domingo, 24 de setembro de 2017

Fast Review – Resenhas rápidas para consumo imediato!

Ghost Bath - Starmourner (2017)
(Nuclear Blast Entertainment – Importado)
 

Eis uma banda que se ama ou odeia, afinal, seu Depressive/Post-Black Metal sempre desperta extremos. Se em seu trabalho anterior, Moonlover (15), o Ghost Bath seguiu um caminho mais atmosférico, em Starmourner é a agressividade que se sobressai, graças a riffs tipicamente Black que surgem a todo momento, fazendo deste o seu álbum mais pesado. Ainda assim, as passagens mais atmosféricas continuam mais que presentes, dando diversidade ao álbum e gerando uma espécie de jogo de luz e sombra musical, já que é capaz de despertar sentimentos díspares como agonia e esperança. Certamente seu trabalho mais maduro e original. (8,5)

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Lich King – The Omniclasm (2017)
(Independente – Importado)
 

Eis uma das bandas mais legais surgidas nessa onda Retrô-Thrash dos últimos anos. Lá se vão 5 anos desde o lançamento de Born of the Bomb, e nesse meio tempo os fãs tiveram apenas o EP Do-Over para saciar a sede pelo Thrash Metal dos americanos. Sem tirarem o pé do acelerador, em The Omniclasm nos entregam um dos melhores álbuns do estilo em 2017. Veloz, pesado e agressivo, temos aqui uma profusão de ótimos riffs, um pé bem fincado no Punk e letras que trafegam entre o bom humor e o cinismo, algo que sempre marcou sua carreira. É original? De forma alguma, mas ainda assim é muito bom e vai render 43 minutos de pura diversão. Além de ossos e vértebras triturados. (8,5)

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The Great Old Ones – EOD: A Tale of Dark Legacy (2017)
(Season of Mist – Importado)
 

Os franceses do The Great Old Ones são uma das bandas mais competentes e instigantes do cenário Black da atualidade. Com seu conteúdo lírico voltado para a obra de H.P. Lovecraft, o quinteto capitaneado pelo guitarrista e vocalista Benjamin Guerry nos apresenta em seu 3º álbum um trabalho baseado no livro A Sombra de Innsmouth. A forma como conseguem levar o ouvinte para dentro da história, transformando em música a narrativa do escritor americano, é algo incrível. Com riffs sombrios e uma atmosfera assombrosa, de mistério e loucura, tudo aqui reflete musicalmente a gradeza do material retratado. Uma aula em forma de Metal e Literatura. (9,0)

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Attic – Sanctimonious (2017)
(Ván Records – Importado)
 

Imaginem um grupo de caras muito fãs de King Diamond/Mercyful Fate. Após um hiato de 5 anos, os alemães do Attic finalmente apresentam o sucessor do bom The Invocation, se mantendo firme e forte no caminho trilhado pelo Rei Diamante. O clima de horror emanando de cada canção, uma história que une satanismo e uma freira pecadora, riffs que poderiam ser tocados por Andy LaRocque, Michael Denner ou Hank Shermann, os vocais em falsete de Meister Cagliostro, que quase emulam o de King, tudo aqui nos remeterá à obra de Kim Bendix Petersen. Você pode até querer argumentar que isso já foi feito de forma muito superior em álbuns como Fatal Portrait ou Abigail, mais isso não tira o mérito de que a música do Attic é muito bem-feita e que  Sanctimonious é um álbum muito legal de se escutar. (8,0)

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Pagan Altar - The Room of Shadows (2017)
(Temple of Mystery Records – Importado)
 

Eis o último ato da lenda britânica do Heavy/Doom. Terry Jones partiu em 2015, mas antes deixou esse CD gravado. Seu filho e fiel parceiro de banda, Alan Jones, como último tributo ao pai, regravou parte do trabalho e o lançou com o nome de The Room of Shadows (originalmente se chamaria Never Quite Dead). O que temos aqui é aquela conhecida e competente mescla de Classic Rock. Heavy Metal e Doom, com os vocais bem característicos de Terry, bons riffs, passagens acústicas interessantes e uma sensação de saudosismo que se abate sobre o ouvinte, quando se lembra que não mais teremos oportunidade de escutar o Pagan Altar novamente. Uma despedida merecida e muito digna. (8,5)

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Broken Hope - Mutilated and Assimilated (2017)
(Century Media Records – Importado)
 

Capitaneado pelo guitarrista Jeremy Wagner, o Broken Hope chega a seu 7º trabalho de estúdio (o segundo desde a volta em 2012) apresentando exatamente o que esperamos, ou seja, Death Metal clássico, bruto, direto e sem enrolação. Você pode argumentar que isso não é nada diferente do que apresentaram em todos os seus trabalhos anteriores, e certamente estará certo, mas a verdade é que temos aqui alguns dos melhores riffs dos americanos em muito tempo (aliás, Jeff Hanneman ficaria orgulhoso, já que ele é a principal influência aqui). Pode não ser um clássico como Swamped in Gore (91), mas ainda assim é um álbum onde temos um Death Metal sólido. Certamente vai agradar em cheio os fãs do estilo. (7,5)

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sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Danzig - Black Laden Crown (2017)


Danzig - Black Laden Crown (2017)
(Shinigami Records/Nuclear Blast - Nacional)


01. Black Laden Crown
02. Eyes Ripping Fire
03. Devil On Hwy 9
04. Last Ride
05. The Witching Hour
06. But A Nightmare
07. Skulls & Daisies
08. Blackness Falls
09. Pull The Sun

Goste ou não da figura de Glenn Danzig, é impossível negar a sua importância para o Rock/Metal. Seja com seu trabalho à frente do The Misfits, ou posteriormente com o Samhain e o Danzig, seu nome está muito bem gravado na história do estilo. Além disso, sua voz de barítono, uma mescla de Jim Morrison com Elvis Presley, mas na versão “Evil”, está entre as mais marcantes do estilo. É dessas que você escuta e de cara já identifica. Simplesmente inconfundível.

Com o Danzig, teve um início arrebatador. Mesclando Metal, Doom, Southern Rock e Blues, lançou talvez a melhor sequência de uma banda no final dos 80 e início dos 90. Danzig (88), Danzig II - Lucifuge (90), Danzig III: How the Gods Kill (92) e Danzig: 4p (94) estão indiscutivelmente entre os melhores trabalhos gravados do período citado. Com o esfacelamento da formação original, seguiu-se uma fase para lá de controversa, com Danzig 5: Blackacidevil (96), Danzig 6:66: Satans Child (99) e Danzig 777: I Luciferi (02), onde seu som sofreu modificações e acabou por gerar insatisfação entre uma parcela de seus fãs.

A partir de 2004, já tendo juntado suas forças com o guitarrista Tommy Victor (Prong), as coisas começaram a mudar de figura, e dois bons álbuns foram lançados, Circle of Snakes (04) e Deth Red Sabaoth (10). Mesmo o trágico álbum de covers, intitulado Skeletons (15), não foi capaz de atrapalhar tal recuperação. Sendo assim, mesmo com a ausência de um baterista fixo, a expectativa pelo lançamento de Black Laden Crown era das melhores por parte de seus fãs.

E bem, acho que podemos dizer que esses não irão se decepcionar com o 11º álbum de estúdio do Danzig, já que talvez esse seja seu trabalho que mais se aproxima esteticamente da sua brilhante fase inicial. É como se estivéssemos diante de uma versão minimalista do mesmo. A voz de Glenn já começa a sentir o peso da idade e não é a mesma dos áureos tempos, mas ainda assim impõe muito respeito, mesmo com alguma limitação. Aliás, aí está a palavra chave para entender Black Laden Crown, limitação.


Esse é um álbum construído em torno de limitações. As músicas se mostram mais lentas, mais cadenciadas, aproximando ainda mais sua sonoridade do Doom. Tommy Victor, como não poderia deixar de ser, faz um belo trabalho na guitarra, se aproximando demais do que foi feito por John Christ no auge da banda, mas é um trabalho simples, com bons riffs, pesados e diria até despreocupados, estando aí talvez seu maior mérito. A parte rítmica faz bem o seu serviço, de forma correta, sendo que o baixo foi assumido pelo próprio Glenn e a bateria ficou a cargo de nomes como Johnny Kelly, Joey Castillo, Karl Rokfist, com participações em álbuns anteriores da banda, e Dirk Verbeuren (Megadeth).

Boa parte das 9 canções aqui presentes se mostram dentro da média, com alguns destaques óbvios. “Eyes Ripping Fire” e “Devil On Hwy 9” se mostram bons rocks, com destaque para o trabalho da guitarra em ambos. Já “Last Ride” é mais cadenciada e tem um ar mais introspectivo, trazendo aquela aura obscura, muito dela em virtude dos ótimos vocais de Glenn. “But A Nightmare” tem bom peso e “Pull the Sun” se mostra bem melancólica. Mas no final, essa abordagem mais minimalista das composições acaba por gerar uma sensação de que as músicas poderiam ter sido um pouco mais bem trabalhadas, mais aprofundadas. São boas, mas poderiam ser ainda melhores.

A produção, que ficou a cargo do vocalista, também ajuda demais nisso. Seca e orgânica como de praxe, afinal Glenn prima por gravar seu material sempre com equipamento analógico, até está dentro da média, mas em muitos momentos deixa a música um tanto magra, sem força. Ainda assim, ao final de tudo, temos o trabalho mais coeso e forte do Danzig em anos. Se não é um clássico, passa longe de ser trágico, já que optam por não inventar e muito menos reinventar, entregando ao fã o que ele espera e deseja de um álbum da banda.

NOTA: 7,0

Danzig é (gravação):
- Glenn Danzig (vocal, guitarra, baixo e bateria nas faixas 2, 4 e 6)
- Tommy Victor (guitarra/baixo)
- Johnny Kelly (bateria nas faixas 1 e 5)
- Joey Castillo (bateria nas faixas 3 e 8)
- Karl Rokfist (bateria na faixa 9)
- Dirk Verbeuren (bateria na faixa 6)

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quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Hansen & Friends - Thank You Wacken (Live) (CD + DVD)


Hansen & Friends - Thank You Wacken (Live) (CD + DVD)
(Shinigami Records/earMUSIC - Nacional)


01. Born Free
02. Ride the Sky (Hellowen cover)
03. Contract Song
04. Victim of Fate (Hellowen cover)
05. Enemies of Fun
06. Fire and Ice
07. Burning Bridges
08. Follow the Sun
09. I Want Out (Hellowen cover)
10. Future World (Hellowen cover)
11. All or Nothing
12. Save Us (Hellowen cover)

Ano passado, Kai Hansen resolveu comemorar suas 3 décadas de amor e serviços brilhantemente prestados ao Heavy Metal soltando seu 1º álbum solo, XXX: Three Decades in Metal (resenha aqui), contando com uma série de participações especiais. Mas como isso aparentemente era pouco, resolveu também fazer uma apresentação no Wacken (festival com o qual possui forte ligação, tendo tocado no mesmo pela primeira vez em 1994), e foi dela que nasceu o CD/DVD intitulado Thank You Wacken, que a Shinigami, em parceria com a earMUSIC, nos faz o favor de lançar em versão nacional.

Antes de tudo, o que temos aqui é uma celebração que envolve um artista não só absurdamente talentoso, como também carismático, e um público que o idolatra. Também pudera, o cara não só é o pai do Power Metal como também é criador talvez das duas maiores bandas do estilo, o Helloween e o Gamma Ray, fora seu dedo em nomes como Iron Savior e Unisonic. Hansen possui um legado que deve ser muito respeitado, goste você ou não.

E é em cima desse legado que ele aposta aqui. Das 12 músicas, 7 saíram de seu trabalho solo, enquanto outras 5 são clássicos dos seus tempos de Helloween. Também se cercou de músicos para lá de talentosos. Além da banda formada por Eike Freese (guitarra, Dark Age), Alexander Dietz (baixo, Heaven Shall Burn), Michael Ehré (bateria, Gamma Ray) e Corvin Bahn (teclado, Crystal Breed e Gamma Ray ao vivo), tivemos as participações para lá de especiais de Clémentine Delauney (vocal, Visions of Atlantis), Frank Beck (vocal, Gamma Ray) e sim, ele, Michael Kiske (esse dispensa qualquer apresentação). Em suma, Kai estava muito bem acompanhado em cima do palco.


Uma coisa é indiscutível. As músicas de seu trabalho solo, que já eram boas, conseguiram soar mais fortes e enérgicas ao vivo. Veja os casos de “Born Free”, “Enemies of Fun”, “Fire and Ice” (com um belo dueto entre Kai/Clémentine), “Burning Bridges” e “All or Nothing” (outra a contar com Clémentine), que conseguiram empolgar o público. E vale dizer que esse show foi gravado em 5 de agosto de 2016, sendo que XXX: Three Decades in Metal saiu apenas em setembro, ou seja, estamos falando de músicas que eram desconhecidas dos presentes. Quanto aos clássicos do Helloween executados, aí chega a ser covardia. A forma como “Ride the Sky”, “Victim of Fate”, “Save Us” (ambas com participação de Frank e Clémentine), “I Want Out” e “Future World” inflama a todos é algo impressionante, principalmente as duas últimas, com Kiske nos vocais. Uma bela prévia do que veremos na Pumpkins United World Tour (que passa pelo Brasil em outubro). De quebra, ainda temos um DVD com a apresentação na íntegra, onde podemos constatar todo o clima e interação entre artista e público. Decididamente, ele consegue capturar com precisão toda a energia do show.

Com uma banda entrosada e afiadíssima, e participações especiais que enriquecem mais ainda o trabalho final, o que temos de resultado final é uma verdadeira celebração à carreira de um dos músicos mais talentosos de todo o cenário do Heavy Metal. Com muita entrega de todos, energia e muita diversão, temos aqui um material imperdível. E só existe uma forma de encerrar essa resenha: muito obrigado, Kai Hansen!

NOTA: 8,5

Kai Hansen é:
- Kai Hansen (vocal/guitarra);
- Eike Freese (guitarra);
- Alexander Dietz (baixo);
- Michael Ehré (bateria);
- Corvin Bahn (teclado).

Participações Especiais
- Clémentine Delauney (vocal nas faixas 4, 6, 11 e 12/backing vocals)
- Frank Beck (vocal na faixa 4/backing vocals)
- Michael Kiske (vocal nas faixas 9 e 10)

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terça-feira, 19 de setembro de 2017

Municipal Waste - Slime And Punishment (2017)

Municipal Waste - Slime And Punishment (2017)
(Shinigami Records/Nuclear Blast – Nacional)


01. Breathe Grease
02. Enjoy The Night
03. Dingy Situations
04. Shrednecks
05. Poison The Preacher
06. Bourbon Discipline
07. Parole Violators
08. Slime And Punishment
09. Amateur Sketch
10. Excessive Celebration
11. Low Tolerance
12. Under The Waste Command
13. Death Proof
14. Think Fast

Lá se vão 5 anos desde que os americanos do Municipal Waste, uma das melhores bandas de Thrash/Crossover da nova geração, lançou The Fatal Feast (Waste in Space) (12). Nesse período, excursionaram por um bom tempo, chegaram a compor um álbum inteiro, que foi descartado por não ser considerado bom o suficiente, além de Tony Foresta (vocal) e Land Phil terem lançado 3 trabalhos com o Iron Reagan (este último ainda soltou 2 CD’s com o Cannabis Corpse, do qual também faz parte. Além disso, desde 2016 se tornou um quinteto, com a entrada do guitarrista Nick Poulos.

Um novo membro que altere a estrutura da banda de tal forma (já que passaram a ter 2 guitarristas) é sempre algo arriscado, já que se faz necessário um tempo de adaptação entre os músicos. Felizmente isso não foi um problema aqui, já que Nick tocou com Phil no Cannabis Corpse e no Vulture, sendo que nessa, ele ainda toca ao lado do guitarrista Ryan Waste. Ou seja, a química já existia e isso acaba tendo reflexos mais que positivos em Slime And Punishment, 6º álbum de estúdio do grupo.

A sonoridade da banda se mantém praticamente intocada. É aquele Thrash/Crossover rápido, pesado, agressivo, com riffs marcantes, vocais insanos e parte rítmica direta. Mas agora sua música se mostra mais madura, e por mais que você possa perceber a influência de nomes como Nuclear Assault, D.R.I ou Anthrax, ela soa mais do que nunca como Municipal Waste. Vale destacar o trabalho das guitarras, que está simplesmente excelente, com riffs verdadeiramente viciantes.

Como de praxe, as canções são curtíssimas e nenhuma chega à casa dos 3 minutos. É um verdadeiro massacre musical. O álbum abre com a intensa e agressiva “Breathe Grease”, e tem continuidade com a sequência formada por “Enjoy The Night”, um Thrashcore brutal que dura menos de 1 minuto, e “Dingy Situations”. “Shrednecks” tem o poder de uma bomba de hidrogênio, com ótimos riffs e grande poder de destruição, enquanto em “Poison The Preacher” o lado Hardcore fala um pouco mais alto, com toda a sua energia e intensidade. O alto nível de qualidade se mantém em “Bourbon Discipline”, “Parole Violators” (que conta com a participação de Vinnie Stigma, do Agnostic Front, interpretando um policial), veloz e intensa e em “Slime And Punishment”, com uma levada mais cadenciada, mas sem perder a intensidade. A velocidade retorna com “Amateur Sketch” e “Excessive Celebration”, que vão direto ao ponto, soando bem diretas. “Low Tolerance” abre a sequência final de forma bem agressiva, sendo seguida pela ótima instrumental “Under The Waste Command”, por “Death Proof”, outra com momentos um pouco mais cadenciados e a ótima “Think Fast”, um crossover de 1ª categoria, que encerra o álbum com chave de ouro.


Gravado no Blaze of Torment Studios, com produção da própria banda, Slime And Punishment teve sua mixagem e masterização feitas por ninguém menos que Bill Metoyer. O resultado final foi ótimo, já que apesar da música soar bem old school, a produção não deixa que ela soe datada, dando à mesma um ar bem atual. A capa é   de autoria de Andrei Bouzikov, com layout do encarte feito por Marcelo Vasco. Ótimo trabalho de ambos.

Rápido, barulhento e agressivo. Eis aqui um resumo perfeito do que é Slime And Punishment. Eis aqui um CD para você afastar por completo os móveis da sala, bater cabeça freneticamente e moer por cada vértebra do pescoço.

NOTA: 8,5

Municipal Waste é:
- Tony Foresta (vocal);
- Ryan Waste (guitarra);
- Nick Poulos (guitarra);
- Landphil (baixo);
- Dave Witte (bateria).

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domingo, 17 de setembro de 2017

Fast Review – Resenhas rápidas para consumo imediato!

Adagio - Life (2017)
(Zeta Nemesis Records – Importado)
 

Apesar de completar 17 anos de carreira, esse é apenas o 5º álbum de estúdio dos franceses, muito disso devido à alta rotatividade do posto de vocalista (Kelly Sundown Carpenter é quem ocupa o cargo agora). Após um hiato de 8 anos desde o lançamento de Archangels in Black (09), retornam apresentando um trabalho que consegue ser tão bom (ou quem sabe melhor) que o excelente Underworld (03). Podemos até dizer que, em matéria de estrutura musical, esse é um retorno à 1ª fase da banda, já que deixaram de lado os elementos mais extremos adotados nos últimos álbuns em prol de uma linha mais Prog/Power (pendendo mais para o primeiro). A diferença é que aqui soam bem atuais, muito pelos toques de Djent que surgem aqui e ali. Conseguiram também se afastar das comparações (que eram justas) com o Symphony X, parecendo que finalmente encontraram sua identidade. Life é um álbum grandioso, onde conseguem equilibrar muito bem ótimos refrões, melodias marcantes, partes atmosféricas, muita progressividade e peso. Uma das grandes surpresas de 2017. (9,0)

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Tau Cross  - Pillar Of Fire (2017)
(Relapse Records – Importado)
 

Quando Rob “The Baron” Miller (Amebix) e Michel “Away” Langevin (Voi Vod) juntaram suas forças em um novo projeto, criaram as melhores expectativas, que se confirmaram no autointitulado álbum de estreia do Tau Cross, onde mesclaram de forma primorosa Punk, Crust e Thrash Metal. Em Pillar Of Fire não só conseguem manter a qualidade mostrada no debut, como conseguem ir além, trazendo para sua música até mesmo alguns elementos acústicos que surgem aqui e ali. Os vocais de Miller continuam intensos e variados, e o ótimo trabalho de guitarra, com riffs simples, pesados e altamente funcionais, é um outro ponto a se destacar. Diversificado, divertido e cativante como poucos álbuns que escutei neste ano. (8,5)

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Masterplan – PumpKings (2017)
(AFM Records – Importado)
 

No meio da música, poder fazer algo não significa que tenha propriamente que fazer. Timing também é algo muito importante, já que, dependendo da situação, você pode passar a impressão de oportunismo. Roland Grapow tem uma história importante ao lado do Helloween, mas lançar um trabalho com versões de músicas dos alemães que ele ou escreveu ou coescreveu, em um momento em que esses estão em uma badalada turnê mundial ao lado de Kai Hansen e Michael Kiske (e da qual ele ficou fora por motivos mais que óbvios), faz com que PumpKings tenha um tremendo cheiro de caça-níqueis. Mas, sejamos justos, obstante essa sensação chata, estamos diante de um bom trabalho, já que o conteúdo do álbum, além de agradável, é bem coeso e sólido. Além disso, as versões ficaram bem legais, com uma cara mais próxima do que o Masterplan faz em seus álbuns, muitas vezes estando mais rápidas e pesadas que as originais. Certamente vai agradar aos fãs do seu trabalho, mas ainda assim aquela impressão de oportunismo não se dissipa. Aos interessados, PumpKings está saindo em versão nacional pela Valhall Music. (7,5)

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Lacrimosa - Testimonium (2017)
(Hall Of Sermon – Importado)
 

O 13º álbum de estúdio do Lacrimosa é, segundo Tilo Wolff, dedicado a grandes artistas que faleceram no ano de 2016 e que lhe serviram de inspiração. E como não poderia ser diferente, sua mescla de Música Clássica, Darkwave, Rock Gótico e Metal, possui aquela atmosfera escura que nos acostumamos em trabalhos do grupo. Pendendo um pouco mais para o Gothic Metal, Testimonium tem bom peso, mas peca por muitas vezes soar previsível, já que nada aqui surpreende o ouvinte. Além disso, falta ao álbum aquela canção bombástica, que gruda na sua cabeça e você demora dias e dias para esquecer. Ainda assim, é justamente por ser tão óbvio, que certamente fará a alegria dos fãs. (7,5)

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Desultory - Through Aching Aeons (2017)
(Pulverised Records – Importado)
 

Ah, o bom e velho Death Metal Sueco! Pois é isso que encontramos em Through Aching Aeons, 5º trabalho de estúdio dos veteranos do Desultory. O peso se faz presente com sobra aqui, enquanto as guitarras despejam riffs violentos e são responsáveis por melodias um tanto sombrias, fazendo com que sua sonoridade soe como uma mescla de Dismember, Entombed e At The Gates. Podem até não alcançar o nível de excelência de Into Eternity (93) e Bitterness (94), mas ainda assim nos apresentam um registro de Death Metal forte, feroz e potente, desses capazes de moer pescoços alheios. (8,0)

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Arthemis - Blood - Fury - Domination (2017)
(Scarlet Records – Importado)
 

Quando pensamos em uma banda de Power Metal vinda da Itália, de imediato já imaginamos algo na linha do Rhapsody (of Fire) e afins, com partes velozes e melodias e partes sinfônicas aos borbotões. Mas esse não é o caso do Arthemis, banda que está na ativa desde 1999 e que chega ao seu 8º álbum. Seu Power Metal é pesado, moderno, com alguns bons flertes com Thrash/Groove, fugindo assim de uma fórmula que já está pra lá de desgastada e que raramente tem rendido algo memorável nos últimos anos. Uma surpresa para lá de positiva. (7,5)

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quarta-feira, 13 de setembro de 2017

EZoo - Feeding The Beast (2017)


EZoo - Feeding The Beast (2017)
(Shinigami Records/earMUSIC - Nacional)


01. You Are Your Wallet
02. The Flight Of The Sapini
03. C’est La Vie
04. Guys From God
05. Feeding The Beast
06. Eyes Of The World
07. Colder Than Cool
08. Too High to Be Falling
09. Motorbike
10. Since You Been Gone
11. Don’t Look Back
12. CODA

Graham Bonnet é um músico que dispensa apresentações. Seja por sua passagem por nomes como Rainbow (onde substituiu Dio), Michael Schenker Group, Alcatrazz, Impellitteri e Blackthorne (em que tocou com Bob Kulick, Chuck Wright e Frankie Banali), ou por sua carreira solo, o britânico marcou seu nome como uma das maiores vozes do Hard/Heavy de todos os tempos. Já o guitarrista italiano Dario Mollo pode não ser tão badalado, mas seus álbuns com o Crossbones, The Cage (ao lado de Tony Martin, ex-Black Sabbath) e Voodoo Hill (uma parceria com ninguém menos que Glenn Hughes), além de seu renome como produtor, deixam bem evidente que estamos diante de um grande talento.

Apesar de Feeding The Beast ser o trabalho de estreia do EZoo, as raízes do projeto são muito mais antigas. No ano de 2001, Graham e Dario tiveram a oportunidade de excursionar na banda de Don Airey (Deep Purple), e a química entre o vocalista e o guitarrista funcionou tão bem, que em 2004 resolveram formar o Electric Zoo. Com a banda, excursionaram pela Europa e chegaram a planejar um álbum para o ano de 2007, mas devido aos diversos compromissos musicais de ambos, a ideia acabou no limbo, ficando de recordação apenas 3 covers que haviam gravado nos ensaios para a turnê de 2004. Pois foi após escutar as mesmas esse ano, que Bonnet resolveu entrar em contato com Mollo, sugerindo que finalmente tocassem a ideia em frente. E bem, agora finalmente temos o resultado dessa união em mãos.

Antes de tudo, o prezado leitor tem que ter em mente que Graham Bonnet, com seus 69 anos, não é mais o mesmo vocalista que gravou trabalhos como Down to Earth (Rainbow), No Parole from Rock 'n' Roll (Alcatrazz), Stand in Line (Impellitteri) ou Assault Attack (MSG). Ele adaptou sua voz à sua atual realidade, e mesmo que não tenha todo o alcance vocal de 40 anos atrás, ainda assim é um verdadeiro monstro quando o assunto é cantar. Já Dario Mollo não esconde em momento algum toda a influência que possui de nomes como Ritchie Blackmore e Eddie Van Halen, nos entregando de bandeja ótimos riffs e melodias, além de alguns solos verdadeiramente primorosos. O cara realmente é bom no que faz.




Acompanhados do baixista/tecladista Dario Patti (Crossbones, The Cage, Voodoo Hill) e do baterista Roberto Gualdi (Premiata Forneria Marconi, The Cage, ex-Voodoo Hill), a dupla Bonnet/Mollo lançou um dos melhores trabalhos de Hard/Heavy de 2017. O primeiro mostra que, apesar do tempo, a idade não pesa (ao menos em estúdio), e nos entrega um trabalho vocal bem característico e carregado de identidade. Potente e com seu timbre bem característico, é incrível como sua voz se encaixou bem no instrumental. Já Dario brilha com guitarras simplesmente fenomenais, tanto no que tange as bases, como também nos riffs e solos, e tudo isso sem precisar cometer exageros para demonstrar toda a sua técnica.

Das 12 faixas aqui presentes, 2 são instrumentais, “The Flight Of The Sapini” (duvido você não lembrar de “Eruption”, do Van Halen) e “CODA”, que encerra o álbum. Das demais, eu apontaria como destaques a cativante e forte faixa de abertura, “You Are Your Wallet”, o Hard intenso de “C’est La Vie”, com brilhantes desempenhos de Dario e Bonnet, a grudenta “Guys From God”, com sua pegada meio Blues, a enérgica “Colder Than Cool” e a ótima “Motorbike”, um Hard daqueles, que vai te transportar diretamente aos anos 80. E claro, não podemos esquecer aqui dos 2 covers do Rainbow presentes (e que contam com Guido Block no baixo), “Eyes Of The World” e “Since You Been Gone” (que originalmente já se trata de um cover de Russ Ballard), onde o Ezoo, sem inventar, consegue imprimir sua personalidade.

Com ótimas melodias, algumas verdadeiramente grudentas, peso e agressividade na medida certa, um trabalho de guitarra magistral e linhas vocais marcantes, o Ezoo entrega com Feeding The Beast uma verdadeira aula de como fazer Hard 'n' Heavy. Simplesmente obrigatório para qualquer fã do estilo.

NOTA: 8,5

Ezoo é:
- Graham Bonnet (vocal);
- Dario Mollo (guitarra);
- Dario Patti (baixo/teclado);
- Roberto Gualdi (bateria).

Graham Bonnet:
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Dario Mollo
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terça-feira, 12 de setembro de 2017

Marillion - Marbles in the Park (2017) (DVD)


Marillion - Marbles in the Park (2017) (DVD)
(Shinigami Records/earMUSIC - Nacional)


01. The Invisible Man
02. Marbles I
03. Genie
04. Fantastic Place
05. The Only Unforgivable Thing
06. Marbles II
07. Ocean Cloud
08. Marbles III
09. The Damage
10. Don’t Hurt Yourself
11. You’re Gone
12. Angelina
13. Drilling Holes
14. Marbles IV
15. Neverland
16. Out Of This World
17. King
18. Sounds That Can’t Be Made

Com quase 40 anos de carreira nas costas, o Marillion dispensa apresentações, e álbuns como Script for a Jester's Tear (83), Fugazi (84) e Misplaced Childhood (85), lançados com Fish nos vocais, estão na memória de qualquer fã, não só da banda, como de Rock Progressivo. E apesar de muitos por ai possuírem certa implicância com a fase Steve Hogarth, a verdade é que ótimos álbuns foram lançados com o mesmo no vocal, como Brave (94), Afraid of Sunlight (95), Marbles (04) e o recente Fear (16).

E foi um destes, Marbles, que o quinteto formado por Hogarth, Steve Rothery (guitarra), Pete Trewavas (baixo), Ian Mosley (bateria) e Mark Kelly (teclado) resolveu apresentar na íntegra, durante um show realizado em 21 de março de 2015, na edição do Marillion Weekend ocorrido no Center Parcs, Port Zelande, Holanda. E se o CD duplo resenhado há alguns meses (resenha aqui) já era algo acima da média, o que temos a oportunidade de assistir nesse DVD é algo ainda mais absurdo, tamanha a qualidade. Só vendo para crer.

Em relação à qualidade sonora, ela já era fantástica no CD e aqui a mesma se mantém, mas ter a oportunidade de ver com seus olhos o que foi tal apresentação, é que acaba por tornar a experiência de Marbles in the Park ainda mais forte. A captação das imagens beira a perfeição, mas o grande diferencial é o clima intimista criado por um evento desse tipo, já que a maior proximidade e ligação da banda com seus fãs permite uma relação muito mais emocional, que você dificilmente presenciaria em um festival com diversas bandas, por exemplo.


Tudo soa muito mais impactante com os efeitos visuais projetados no telão e com os jogos de luzes. Mas são os músicos que fazem a diferença no resultado final, principalmente a figura de Steve Hogarth, com todo seu carisma e força, além da capacidade ímpar de deixar transparecer as emoções presentes nas canções do Marillion. Ele tem o público em suas mãos durante toda a apresentação. O restante da banda não fica muito atrás. Steve Rothery, um monstro com sua guitarra, desfila toda a sua categoria e talento, acompanhado de Trewavas, Mosley e Kelly. Podem ser discretos em suas movimentações em cima de um palco, mas são explosivos quando tocam seus instrumentos.

Quanto às músicas, todas, todas mesmo se destacam. As que já chamavam a atenção no CD, se tornam ainda mais incríveis, enquanto as demais sobem mais um patamar em matéria de qualidade. “The Invisible Man”, “Ocean Cloud”, "Neverland", “The Damage”, “You’re Gone”, "Fantastic Place", “Drilling Holes”, “The Only Unforgivable Thing”, "Angelina", as 4 partes de "Marbles", todas possuem seus momentos de brilho. É difícil para um fã de boa música descolar os olhos da tela durante a execução do DVD, diante de tão belíssimas imagens e de uma apresentação tão forte e marcante. É isso que torna esse material mais do que obrigatório na coleção de qualquer um.

NOTA: 9,5

Marillion é:
- Steve Hogarth (vocal);
- Steve Rothery (guitarra);
- Pete Trewavas (baixo);
- Mark Kelly (teclado);
- Ian Mosley (bateria).

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segunda-feira, 11 de setembro de 2017

Fire Strike - Slaves Of Fate (2017)


Fire Strike - Slaves Of Fate (2017)
(Shinigami Records - Nacional)


01. Reach For Your Life
02. Master of the Seas
03. Slave of Your Fate
04. Electric Sun
05. The Wolves Don’t Cry
06. Losing Control
07. Streets of Fire
08. Lust
09. Our Shout is Heavy Metal

Formado no ano de 2005, o Fire Strike viveu aquele processo que quase toda banda passa, de estabilizar uma formação e encontrar e amadurecer seu som. Isso resultou, no ano de 2013, no EP Lion and Tiger, onde apesar de alguns pequenos exageros e aspectos que poderiam ser maturados, mostraram muito potencial. Era apenas questão de acertar detalhes aqui e ali, e foi isso que fizeram nesses últimos 4 anos, já que fica visível o quanto evoluíram sua música nesse período quando finalizamos a execução de Slaves of Fate, seu primeiro trabalho completo de estúdio.

Para quem desconhece o trabalho do quinteto paulistano, trafegam com bastante naturalidade pelo Metal Tradicional e o Speed Metal, com alguns flertes com o Hard Rock aqui e ali, gerando uma sonoridade que invariavelmente remete o ouvinte a nomes mais que consagrados como Iron Maiden, Judas Priest, Saxon, Accept e Warlock. Sua música aposta na simplicidade, sem elementos muito intrincados, procurando ir direto ao ponto quando o assunto é Heavy Metal. O peso e a agressividade também se fazem presentes, mas de forma equilibrada, já que também temos ótimas melodias aqui.

Um dos destaque de Slaves of Fate é o trabalho vocal de Aline Nunes. Se exageros nesse sentido foram cometidos no EP de 2013, aqui eles foram sanados, e o que ficou foi uma voz potente, enérgica e que acaba sendo um belíssimo diferencial para a banda. A dupla de guitarristas, formada por Helywild Amaro e Henrique Schuindt, nos entrega ótimos riffs e solos (esses dotados de ótimas melodias), enquanto a parte rítmica, com Edivan Diamond (baixo) e Alan Caçador (bateria), mostra não só boa técnica e variedade, como também muita coesão. 


Das 9 canções aqui presentes, 2 já haviam aparecido no EP e as demais são inéditas. A abertura se dá com a “maideniana” “Reach For Your Life”, veloz, enérgica e com um bom refrão. Na sequência, temos “Master of the Seas”, oriunda do EP, onde observamos um bom trabalho da parte rítmica, solos melódicos e ótimos vocais de Aline. “Slave of Your Fate” se mostra um pouco mais cadenciada em seu início, sendo outra onde os vocais de Aline se sobressaem. Em “Electric Sun”, o destaque vai para a dupla de guitarristas, assim como também na enérgica “The Wolves Don’t Cry”, que tem alguns dos melhores solos de todo o álbum. “Losing Control” se mostra bem variada, com partes mais lentas (próximas até de uma balada) e outras um pouco mais aceleradas, além de um refrão que te pega fácil, e “Streets of Fire”, a outra faixa oriunda de Lion and Tiger, tem bons riffs e vocais para lá de potentes. Para finalizar, uma ótima sequência formada pela acelerada “Lust” e por “Our Shout is Heavy Metal”, outra onde a influência de Iron Maiden se mostra um pouco mais perceptível nas guitarras.

Tanto a produção, quando a mixagem e masterização foram feitas por ninguém menos que Andria Busic (Dr.Sin), com um resultado muito bom, já que a mesma soa crua e orgânica na medida certa, sem exageros. Já a capa foi obra de Celso Mathias (que já havia feito a do EP), responsável pelas capas de bandas nacionais como Brothers of Sword e Hazy Hamlet. No geral, o quinteto não apresenta absolutamente nada de novo, mas a forma como trabalham as velhas fórmulas é bem interessante, fazendo com que não soem como simples emulação de nomes consagrados. Se mostrando mais maduro, o Fire Strike confirma o potencial mostrado 4 anos atrás e se mostra pronto para começar a sonhar mais alto daqui para frente.

NOTA: 8,0

Fire Strike é:
-  Aline Nunes (vocal);
- Helywild Amaro (guitarra);
- Henrique Schuindt (guitarra);
- Edivan Diamond (baixo);
- Alan Caçador (bateria).

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domingo, 10 de setembro de 2017

Fast Review – Resenhas rápidas para consumo imediato!

White Skull - Will of the Strong (2017)
(Dragonheart Records – Importado)
 

No final da década de 90 e início da de 2000, Tales from the North (99) e Public Glory, Secret Agony (00) colocaram o nome do italiano White Skull em evidência. E isso não se dava apenas pelo Power Metal de rara qualidade apresentado, mas também pelos incríveis vocais de Federica “Sister” De Boni. Após sua saída em 2001, até chegaram a lançar bons álbuns, mas nada que chegasse ao nível de excelência do passado. Apesar de seu retorno em 2010, Under This Flag (12) manteve a sequência de álbuns que variavam entre mediano e bom, chegando a ser meio decepcionante para quem recordava dos trabalhos passados. Mas eis que em Will of the Strong a magia do passado parece ter retornado. Além de apresentarem um Power Metal pesado e que chega a flertar com o Thrash em alguns momentos, mostram um uso equilibrado dos teclados e orquestrações que soam bombásticas. E quanto a Federica, bem, seus vocais estão soando mais fortes e agressivos do que nunca, mostrando que o tempo só fez bem à sua voz. Uma aula de Power Metal! (8,5)

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Hell Fire - Free Again (2017)
(Independente – Importado)
 

O Hell Fire não deixa qualquer dúvida quanto à sua fonte de inspiração, a NWOBHM. Tudo aqui remete àquele período do final dos anos 70 e início dos 80, e a trabalhos de bandas como Iron Maiden, Diamond Head, Raven e Satan. Temos boas harmonias e riffs, ótimas guitarras gêmeas, além de uma parte rítmica forte e coesa. Tudo o que esperamos de uma banda inglesa do período em questão, mas com um detalhe: o grupo é americano. E isso nos é despertado quando nos deparamos com uma faixa como “Beyond Nightmares”, um Proto-Thrash que nos remete de imediato aos primórdios de ninguém menos que o Metallica. Se você curte nomes dessa nova geração, como Enforcer, Cauldron, Skull Fist, Striker e Night Demon, temos aqui mais um nome para você acrescentar à sua lista. (8,0)

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Dawn of Disease - Ascension Gate (2017)
(Napalm Records – Importado)
 

A cena do Death Metal Melódico pode ter dado uma estagnada nos últimos anos, mas ainda é capaz de gerar bons trabalhos, como o 4º álbum de estúdio dos alemães do Dawn of Disease. Ok, sua música não transborda originalidade, e em diversos momentos suas influências (Amon Amarth, At the Gates, In Flames (antigo) e Dark Tranquility) ficam bem evidentes, mas ainda assim são capazes de forjar boas melodias e dar às suas canções um clima épico. Além disso, equilibram muito bem peso, agressividade e sim, acessibilidade. Os fãs do estilo e das bandas citadas acima certamente aprovarão. (7,5)

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Ereb Altor - Ulfven (2017)
(Hammerheart Records – Importado)
 

O Ereb Altor nunca escondeu sua veneração ao Bathory, tanto que seu trabalho anterior, Blot · Ilt · Taut (16), foi um álbum de covers da banda do saudoso Quorthon. Mas engana-se quem pensa que sua música é uma simples emulação da mesma, já que apesar de toda influência, seu Viking/Black Metal também possui elementos que remetem aos trabalhos atuais de bandas como Týr, Enslaved e Falkenbach. Em Ulfven, encontramos, além do clima épico, riffs fortes e marcantes, boas melodias e muita variação vocal, mas tudo isso sem perder a rispidez e a aspereza que lhe são características. Uma música realmente grandiosa e que deixaria Quorthon orgulhoso. (8,5)

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Serious Black – Magic (2017)
(AFM Records – Importado)
 

O Serious Black surgiu em 2014 unindo Urban Breed (vocal/ex-Tad Morose), Roland Grapow (guitarra/ex-Helloween), Dominik Sebastian (guitarra/Edenbridge), Mario Lochert (baixo/ex-Visions of Atlantis), Thomen Stauch (bateria/ex-Blind Guardian) e Jan Vacik (teclado/ex-Dreamscape), e logo a alcunha de “Supergrupo de Power Metal” pegou. Mas a verdade é que a coisa nunca engrenou de verdade. Roland e Thomen saíram, Bob Katsionis (Firewind) e Alex Holzwarth (ex-Luca Turilli's Rhapsody, ex-Rhapsody of Fire) chegaram, e o sexteto chega a seu 3º álbum em 3 anos. Se Mirrorworld (16) havia sido superior à estreia com As Daylight Breaks (15), o mesmo não se pode falar de Magic. Por mais que a história contada seja interessante (o trabalho é conceitual), musicalmente não apresentam absolutamente nada de novo. É o mesmo Power Metal com nuances de Prog que já foi explorado por muitas outras bandas. A sorte do Serious Black é que os músicos envolvidos são de 1ª linha, e compensam isso com muito talento, boa técnica, bons riffs, melodias agradáveis e refrões marcantes. No fim, é um álbum que certamente cativará os fãs do estilo, mas que convenhamos, está muito aquém do que poderia ser com músicos desse porte envolvidos. (7,5)

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Kal-El - Astrodoomeda (2017)
(Argonauta Records – Importado)
 

A capa e o título do CD não nos deixa enganar, estamos diante de uma banda de Stoner/Doom. Em seu 3º álbum de estúdio, os noruegueses do Kal-El nos entregam um dos melhores lançamentos do estilo nesse ano de 2017. Os vocais de Cpt Ulven nos remetem diretamente aos de Ozzy Osbourne, enquanto a guitarra de Roffe despeja riffs que são uma mistura de Black Sabbath, Nebula e Monster Magnet. Enquanto isso, a parte rítmica, com o baixo de Liz e a bateria de Bjudas, parece pesar uma tonelada de tão pesada que soa. De quebra, temos boas doses de Psychedelic e Desert Rock, e uma temática toda voltada para o Sci-fi, que deixa tudo ainda mais legal. Ah, já ia me esquecendo, Astrodoomeda encerra com um cover muito bem-feito para “Green Machine”, do lendário Kyuss, Imperdível! (9,0)

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sexta-feira, 8 de setembro de 2017

Suffocation - ...of the Dark Light (2017)


Suffocation - ...of the Dark Light (2017)
(Shinigami Records/Nuclear Blast - Nacional)


01. Clarity Through Deprivation
02. The Warmth Within the Dark
03. Your Last Breaths
04. Return to the Abyss
05. The Violation
06. ...Of the Dark Light
07. Some Things Should Be Left Alone
08. Caught Between Two Worlds
09. Epitaph of the Credulous

Um dos nomes seminais do estilo. Inovadores e responsáveis pelo lançamento das bases do que podemos entender por Brutal Death Metal e Technical Death Metal. O Suffocation dispensa apresentações, afinal, são quase 30 anos de carreira (incluindo o hiato entre 1998 e 2002), nos quais deram uma contribuição inestimável ao Metal Extremo, além de, claro, terem lançado clássicos do porte de Effigy of the Forgotten (91), Breeding the Spawn (93) e Pierced from Within (95). Sua influência é algo incontestável.

Desde seu retorno em 2002, mesmo que não tenham alcançado a excelência de sua primeira fase, nunca lançaram algo decepcionante, já que trabalhos como Souls to Deny (04), Suffocation (06), Blood Oath (09) ou mesmo Pinnacle of Bedlam (13) estão muito acima da média do que ouvimos por aí. Para o lançamento de seu 8º álbum de estúdio, passaram por algumas mudanças de formação, já que do line-up que gravou o último álbum, tivemos as saídas de ninguém menos que o guitarrista Guy Marchais e do baterista Dave Culross (substituído por Kevin Talley, que também se retirou da banda posteriormente). Sendo assim, temos aqui duas estreias, Charlie Errigo (guitarra) e Eric Morotti (bateria). Uma curiosidade a respeito de tais mudanças é que ambos sequer eram nascidos quando o Suffocation estreou com o fantástico Effigy of the Forgotten.

E é justamente essa juventude que acabou por fazer um bem tremendo ao Suffocation, renovando o seu som. Mas calma, não estamos falando aqui que houve alguma mudança na sonoridade da banda, mas sim em matéria de energia. A entrada de 2 novos membros parece ter reacendido aquela chama inicial dos anos 90, já que sem qualquer tipo de exagero, ...of the Dark Light poderia ser o sucessor natural de Pierced from Within, o elo perdido entre os anos 90 e os 2000, já que em muitos momentos de suas 9 músicas somos remetidos à fase inicial do grupo, principalmente no trabalho das guitarras, onde o lendário Terrance Hobbs e o novato Errigo despejam riffs simplesmente incríveis. Na parte rítmica, o baixo de Derek Boyer soa simplesmente impactante, enquanto Morotti nos apresenta um trabalho de bateria intrincadíssimo. Quanto aos vocais, bem, é Frank Mullen cantando e não preciso dizer mais nada.


O álbum abre com a desoladora “Clarity Through Deprivation”, onde velocidade e cadência se misturam para gerar algo simplesmente brutal. A incrível sequência inicial ainda conta com “The Warmth Within the Dark” e seus riffs absurdamente cativantes e a técnica “Your Last Breaths”, onde o trabalho das guitarras e da bateria se sobressaem. Em “Return to the Abyss” é possível observarmos algumas melodias, mesmo que não abram mão da brutalidade em momento algum, enquanto “The Violation”, além de apresentar um ótimo trabalho vocal, transborda energia por todos os poros. “...Of the Dark Light” é outra que mescla com muita competência os momentos mais velozes com os mais cadenciados, e “Some Things Should Be Left Alone” apresenta um dos melhores riffs de todo o  trabalho. Na sequência final, temos “Caught Between Two Worlds”, que é outra que incorpora boas melodias mesmo sendo absurdamente agressiva e bruta, e uma ótima regravação para “Epitaph of the Credulous”, presente em Breeding the Spawn e que fecha o álbum de forma perfeita.

No quesito produção, repetiram o que vêm fazendo desde seu retorno, com a mesma ficando a cargo de Joe Cincotta. Já a mixagem e masterização, assim como no álbum anterior, foi realizada pelo renomado Zeuss (Carnifex, Crowbar, Kataklysm, Iced Earth, Queensrÿche, Municipal Waste, Soulfly). O resultado final é o melhor em anos, já que soa muito mais orgânica do que vínhamos observando anteriormente. Já a bela capa é obra de Colin Marks (Kataklysm, Exodus, Jeff Loomis, Nevermore, Fleshgod Apocalypse), saindo um pouco do padrão que estamos acostumados ver o Suffocation adotar.

Ao final, temos o seu trabalho mais forte nos últimos anos e seu melhor álbum desde o retorno em 2002. Com energia de sobra e composições agressivas, brutas, técnicas e complexas, mais uma vez o Suffocation vai fazer a alegria de seus fãs, mostrando a quem duvidava que ainda têm muita lenha para queimar e muita coisa boa para oferecer ao Death Metal. Um dos melhores trabalhos de Metal Extremo de 2017.

NOTA: 9,0

Suffocation é:
- Frank Mullen (vocal);
- Terrance Hobbs (guitarra);
- Charlie Errigo (guitarra);
- Derek Boyer (baixo);
- Eric Morotti (bateria).


quarta-feira, 6 de setembro de 2017

The Night Flight Orchestra - Amber Galactic (2017)


The Night Flight Orchestra - Amber Galactic (2017)
(Shinigami Records/Nuclear Blast – Nacional)


01. Midnight Flyer
02. Star of Rio
03. Gemini
04. Sad State Of Affairs
05. Jennie
06. Domino
07. Josephine
08. Space Whisperer
09. Something Mysterious
10. Saturn in Velvet
11. Just Another Night

Quando fiquei sabendo que o 3º álbum de estúdio do The Night Flight Orchestra sairia em versão nacional, não vou negar que abri um sorriso de orelha a orelha. Para quem não conhece o sexteto sueco, uma das bandas mais legais da atualidade, se trata de um daqueles projetos que chamamos de supergrupo. Sua formação conta com Björn “Speed” Strid (vocal/Soilwork), David Anderson (guitarra/Soilwork), Sebastian Forslund (guitarra), Sharlee D’Angelo (baixo/Arch Enemy, Spiritual Beggars, ex-King Diamond), Jonas Kälsbäck (bateria/Mean Streak) e Richard Larsson (teclado/Gathering Of Kings). Em resumo, só músicos do mais alto gabarito.

Quem escutou os dois excelentes trabalhos anteriores, Internal Affairs (12) e Skyline Whispers (15), sabe muito bem o que irá encontrar em Amber Galactic, mas se você desconhece por completo a banda e foca apenas nos grupos de origem dos músicos, se prepare para uma grande surpresa, pois a aposta aqui é no Classic Rock setentista, com grandes nuances de Rock Melódico/AOR/Rock de Arena. Saca aquela sonoridade típica da transição dos anos 70 para os 80, que consagrou nomes como Journey, Kansas, Boston, Foreigner, Styx, Toto, Survivor ou Eagles? É exatamente isso que você irá encontrar por aqui. E prezado leitor, isso é bom demais, acredite.

No The Night Flight Orchestra,  Björn “Speed” Strid tem a oportunidade rara de mostrar todo o seu talento como vocalista, comprovando de uma vez por todas que é sim, o melhor cantor daquela geração do Death Melódico surgida nos anos 90. Se não acredita, basta escutar o que ele faz por aqui. A dupla de guitarristas formada por David Anderson e Sebastian Forslund mostra uma competência impar, forjando ótimos riffs, enquanto a parte rítmica, com Sharlee e Jonas, esbanja talento, técnica e muito groove (e convenhamos, não podia ser diferente). Por último, cabe também destacar o excelente trabalho do tecladista Richard Larsson, que não só encaixa muito bem suas partes nas músicas, como faz solos inspiradíssimos. 


Já na abertura, o sexteto deixa bem claro a que veio. “Midnight Flyer” é uma faixa forte, que mescla algo de Prog Rock com Deep Purple, com bons riffs, ótimos vocais e solos. “Star of Rio” tem uma pegada mais Rock, novamente com as guitarras se destacando e um refrão bem marcante, enquanto “Gemini” é divertida, com uma melodia que cativa o ouvinte desde o primeiro segundo e um refrão simplesmente grudento, que você já se pega cantando de primeira. Vale deixar claro que sim, existe uma veia certa veia Pop na música do TNFO, que dá à sua música uma acessibilidade muito legal. Já “Sad State Of Affairs” soa como se o Kiss se encontrasse com o Rolling Stones, com ótimos resultados, e a balada “Jennie” tem muito de Supertramp nela, com destaque para o trabalho dos teclados.

A segunda metade do álbum abre com a ótima “Domino”, carregada de elementos de AOR e que vai te remeter fortemente ao Toto. O refrão simples e pegajoso vai te pegar de cara. “Josephine” possui uma veia pop bem legal, que vai te remeter diretamente ao início dos anos 80, enquanto “Space Whisperer” tem uma pegada um pouco mais Rock, com belo trabalho tanto das guitarras quanto do teclado. “Something Mysterious” me fez pensar de cara em Survivor, com uma levada mais cadenciada e bastante melodia, e “Saturn in Velvet” tem grande influência de Prog Rock, sendo a faixa épica do trabalho. Encerrando, temos uma versão muito legal para “Just Another Night” (Mick Jagger), que coloca o astral lá em cima e te faz dar aquele mergulho de cabeça nos anos 80.

Gravado no Handsome Hard Studio e no Nordic Sound Lab, Amber Galactic teve produção da própria banda, com sua mixagem tendo sido feita por Sebastian Forslund. Já a masterização, realizada no The Panic Room, ficou nas mãos de Thomas “Plec” Johansson. O resultado final é ótimo, já que além de ficar tudo perfeitamente audível, conseguiu deixar bem no clima da época, mesmo soando como uma produção atual. Mantendo o altíssimo nível dos trabalhos anteriores, e provando que não precisa copiar Black Sabbath ou Led Zeppelin para fazer um som que remeta aos anos 70, o The Night Flight Orchestra não só lançou um dos melhores álbuns de 2017, como também um dos mais divertidos.

NOTA: 9,0

The Night Flight Orchestra é:
- Björn “Speed” Strid (vocal);
- David Anderson (guitarra);
- Sebastian Forslund (guitarra);
- Sharlee D’Angelo (baixo);
- Jonas Kälsbäck (bateria);
- Richard Larsson (teclado).

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terça-feira, 5 de setembro de 2017

R.I.V. – Welcome To Prog-Core (2016) (Demo)


R.I.V. – Welcome To Prog-Core (2016) (Demo)
(Independente – Nacional)


01. Headache
02. Animal
03. Freaks in Action
04. No...P.A.S.

O R.I.V., ou Rhythms In Violence, não é uma banda novata. Surgida em Minas Gerais ainda nos anos 80, durou até o ano de 1996, quando encerraram as atividades. Mas é aquela coisa, quando se é picado pela mosca azul do Metal, é difícil ficar afastado do mesmo. Eis que 20 anos depois, retornaram à ativa contando com 2 membros originais, Helbert de Sá (vocal) e Cláudio Freitas (guitarra), o baterista Ricardo Parreiras, que já havia tocado com a banda em sua primeira encarnação, e o baixista Rodrigo Boechat. E para marcar bem esse momento, optaram por lançar uma demo, intitulada Welcome To Prog-Core.

Prog-Core? O prezado leitor deve estar se perguntando o que seria isso, já que em um primeiro momento a mescla de Progressivo e Hardcore parece algo bem improvável. Por isso, confesso que foi com curiosidade que coloquei esse trabalho para tocar no som. Deparei-me então com uma sonoridade que mescla Crossover, Thrash, Hardcore e, sim, Progressivo, gerando assim uma música que confesso, não é das mais simples, já que possui um nível de complexidade um pouco acima da média, além de, claro, gerar uma sonoridade um tanto inusitada em alguns momentos.

Em primeiro lugar, temos aqui uma música pesada e agressiva, e quanto a isso não cabe discussão. Também não cabe contestar que o R.I.V. procura sair do lugar comum e buscar novas saídas para sua música, algo que deve ser visto de forma positiva. Em uma realidade onde quase todo mundo procura apenas emular nomes do passado, é legal ver alguém tentando soar diferente. Suas canções são muito bem trabalhadas, com muitas mudanças de tempo ocorrendo em espaços curtos, já que a música mais longa aqui não passa dos 3 minutos e 29 segundos, e bateria bem quebrada (olha o lado Prog aqui). Os vocais são agressivos e temos bons riffs, além de uma velocidade que aproxima sua sonoridade do Hardcore. 


Em resumo, não se trata de uma sonoridade de fácil digestão, e em alguns momentos, pode até soar um pouco confusa, precisando de um pouco mais de maturação. Nesse ponto, a produção um pouco deficitária tem total influência, já que em alguns momentos prejudica o trabalho do baixo e da bateria. Claro que essa linha mais crua e suja casa bem com a proposta sonora da banda, mas um pouco mais de clareza em todos os instrumentos ajudaria muito na compreensão. É um ajuste que vale a pena ser feito no trabalho vindouro da banda. Dentre as músicas aqui presentes, destacaria “Animal” (regravação de uma faixa antiga da banda) e “Freaks in Action”, que retratam bem a sonoridade do R.I.V. como um todo.

Cabe dizer que após a gravação desse trabalho, a formação foi alterada, e hoje conta com Helbert de Sá nos vocais e guitarra, Fabrício Soares no baixo e Ricardo Parreiras na bateria. É esse trio que está entrando em estúdio para a gravação do novo álbum, que será intitulado Progressive Core. Com alguns ajustes, definitivamente tem tudo para dar certo. Resta-nos agora esperar e ver se as expectativas por um bom trabalho se confirmam.

NOTA: 7,0

R.I.V. (gravação):
- Helbert de Sá (vocal);
- Cláudio Freitas (guitarra);
- Rodrigo Boechat (baixo);
- Ricardo Parreiras (bateria).

R.I.V. é:
- Helbert de Sá (vocal/guitarra);
- Fabrício Soares (baixo);
- Ricardo Parreiras (bateria)

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