipline possui que equilibrar bem seus momentos mais agressivos com outros mais melodiosos é louvável. A forma como trabalham suas influências também merece aplausos, já que mesmo nos momentos em que as deixam mais explicitadas, ainda sim conseguem dar certa identidade à sua música. O Heavy/Hard dá as caras em faixas como a forte e enérgica “Fear In Your Eyes”, em “Take It Or Leave It” ou na mais que empolgante “Poison”, que encerra o trabalho. Lembram-se das influências Grunge que citei mais acima? Elas ficam bem evidentes na ótima trinca “Burning Bridges”, “Degrees Of Shade”, “Losing My Mind”, com aquela levada mais arrastada e climão bem Alice In Chains. Fizeram-me recordar um pouco do quarteto feminino sueco Drain S.T.H, que lançou alguns bons trabalhos no final dos anos 90, início dos 2000. Outra faixa que vale muito a pena destacar é a ótima e grooveada “Higher”, com uma pegada mais Stoner.


Agora vamos ao ponto de controvérsia de Sanguínea, a produção. A mesma ficou por conta do ótimo e experiente Felipe Eregion (Unearthly), com parceria do não menos ótimo e experiente Gus Monsanto (Adagio, Human Fortress, Revolution Renaissance). Já a mixagem e masterização foram realizadas no Sound Division Studio, na Polônia, pelo experiente Arkadiusz “Malta”Malczewski (Decapitated, Behemoth). Está tudo claro, audível, com uma ótima escolha de timbres, além de pesado e agressivo. Mas certamente alguns podem se incomodar com a opção por uma produção mais abafada. Da minha parte, combinou bem com a sonoridade adotada, mas consigo entender perfeitamente os que defendem algo mais bem trabalhado. É algo a se analisar no próximo álbum. Já a bela arte da capa foi obra de Jas Helena, com o layout do encarte feito por Eregion (muito bem feito por sinal).

Vale destacar que Sanguínea foi financiado por uma campanha de crowdfunding, mostrando que quando bem planejado e usado, essa pode ser uma ótima ferramenta para as bandas underground. De resto, o Indiscipline confirma todas as ótimas expectativas com relação à sua estreia, mostrando que todo o potencial demonstrado nos últimos anos não era apenas fogo de palha. Um dos bons álbuns nacionais de 2017.

NOTA: 8,5

Indiscipline é:
- Alice D’Moura (vocal/baixo)
- Maria Fernanda Cals (guitarra)
- Ale De La Vega (bateria)

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Altú Pagánách – Under The Ground (2017)


Altú Pagánách – Under The Ground (2017)
(Cold Art Industry/My Dark Desires/Freezing Moon/Cold Winds/Tokien Recs - Nacional)


01. The Journey    
02. Zzog Dra Kra Tûll
03. Mellon
04. Dublûk Ub Ûr    
05. Into The Cave With Golum    
06. Ash Nazg    
07 Kruk dak drakk kâ dúl     
08. Zzog Dra Kra Tûll (Demo Tape Version)    
09. The First Night    
10. The Old Forest    
11. Amon Sûl: The Top Of The Wind    
12. Ash Nazg Durbatulúk    
13. Lost In Troll`S Cave... Hell Is Repetition (Rehearsal Demo Tape Version)    
14. Preludium    
15. Kruk sûl dùr

John Ronald Reuel Tolkien, ou J.R.R Tolkien (1892-1973), é um nome conhecido em todo mundo, graças aos livros da série “O Senhor dos Anéis” e a todo universo de fantasia que gira em torno deles. Pode-se até mesmo dizer que a transposição de seus livros para as telas de cinema transformaram a ele e a toda a sua obra em ícones pop. Já o Altú Pagánách, surgiu na cidade de Lavras/MG, no ano de 2001, pelas mãos de Dungortheb e Cernunnos (que se retirou do projeto anos depois) e apesar de uma carreira profícua em matéria de lançamentos – foram 9 demos, 2 splits, 1 single, 4 compilações, 4 EP’s e 3 CD’s – passaram toda a carreira escondida nos porões do underground, sendo desconhecida de boa parte dos headbangers brasileiros (eu mesmo só fui conhecer a banda a pouco tempo).

Mesmo com tamanha diferença, saiba que a distância que separa Tolkien do Altú Pagánách é muito menor do que o prezado leitor pode imaginar. Apesar de o nome não negar a influência da cultura pagã na temática da banda, a verdade é que o universo criado pelo escritor britânico se faz fortemente presente em tudo que emana da banda, seja na parte lírica, seja na parte gráfica. Por sinal, a própria capa de Under The Ground (um nome que ilustra perfeitamente a carreira do Altú), deixa isso bem claro, já que espelha uma passagem clássica do não menos clássico “O Hobbit”. As referências a Tolkien estão por todos os lados, não só aqui, como na carreira como um todo. Aliás, vale dizer que o trabalho gráfico aqui é belíssimo, muitíssimo bem-feito.

Under The Ground é o epílogo do Altú Pagánách. Aqui, temos um apanhado de músicas que abrangem toda a sua carreira, e onde podemos ouvir um Pagan Folk Black Metal que equilibra muito bem partes atmosféricas com outras muito agressivas, que sendo assim, pode agradar em muito a fãs de nomes como Summoning, Caladan Brood, Emyn Muil, Burzum, Graveland e afins. Os vocais são bem variados, indo do rasgado ao limpo, enquanto a guitarra despeja alguns riffs verdadeiramente gélidos e cortantes. Os teclados sempre aparecem muitíssimo bem encaixados, conseguindo dar um clima soturno, enquanto as partes mais folks e atmosféricas dão um contraponto interessante a tudo isso.

Vamos deixar uma coisa bem clara aqui. Não espere uma produção cristalina e de ponta, pois estamos falando de um material totalmente underground, com gravações que ao que me parece, foram feitas em momentos diferentes da carreira do Altú Pagánách. Sendo assim, ela varia de muito crua e suja, mas audível, na primeira metade do trabalho, até algo bem tosco, onde é impossível distinguir muita coisa, como podemos observar em uma ou outra faixa presente em sua segunda metade, que foram retiradas de demos. Sendo assim, tenha em mente que até nesse ponto o obscurantismo é o mote da obra. Das 15 faixas aqui presentes, temos diversas passagens totalmente atmosféricas, ou mesmo compostas de sons da natureza, o que em alguns momentos acaba quebrando a linearidade do material. Ainda assim, quando a música surge, o “pau quebra”.

“Zzog Dra Kra Tûll” é muito agressiva e prima pela diversidade, tanto na parte vocal quanto no seu andamento, características que também podem ser observadas na muito boa “Dublûk Ub Ûr”. Já “Ash Nazg” possui uma produção muito deficiente, mas é possível notar sua brutalidade. O encerramento, com “Kruk sûl dùr”, também merece destaque, pois se trata de uma canção muito bonita, com bons arranjos e um teclado muito bem encaixado. Ao final, fiquei me perguntando até onde o Altú Pagánách poderia ter chegado, se tivesse acesso a uma boa produção e seu trabalho fosse melhor divulgado, já que capacidade para voos mais altos possuía com certeza. Se gosta de Tolkien, de Pagan Black Metal e aprecia os trabalhos mais antigos de nomes como Burzum e Graveland, Under The Ground é mais do que indicado para você.

NOTA: 8,0

Altú Pagánách é:
- Dungortheb (todos os instrumentos)

Cold Art Industry


segunda-feira, 17 de abril de 2017

Overkill - The Grinding Wheel (2017)



Overkill - The Grinding Wheel (2017)
(Shinigami Records/Nuclear Blast - Nacional)


01. Mean Green Killing Machine
02. Goddamn Trouble
03. Our Finest Hour
04. Shine On
05. The Long Road
06. Let’s All Go to Hades
07. Come Heavy
08. Red White and Blue
09. The Wheel
10. The Grinding Wheel
11. Emerald (Thin Lizzy cover)

O Overkill pode não ser badalado como as bandas do Big 4 ou mesmo Testament e Exodus, mas é inegável que seu nome está gravado a ferro e fogo na história do Thrash como um dos mais importantes da história no estilo. A sequência que se inicia com seu debut, Feel the Fire (85) e vai até seu 5º álbum, Horrorscope (91) é simplesmente irrepreensível. Ok, após isso deram uma patinada na carreira, já que nunca tiveram medo de experimentar, mas mesmo entre a segunda metade dos anos 90 e a primeira dos anos 2000, nunca lançaram trabalhos menos do que bons. Felizmente, a partir de 2010, com Ironbound, voltaram a acertar a mão com uma sequência incrível de ótimos trabalhos.

Ironbound (10), The Electric Age (12) e White Devil Armory (14) são álbuns que caíram no gosto dos fãs e primam pela altíssima qualidade. Sendo assim, a missão do quinteto formado por Bobby "Blitz" Ellsworth (vocal), Dave Linsk (guitarra), Derek "The Skull" Tailer (guitarra), D.D. Verni (baixo) e Ron Lipnicki (bateria) não era das mais fáceis, já que se fazia necessário, no mínimo, igualar tais trabalhos em matéria de qualidade. E bem, eles conseguiram, já que The Grinding Wheel é, sem dúvida alguma, um trabalho letal e muito consistente. Mas o melhor de tudo é que não se resumiram a simplesmente repetir ipsis literis a fórmula adotada nos últimos anos, pois é possível observarmos algumas experimentações aqui e ali (nada exagerado).

Nas entrevistas que antecederam o lançamento de The Grinding Wheel, Bobby "Blitz" Ellsworth já havia cantado a pedra. Esse seria um trabalho mais diversificado, com uma ênfase um pouco maior nas progressões e nas melodias, além de um feeling mais épico. Por mais que essas características não sejam uma linha geral do álbum, sim, podemos encontrá-las em diversos momentos durante os mais de 60 minutos de duração. Bobby, apesar da idade, continua tão bem quanto nos anos 80, enquanto a dupla formada por Dave e Derek faz um trabalho verdadeiramente primoroso aqui. Os dois despejam alguns riffs verdadeiramente memoráveis, com belos solos e ótimas linhas melódicas. E a parte rítmica? Como sempre, o baixo de D.D. Verni está lá, forte e proeminente, enquanto a bateria de Ron Lipnicki soa simplesmente selvagem.


Não se deixe assustar pela introdução da faixa de abertura, “Mean Green Killing Machine”, que remete diretamente à de “Time”, do Anthrax. Com uma forte veia oitentista e algumas influências de Metal Clássico aqui e ali (lá pela metade, podemos escutar um pouco de Sabbath), algo que podemos observar em outras canções, ela é simplesmente venenosa e viciante. Já “Goddamn Trouble” traz aquela veia Punk que sempre acompanhou a carreira do Overkill, transborda energia e possui um refrão pra lá de grudento. “Our Finest Hour” se mostra muito intensa, com ótimos riffs e é outra em que o refrão se destaca muito. Essa trinca inicial é feita para moer pescoços.

Mas os destaques não param por aqui. “The Long Road” tem influências de Iron Maiden em sua introdução, bons riffs e mostra um pouco do lado épico citado por Bobby, além de claro, soar muito enérgica. “Come Heavy” não esconde suas influências de Black Sabbath, com bom groove e muito peso. “Red White and Blue” é uma verdadeira pedrada, veloz, agressiva, intensa e com grande poderio de aniquilação de pescoços alheios. A faixa título, que encerra o trabalho, se mostra intrincada e simplesmente grandiosa, mostrando que sim, o Overkill pode soar épico quando deseja. Tem riffs simplesmente marcantes e uma atuação primorosa da dupla D.D. Verni/ Ron Lipnicki.

Produzido pela própria banda, o álbum recebeu mixagem e masterização de ninguém menos que Andy Sneap (Carcass, Amon Amarth, Accept, Kreator, Exodus, Saxon, Testament), com um ótimo resultado final, como não poderia deixar de ser. Já a capa e layout ficaram a cargo de Travis Smith (Death, Amorphis, Anathema, Katatonia, Iced Earth, King Diamond, Opeth e o próprio Overkill), com resultados igualmente bons. E no caso da versão nacional, ainda temos um digipack bem caprichado e uma versão para “Emerald”, do Thin Lizzy de bônus, o que faz a compra valer ainda mais a pena. Mostrando uma energia de dar inveja aos grupos mais jovens, o Overkill mostra que ainda tem muita lenha para queimar, em mais um ótimo trabalho, que certamente estará entre os melhores do estilo no final do ano.

NOTA: 8,5

Overkill é:
-  Bobby "Blitz" Ellsworth (vocal);
- Dave Linsk (guitarra);
- Derek "The Skull" Tailer (guitarra);
- D.D. Verni (baixo);
- Ron Lipnicki (bateria).

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Heavenless - Whocantbenamed (2017)


Heavenless - Whocantbenamed (2017)
(Rising Records - Nacional)


01. Enter Hades
02. Hopeless
03. The Reclaim
04. Hatred
05. Soothsayer
06. Odium
07. Uncorrupted
08. Deceiver
09. Point-blank

Elogiar a cena nordestina nos dias de hoje é chover no molhado. Algumas das melhores bandas do nosso cenário na atualidade são advindas de lá, sendo o Rio Grande do Norte um dos maiores celeiros da região. É de lá, mais precisamente de Mossoró, que vem o Heavenless, Power Trio surgido no ano de 2016 e que já tratou logo de lançar seu debut. Antes que o leitor questione se com tão pouco tempo já estariam prontos para tal empreitada, vale dizer que todos os músicos aqui envolvidos possuem experiência de sobra.

Formado por Kalyl Lamarck (vocal/baixo, Monster Coyote), Vinícius Martins (guitarra, Bones in Traction) e Vicente “Mad Butcher” Andrade (bateria, Bones in Traction), o trio se envereda pelos caminhos do Death/Thrash, mas passando longe daquela sonoridade mais datada adotada por muitos novos nomes por aí. Isso se dá pelas influências mais que evidentes de Groove Metal e Deathcore, que enriquecem sua música, dando assim um ar mais contemporâneo à mesma. Esse é indiscutivelmente o grande diferencial do Heavenless.

Sua música mostra uma coesão surpreendente para uma banda surgida há tão pouco tempo, algo que se dá certamente pela experiência dos envolvidos. Demonstram também técnica de sobra, o que pode ser observado nos ótimos arranjos e nas variações de andamento presentes em suas canções. Os vocais de Kalyl são bem agressivos e diversificados, e ao lado de Vicente, formam uma parte rítmica excelente. Enquanto isso, Vinícius faz um belo trabalho na guitarra, despejando riffs agressivos e verdadeiramente grudentos.




Das 9 pedradas aqui presentes, podemos apontar entre os maiores destaques “Enter Hades”, com boa cadência, brutalmente agressiva e com boas mudanças de tempo, a furiosa e pesada “Hopeless”, a angustiante e densa “The Reclaim”, “Odium”, que faz jus ao nome, simplesmente avassaladora e com grande destaque para o desempenho da bateria e “Deceiver”, um verdadeiro murro no pé do ouvido, veloz e mais puxada para o Death Metal. Ainda assim, todas as demais faixas possuem grande qualidade e certamente vão te fazer bater cabeça pelo quarto.

A produção, mixagem e masterização foram realizadas por Cassio Zambotto, com um resultado final muito bom. Claro, audível, mas sem perder o peso e a agressividade que a música do trio pede. Já a parte gráfica, foi feita por Hugo Silva e ficou ótima, casando perfeitamente com a proposta da banda. Bruto, pesado, agressivo e equilibrando muito bem o tradicional e o moderno, o Heavenless consegue sair do lugar-comum e apresentar uma música empolgante, feita para moer pescoços. Uma das grandes revelações nacionais nesse ano de 2017.

NOTE: 8,5

Heavenless é:
- Kalyl Lamarck (vocal/baixo);
- Vinícius Martins (guitarra);
- Vicente “Mad Butcher” Andrade (bateria).

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segunda-feira, 10 de abril de 2017

Fatal Scream - From Silence To Chaos (2016)


Fatal Scream - From Silence To Chaos (2016)
(MS Metal Records – Nacional)


01. From Silence To Chaos
02. Killer Wolf
03. Trapped
04. Before The Judgement
05. Betrayer (Shake)
06. Mental Prison
07. Utopia
08. Last Breath
09. Machine Head

“Na minha humilde opinião, Metal é um dos gêneros que não combinam com mulher, assim como o Hip Hop e o Country. A música feita por mulheres não soa neutra, menos ainda se a mulher é a parte vocal. Dependendo do gênero, foge da tradição, da base, da raiz, saca? Público do Capital Inicial é mais homogêneo; público da Marisa Monte é maioria mulher.”. Não prezados leitores, não resolvi ter um arroubo de machismo aqui. Essa fala que você lê acima, foi dita por um tal de Arne Krogdahl, nos comentários de uma postagem do A Música Continua a Mesma, onde a vocalista da banda Darkship falava justamente do preconceito e da ascensão da mulher no meio do Metal nacional. Está lá, visível para qualquer um que queira ler.

O Metal é sim um meio machista. Sei que muitos amigos não concordam comigo, mas basta uma ida em qualquer show do nosso underground, e exemplos desse citado machismo não faltarão. Eu mesmo já tive que intervir em umas 3 ou 4 situações nessa vida, onde mulheres estavam perto de serem agredidas, apenas por dizerem não a alguém. Também conheço muitos casos de conhecidas e amigas que passam por situações muito chatas quando comparecem em eventos. Por mais que muitos se recusem a aceitar tal realidade, o meio do Metal é um reflexo da realidade, da sociedade onde está inserida. Ok, a mulher vem aumentando o seu protagonismo no meio, mas infelizmente, muitos fãs só as respeitam se a mesma estiver em cima de um palco.

Pois bem, aos que acham que Metal não é coisa para mulher, deveriam escutar urgentemente o álbum de estreia do Fatal Scream, banda oriunda de Ribeirão Preto/SP e que começou a dar seus primeiros passos no ano de 2012. Capitaneado pela excelente vocalista Carol Lima e tendo sua formação completada por Diego Aricó (guitarra), Jo Roberto Cardoso (guitarra), Rodrigo Hurtiga Trujillo (baixo) e Carlos Lourenço (bateria), surpreendem com um trabalho que mostra muita maturidade, técnica e claro, peso de sobra.


Musicalmente, o quinteto trafega com muita competência entre o Thrash e o Power Metal, resultando assim em uma música agressiva, mas que possui boas melodias, dessas capazes de cativar o ouvinte. A verdade é que conseguem equilibrar muito bem esses dois aspectos de sua música. Os vocais de Carol são ótimos, variando entre o limpo e o agressivo (ela se sai muito bem em ambos os casos), enquanto as guitarras de Diego e Jo despejam bons riffs e solos, além de arranjos bem variados. A parte rítmica, com Rodrigo e Carlos também tem seus momentos de brilho, com linhas de baixo versáteis e uma bateria pesada como chumbo e com um ótimo trabalho de bumbo.

São 8 canções (a primeira é uma introdução), que vão te fazer bater cabeça até moer boa parte das suas vértebras. O álbum é bem homogêneo, mas ainda assim podemos apontar alguns destaques. “Killer Wolf” tem riffs afiadíssimos e soa absurdamente agressiva, além de demonstrarem muito boa técnica. Já “Betrayer (Shake)” tem uma pegada mais Groove, que remete ao Pantera e dá uma cara mais moderna à música, enquanto a cadenciada “Utopia” tem um belo trabalho das guitarras, tanto nos riffs quanto nos solos. “Machine Head” encerra com brilhantismo o álbum, com uma aula de agressividade.

A produção, mixagem e masterização, realizada no Under Studio (Ribeirão Preto/SP), ficaram a cargo de Romulo Ramazini Felício, com bons resultados. Deixou tudo claro e audível, mas também bem orgânico, sem aquela coisa plastificada que ouvimos em boa parte das produções mais modernas. Já a parte do design ficou a cargo de Leandro Novo e também está bem feita. Mostrando muita coesão, maturidade e equilibrando muito bem peso e melodia, o Fatal Scream é uma das melhores revelações do cenário nacional nos últimos anos. Resta esperar os trabalhos futuros e ver se esse potencial se confirma.

E que as mulheres tomem conta do Metal, pois aqui também é o lugar delas!!!!!

NOTA: 8,0

Fatal Scream é:
- Carol Lima (vocal);
- Diego Alexander Aricó (guitarra);
- José Roberto Cardoso (guitarra);
- Rodrigo Hurtiga Trujillo (baixo);
- Carlos Lourenço (bateria).

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Soul Inside - No More Silence (2015)


Soul Inside - No More Silence (2015)
(Independente - Nacional)


01. Child of War
02. Fight the Despair
03. Again the Nightmare
04. Life of Lies
05. No More Silence
06. The Killer Inside
07. Unholy Temple
08. Sands of Truth

Quando falamos de Heavy Metal no Brasil, existem algumas certezas. Uma dessas é que Minas Gerais é um verdadeiro celeiro no que se refere a bandas de qualidade, e outra é que adoramos vertentes mais pesadas e extremas. E bem, o Soul Inside vem para comprovar os dois casos citados logo acima. Primeiro, a banda é oriunda de Lavras/MG (onde surgiu no ano de 2012) e, não bastando isso, aposta em um Thrash/Death agressivo, pesado e técnico.

Depois de uma primeira audição de seu trabalho de estreia, No More Silence, chama a atenção o fato de que não optaram por simplesmente fazer mais do mesmo, como ocorre em 90% das vezes quanto a bandas novas que surgem o tempo todo por ai. É possível notar influências de estilos como Metal Tradicional e Groove Metal, que acabam por dar um diferencial legal ao Soul Inside, principalmente no que tange às melodias (algo no que poderiam investir um pouco mais), que rendem os melhores momentos do trabalho.

Os vocais de Bruno de Carvalho trafegam com muita naturalidade e competência entre o urrado e o rasgado, dando boa variação nesse sentido, além do mesmo, que também é baixista, formar uma parte rítmica muito boa, técnica, coesa e pesada, ao lado do baterista Renan Seabra. Já as guitarras de Beto Siqueira e Eduardo Petrini despejam alguns riffs bem agressivos e solos com boas melodias. Aliás, boa parte dessas vem da já citada influência de Metal Tradicional, que pipoca aqui e ali na música do quarteto. As também já faladas influências de Groove, ajudam o som a soar mais atual e certamente irão agradar aos fãs de Sepultura.


São 8 canções, todas mantendo o bom nível, mas claro, com alguns inevitáveis destaques. “Fight the Despair” possui ótimas passagens cadenciadas, riffs pesados, uma parte rítmica destacada e um solo que se destaca pelas boas melodias, enquanto “Again the Nightmare” tem um riff verdadeiramente grudento e um refrão daqueles que fica na cabeça, enquanto “Life of Lies” é certamente o maior destaque do álbum, com seu peso, agressividade e técnica. Vale destacar aqui que em momento algum abusam da complexidade, mesmo parecendo que poderiam vir a fazer isso se quisessem. Outro destaque fica com a ótima e pesada faixa título.

Gravado no Braia Studios (Varginha/MG), o trabalho teve a mixagem e masterização realizadas por Luciano Marciani, tendo bons resultados. A produção ficou dentro da média, deixando tudo claro, audível, pesado e agressivo. Uma dose um pouco menor de crueza no futuro pode beneficiar ainda mais a sonoridade apresentada pelo Soul Inside. Já a capa, foi obra da ArtSpell Artworks. Mostrando personalidade e bastante maturidade para um trabalho de estreia, o quarteto mineiro se coloca como um nome de muito potencial. Trabalhando um pouco mais alguns aspectos da produção e dando um pouco (mas pouco mesmo) mais de espaço para as melodias, logo estarão entre os principais nomes do cenário metálico brasileiro.

NOTA: 7,5

Soul Inside é:
- Bruno de Carvalho (vocal/baixo);
- Beto Siqueira (guitarra);
- Eduardo Petrini (guitarra);
- Renan Seabra (bateria).

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quinta-feira, 6 de abril de 2017

Concept of Hate - Black Stripe Poison (2015) (EP)


Concept of Hate - Black Stripe Poison (2015) (EP)
(Independente - Nacional)


01. Black Stripe Poison
02. In Human Nature
03. Chaospiracy
04. Sanity Is Not An Option

Surgido no ano de 2009, na cidade de Santo André, o Concept of Hate passou por aquele período natural de estabilizar a formação, algo que toda nova banda vivencia, até finalmente sentir-se pronta para lançar seu primeiro registro. E ele veio no ano de 2015, através do EP Black Stripe Poison, onde apresentam um Thrash/Groove típico dos anos 90, com clara influência de Pantera e afins. Soa datado? Certamente, mas nem por isso deixa de possuir suas qualidades.

O vocal rasgado de Flávio Giraldelli se encaixa muito bem na proposta da banda e em momento algum soa cansativo, enquanto Daniel Pereira despeja alguns riffs verdadeiramente nervosos. A parte rítmica, com Rafael Biebrach (baixo) e Takashi Maruyamase (bateria), se mostra bem coesa e esbanja técnica, principalmente o baterista, que brilha em diversos momentos durante a audição.  Disso tudo, surge uma música raivosa e intensa, que pode agradar em cheio aos fãs do estilo.

O EP abre com a agressiva “Black Stripe Poison”, que já deixa muito bem explicitada a influência do Pantera na música do Concept of Hate (o que, diga-se de passagem, ocorre em TODAS as músicas). Vale destacar que equilibram muito bem passagens velozes com outras mais cadenciadas, o que ajuda demais no resultado final. Em seguida temos “In Human Nature”, bem pesada, com bons riffs e um ótimo desempenho da dupla Daniel/Takashi. O trabalho tem sequência com “Chaospiracy”, bem intensa, com boa cadência e novamente, um excelente trabalho de baixo/bateria (definitivamente o grande diferencial do COH). Encerrando, temos a pedrada “Sanity Is Not An Option”, que possui algumas mudanças de tempo bem interessante. A verdade é que o quarteto andreense não apresenta absolutamente nada de novo, mas mostra competência no que se propõe.


A produção é o ponto fraco aqui e precisa ser urgentemente melhor trabalhada. Não foram lá muito felizes na escolha dos timbres e a guitarra soa bem discreta, sendo claramente soterrada em muitos momentos pela bateria. Ok, é indiscutível que Takashi Maruyamase é um ótimo baterista e que ele brilha em muitos momentos durante o EP, mas isso não justifica seu instrumento estar mais alto que a guitarra. Pode ter certeza que isso tira pontos preciosos na avaliação final.

Com um som datado, sem novidades, mas intenso e enérgico, o Concept of Hate começa de forma promissora sua caminhada. É aparar as arestas, imprimir um pouco mais de personalidade, já que o Pantera vem demais à cabeça durante a audição e, principalmente, ter mais esmero na produção, para que logo estejam entre os grandes nomes do Thrash/Groove brasileiro.

NOTA: 7,0

Concept of Hate é:
- Flávio Giraldelli (vocal);
- Daniel Pereira (guitarra);
- Rafael Biebrach (baixo);
- Takashi Maruyama (bateria).

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Accept - Restless And Live (CD/DVD) (2017)


Accept - Restless And Live (DVD/CD) (2017)
(Shinigami Records/Nuclear Blast - Nacional)


CD 1 - Live In Europe 2015
01. Stampede
02. Stalingrad
03. Hellfire
04. London Leatherboys
05. Living for Tonite
06. 200 Years
07. Demon’s Night
08. Dying Breed
09. Final Journey
10. From the Ashes We Rise
11. Losers and Winners
12. No Shelter
13. Shadow Soldiers
14. Midnight Mover

CD2 - Live In Europe 2015
01. Starlight
02. Restless and Wild
03. Son of a Bitch
04. Pandemic
05. Dark Side of My Heart
06. The Curse
07. Flash Rockin’ Man
08. Bulletproof
09. Fall of the Empire
10. Fast as a Shark
11. Metal Heart
12. Teutonic Terror
13. Balls to the Wall

DVD - Live At Bang Your Head 2015
01. Stampede
02. Stalingrad
03. London Leatherboys
04. Restless and Wild
05. Dying Breed
06. Final Journey
07. Shadow Soldiers
08. Losers and Winners
09. 200 Years
10. Midnight Mover
11. No Shelter
12. Princess of the Dawn
13. Dark Side of My Heart
14. Pandemic
15. Fast as a Shark
16. Metal Heart
17. Teutonic Terror
18. Balls to the Wall

Entres idas e vindas, já são mais de 40 anos de serviços muito bem prestados ao Heavy Metal pelos alemães do Accept. Se nos anos 80, capitaneados por Udo Dirkschneider nos vocais, foram responsáveis por trabalhos clássicos, como Restless and Wild (82), Balls to the Wall (83) e Metal Heart (85), desde seu retorno em 2009, já com o vocalista Mark Tornillo, conseguiram soltar 3 trabalhos marcantes, Blood of the Nations (10), Stalingrad (12) e Blind Rage (14). É um desses raros casos em que uma banda, mesmo após décadas de estrada, consegue manter a relevância de seus álbuns.

A fase com Udo rendeu ao menos um trabalho ao vivo primoroso, o excelente All Areas – Worldwide (97), e vivendo um período tão positivo como o atual, se fazia mais que necessário marcar essa fase com um trabalho igualmente de alto nível. E foi isso que o quinteto capitaneado pelos veteranos Wolf Hoffmann (guitarra) e Peter Batles (baixo), únicos integrantes originais do Accept, Mark Tornillo (vocal) e os “novatos” Uwe Lulis (guitarra/ ex-Grave Digger, ex-Rebellion) e Christopher Williams (bateria) resolveram fazer com o CD (duplo)/DVD Restless and Live, gravado durante a turnê de seu último trabalho de estúdio, Blind Rage.

A primeira coisa que chama a atenção, antes mesmo de colocar o material para rodar, é o repertório. Claro que por se tratar da turnê de divulgação de Blind Rage, exista uma presença maior de faixas desse álbum tanto no CD (8) quanto no DVD (5), mas a realidade é que conseguiram encontrar um equilíbrio perfeito entre todas as fases da banda. No primeiro, das 27 faixas presentes, 14 são da fase Tornillo (8 de Blind Rage, com Blood of the Nations e Stalingrad comparecendo com 3 cada) e 13 da fase Udo (4 de Restless and Wild, 3 de Balls to the Wall e Metal Heart, 2 de Breaker e até mesmo 1 de Objection Overruled (93)). No segundo, das 18 músicas, 10 são de Mark e 8 de Dirkschneider, sendo que uma delas, a clássica Princess of the Dawn, é exclusiva do DVD. Em resumo, um repertório que vai agradar a todos os fãs.


Dando início pelo CD, o mesmo reúne diversas gravações realizadas durante a perna europeia da turnê de Blind Rage. A captação é excelente, com tudo muito claro e transbordando energia, com as canções conseguindo manter o mesmo nível de qualidade de suas versões em estúdio. As viúvas de Udo que me desculpem, mas e verdade é que Tornillo se mostra um vocalista tão bom, ou até melhor que ele e seu desempenho aqui comprova isso. As guitarras despejam riffs verdadeiramente incríveis e os solos estão primorosos. Definitivamente, Wolf Hoffmann é um guitarrista incomparável. O baixo possui profundidade e soa 100% audível todo o tempo, enquanto a bateria está perfeita, alta e enérgica. Dentre as canções atuais, os destaques ficam por conta de “Stampede”, “No Shelter”, “Dying Breed” e “Teutonic Terror”. Já das mais antigas, cabe destacar “London Leatherboys”, “Fast as a Shark”, “Metal Heart”, “Balls to the Wall”, “Restless and Wild” e “Son of a Bitch”.

Já no DVD, temos a apresentação da banda no Bang Your Head de 2015. Com ótima captação de imagem, grande variedade de câmeras e ótima edição, conseguiram transpor com perfeição o clima da apresentação. Mesmo no sofá da sua sala, você vai conseguir se sentir no meio da plateia, dada a ótima qualidade do material apresentado. O público começa meio frio, mas logo a coisa começa a pegar fogo, com o mesmo agitando, cantando junto, com os punhos cerrados para o alto. Sendo assim, não se assuste se em algum momento você se pegar fazendo o mesmo em sua casa.

Vale dizer que o DVD foi dirigido e editado por Bernhard Baran, tendo seu som mixado por ninguém menos que Andy Sneap, o que explica muito da qualidade apresentada. Já a  capa e o layout foram feitos por Timo Pollinger. Mostrando todo o poder de fogo do Accept sobre um palco, Restless And Live se mostra uma aquisição indiscutivelmente obrigatória não só para todos os fãs do Accept, como também para os de Heavy Metal em geral.

NOTA: 9,0

Accept é:
- Mark Tornillo (vocal);
- Wolf Hoffmann (guitarra);
- Uwe Lulis (guitarra);
- Peter Batles (baixo);
- Christopher Williams (bateria).

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terça-feira, 4 de abril de 2017

Darkest Hate Warfront - Satanik Annihilation Kommando (2005/2017)


Darkest Hate Warfront - Satanik Annihilation Kommando (2005/2017)
(Cold Art Industry/Wolfblasphemer Distro - Nacional)


01. Infernal Baptism (Intro)
02. Order of Battle
03. Satanik Annihilation Kommando
04. Satan's Kult of Terror
05. Scourge of Wormkind
06. Final Solution
07. Duty Fulfillment
08. Possessed by Fire
09. Purification by Hatred
10. The Aftermath (Outro)
11. Unholy Devastation
12. Burning the Cross
13. War, Hate and Death
14. Legions of Fire
15. Tormentor
16. Christian Holocaust
17. Devastation
18. Hymn of Hate

Existem casos raros no meio do Metal em que uma banda consegue marcar seu nome a ferro e fogo, apesar de uma duração por vezes efêmera. Indiscutivelmente esse é o caso do Darkest Hate Warfront. Surgido no início dos anos 2000, o duo formado por Devasth (vocal e programação/Lux Ferre) e Lord Mantus (guitarra, baixo e programação/Patria, Mysteriis, Hellscourge) despejou todo seu ódio e violência em dois ótimos álbuns, antes de dar um tempo em suas atividades.

E é justamente seu trabalho de estreia, o violento Satanik Annihilation Kommando (05), que merecidamente é relançado em uma edição para lá de especial, que além do trabalho em si, conta com faixas bônus retiradas das demos Unholy Devastation (00) e Total Devastation (02), que até então só haviam saído em fitas-cassete.  Se só isso já não bastasse para tornar esse material mais que desejável, o mesmo vem embalado em um digipack caprichadíssimo e limitado a apenas 500 cópias.

Aos que porventura desconhecerem o Darkest Hate Warfront, saibam que aqui irão encontrar um Black Metal com altíssimo poder de destruição, direto, violento, explosivo e simplesmente caótico. Algo feito sobre medida para fãs de formações como Marduk, Enthroned ou Impaled Nazarene. Só por ai, já dá para ter uma vaga ideia do nível de brutalidade do trabalho, ou seja, se você tem ouvidos delicados e sensíveis, certamente terminará com os mesmos sangrando, antes mesmo de chegar na metade da audição.

Os vocais de Devasth transbordam insanidade e apresentam boa diversidade, o que ajuda demais, enquanto o trabalho de corda de Mantus é primoroso. Apesar dos riffs serem bem simples e velozes, são altamente funcionais e impressionam mesmo os mais acostumados com o estilo. E antes de qualquer coisa, o ouvinte precisa ter em mente que a proposta da banda era exatamente essa, fazer um Black Metal básico, sem inventar ou ousar. E dentro disso, são excelentes.


Os destaques aqui são vários. “Order of Battle” vem logo após a introdução, soando como um verdadeiro massacre. É uma síntese perfeita de tudo que o ouvinte encontrará dali em diante. “Satanik Annihilation Kommando” é simplesmente impiedosa, brutal e deixará os fãs de Marduk com um sorriso de orelha a orelha. Em “Satan's Kult of Terror”, mostram técnica com boas mudanças de ritmo e variação. Simplesmente esmagadora. Os riffs brutais dão o tom também nas ótimas “Scourge of Wormkind” e “Final Solution”, enquanto “Possessed by Fire” é uma carnificina em forma de música. A verdade é que todo álbum possui qualidade acima da média e mesmo as faixas bônus retiradas das demos anteriores ao mesmo conseguem manter o nível do trabalho como um todo.

A produção realizada pelos próprios Mantus e Devasth possui um nível muito bom, já que conseguiram deixar tudo bem claro e audível, sem perder a crueza, a sujeira e a violência mais que necessárias. A dupla ainda contou com as ótimas colaborações de Xaphan, do Kult Of Azazel, que fez vocais adicionais em “Duty Fulfillment” e de Garhard III (ex-Florestas Negras, ex-Panteus), que escreveu praticamente todas as letras (exceto a de “Satan's Kult of Terror”, de autoria de Devasth).

Ríspido, veloz, brutal e verdadeiramente violento, Satanik Annihilation Kommando é desses álbuns obrigatórios para quem é fã de um Black Metal sem invenções. Se você se encaixa nesse grupo, corra logo atrás desse material, pois é imperdível, além de limitadíssimo. Agora é esperar o relançamento do igualmente ótimo The Aftermath (07).

NOTA: 9,0

Darkest Hate Warfront é:
- Devasth (vocal/programação);
- Lord Mantus (guitarra/baixo/programação).

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Elephant Casino - Believe (2016) (EP)


Elephant Casino - Believe (EP) (2016)
(Independente - Nacional)


01. Believe
02. Stardust
03. Return
04. The Haze

Normalmente, quando pensamos em Minas Gerais e Metal, automaticamente pensamos em vertentes mais extremas do estilo. Mas nem só do “som do capiroto” vive a cena mineira. Surgido no ano de 2015, o Elephant Casino surpreende apostando em um Hard Rock com atmosfera mais setentista, mas sem soar datado, já que possuem elementos que ajudam o seu som a soar atual.

Um aspecto que ajuda demais nisso é a ótima técnica de todos os envolvidos, que remete a formações mais atuais do estilo, como o Winery Dogs e o nosso finado Dr. Sin. O vocalista Fabrício Araújo possui um timbre de voz agradabilíssimo e se destaca pela versatilidade e principalmente, por não cometer exageros. Rafael Fajardo despeja riffs e solos de qualidade inquestionável, enquanto a dupla Viny Silveira (baixo) e Diego Sans (bateria) esbanja coesão e técnica, imprimindo diversidade e peso.

A maturidade demonstrada pelo quarteto, apesar de seu pouco tempo de estrada, mostra que estamos diante de músicos diferenciados. Técnica (sem exageros masturbatórios), bons arranjos, boas melodias e refrões marcantes fazem parte do pacote, que vai agradar em cheio fãs de bandas como Rush, Mr.Big e Van Halen, além dos nomes já citados acima. “Believe”, faixa de abertura, empolga pelo bom groove, pelos riffs de qualidade e pelas melodias grudentas. “Stardust” é uma belíssima balada, com aquele climão anos 70 e um belo trabalho da parte rítmica. “Return” é a canção mais acessível do EP e tem algo que pode remeter o ouvinte à fase mais comercial do Rush nos anos 80. Destaque para os ótimos vocais de Fabrício. Encerrando, temos “The Haze”, música mais pesada de todo o trabalho, com um quê de Mr.Big e ótimo solo de Rafael Fajardo.


Infelizmente, o encarte não conta com qualquer informação técnica, uma falha grave, já que a produção tem muita qualidade e quem a fez merecia receber os créditos aqui. O mesmo vale para a capa e a parte gráfica, simples, bem feitas, mas sem informação dos responsáveis por sua autoria. Uma pena. De qualquer maneira, o Elephant Casino mostra muita qualidade em sua estreia e, apesar do pouco tempo de estrada, já está mais que pronto para um álbum completo. Que este venha logo.

NOTA: 8,0

Elephant Casino é:
- Fabricio Araujo (vocal);
- Rafael Fajardo (guitarra e vocal);
- Viny Silveira (baixo);
- Diego Sans (bateria);

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segunda-feira, 3 de abril de 2017

Sonata Arctica - The Days of Grays (2009)


Sonata Arctica - The Days of Grays (2009)
(Shinigami Records/Nuclear Blast - Nacional)


01. Everything Fades to Gray (Instrumental)
02. Deathaura
03. The Last Amazing Grays
04. Flag in the Ground    
05. Breathing    
06. Zeroes    
07. The Dead Skin    
08. Juliet    
09. No Dream Can Heal a Broken Heart
10. As If the World Wasn't Ending
11. The Truth Is Out There
12. Everything Fades to Gray (full version)
13. In the Dark    

Após uma incrível sequência de 4 álbuns que os colocaram no panteão das principais bandas do Power Metal, o Sonata Arctica resolveu ousar e lançou Unia (07). Nele, a banda adicionou pesadas influências de Prog Metal e deixou sua música mais complexa e cadenciada. Obviamente que a recepção por parte dos fãs mais radicais da banda não foi das melhores. Sendo assim, a lógica dizia que em The Days of Grays, procurariam dar um passo atrás e retornar à sua antiga sonoridade.

Mas não foi bem isso que ocorreu. Até existem alguns momentos aqui e ali que remetem o ouvinte ao início da carreira, e The Days of Grays soa um pouco menos complexo que Unia, mas a verdade é que o Prog ainda se faz muito presente em sua sonoridade, que nitidamente soa mais sofisticada que no passado. Em resumo, deixaram definitivamente de ser um clone do Stratovarius para ser o Sonata Arctica. Ainda assim, existem altos e baixos, algo comum em uma banda que está encontrando sua cara.

Uma coisa não cabe discussão aqui. Tony Kakko é a alma e o coração do Sonata Arctica, para o bem e para o mal. Tudo aqui gira em torno do seu talento como compositor e da sua capacidade em passar emoções, seja nas letras ou no excepcional trabalho vocal. E em boa parte do tempo, ele consegue se sair bem nessa tarefa. As guitarras não se mostram tão felizes como de costume, passando um clima mais escuro, e os teclados estão muito bem encaixados. A parte rítmica consegue imprimir variedade e peso, além de soar muito coesa durante todo álbum.

Podemos dividir The Days of Grays em 3 partes (imaginárias) muito bem definidas. A primeira (e melhor de todas) se inicia com a instrumental “Everything Fades to Gray”, que vai crescendo aos poucos, até desembocar na fabulosa “Deathaura”, com suas mudanças de tempo, vocais femininos (a cargo de Johanna Kurkela) e uma utilização quase perfeita de elementos sinfônicos que a tornam simplesmente épica. Em alguns momentos, podemos até pescar algo de Queen na mesma. Sem dúvida, uma das melhores músicas de toda a sua carreira. Vale destacar também o trabalho fabuloso de Marko Paasikiski (baixo) e Tommy Portimo (bateria). Ela é seguida pela não menos ótima “The Last Amazing Grays”, com ótimos vocais de Kakko e bom peso na guitarra. Fechando essa primeira parte, “Flag in the Ground” passa bastante emoção e se aproxima bem daquele Sonata Arctica clássico. Vai fazer a alegria dos fãs de Power Metal. Uma sequência simplesmente irrepreensível.


A partir daí, a coisa rateia um pouco. Essa segunda parte imaginária abre com “Breathing”, típica balada Power, bem emocional e com certo peso. Não compromete, mas falta algo capaz de te cativar. Em seguida, o nível volta a subir com a forte “Zeroes”, que soa bem agressiva, graças aos bons riffs e aos vocais de Tony. Também possui uma melodia bem grudenta e bom refrão. A coisa se mantém com a ótima “The Dead Skin”, faixa bem emocional, com ótimo desempenho de Kakko e um competente trabalho da guitarra de Elias Viljanen. “Juliet” segue o mesmo padrão da anterior e talvez por isso acabe não empolgando tanto assim. É outra que não compromete, mas também não cativa. Não seria exagero dizer que se The Days of Grays tivesse acabado aqui, estaríamos diante de um ótimo álbum. Mas não acaba.

A parte final é onde a banda despenca de qualidade, soando um tanto quanto burocrática. “No Dream Can Heal a Broken Heart” é a melhor aqui. Tem alguns bons riffs, peso e melodias interessantes aqui e ali, além dos vocais femininos novamente surgirem lá pelo meio da mesma, mas ainda assim não decola. Soa comum. Já “As If the World Wasn't Ending” é a segunda balada do álbum e, obstante o ótimo desempenho de Kakko, soa cansativa e burocrática. “The Truth Is Out There” teria tudo para ser uma boa canção, já que temos riffs interessantes e certo peso, mas por algum motivo a mesma não cativa. Talvez o fizesse se possuísse um refrão mais forte. Finalizando a versão padrão de The Days of Grays, temos uma nova versão de “Everything Fades to Gray”, dessa vez com vocais, mas que não agrega absolutamente nada ao resultado final. A versão nacional possui uma faixa bônus, “In The Dark”, que é bem superior às antecessoras e que poderia ter entrado com folga no tracklist oficial.

Produzido por Tony Kakko, com mixagem de Mikko Karmila e masterização de Svante Forsbäck, o resultado final é não menos que ótimo, mantendo o nível de produção dos finlandeses. The Days of Grays é certamente o melhor trabalho da fase “experimental” dos finlandeses, já que conseguiram equilibrar bem as influências Prog em sua música, sem a complexidade excessiva de Unia. Claro, se você for fã da fase “clone do Stratovarius” do Sonata Arctica, não terá tantos motivos para gostar do que encontramos aqui, mas se você tem consciência de que a evolução da banda em busca de sua identidade era inevitável, está aqui um álbum mais que necessário para a sua coleção, mesmo que possua suas falhas aqui e ali.

NOTA: 7,5

Sonata Arctica (gravação):
- Tony Kakko (vocal);
- Elias Viljanen (guitarra);
- Marko Paasikoski (baixo);
- Tommy Portimo (bateria);
- Henrik Klingenberg (teclado).

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