quinta-feira, 16 de março de 2017

Chaos Synopsis – Gods of Chaos (2017)


Chaos Synopsis – Gods of Chaos (2017)
(Dunna Records/Black Legion Productions – Nacional)


01.  Raising Hell
02.  Storm of Chaos
03.  Black God
04.  Serpent in Flames
05.  Opposer of Gods
06.  The Beast That Sieges Heaven
07.  Sixteen Scourges
08.  Badlands Terror
09.  Gods of Chaos
10.  Cocaine (Andralls cover)

Surgido no ano de 2005, o Chaos Synopsis começou sua caminhada rumo ao topo do underground nacional em 2009, com o bom Kvlt ov Dementia. Em seguida, vieram os ótimos e conceituais Art of Killing (13), onde falavam sobre alguns dos principais serial killers da história, e Seasons of Red (15), no qual através da relação entre grandes conquistadores e os povos conquistados, trataram de assuntos como violência, opressão e religião. Agora, apresentam Gods of Chaos, sem dúvida alguma seu trabalho mais coeso e maduro até então.

Mais uma vez, o quarteto nos presenteia com um trabalho conceitual, agora abordando Deuses antigos ligados à ideia de caos, escuridão, violência e destruição, temática perfeita para seu Death/Thrash agressivo e raivoso. Além disso, conseguem se mostrar ainda mais variados e técnicos do que no trabalho anterior, mostrando que não estão dispostos a se acomodar, evoluindo sempre em todos os sentidos. Não podemos também ignorar as boas melodias que surgem durante todo o tempo, mostrando que nem só de fúria se faz a sua música. Aliás, elas são um grande diferencial na sonoridade do Chaos Synopsis.

Individualmente, todos têm seus momentos de brilho. Jairo Vaz, a cada trabalho lançado, vai se mostrando um vocalista melhor, além de formar uma parte rítmica cada vez mais afiada com Friggi Mad Beats. Este, por sinal, pode e deve ser colocado entre os principais bateristas do Brasil, pois o cara destrói tudo em Gods of Chaos, esbanjando técnica e dando peso e diversidade às composições. Estreando em estúdio, a dupla de guitarristas formada por Luiz Ferrari e Diego Sanctus se mostra entrosada, despejando não só alguns dos melhores riffs que você irá escutar em um álbum de Death/Thrash esse ano, como ótimos solos. Certamente a melhor formação do Chaos Synopsis até hoje, já que conseguem mostrar grande entrosamento.Outra vez, os caras conseguem soar diferenciados do ponto de vista lírico, fugindo do óbvio. E o melhor de tudo é que você consegue traçar paralelos entre os Deuses tratados e o que você escuta naquele momento.

A primeira metade do álbum abre com a absurda “Raising Hell”, que aborda ninguém menos que Satan (ou Satanás, ou Diabo, ou Capeta, ou seja lá qual o nome que você dá ao mesmo), o grande inimigo das religiões que possuem sua matriz em Abraão. Com guitarras simplesmente infernais e um refrão forte, está entre os grandes destaques do álbum. Em seguida temos “Storm of Chaos”, que trata de Guabancex, deidade feminina da mitologia Taino (povo que habitava a ilha de Hispaniola, onde hoje fica a República Dominicana e o Haiti), Senhora dos ventos e responsável por grandes tempestades. As guitarras despejam não só riffs devastadores, como também melodias marcantes, destruindo tudo que encontram pelo caminho. “Black God” vai até a mitologia eslava, para tratar de Czacnobóg (ou Chernobog), conhecido como o Deus Negro, relacionado com a escuridão, a morte e o caos. E é exatamente essa a sensação que você tem durante a audição da mesma, com destaque para o ótimo refrão. Ela ainda conta com as participações especiais de Uappa Terror (Terrordome) e Wojciech Michalak nos vocais. A cadenciada e técnica “Serpent in Flames” trata de Leviathan, o mítico monstro do mar presente no Antigo Testamento, que já despertou múltiplas interpretações na história. Pesada e bruta, possui ótimas mudanças de andamento e citações bíblicas na letra, retiradas do livro de Jó e usadas para descrever o monstro. Encerrando a primeira metade do trabalho, temos “Opposer of Gods”, onde abordam Seth, o Deus do caos, do deserto, da violência e da guerra no Egito antigo. As guitarras conseguem trazer aquele clima oriental à música, que soa simplesmente destruidora. É a encarnação do espírito do mal em forma de música.


A segunda metade mantém a qualidade lá no alto, abrindo com a enérgica “The Beast That Sieges Heaven”, que trata do monstruoso Titã Typhoon (ou Tifão), responsável dentre outras coisas, pelos ventos ferozes e terremotos, além de ser pai de alguns monstros mitológicos (Esfinge, Leão de Nemeia, Cérbero, Quimera, dentre outros) e de ter feito quase todos os Deuses fugirem de medo do Monte Olimpo enquanto ele escalava o mesmo. Alternando momentos mais velozes e outros mais cadenciados, consegue ser tão brutal e raivosa quanto Typhoon (seria ele tocando bateria aqui?). “Sixteen Scourges” retorna ao Oriente, agora falando de Ahriman, o arquétipo do mal, o equivalente a Satanás dentro do Zoroastrismo (primeira religião monoteísta a ser adotada por um Império, bem antes do Cristianismo). Bem diversificada, é dessas canções que são capazes de espalhar um rastro de morte e destruição por onde passar. Friggi parece estar possuído e as guitarras despejam riffs brutais, enquanto os vocais de Jairo criam um clima maligno. A faixa seguinte, “Badlands Terror”, nos leva para a América do Norte, abordando Unhcegila, uma criatura em forma de serpente responsável por desaparecimentos e mortes na mitologia Lakota/Sioux. Assim como a criatura, a música consegue impor uma aura de caos e medo, graças ao ótimo trabalho das guitarras, com suas melodias sinistras. A faixa-título é simplesmente brutal e opressiva, com todo seu peso e cadência. Aqui todas as deidades abordadas tem seu espaço e as guitarras impõem um ar sinistro. Encerrando, temos um cover altamente enérgico para “Cocaine”, do Andralls, que ficou realmente muito bom.

Gravado no Coruja Estúdio, Gods of Chaos foi produzido e mixado por Friggi, enquanto sua masterização foi feita por Neto Grous, no Absolute Master. O resultado final foi ótimo, com tudo bem claro, mas sem perder o peso e a agressividade. Também foram muito felizes na escolha dos timbres. Já a capa é obra de Rafael Tavares, que conseguiu transpor para a imagem todo o conceito por trás da música do quarteto. Mostrando estar em seu melhor momento, o Chaos Synopsis lança seu trabalho mais maduro, sem que para isso precise abrir mão da fúria que lhe é característica. Como eles mesmos dizem no release, verdadeiros arautos do caos. Um álbum que vai te fazer bater cabeça furiosamente até moer cada vértebra existente no seu pescoço. Esse leva o nosso selo Dorflex de qualidade, porque não duvide, o relaxante muscular vai se fazer necessário.

NOTA: 9,0

Chaos Synopsis é:
- Jairo Vaz (vocal/baixo);
- Luiz Ferrari (guitarra);
- Diego Sanctus (guitarra);
- Friggi Mad Beats (bateria).

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