domingo, 23 de julho de 2017

Fast Review – Resenhas rápidas para consumo imediato!

(Katoptron IX Records – Importado)
 

Grécia e Black Metal caminham lado a lado quando o assunto é qualidade, e no trabalho de estreia do trio Prometheus isso não é diferente. Black Metal bruto, que flerta com o Death Metal, além de boas passagens sinfônicas e atmosféricas. Ok, não apresentam nada de novo e você certamente já escutou uma centena de bandas de Black fazendo essa mesmíssima coisa, mas isso não desmerece em nada o trabalho do Prometheus, que tem qualidade e soa muito verdadeiro. Promissor. (7,5)

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Virtual Symmetry – X-Gate (2017) (EP)
(Independente – Importado)
 

Surgido no ano de 2009 em Milão (Itália), como uma One Man Band comandada pelo multi-instrumentista Valerio Æsir Villa, o Virtual Symmetry estabeleceu uma formação fixa no ano de 2012 (com Valerio assumindo apenas a guitarra). Após a estreia ano passado, soltam agora um EP onde dão uma verdadeira aula de Prog Metal, apresentando uma música com ótimas melodias, clima épico e muita, mas muita técnica (e sem soar enjoativo, vale dizer). Se você é fã do estilo, precisa obrigatoriamente conhecer esses italianos. (8,5)

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Vigilance – Hammer of Satan’s Vengeance (2017)
(Dying Victims Productions – Importado)
 

Sabe aquele Heavy/Black, com toques Speed, totalmente oitentista? Pois bem, ele tem seu representante na Eslovênia, que atende pelo nome de Vigilance. Soando em muitos momentos como uma mescla de Iron Maiden com Venom, deixam essas influências bem latentes durante os 37 minutos de duração desse que já é seu 3º trabalho de estúdio, com tudo procurando soar como se tivesse sido gravado em pleno anos 80. É datado e até mesmo um pouco previsível, mas vai agradar em cheio aqueles saudosistas do Metal, já que soa verdadeiro e honesto. Se curte nomes como os já citados acima, e outros como Warfare, Nifelheim, Possessed, KAT, e os primeiros trabalhos de bandas como Sodom, Slayer e Running Wild, pode ir sem medo. (7,0)

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Trial – Motherless (2017)
(Metal Blade Records – Importado)
 

A Suécia sempre foi um celeiro de boas bandas e é de lá que vêm o Trial, quinteto surgido no ano de 2007 e que chega aqui a seu 3º álbum de estúdio. Tendo a espinhosa missão de suceder o ótimo Vessel (15), temos aqui um Heavy Metal Tradicional (a influência de Iron Maiden nas guitarras é inegável), pesado e que flerta bastante com o Prog Metal. Seu som não soa datado, esbanja energia e boas melodias, mas, por algum motivo, não empolga tanto quanto seus dois trabalhos anteriores. Ainda assim, um bom álbum. (7,5)

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Salems Lott - Mask Of Morality (2017) (EP)
(Independente – Importado)
 

O visual é dos mais exagerados, misturando aspectos do Glam e do Visual Kei, mas não se deixe enganar por isso. O Salems Lott chega em seu 2º EP praticando uma mescla de Heavy, Power e Speed Metal, com toques de Hard/Glam, que eles intitulam de Shock Metal. Sua música transborda peso e energia e se mostra muito mais madura e bem definida que na sua estreia, em 2015. Essa é a primeira parte de uma história que terminará de ser contada em um segundo EP, a ser lançado ainda neste ano, mas a verdade é que estão mais do que prontos para soltarem um trabalho completo de estúdio. (8,0)

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Oriundo da China e radicado atualmente em Nova York, o Tengger Cavalry é um nome para lá de instigante. Seu vocalista, Nature Ganganbaigal, possui ascendência nômade e isso é refletido no seu Folk Metal, que recebe doses generosas da tradição musical mongol, com a utilização de instrumentos folclóricos nômades, como o Morin Kuur e o Tov Shuur. Além disso, seus vocais seguem uma linha chamada de Throat Singing (canto de garganta), que certamente causa estranhamento e desperta relações de “ame ou odeie” com relação ao trabalho da banda. Mas são justamente essa forma de cantar e os instrumentos folclóricos que acabam por criar uma atmosfera única e diferenciada. (8,0)

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sexta-feira, 21 de julho de 2017

Heaven Shall Burn – Wanderer (2016)


Heaven Shall Burn – Wanderer (2016)
(Shinigami Records/Century Media Records - Nacional)


01. The Loss Of Fury
02. Bring The War Home
03. Passage Of The Crane
04. They Shall Not Pass
05. Downshifter
06. Prey To God
07. My Heart Is My Compass
08. Save Me
09. Corium
10. Extermination Order
11. A River Of Crimson
12. The Cry Of Mankind (My Dying Bride Cover)

Existem bandas que sempre procuram inovar, às vezes com bons resultados, outras vezes, nem tanto assim. No espectro oposto, existem aquelas bandas que encontraram uma “fórmula mágica” e que, por isso, procuram se manter dentro de sua zona de conforto. Assim como no caso anterior, isso pode ser positivo ou negativo, dependendo muito do nível de inspiração dos músicos envolvidos. É nesse segundo caso que se encaixam os alemães do Heaven Shall Burn, que ano passado lançaram Wanderer, seu 8º trabalho de estúdio e que agora chega as mãos dos fãs brasileiros em sua versão nacional, graças à iniciativa da Shinigami Records.

No caso do grupo alemão, encontraram sua fórmula em Antigone (04) e de lá para cá, pouco arriscaram, variando alguma coisa aqui e ali, mas mantendo sempre uma mesma linha sonora, mesclando Death Metal Melódico com Metalcore, criando assim uma espécie de Deathcore Melódico, capaz de agradar desde os fãs de nomes como Kataklysm ou In Flames (antigo) até os que apreciam bandas como Caliban e As I Lay Dying. Felizmente, no caso do HSB, a inspiração sempre esteve em dia e nunca decepcionaram seus fãs, lançando bons trabalhos na última década.

Mas em Wanderer, primeiro trabalho sem o baterista fundador, Matthias Voigt, podemos observar alguns pequenos avanços na sonoridade do Heaven Shall Burn. A base de sua sonoridade continua ali, firme e forte, mas podemos observar uma certa influência de Thrash Metal nos riffs, dando assim mais peso às canções aqui presentes. Sim, estamos diante do trabalho mais pesado do HSB em muito tempo, o que acaba por ser uma lufada de ar fresco para a banda. Os vocais de Marcus Bischoff continuam ótimos, brutos, agressivos e variados, sendo uma das marcas do quinteto, mas precisamos muito falar aqui da dupla de guitarristas Alexander Dietz e Maik Weichert. Decididamente, são a alma de Wanderer, já que seus riffs conseguem equilibrar com perfeição agressividade e melodia, além de soarem muito pesados. Os solos também se destacam pela qualidade. Eric Bischoff faz um bom trabalho no baixo e cabe dizer que seu instrumento está bem mais audível aqui do que no trabalho anterior, Veto (13). Já o estreante Christian Bass consegue manter o alto nível de seu antecessor, já que a bateria continua soando bombástica.


São 12 canções, incluindo a já tradicional faixa cover que consta em todos os lançamentos. Depois de coverizar bandas como Bolt Thrower, Paradise Lost, Edge of Sanity e Blind Guardian, dentre outras, a escolha aqui recaiu sobre o My Dying Bride. O nível das mesmas é bem homogêneo, mas é possível apontar alguns destaques inatos aqui. “Bring The War Home” é esmagadora e tem uma influência bem nítida da cena de Gotemburgo, sendo impossível não se lembrar dos bons momentos do In Flames nos anos 90. Isso também ocorre em “Passage Of The Crane”, bem refinada mas sem abrir mão da brutalidade, em “Extermination Order” e na direta “Corium” (com participação do guitarrista Nick Hipa, ex-As I Lay Dying). “Prey To God” é a faixa mais Death Metal já composta pela banda e conta com a participação mais que especial de ninguém menos que George "Corpsegrinder" Fisher (Cannibal Corpse). Já “A River Of Crimson” é bem intensa e possui ótimas melodias. E não dá para não citar a primorosa versão de “The Cry Of Mankind”, do My Dying Bride, simplesmente magistral e de muito bom gosto, contando com a participação de Aðalbjörn Tryggvason, vocalista do Sólstafir.

Produzido pelo guitarrista Alexander Dietz, com mixagem e masterização de Tue Madsen (Behemoth, At The Gates, Dark Tranquillity, Moonspell, Kataklysm, Vader), o resultado final é ótimo. Claro, cristalino, pesado e agressivo. Já todo o layout e design foram obra de Carsten Drescher (After Forever, Arch Enemy, Epica, Borknagar, Paradise Lost, Lacuna Coil), e acompanharam a qualidade da produção. Se você é fã do Heaven Shall Burn, sabe bem que pode adquirir esse trabalho sem medo, mas se você se encontra no time dos mais receosos, devido ao pé da banda no Metalcore, mas é fã de Death Metal Melódico, eis aqui um título que vale muito a pena conhecer.

NOTA: 8,0

Heaven Shall Burn é:
- Marcus Bischoff (vocal);
- Maik Weichert (guitarra);
- Alexander Dietz (guitarra);
- Eric Bischoff (baixo);
- Christian Bass (bateria).

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quinta-feira, 20 de julho de 2017

The Unity - The Unity (2017)


The Unity - The Unity (2017)
(Shinigami Records/SPV/Steamhammer - Nacional)


01. Rise And Fall
02. No More Lies
03. God Of Temptation
04. Firesign
05. Always Just You
06. Close To Crazy
07. The Wishing Well
08. Edens Fall
09. Redeemer
10. Super Distortion
11. Killer Instinct
12. Never Forget

O Love.Might.Kill foi uma banda de Melodic Heavy Metal alemã que durou de 2010 a 2015, tendo lançado 2 álbuns de estúdio, Brace for Impact (11) e 2 Big 2 Fail (12). Entre seus membros, contava com o baterista Michael Ehré, que, no mesmo ano do lançamento do segundo trabalho, assumiu as baquetas do Gamma Ray. Guarde bem essa informação, pois ela será de grande valia mais à frente. Pois bem, foi no gigante do Power Metal alemão que Ehré travou grande amizade com o guitarrista Henjo Richter, com quem resolveu formar o The Unity no ano de 2016, até porque, convenhamos, com Kai Hansen excursionando mundo afora com o Helloween, a agenda do Gamma Ray não será tão movimentada por algum tempo.

Mas bem, como uma banda não se faz apenas de um guitarrista e um baterista, fazia-se necessário encontrar outros músicos para dar sequência ao The Unity. Foi então que Ehré resolveu chamar seus ex-companheiros de Love.Might.Kill, exceto o guitarrista Christian Stöver (por motivos óbvios, mas que ainda assim ajudou na composição de duas músicas e com guitarras adicionais na gravação) para completar o time. E assim, com a chegada de Jan Manenti (vocal), Stefan Ellerhorst (guitarra), Jogi Sweers (baixo) e Sascha Onnen (teclado), partiram para a composição do seu autointitulado debut.

Quando você pensa em uma banda que conta com 2 membros do Gamma Ray, a primeira coisa que vem à sua cabeça é um típico álbum de Power Metal Melódico, com todos os elementos que sempre marcaram a escola alemã do estilo. É uma questão de lógica. Só que atentem bem para um detalhe muito importante: sim, são 2 membros do Gamma Ray, mas também estamos falando de 5 ex-membros do Love.Might.Kill (com um 6º como colaborador) e, sendo assim, aquela lógica inicial acaba subvertida, pois é justamente a sonoridade da ex-banda de Ehré que predomina por aqui. Claro, existem alguns momentos mais Power aqui e ali, mas os mais familiarizados com a proposta do L.M.K sabem exatamente o que encontrarão aqui: um Heavy Metal carregado de melodias e com um pé no Melodic Hard Rock/AOR.


Isso é ruim? De forma alguma, pois é justamente por fugir da obviedade inicial que o debut do The Unity acaba sendo tão legal. Os vocais de Jan Manenti se destacam não só pelo belo timbre e pela variedade, como também por conseguir transpor para as canções a emoção que as mesmas pedem. A dupla formada por Henjo e Stefan Ellerhorst realiza um belíssimo trabalho nas guitarras, com bons riffs e ótimos solos, sempre carregados de muita melodia e sim, de certo acento pop aqui e ali. A parte rítmica, com Jogi Sweers e Ehré faz bem seu trabalho, entrosada e muito coesa, enquanto o tecladista Sascha Onnen encaixa muito bem seu instrumento nas canções, chegando até mesmo a comandar algumas delas.

São 12 canções que primam principalmente pelas boas melodias. Existem alguns altos e baixos aqui e ali, mas nada que realmente comprometa o resultado como um todo. Entre os destaques, poderia citar a sequência de abertura, com “Rise And Fall”, com uma tendência ao Power, boas melodias, bastante energia e refrão grudento, “No More Lies”, que mescla Dio da fase Dream Evil com Hard/AOR, sendo outra cujo refrão vai ficar na sua cabeça por dias, a ótima “God Of Temptation”, épica, pesada e que vai te remeter aos melhores momentos do Black Sabbath na fase Tony Martin (poderia estar sem força alguma no Headless Cross) e a mais que bombástica “Firesign”, faixa forte e cativante. É obrigatório também citar a excelente “Killer Instinct”, canção bem equilibrada, com uma pegada um pouco mais cadenciada e um riff daqueles marcantes.

A produção foi realizada pela própria banda, com mixagem e masterização realizadas por Miquel A. Riutort, no Psychosomatic Recording Studio. O resultado final foi muito bom, com tudo claro, limpo e audível, mas sem perder o peso. Já a capa é trabalho de Alexander Mertsch (Deep Purple, Savatage, Stratovarius, Gamma Ray), tendo ficado bem legal. Então se curte um híbrido entre Metal melódico, Hard e AOR, com melodias e refrões grudentos, o álbum de estreia do The Unity é mais do que indicado para você! Acima de tudo, um trabalho que rende bons minutos de diversão!

NOTA: 8,0

The Unity é:
- Jan Manenti (vocal);
- Henjo Richter;
- Stefan Ellerhorst (guitarra);
- Jogi Sweers (baixo);
- Michael Ehré (bateria);
- Sascha Onnen (teclado).

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quarta-feira, 19 de julho de 2017

Patria - Magna Adversia (2017)


Patria - Magna Adversia (2017)
(Heavy Metal Rock - Nacional)


01. Infidels
02. Axis
03. Heartless
04. A Two-Way Path
05. Communion
06. Now I Bleed
07. Arsonist
08. The Oath
09. Porcelain Idols
10. Magna Adversia

Não nego, quando soube que o Patria estava para lançar um novo álbum, fiquei ansioso pelo mesmo. Vindo de uma ótima sequência, com Liturgia Haeresis (11), Nihil Est Monastica (13) e Individualism (14), ficava cada vez mais nítido que o grupo, formado por Mantus (Mysteriis, Darkest Hate Warfront), responsável pela guitarra, baixo e bateria, e o vocalista Triumphsword (Land of Fog, Thorns of Evil, Cold Mist) seguia a passos largos rumo ao seu auge criativo. Bem, não podemos dizer que já o tenham alcançado, mas se isso não ocorreu, imagino que estejam muito perto depois de Magna Adversia, seu 6º trabalho de estúdio.

A palavra evolução sempre assusta quando utilizada dentro do contexto do Metal, e mais ainda quando falamos de Black Metal, mas não soa exagerada se a inserirmos dentro dessa resenha. Mas calma, o Patria não aderiu às correntes mais modernas do estilo, pois sua música continua umbilicalmente ligada à segunda geração do Black Metal. Contudo, ao terminar a audição de Magna Adversia, é inevitável a sensação de que a banda evoluiu em muito dentro de sua proposta, mostrando que é possível sim, soar atual mesmo sendo tradicional.

Um dos aspectos que mais me chamou a atenção foi a forma como conseguiram equilibrar precisão, brutalidade e melodia, já que esta se faz presente em meio à rispidez e à agressividade das músicas. Muito disso se dá devido ao belo trabalho das guitarras e aos teclados que, encaixados de forma discreta, conseguem dar um discreto ar sinfônico às canções. Mas friso desde já que, quando falo de melodia e elementos sinfônicos, o paralelo a ser traçado aqui é com nomes como Dissection, Emperor, Limbonic Art ou Enslaved, e não com um Dimmu Borgir, um Cradle of Filth ou um Carach Angren. Como já falei acima, são atuais, sendo tradicionais.

Tudo aqui está um nível acima. Os vocais de Triumphsword soam melhores que nunca, mais variados que nos trabalhos anteriores. As canções também estão mais bem-arranjadas, mais trabalhadas, sendo perceptível o maior esmero nas composições. O nível das mesmas aqui é elevado. As orquestrações, quando surgem, têm a função de criar um clima soturno, épico, mas sem qualquer tipo de excesso, o que é muito positivo. Já o trabalho das guitarras é simplesmente fenomenal, despejando alguns riffs frios e marcantes, daqueles que ficam grudados na cabeça por horas. A bateria é um caso à parte e está fenomenal, tendo ficado por conta de Asgeir Mickelson, que já tocou com nomes do porte do Borknagar, Ihsahn, Sarke, Vintersorg (em estúdio) e atualmente comanda o projeto God of Atheists, ao lado de nomes como ICS Vortex, Vibeke Stene e Ihsahn, dentre outros.


A abertura, com “Infidels”, já deixa claro que o Patria não está para brincadeiras. Partes velozes se alternam com outras mais cadenciadas, muita energia, riffs cortantes e sintetizadores dando um clima sinfônico, mostram o passo à frente dado pela banda. A sequência, com a ótima “Axis” mantém o nível lá no alto, com um clima mais sombrio, boas melodias e riffs marcantes, fórmula bem parecida com a que encontramos em “Heartless”. “A Two-Way Path” soa bem intensa, com riffs fortes e bateria bombástica, enquanto “Communion” começa com uma bela introdução acústica, antes de explodir em peso e boas melodias. “Now I Bleed” conta com uma belíssima introdução orquestrada, composta por Fabiano Penna, do Rebaelliun, e é uma das melhores músicas de todo o álbum, com sua intensidade e violência. Já “Arsonist” é aquele Black Metal tipicamente escandinavo, que vai te transportar de volta aos anos 90, algo que se repete mais à frente, na ótima “Porcelain Idols”, uma das mais brutas e enérgicas aqui presentes. “The Oath” tem início com uma curta introdução sinfônica e possui alguns dos riffs mais frios e cortantes de todo o trabalho. Simplesmente épica. A faixa-título encerra o trabalho de forma surpreendente, com sua mescla de partes acústicas, sinfônicas e climáticas.

A produção foi realizada pela própria banda, com co-produção, mixagem e masterização realizadas no Crosound Studio (Garnes/Noruega), por ninguém menos que Øystein G. Brun, do Borknagar. O resultado final ficou incrível e muito equilibrado, já que apesar de ter deixado tudo limpo e claro, com uma cara atual, não abriu mão da agressividade, do peso e da rispidez. Uma das melhores produções de Black Metal que escutei neste ano. Já a belíssima parte gráfica ficou por conta do próprio Mantus (ou, se preferir, Marcelo Vasco), repetindo os tons utilizados em Liturgia Haeresis, e ficou ainda mais incrível no digipack caprichado feito pela Heavy Metal Rock.

Magna Adversia é, sem dúvida alguma, um divisor de águas na carreira do Patria. Mostrando que é possível, sim, evoluir sem perder suas características próprias, e moldando uma personalidade sem precisar abrir mãos de suas referências e influências, conseguiram lançar um dos principais álbuns de Black Metal deste ano de 2017. Obrigatório!

NOTA: 9,0

Patria é:
- Triumphsword (vocal);
- Mantus (guitarra, baixo, bateria).

Participações Especiais:
- Fabiano Penna (orquestrações nas faixas 06 e 10);
- Ristow (guitarra na faixa 10);
- Øystein G. Brun (bateria e programação na faixa 10).

Patria ao vivo é:
- Triumphsword (vocal);
- Mantus (guitarra);
- Ristow (guitarra);
- Vulkan (baixo);
- Abyssius (bateria).

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Heavy Metal Rock


terça-feira, 18 de julho de 2017

Cold Mist - From the Dark Hills of the Past (2017)


Cold Mist - From the Dark Hills of the Past (2017)
(Cold Art Industry/Wolfblasphemer, My Dark Desires Records, Extreme Sound, Tolkiean Records, Haeretikus Productions - Nacional)


01. From the Dark Hills of the Past (intro)
02. Night and Mysteries
03. A Funeral Frost
04. Triumph of Cruelty
05. Manuscripts From Beyond
06. Deadly Mist
07. Emotions of a Full Terror
08. Old Domains
09. Fullmoon Tragedies

Em sua gênese, o Black Metal era hostil, fosse pelas letras atacando o cristianismo, fosse por sua crueza e agressividade, advindas das guitarras distorcidas, dos blast beats e dos vocais doentios. Quanto mais inacessível, quanto mais bruto e ofensivo, melhor. Mas a partir da 3ª geração do estilo, em meados dos anos 90, as coisas começaram a mudar, e tudo foi se tornando mais palatável ao gosto do “grande público”. O Black se dividiu em diversos sub-estilos, se diversificou e sim, deixou de chocar. Bandas como Dimmu Borgir, Emperor e Cradle Of Filth passaram a figurar no 1º escalão do Heavy Metal, ajudando ainda mais na aceitação e popularização do estilo.

Não me levem a mal, aprecio de verdade o atual cenário do Black Metal, com todas as suas ramificações e bandas tão diversas como Fen, Deafheaven, Altar of Plagues, Carach Angren, Saor ou Negura Bunget, mas em certos momentos, é inevitável aquele saudosismo. Nessas horas, é bom ter uma banda como a gaúcha Cold Mist por perto, com seu Black Metal calcado naquela geração nórdica, que até agrega elementos sinfônicos através dos teclados muito bem encaixados, mas que não abre mão da crueza e brutalidade tão necessárias em uma música que sim, surgiu para agredir a sociedade.

Formado por 2 dos principais nomes do cenário Black brasileiro, o vocalista e baterista Triumphsword (Patria, Land Of Fog, Thorns of Evil) e o guitarrista e baixista Bloodhate (Thorns of Evil, Hatred Sculpted Souls), e ainda contando com a luxuosa participação de Mantus (Patria, Darkest Hate Warfront, Mysteriis), que faz as guitarras adicionais do álbum, o Cold Mist estreia muito bem, nos presenteando com aquele Black Metal ríspido, cru, simples e direto, que vai remeter o ouvinte diretamente a nomes clássicos do estilo, como Emperor, Satyricon, Limbonic Art, Immortal, Taake e Darkthrone.

Os vocais de Triumphsword transitam muito bem entre o rasgado e o gutural, enquanto sua bateria soa simplesmente monstruosa. Bloodhate não fica nada atrás, se destacando pelos riffs afiadíssimos e cortantes, que soam frios, obscuros e sombrios como devem ser os riffs em um álbum de Black Metal que opta por seguir tal linha. Vale destacar que os teclados, tocados aqui por Bartzabel, conseguem dar não só um certo ar sinfônico, como também passar um clima bem soturno, estando sempre muito bem encaixado nas canções. Claro que boas melodias surgem aqui e ali, mas nada que faça a música do Cold Mist perder a sua rispidez. 


São 9 canções, sendo que 3 são instrumentais. “From the Dark Hills of the Past” serve de introdução para o álbum, “Manuscripts From Beyond” surge como um interlúdio bem-vindo em meio ao massacre e “Fullmoon Tragedies”, que conclui o trabalho. As 6 faixas restantes são verdadeiros hinos de pura hostilidade. “Night and Mysteries” é ríspida e crua, soando brilhante dentro de sua simplicidade, enquanto “A Funeral Frost” soa sombria e gélida, com um belo trabalho dos teclados. A bruta “Triumph of Cruelty” se destaca pelo alto nível de agressividade e pela mescla de velocidade com momentos mais cadenciados e sombrios, característica também presente na ríspida “Deadly Mist”. “Emotions of a Full Terror” é a mais “melodiosa” das faixas aqui presentes, com ótimos teclados e um clima que vai imergir o ouvinte em trevas. Já “Old Domains” esbanja agressividade e bons riffs.

Produzido pela própria banda, From the Dark Hills of the Past foi gravado, mixado e masterizado no Mantra Studio (Carlos Barbosa/RS), por Leandro Debenetti, no ano de 2010, e segue aquela linha mais Lo-fi, soando crua e se encaixando perfeitamente dentro da proposta sonora que aqui escutamos. Mas há de se frisar que está tudo 100% audível. Já o layout foi todo feito por Mantus (ou Marcelo Vasco, se você preferir) e ficou excelente, com o logo sendo criação de Maicon Ristow (que toca guitarra ao vivo com o Patria). Se você sente falta daquele Black Metal veloz, ríspido, simples e agressivo, eis aqui um trabalho mais do que imperdível para você. Corra atrás, porque vai valer muito a pena ter essa obra em sua coleção.

NOTA: 8,0

Cold Mist é:
-  Triumphsword (vocal/bateria);
-  Bloodhate (guitarra/baixo);
-  Bartzabel (teclado).

Participação especial:
- Mantus (guitarra).

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domingo, 16 de julho de 2017

Fast Review – Resenhas rápidas para consumo imediato!

Fen – Winter (2017)
(Code666 Records – Importado)
 

Mesclando Atmospheric Black Metal, Progressivo, Doom e Post Rock, o britânico Fen é, sem dúvidas, uma das bandas mais interessantes dessa nova geração do Black Metal. Vindo de 2 ótimos álbuns, Dustwalker (13) e Carrion Skies (14), conseguiram aqui o que parecia improvável, ou seja, fazer um trabalho ainda melhor. São 75 minutos, divididos em 6 atos, de uma música complexa, sutil, sombria, fria e escura, pois a forma como mesclam todas as suas influências é simplesmente primorosa. E não se assuste, pois apesar da longa duração e da aparente complexidade, esse é um trabalho muito fácil de se ouvir. (9,0)

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Sinister – Syncretism (2017)
(Massacre Records – Importado)
 

O Sinister surgiu de forma avassaladora nos anos 90, enfileirando 3 verdadeiros clássicos do Death Metal, Cross the Styx (92), Diabolical Summoning (93) e Hate (95). Dai em diante, consolidou-se com ótimos lançamentos, sempre apresentando um som intenso, brutal, pesado e agressivo. Em Syncretism, seu 13º álbum de estúdio, a fúria continua a mesma, mas soando mais dinâmico e variado que em seus trabalhos anteriores. Possivelmente, seu melhor trabalho desde o ótimo Afterburner (06). Uma aula de Death Metal! Vale dizer que Syncretism está sendo lançado no Brasil pela Urubuz Records. (8,5)

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Sharzall – Black Sun (2017)
(NRT Records – Importado)
 

A Eslováquia não é lá um grande celeiro de bandas quando falamos de Heavy Metal, mas é exatamente de lá que vêm o Sharzall, quinteto que estreia apostando suas fichas em um Metal Gótico com influências de Pós-Punk e uso farto de sintetizadores. Soa como uma mistura do Deathstars com o Sisters of Mercy, fazendo com que seu som remeta fortemente ao final dos anos 90, soando assim um tanto datado. Mas no final, os bons riffs e melodias que surgem durante a audição e os sintetizadores muito bem encaixados, acabam fazendo deste um bom trabalho de estreia. (7,0)

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Diz um velho ditado que “o peixe morre pela boca”. E bem, o duo americano Serpentshrine, surgido em 2015, define sua música como um som único e que se diferencia dos demais, por ser uma mistura de harmonias melódicas com a crueza do Black Metal, somado a vocais agudos, composições atmosféricas e à intensidade do Death Metal. Segundo eles, estão preparados para ultrapassar os limites que definem o gênero. O problema é que, ao colocar o CD para tocar, você não se depara com nada de muito inovador ou revolucionário. Ok, existem alguns momentos interessantes aqui e ali, onde flertam com o Thrash, mas sua música é basicamente uma mescla do Black Metal escandinavo com o Death Metal da Flórida e que remete totalmente aos anos 90. Não é original, mas ao menos transborda honestidade e vai agradar os mais saudosos dos anos 90. (7,0)

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Burning Shadows - Truth in Legend (2017)
(Independente – Importado)
 

Sabe aquele Power Metal tipicamente americano, influenciado por nomes como Iced Earth, Iron Maiden, Judas Priest, Jag Panzer, Vicious Rumors e afins? Pois bem, é por essa linha que se envereda o Burning Shadows. E se você pensa que vai se deparar com todos os clichês do gênero, não está enganado, mas a questão é que a música é tão bem-feita e tão verdadeira, que acaba soando muito legal. Um bom vocalista, riffs fortes e enérgicos, solos de qualidade, boas melodias, refrões marcantes e parte rítmica coesa e firme, provam que os clichês, bem utilizados, podem render uma música agradável e cativante. (7,5)

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A One Man Band capitaneada por Zifond chega a seu 6º álbum de estúdio desfilando toda a categoria do seu Ambient Black Metal, que recebe doses generosas de estilos como Doom, Drone e Shoegaze. A capa já deixa claro o que encontraremos por aqui, ou seja, um som frio e gélido, como uma tempestade de gelo, que congelará a alma do ouvinte. As canções possuem um ar sombrio e obscuro, passando uma fortíssima sensação de isolamento, sentimento esse reforçado pelos riffs dissonantes e pelos vocais atormentados de Zifond. Mas, apesar de perturbador, surpreendentemente, esse é um álbum que cativa o ouvinte, prendendo-o durante toda a audição. Mais um ótimo trabalho do Neige Et Noirceur. (8,5)

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sexta-feira, 14 de julho de 2017

5 motivos para ir ao Tribus Festival Brasil 2017


Para quem desconhece, o Tribus, que ocorre na cidade de Carangola/MG, é um dos festivais mais interessantes da atualidade, tendo seu cast todo voltado para atrações nacionais e já chegando à sua edição de número 5 (a 1ª ocorreu em 2004). Neste ano, o Festival será Open Air, ocorrerá no dia 22 de Julho e contará com área para camping, estacionamento, stands para vendas de CD’s e camisas, bar e praça de alimentação. E vale ressaltar, tudo bem organizado, como já pude comprovar na edição anterior, no ano de 2015.

Bem, vou enumerar 5 motivos que fazem a ida ao Festival valer a pena.

1. Não se trata de um simples Festival de Música. O conceito aqui é bem mais amplo, multicultural, com exposição de artes visuais, tenda gótica no intervalo das bandas, grupo de capoeira, fogueira Folk, rolê viking a cavalo, pau-de-sebo, artesanato local/regional, varal de poesias e o mais legal, um trabalho de conscientização ambiental, com direito a distribuição de mudas nativas para plantio.

2. Não se limita apenas a um único estilo. Como o próprio noma deixa claro, temos aqui um encontro de tribos, com bandas dos mais diversos estilos dentro do Rock e do Metal. E o melhor, tanto público quanto bandas se respeitam e se divertem de verdade. Quem não curte determinado estilo simplesmente vai para o fundo beber uma cerveja e jogar conversa fora com os velhos e novos amigos, enquanto o resto curte o show.

3. Na edição desse ano, teremos o grande Arandu Arakuaa tocando pela primeira vez em Minas Gerais, e só isso já faria valer o ingresso. Mas se não bastasse isso, também teremos o Torture Squad desfilando seu Death/Thrash de qualidade inquestionável e divulgando o seu novo álbum, Far Beyond Existence, e de quebra, o Death/Grindcore do Test, duo formado por João da Kombi (vocal/guitarra) e Barata (bateria), que se notabilizou por fazer suas apresentações do lado de fora de shows de artistas internacionais, onde chegam com sua Kombi e um gerador, montam seus equipamentos e quebram tudo. Vale dizer que há alguns dias tocaram no Liberation Festival, abrindo para o King Diamond, além de já terem feito turnês no exterior e sido banda de abertura de alguns nomes consagrados que tocaram no Brasil, como o Napalm Death.

4. De bônus, temos outros ótimos nomes da cena nacional. Os amantes de Folk poderão se deleitar com o ótimo Galwem (MG), os fãs de Death e Thrash certamente apreciarão as apresentações dos cariocas do Persecuter e dos mineiros do Demolition e os que curtem um Heavy Metal bem tocado, poderão conhecer o White Death, oriundo do Espírito Santo. Mas se sua praia for o Punk/Hardcore, teremos os mineiros do Oc Capiau e os capixabas do Ravengar, enquanto os que curtem um Rock Independente, terão os também mineiros do Dsnort. Fazendo as honras da casa e alegrando aqueles que curtem uma sonoridade mais moderna, teremos o Rap/Rock do Umano’ID.

5. É uma daquelas chances de reencontrar os velhos amigos para colocar as conversas em dia e claro, fazer novas amizades. O clima de um festival como o Tribus é sempre propício a isso. E com certeza, vamos terminar esbarrando por lá, trocando uma ideia sobre Metal enquanto entornamos umas cervejas.

Para os que curtem acampar em Festivais, essa opção existe no Tribus. Nesse caso, é preciso fazer as reservas antecipadamente enviando um e-mail para: tribusfestival@gmail.com com o assunto "reserva camping", contendo nome completo e RG. Os interessados receberão por e-mail as informações sobre as normas do camping e o número da conta para efetivar a reserva mediante depósito bancário no valor de R$15,00 por pessoa. As reservas serão feitas até o dia 19 de Julho e a estrutura oferecida no camping inclui banheiros químicos e segurança durante toda a noite, para que você possa curtir os shows despreocupadamente. As excursões também podem entrar em contato pelo mesmo e-mail para saber como proceder.


Agora, você é daqueles que prefere o conforto de um Hotel? A organização do Tribus disponibiliza uma relação deles, para todos os gostos, como você pode ver logo abaixo.

- Príncipe Hotel (econômico): Rua Antônio Marques, nº 64, centro. Tel.: (32) 3549-0505 (fixo); 9.8496-0198 (Claro); 9.9995-3959 (Vivo). (Falar c/ Antônio para reservas. E-mail: antonio566505@hotmail.com);

- Mauraci Hotel: Rua Divino, nº 77, centro. Tel.: (32) 3741-1472 e 3741-1499;

- Hotel Central: Rua Pedro de Oliveira, 141, centro. Tel.: (32) 3741-2434 e 3741-5460. E-mail: h.central141@hotmail.com

- Hotel Imperial: Praça Coronel Maximiano, 26, centro. Tel.: (32) 3741-2050; 9.9836-3907 (Vivo); 9.8417-9365 (Claro). E-mail: hotelimperial10@gmail.com

- Hotel Palace: Rua Pedro de Oliveira, 368, centro. Tel: (32) 3741-3895. E-mail: reservahotelpalace@hotmail.com (site: www.carangolapalace.com.br)


Vale lembrar que pelo fato do festival ocorrer no dia 22 de Julho, período de férias escolares e festa na cidade, o indicado é reservar o Hotel com antecedência, para não ter dor de cabeça futura.

Aos de fora que não pretendem ir em uma excursão (como meu caso), foram disponibilizados também os horários de ônibus saindo de diversas cidades rumo a Carangola:

- Belo Horizonte x Carangola: 08:15 e 22:30 (Viação Pássaro Verde);
- Rio de Janeiro x Carangola: 09:00, 10:30 e 22:00 (Viação Rio Doce);
- Barra Mansa/RJ x Carangola: 06:20 e 20:30 (Viação Progresso);
- São Paulo x Carangola: 19:05 e 20:45 (Viação Kaissara);
- Juiz de Fora/MG x Carangola: 06:00, 08:15, 12:00 e 16:00 (Viação Paraibuna);
- Muriaé/MG x Carangola: 06:00, 10:10, 13:10 e 17:30 (Viação Novo Horizonte);
- Espera Feliz/MG x Carangola: 08:10, 11:10, 13:15, 16:40, 19:40 (Viação Paraibuna);
- Manhuaçu/MG x Carangola: 06:30, 11:30, 15:00 e 18:00 (Viação Paraibuna);
- Governador Valadares/MG x Carangola: 10:30 e 20:00 (Viação 1001);
- Itaperuna/RJ x Carangola: 06:00, 12:00, 15:30 e 18:30 (Viação Real);
- Vitória/ES x Carangola: 17:50 (Viação Águia Branca)

Ingressos antecipados promocionais estão disponíveis online pelo site da Ticketbrasil através de boleto bancário ou cartão de crédito em até 12 vezes sem juros: https://ticketbrasil.com.br/festival/4926-tribusfestivalbrasil2017-carangola-mg/

Mas se você é de Juiz de Fora, São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba, Porto Alegre ou Distrito Federal, saiba que nessas cidades existem pontos de venda físicos da Ticketbrasil, (com taxa de conveniência):

- Juiz de Fora/MG: Tukas Rock - Galeria Azarias Vilela, loja 122, Centro;
- Rio de Janeiro/RJ: Hard n`Heavy - R. Marquês de Abrantes, 177 - Flamengo;
- São Paulo/SP: Joker (Galeria do Rock) - Av. São João, 439 - Centro;
- Curitiba/PR: Dr. Rock Centro - Shopping Metropolitan - Loja 04, Praça Rui Barbosa, 765 - Centro
- Porto Alegre/RS: Mil Sons - Av. Alberto Bins, 366 - Centro Histórico;
- Asa Sul/DF: GTR Instituto de Música - SCLS 111, Bloco A, Loja 10, Comércio Local, Sul 111 - Brasília, DF


Ingressos físicos antecipados disponíveis nos pontos de venda na região (sem taxa de conveniência):

- Em Carangola: Fox Cine Locadora e D`Forno Fast Food
- Em Espera Feliz: Montanhês Café
- Em Muriaé: Om Shanti Tattoo Studio
- Em Manhuaçu: Perfect Wear Street Shop
- Em Itaperuna/RJ: Toca Musical


- 1° lote (limitado, somente enquanto durar o lote): R$36,00 (valor referente a meia entrada e promocional/social + 1 kg de alimento não perecível);
- 2° lote: R$45,00 (meia) e promocional/social + 1 kg de alimento não perecível.

*Os valores dos lotes são referentes a meia entrada destinada a estudantes regularmente matriculados portadores da Carteira de Identificação Estudantil padrão nacional, pessoas acima de 60 anos e portadoras de necessidades especiais. Os mesmos valores também se referem ao ingresso promocional/social + doação de 1 kg de alimento não perecível na portaria, no dia do evento.

**como medida de democratização do acesso, o 1° lote limitado a 100 ingressos, assim como o 2° lote, estão sendo vendidos a preços populares, os quais não ultrapassam o valor do Vale-Cultura do Governo Federal.

Mais informações no evento: https://www.facebook.com/events/379657665715770/

Página do Festival no Facebook: https://www.facebook.com/TribusFestival/

Serviço completo:


Evento: Tribus Festival Brasil 2017
Data: 22/07/17
Formato: Open Air
Local: Granja Regina - Rodovia MG 111, s/nº, bairro Triângulo
Cidade: Carangola-MG
Como chegar: https://goo.gl/maps/wEcYUapoR2T2
Hora: 14:00hs
Abertura dos Portões: a partir das 13hs
Classificação: Livre.


*Menores conforme alvará judicial

**Menores com 16 e 17 anos podem entrar e permanecer no evento mediante autorização de um dos pais ou responsável legal e acompanhados de um maior devidamente identificado no documento de autorização cujo modelo padrão da Vara da Infância e Juventude da Comarca de Carangola deve ser solicitado pelo email tribusfestival@gmail.com

***Menores de 16 anos entram somente acompanhados de um dos pais ou responsável legal.


A edição 2017 do Tribus Festival Brasil tem o Apoio da Lei Federal de Incentivo à Cultura, Ministério da Cultura, Prefeitura Municipal de Carangola/Secretaria de Cultura e Turismo, Rock Brigade, Heavy Metal Online, Over Metal TV, Elegia e Canto, A Música Continua a Mesma, Pólvora Zine, IEF - Instituto Estadual de Florestas, Restaurante Puro Sabor, Certisign Certificadora, Honda Motolider, Miranda Supermercados, Salgados Schwenck.

quinta-feira, 13 de julho de 2017

Below - Upon a Pale Horse (2017)


Below - Upon a Pale Horse (2017)
(Metal Blade Records - Importado)


1. The Plague Within   
2. Disappearing into Nothing
3. The Coven   
4. Upon a Pale Horse   
5. Suffer in Silence    
6. Hours of Darkness   
7. 1000 Broken Bones    
8. We Are All Slaves

De tempos em tempos, nos deparamos com bandas que nos surpreendem pelo trabalho que executam, algumas vezes por apresentarem algo inovador, em outras vezes, por utilizarem de forma muito competente elementos típicos de um gênero já conhecido para forjar música de qualidade inquestionável. É nesse segundo caso que se enquadram os suecos do Below, banda relativamente nova, surgida no ano de 2012 e que já chega em seu segundo trabalho de estúdio, intitulado Upon a Pale Horse.

Dificilmente deixamos de traçar comparações entre uma banda nova que estamos escutando e algum nome consagrado de um estilo, e muitas vezes isso se dá de forma natural e inconsciente. No caso do Below, a grosso modo, a primeira coisa que vem na cabeça do ouvinte é que estamos diante do Candlemass com o Bruce Dickinson no vocal. Sim, porque em um primeiro momento seu Epic Doom Metal nos remete diretamente aos mestres suecos, enquanto a voz de Zeb nos faz lembrar de cara do lendário vocalista do Iron Maiden. Mas quando resolvemos deixar as simplificações de lado e prestar mais atenção nos detalhes, essa impressão inicial começa a se dissipar.

É óbvio que influências de nomes como Candlemass e Solitude Aeturnus se fazem presentes aqui, afinal, estamos falando dos dois maiores ícones do Epic Doom Metal, mas não pense que a música do Below se restringe a emular esses dois nomes, até porque emulação é algo que não ocorre aqui. Por mais que seu som soe clássico, referências a nomes mais atuais do Doom, como YOB, Warning e Pallbearer podem ser escutadas aqui e ali. Além disso, influências de Heavy Tradicional, mais especificamente de nomes como Witchfinder General, King Diamond, Cirith Ungol e até mesmo Iron Maiden podem ser notadas. Isso acaba dando uma amplitude bem interessante à sonoridade do Below.

Com relação ao vocal de Zeb, ele é certamente um dos grandes diferenciais da música do Below. Além do grande alcance, ele consegue transpor toda emoção que a música do grupo pede, se encaixando com perfeição dentro do estilo proposto. Bruce Dickinson é uma referência? Certamente, mas nomes como Rob Lowe (ex-Solitude Aeturnus, ex-Candlemass) e Urban Breed (Serious Black, ex-Bloodbound, ex-Tad Morose) também podem ser citados. Os guitarristas Paud e Berg deixariam Mats Björkman e Lars Johansson orgulhosos com seus riffs pesados, escuros e lentos, além dos solos, bem melódicos. Nesse ponto, não negam a forte influência da banda do Mestre Leif Edling. O baixo de Hedman executa um bom trabalho dentro do que se é esperado, enquanto o baterista Doc se destaca pela diversificação, pelas mudanças de tempo e pelo bom groove que possui.


Aqui temos 8 faixas, sendo que “The Plague Within” é apenas uma curta introdução que não faria falta caso tivesse sido limada. “Disappearing into Nothing” surge pesada, arrastada e com riffs que poderiam ter sido compostos por Leif Edling, mostrando que os suecos não estão para brincadeira. “The Coven” é escura, possui um ótimo riff e algumas influências de Metal Tradicional, enquanto a pesada, épica e emocional “Upon a Pale Horse” nem parece ter quase 10 minutos de duração, tamanha a qualidade. “Suffer in Silence” e “Hours of Darkness” conseguem manter o alto nível do trabalho com seus ótimos riffs e clima obscuro, enquanto “1000 Broken Bones” é um pouco mais “rápida”, mas mantendo o clima sombrio, com bons riffs, refrão marcante e influência de Metal Tradicional. O encerramento se dá com “We Are All Slaves”, outro momento épico do trabalho.

Em seu segundo álbum de estúdio, o Below conseguiu algo raro. Pegou os clichês e as obviedades do Epic Doom Metal e do Metal Tradicional e disso, forjou uma identidade própria. Sim, as referências são perceptíveis, mas sua música não soa como uma simples cópia ou emulação dos nomes citados. Você não fica com aquela incômoda sensação do “eu já escutei isso antes”, que observamos em muitos nomes que se aventuram por tal estilo. Com uma música bem diversificada e, acima de tudo, lenta e obscura, o grupo sueco lançou um dos grandes álbuns de Doom de 2017!

NOTA: 9,0

Below é:
- Zeb (vocal);
- Paud (guitarra);
- Berg (guitarra).
- Hedman (baixo);
- Doc (bateria).

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quarta-feira, 12 de julho de 2017

Imperative Music Compilation – Volume XIII (2017)


Imperative Music Compilation – Volume XIII (2017)
(Imperative Music - Nacional)


Músicas:
01. Venom (Reino Unido) - Long Haired Punks
02. Back To Eden (Austrália) - Back to Eden
03. Sinlust (França) - Streams Attraction
04. Exit (Suíça) - I Scream
05. My Own Ghost (Luxemburgo) - Life On Standby
06. Teska (França) - Dark Side
07. Fall (EUA) - Cinis
08. Elysian Gates (Luxemburgo) - Broken Inside
09. Boneco Voodoo (Brasil) - Eternal Night
10. Hardstuff (Brasil) - I Believe (live)
11. The Wild Child (Itália) - Thank’s
12. Quinta Essentia (EUA) - The Stone as a Key
13. Dark Desolation (Índia) - Spasmodic Coitus
14. Vulcano (Brasil) - Daughters of Pagan Rituals
15. Core Divider (Brasil) - Drown the Lies
16. Dying Suffocation (Brasil) - Tears Falling
17. Amethyst (Costa Rica) - The Timekeeper
18. Enchantress (Bélgica) - Mistress of Fire
19. Katharsiis (Brasil) - Up The Light
20. Sex Psych Love (Brasil) - The Ocean
21. Sancta (Brasil) - Lost Place
22. Hot Hell Room (França) - No Perfect Flag
23. Francis Lima (Brasil) - Weird
24. Tchandala (Brazil) - Beyond the Power
25. Snow I.U. (Suécia) - The Lone Wolf
26. Cruxvae (EUA) - Dark Times Ahead
27. South Hammer (Brasil) - Harley My Motorcycle
28. SxAxT (Japão) - Kill or Be Killed
29. Maverick (Brasil) - Upsidown
30. Erebos (Japão) - Erebos
31. Numbness (Brasil) - Urbanoids
32. Shady Glimpse (Japão) - Zombie Spiral

Videos:
01. Venom (Reino Unido) - Long Haired Punks
02. Back To Eden (Austrália) - Temptation
03. Sinlust (França) - Red Priestess
04. Exit (Suíça) - I Scream
05. My Own Ghost (Luxemburgo) - Crystal Ball
06. Teska (França) - The Outcome
07. Fall (EUA) - Soul Ignition
08. Elysian Gates (Luxemburgo) - Human Infection
09. Boneco Voodoo (Brasil) - Eternal Night
10. Hardstuff (Brasil) - I Believe (live)
11. The Wild Child (Itália) - Thank’s
12. Quinta Essentia (EUA) - The Stone as a Key
13. Dark Desolation (Índia) - Spasmodic Coitus
14. Vulcano (Brasil) - The Devil Escaped from Earth
15. Core Divider (Brasil) - Drown the Lies
16. Dying Suffocation (Brasil) - When I Die
17. Amethyst (Costa Rica) - The Timekeeper
18. Enchantress (Bélgica) - Bend Over Backwards
19. Katharsiis (Brasil) - Up The Light
20. Sex Psych Love (Brasil) - Country Boy
21. Sancta (Brasil) - Lost Place
22. Hot Hell Room (França) - Chameleon
23. Francis Lima (Brasil) - Weird
24. Tchandala (Brazil) - Beyond the Power
25. Snow I.U. (Suécia) - The Lone Wolf
26. Cruxvae (EUA) - Dark Times Ahead
27. South Hammer (Brasil) - Harley My Motorcycle
28. SxAxT (Japão) - Sneak the Snake
29. Maverick (Brasil) - Upsidown
30. Erebos (Japão) - Live at Shinsaibashi Paradigm 2016/12/03
31. Numbness (Brasil) - Urbanoids
32. Shady Glimpse (Japão) - Suicidal Gamber

As coletâneas da Imperative Music não só sempre primaram pela qualidade, como também por seu alcance global. E nesse último caso, ele se dá não só pela distribuição da mesma, que ocorre na Europa, Ásia, Estados Unidos e Brasil, como também por reunir bandas de praticamente todos os continentes, dando assim um panorama do underground metálico em todo o mundo, já que existem representantes até mesmo de países com pouca tradição, como Luxemburgo, Índia e Costa Rica. Em seu 13º volume, temos uma inovação, já que pela primeira vez a mesma não vem em CD, mas em um DVD-Rom, permitindo assim um novo formato.

Neste caso, temos 32 bandas de praticamente todos os continentes (exceto África e Antártica), que apresentam não só músicas como também vídeos, que em sua maioria diferem das primeiras. Assim, boa parte dos nomes presentes comparecem com duas composições, o que ajuda na missão de dar um panorama mais amplo de seus trabalhos. Claro que, como em toda coletânea, temos altos e baixos, como também falta uma linearidade em matéria de estilos, já que praticamente todos são abarcados, mas, ainda assim, na maior parte do tempo o nível é mais alto e o ouvinte terá a oportunidade de conhecer alguns nomes bem interessantes.

Vamos começar pelos nomes oriundos do Brasil, que são nada menos que 13. Destes, um dispensa qualquer tipo de apresentação, pois se trata do mais que lendário Vulcano, que nos presenteia com duas autênticas pérolas, “Daughters of Pagan Rituals” e “The Devil Escaped from Earth”. O Boneco Voodoo, banda oriunda de Mogi Guaçu (SP), apresenta um Dark Rock bem denso e muito competente, que vale a pena conhecer. O paulistano Hardstuff nos apresenta seu já conhecido Hard Rock, com ótimas melodias, energia e refrão grudento, aqui gravado ao vivo, enquanto o Core Divider mostra um Thrash/Groove Metal violento, bruto e com uma pegada bem moderna. Muito, mas muito bom! Outro nome conhecido em nossa cena é o Dying Suffocation (resenha aqui), com seu Death/Doom de primeiríssima linha, que aqui comparece com duas composições, “Tears Falling” e “When I Die”. Já o Katharssis se envereda pelos lados do Power Metal Melódico e não acrescenta absolutamente nada de novo, fazendo apenas o básico, sem procurar sair do lugar-comum em que o estilo se enfiou desde meados da década de 2000. Enquanto isso, o curitibano Sex Psych Love nos apresenta duas faixas que diferem entre si, mas em ambas mostrando uma pegada que remete aos anos 70. Se “The Ocean” pende mais para aquele Progressivo setentista, “Country Boy” não nega o título e cai para o lado do Southern Rock, com toques interessantes de Classic Rock. Sem dúvida, algumas das bandas que mais curti escutar nessa coletânea. 


Continuando a falar das bandas brasileiras, também temos o Sancta (resenha aqui), que mostra seu Hard/Heavy competente, com um daqueles refrões pra lá de grudentos. Outro que representa bem o Hard Rock com pegada oitentista é Francis Lima, com bom peso e melodia. Comprovando que o brasileiro é apegado às sonoridades mais tradicionais e que sabe fazer isso com competência, o sergipano Tchandala chega com uma faixa de seu 1º álbum, de 2012, apresentando um Heavy Metal pesado e com boas melodias. Vale lembrar que, após um hiato de 5 anos, a banda está para lançar um novo álbum, com algumas participações especiais bem interessantes. O South Hammer vem do Rio Grande do Sul, apresentando uma sonoridade que, segundo a banda, mescla Heavy, Speed, Thrash e Black Metal. Para mim, soou mais como uma mescla de Motörhead com NWOBHM e vocais mais agressivos. Tem bons momentos, mas a produção pode melhorar um pouquinho e a letra, uma ode aos motociclistas e à Harley-Davidson, soa um pouco pobre. É uma banda em estado de maturação. O Maverick (resenha aqui) é outro nome que dispensa apresentação com seu Thrash poderoso e carregado de groove. A última banda brasileira presente é o Numbness, oriundo de Manaus, que também aposta no Thrash Metal, mas com uma pegada mais old school, com bons resultados.

Dentre os nomes internacionais, a Imperative mantêm a tradição de contar com ao menos um medalhão do estilo, e aqui o escolhido foi ninguém menos que o Venom, com a ótima “Long Haired Punks”. Podem ser citadas como destaque aqui o Heavy Metal Tradicional do australiano Back To Eden, o Death Metal brutal do suíço Exit, o ótimo My Own Ghost, banda oriunda de Luxemburgo que faz um Rock Alternativo com alguns toques de Pós-Punk muito interessantes e com uma excelente vocalista, Julie Rodesch, o Modern/Groove Metal do francês Teska, o Death Metal Melódico e altamente técnico do americano Fall, o Metal Sinfônico do Elysian Gates, outro representante de Luxemburgo aqui, que também conta com uma ótima vocalista, Noémie Leer e o Melodic Hard Rock do francês Hot Hell Room. Do Japão, temos 3 outros destaques: o Thrash/Crossover do SxAxT, o Death Metal Melódico na veia do Arch Enemy praticado pelo Erebos, que conta com a ótima Ruki nos vocais, e o Thrash metal furioso do Shady Glimpse.

E mais uma vez a Imperative nos entrega um produto de primeiríssima qualidade. A masterização, que conseguiu dar uma unidade a todo o trabalho, foi realizada pelo francês Gwen Kerjan, enquanto a capa foi obra de Julio Souza, da Obscure Art. Já a arte interativa do DVD ficou por conta d´Lufra Studio. O volume XIV já está sendo preparado para sair, e só nos resta esperar que mantenham a alta qualidade de seus antecessores.

NOTA: 8,0

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domingo, 9 de julho de 2017

Fast Review – Resenhas rápidas para consumo imediato!

Witherfall – Nocturnes and Requiems (2017)
(Independennte – Importado)
 

O Witherfall é uma banda com certas peculiaridades. O seu vocalista, Joseph Michael, é primo de ninguém menos que Ronnie James Dio; o seu guitarrista, Jake Dreyer, toca no Iced Earth; e além disso, seu baterista Adam Sagan (ex-Circle II Circle) faleceu precocemente no final de 2016, vítima de um linfoma, sendo que esse foi seu último álbum gravado. Mas o que importa é a música, e aqui nos deparamos com o que podemos chamar de um Dark/Heavy/Progressive/Power Metal com momentos que vão remeter em maior número (no instrumental) a nomes como King Diamond, Savatage e Dream Theater. Referências a Malmsteen, Cacophony e Symphony X podem surgir em alguns momentos, o que torna tudo ainda mais interessante. Forte candidato a banda revelação do ano. (8,5)

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Eis uma banda que dificilmente erra. Em seu 6º álbum de estúdio, os finlandeses do Mors Principium Est nos apresentam seu já conhecido Death Metal Melódico carregado de personalidade, com partes orquestrais, sintetizadores e coros tornando a sonoridade ainda mais grandiosa. Vale citar também os belos vocais femininos na faixa Death Is the Beginning (artifício já usado anteriormente pela banda), que são simplesmente fantásticos e deixam a música ainda mais incrível. Uma de suas maiores qualidades sempre foi a de não remeter aos principais nomes do estilo e, apesar de nos depararmos com um ou outro riff típico em algum momento, essa característica se mantém forte. Uma verdadeira aula de bom gosto e talento. (8,5)

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Veins – Innocence (2017)
(Extreme Metal Music – Importado)
 

Surgido no ano de 2014, o italiano Veins chega a seu trabalho de estreia, Innocence, apresentando uma mescla de Death, Groove e Thrash Metal, mas que recebe também generosas contribuições de Industrial e Eletrônico. Isso acaba gerando uma dualidade, já que ao mesmo tempo que sua música acaba soando pesada e agressiva, também acaba soando um pouco confusa em alguns momentos, devido ao excesso de elementos presentes. Fora isso, entra a questão da identidade, já que, por exemplo, nas partes onde surgem as referências ao Metal Industrial, você fica com a sensação de que já escutou aquilo em um álbum do Ministry. Mas, para compensar, temos algumas canções mais velozes, boas melodias e riffs muito interessantes, o que faz desse álbum uma estreia interessante e promissora, bastando a banda aparar alguns excessos. (7,0)

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Apallic – Of Fate and Sanity (2017)
(Boersma Records – Importado)
 

Surgido em 2014 e já contando com um EP lançado no ano seguinte, o alemão Apallic chega a seu 1º trabalho completo de estúdio apresentando um Death Metal carregado de boas melodias, com forte influência do Amon Amarth e tendências Progressivas interessantes. Os riffs são pesados e cativantes, os vocais são bem agressivos e em muitos momentos, a música do grupo cativa. Sim, falta originalidade à banda, pois como dito, sua principal influência surge muito forte na maior parte do tempo, mas em se tratando de uma banda com 3 anos de história, isso é algo que a estrada vai tratar de resolver. Um trabalho muito agradável de se escutar. E destaque à parte para o belíssimo trabalho de bateria. (7,5)

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Pyramaze – Contingent (2017)
(Inner Wound Recirdings – Importado)
 

É indiscutível que os dinamarqueses do Pyramaze são uma das melhores bandas do atual cenário Power Metal. Chegando ao seu 5º trabalho de estúdio, observamos o lado Progressivo, com arranjos mais intrincados, sobrepujando um pouco o lado Power, com os elementos sinfônicos enriquecendo ainda mais sua sonoridade, dando a ela um ar quase teatral, mas sem soar autoindulgente. Os riffs pesados dão um ar mais atual às canções, evitando assim que soem datadas. Como dito, soando mais Prog do que Power, Contingent é um desses álbuns que vai melhorando mais e mais a cada audição. (8,5)

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All My Sins – Lunar/Solar (2017)
(Black Death Productions – Importado)
 

Apesar de sua formação datar de 2000 e de ter lançado duas demos, o sérvio All My Sins vinha de um hiato de 13 anos e só agora, 17 anos após seu surgimento, conseguiu chegar a seu trabalho de estreia. E não se deixe enganar pela faixa de abertura acústica, pois aqui você está diante de um Atmospheric Black Metal feroz, agressivo, calcado naquela sonoridade da 2º geração do estilo, com foco um pouco maior nas bandas gregas. Vocais brutais, guitarras pesadas despejando riffs cortantes e bateria explosiva: tudo o que um fã do estilo preza, está presente aqui. Não é original, mas vai agradar em cheio os que curtem uma sonoridade mais old school. (7,5)

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terça-feira, 4 de julho de 2017

Dark Avenger – The Beloved Bones: Hell (2017)


Dark Avenger – The Beloved Bones: Hell (2017)
(Independente - Nacional)


01. The Beloved Bones
02. Smile Back to Me
03. King for a Moment
04. This Loathsome Carcass
05. Parasite
06. Breaking Up Again
07. Empowerment
08. Nihil Mind
09. Purple Letter
10. Sola Mors Liberat
11. When Shadow Falls (Bonus Track)

Sendo uma expressão individual ou coletiva, música é arte, independentemente do seu nível de complexidade sonora e/ou lírica. Assim sendo, seria correto julgarmos com bom ou ruim algo que retrata a visão de outrem? Seria certo quantificarmos um trabalho, estabelecendo um número ao final de um texto, marcando o mesmo como se marca um boi a ferro e fogo meio a uma boiada, fazendo com que todos sejam iguais uns aos outros, sem nada que os diferencie? Arte tem nota?

O parágrafo acima certamente soa incoerente, levando em conta que esse é um blog que trata justamente de resenhar trabalhos de artistas, estabelecendo uma nota aos mesmos, mas foram esses os questionamentos que vieram à minha cabeça no momento que finalizei a primeira audição completa de The Beloved Bones: Hell, 4º álbum de estúdio do brasiliense Dark Avenger. Porque, prezado leitor, o que tenho em mãos aqui (mesmo que no momento isso seja apenas no sentido figurado) não se trata de um simples CD com 11 faixas.

E digo simples, porque foi nisso que nós, nesses tempos modernos, fizemos com a música, uma das mais belas expressões artísticas criadas pelo homem. Um CD hoje é apenas um “simples” receptáculo físico para faixas que serão comercializadas em meios digitais, escutadas em streaming ou mesmo “baixadas” de forma ilegal em algum site na internet, para ouvirmos em nossos computadores. Transformamos a música em algo frio, sem emoção, que escutamos de forma individual em momentos do nosso cotidiano, como ir para o trabalho ou a faculdade, ou enquanto nos exercitamos em uma academia. E o pior, naturalizamos essa frieza e não vemos mais absurdo algum em nada nisso (salvo alguns poucos saudosistas).

Até que um dia nos deparamos com um trabalho como esse. Porque, prezado amigo (deixemos a impessoalidade e frieza um pouco de lado), o que temos aqui não é um simples receptáculo para 11 músicas que serão escutadas e comercializadas individualmente, de forma impessoal e fria. The Beloved Bones: Hell é ARTE, no mais puro sentido que essa palavra pode ter. Te faz sentir, pensar, questionar até mesmo certezas que possuiu, graças a um conceito profundo que está por detrás do mesmo. É desses raros álbuns da atualidade que você deve dedicar um tempo exclusivamente para sua audição, com o encarte em mãos, acompanhando as letras, degustando cada detalhe das canções.

Surgido em 1993, o Dark Avenger, capitaneado pelo vocalista Mario Linhares, sempre primou pela alta qualidade de seus trabalhos, sendo responsável por dois clássicos do Metal nacional entre a metade dos anos 90 e início dos anos 2000, Dark Avenger (95) e Tales of Avalon: The Terror (01). Após uma pausa na carreira entre 2005 e 2009, retornou à ativa e de 2013 para cá, soltou mais um álbum de estúdio, o ótimo Tales of Avalon: The Lament (13) e um ao vivo, Alive in the Dark (15). Mas ainda assim, nada poderia me preparar para o que encontrei em The Beloved Bones: Hell, seu 4º álbum de estúdio. Sem qualquer exagero, podemos dizer que o Dark Avenger alcançou sua maturidade musical.

Esse não é um álbum comum, pois faz parte de um trabalho conceitual muito maior, do qual é a 1ª parte. Fala sobre a mente humana, narrando o embate entre o lado emocional e o racional pelo controle do Eu, passando por diversos estágios durante essa batalha, com cada música representando um desses momentos. Musicalmente, temos aqui um Heavy/Power moderno, forte e pesado, com canções complexas, mas fáceis de se escutar, onde os ótimos arranjos se destacam. Os elementos sinfônicos enriquecem o trabalho e os coros estão simplesmente primorosos. Muita energia, refrões marcantes, que ficam por dias na cabeça e algumas das melodias mais grudentas já forjadas pelos brasilienses. Já Mario Linhares se encontra em seu melhor momento como vocalista e há muito deixou de ser o “cara dos gritinhos”. Suas linhas vocais são variadas e a forma como ele diversifica dentro de uma mesma canção é ótima. Fora a forma como consegue passar os sentimentos descritos na canção com sua voz.


Como esse não é um álbum comum, esta também não será uma resenha comum. O nível de complexidade do trabalho exige muito mais do que simplesmente apontar destaques. Existe um contexto a ser entendido, algo muito maior do que apenas música e sendo assim, vou tentar destrinchar minimamente o mesmo aqui, nas próximas linhas.

1 – The Beloved Bones: A Inconsciência - “In my wonder world nothing remains! In this dark side of Heaven nothing remains!”
O Racional, cansado do comportamento desmedido e inconsequente do Emocional, se revela a este pela primeira vez, confrontando-o. Violinos e as orquestrações e coral dão um tom sombrio a seu início, bem de acordo com o que está prestes a acontecer. Quando o Racional irrompe, a agressividade surge, acompanhada de muito peso, melodias envolventes e um dos melhores refrões que escutei em tempos. Ficou por dias em minha cabeça.

2 – Smile Back to Me: A Negação - “Don’t turn your back to me! You gotta take on me! You know I’m just right here and I will always... be… here!”
O Emocional, ao ser confrontado pelo Racional e tomar consciência da existência do mesmo, tenta desmerecê-lo, chegando ao ponto de negar a sua existência. Aqui o clima de conflito da letra é espelhado no instrumental e nas linhas vocais de Mário, bem agressivas em alguns momentos. Pesada, tem ótimas orquestrações, que ajudam a passar a ideia de confronto, além de ser bem diversificada (com partes mais cadenciadas e outras mais velozes). Os corais estão primorosos!

3 – King for a Moment: A Fuga - “There’s no turning back to where once you called Heaven”
O clima de confronto se acirra. O Emocional tenta fugir da responsabilidade de lidar com os problemas que causa ao Eu, enquanto o Racional o pressiona a encarar a realidade e parar de fugir. Talvez a mais densa e teatral das faixas presentes em The Beloved Bones: Hell. O clima é grandioso, graças às ótimas orquestrações (que cabe dizer, fogem dos clichês que ouvimos em bandas do estilo) e Mario faz uma de suas melhores performances da carreira, conseguindo transmitir toda a emoção em seus vocais. E tem um solo primoroso.

4  – This Loathsome Carcass: A Vitimização - “All my life, I have built my hopes in the air, but the ruthless wisdom of the wind, relentless, wipes hopes and dreams away!”
O Emocional não só não enfrenta seus problemas em busca de soluções, como começa a culpar sua existência como causadora dos mesmos. Essa atitude desperta a ira do Racional. Cadenciada e com elementos orientais e tribais, você consegue sentir o clima de desprezo na mesma. Possui uma melodia simplesmente viciante.

5 – Parasite: A Raiva - “Parasite!!! I know… Parasite got a heart”
A batalha entre o Racional e o Emocional pelo domínio do Eu se acirra cada vez mais. O primeiro enxerga o segundo como um fraco e esse vê o primeiro como um inimigo. Em meio a isso, o Eu ruma para a destruição. O racional se retira da disputa. Parasite se aproxima do Power Metal, com algumas partes velozes, ótimas melodias, mas também é muito agressiva, como pede a parte lírica. Riffs pesadíssimos por parte da dupla formada por Glauber Oliveira e Hugo Santiago, um desempenho fantástico do baterista Anderson Soares e vocais que vão do suave e emocional ao agressivo, com muita naturalidade. Literalmente raivosa.

6 – Breaking Up Again: A Súplica - “You pretend that only other people carry burdens and you never will.  Listen... Give me. Feed me. Keep me. Is it all you can... say?”
O Emocional assume sua completa inépcia para lidar com a vida. Da vitimização, passa a se supervalorizar, o que faz com que o Racional lhe passe um sermão contundente, exigindo que ele abandone a visão egoísta que possui. Como resposta, escuta o Emocional exigir que ele resolva todos os problemas sozinhos. Alternando entre cadência e velocidade, consegue passar esse clima de confusão com perfeição. Tem peso, ótimos riffs e boas melodias. Os vocais novamente são destaque, pela boa variedade.


7 – Empowerment: A Reflexão -
Fly! Be yourself! Now you finally know who you are!
Após tantas batalhas, Emocional e Racional resolvam adotar um comportamento ameno, colaborativo. O Emocional assume que durante anos agiu apenas em causa própria e o racional, visando o equilíbrio do Eu, incentiva-o a fazer tal reflexão. Musicalmente se aproxima mais do Progressivo e foi a que menos me empolgou aqui, talvez pela falta de algum momento realmente marcante, o que não tira as qualidades presentes na mesma, como as boas orquestrações e alguns bons riffs.

8 – Nihil Mind: O Equilíbrio - “I remember when I started not listening to you; I just can’t recall a point through the years.”
Emocional e Racional concluem que a posição de autoisolamento e falta de diálogo que ambos adotaram por todo esse tempo foi o principal responsável pelo desequilíbrio e deterioração do Eu. O Racional incentiva o Emocional a colocar um fim no sofrimento. Apesar de pender para um Power mais clássico, você não vai encontrar clichês do estilo aqui. Ótimas orquestrações, um refrão marcante e melodias para lá de agradáveis fazem parte do pacote. Novamente, cabe destacar a diversidade vocal presente.

9 – Purple Letter: A Coragem - “This time around, you’re free to leave. No hefty anchors, no bars at all.”
Apesar de decidido a deixar para trás a vida de sofrimento, o Emocional hesita um pouco em dar o passo decisivo. Nessa hora, cabe ao Racional incentivá-lo a seguir em frente no processo de “morte” e “renascimento”. Tem uma pegada que a aproxima de vertentes mais modernas do Power Metal, com bom peso e agressividade, mas, ainda assim, soa um pouco “padrão” em alguns momentos. O teclado e as orquestrações trazem partes mais climáticas e grandiosas à música.

10 – Sola Mors Liberat: A Decisão - “Sola Mors Liberat”
Emocional e Racional se reconciliam e o último passo é dado. Assim, com o fim de um ciclo de sofrimento, surge o novo Eu. Eis aqui uma belíssima balada, que casa perfeitamente com a ideia de renascimento, graças aos vocais operísticos e ao piano em seu início. Mario canta de forma calma e você consegue sentir os momentos que antecedem o momento decisivo da história. Emocionante.

11  – When Shadow Falls: A Liberdade - “No prayer by candlelight, no tears tonight. By this time I’ll be waiting for you. When shadow falls!”
Surge um novo Eu, equilibrado, renovado e ciente dos percalços com que irá se deparar na vida. When Shadow Falls é uma bônus track presente na versão nacional, que serve como elemento de ligação com a segunda parte da história, já que aqui quem nos fala é o Eu. Trata-se de uma belíssima balada acústica, calma e melodiosa. Uma forma leve e agradável de se encerrar um álbum de tamanha densidade musical e lírica.

The Beloved Bones: Hell teve a produção e a mixagem feitas pelo guitarrista Glauber Oliveira (Caravellus) e sua masterização foi realizada no renomado Fascination Street Studios, na Suécia, pelas mãos de ninguém menos que Tony Lindgren, que já trabalhou com grandes nomes como Angra, DragonForce, Kreator, Enslaved, Katatonia, Sepultura, Paradise Lost, Soilwork, dentre muitos outros. O resultado final de toda a produção é simplesmente primoroso. O som é claro, limpo, audível, mas soa grandioso e vivo, algo raro em um mundo de produções plastificadas. Já a belíssima capa, que transparece todo o conceito por trás das letras, foi obra do artista gráfico francês Bernard Bitler (vale a pena dar uma pesquisada na obra do cara na internet).

Poucas vezes me vi envolvido dessa forma por um álbum. E ainda mais raro, foi nessa vida ter me deparado com letras tão fortes e profundas, a ponto de me fazer pensar. Foi quase um processo de autoanálise. Tudo aqui foi pensado de maneira minuciosa, conceito, música, letra. Uma não sobrevive sem a outra. Complexo, mas fácil de se ouvir, com arranjos simplesmente primorosos e muito, mas muito bom gosto, o Dark Avenger se lança em sua jornada mais ambiciosa.

Em um mundo cada vez mais frio, onde as relações, sejam pessoais, afetivas ou comerciais, se virtualizam cada vez mais, onde as pessoas são bombardeadas desde novas com cobranças e expectativas de serem pessoas de sucesso, o que invariavelmente causa frustrações e dificuldades quando são confrontadas com a dureza do mundo real, o Dark Avenger nos entrega uma obra que esfrega toda nossa fragilidade emocional em nossas caras. É duro, mas é a verdade.

Quanto à nota? Meu amigo, ao menos por hoje, não vamos quantificar a Arte.

Dark Avenger (gravação):
- Mario Linhares (vocal);
- Glauber Oliveira (guitarra);
- Hugo Santiago (guitarra);
- Gustavo Magalhães (baixo);
- Anderson Soares (bateria).

Dark Avenger é:
- Mario Linhares (vocal);
- Glauber Oliveira (guitarra);
- Hugo Santiago (guitarra);
- Gustavo Magalhães (baixo);
-
Brendon Hoffmann (bateria).

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Metal Media (Assessoria de Imprensa)