quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Ancesttral - Web of Lies (2016)


Ancesttral - Web of Lies (2016)
(Shinigami Records - Nacional)


01. What Will You Do?        
02. Massacre         
03. Threat to Society         
04. You Should Be Dead         
05. Fight        
06. Nice Day to Die         
07. Pathetic Little Liars         
08. Subhuman        
09. Web of Lies         
10. Fire
11. What Will You Do? (Alternate Solo Version)

Quando lançou seu trabalho de estreia no ano de 2007, The Famous Unknown, o Ancesttral chamou a atenção de cara pela qualidade do seu Thrash Metal. De lá para cá, 9 anos se passaram e nesse período soltaram um EP, Bloodshed and Violence (12) e um single, What Will You Do? (14), que só aumentaram e expectativa pelo segundo trabalho de estúdio.

Pois bem, esse tempo só fez bem ao quarteto paulistano, já que sua música amadureceu muito nesse tempo, ganhando uma identidade maior. Seu Thrash Metal segue uma linha mais old school, com nítidas influências de nomes como Metallica (a mais forte de todas), Megadeth, Testament e outras nessa linha, mas sem soar datado e com uma pegada mais moderna (cortesia da ótima produção) que acaba dando contornos muito interessantes à música do Ancesttral. Os vocais de Alexandre Grunheidt estão simplesmente excelentes e são um dos destaques de Web of Lies, assim como sua dupla com Leonardo Brito. Conseguem fazer um belo trabalho nas guitarras, com solos de qualidade, bases fortes e ótimas melodias. A dupla Renato Canonico (baixo) e Denis Grunheidt (bateria) se destaca em diversos momentos durante a audição, pela coesão e técnica que demonstram.

Toda a qualidade citada pode ser percebida nas 11 músicas que compõem Web of Lies. Exemplos? Podemos começar com a já conhecida faixa de abertura, “What Will You Do?”, com suas boas melodias e seu refrão grudento (aliás, umas das principais características de todo álbum), passar pela mais cadenciada “Massacre”, com letra polêmica, muito peso e riffs simplesmente matadores,  seguir por canções como “Fight”, com uma pegada bem moderna e melodias que grudam na cabeça e a agressiva e diversificada “Nice Day to Die”, para então finalizar com “Subhuman”, composta em parceria com Flávia Morniëtári (HellArise), com ótimo groove e candidata a posto de destaque do trabalho.

A produção ficou a cargo da própria banda em parceria com o renomado Paulo Anhaia, produtor que já recebeu o Grammy Latino por 4 vezes. Paulo também foi o responsável pela mixagem e masterização de Web of Lies e o resultado final é simplesmente primoroso. Deixou tudo cristalino, mas ao mesmo tempo não perdeu em nada o peso e a agressividade que se espera de um álbum de Thrash Metal. Já a bela capa, que retrata o conceito do álbum e traz de volta o personagem presente no CD de estreia, é um belo trabalho do guitarrista Leonardo Brito.

Você é desses que acredita não existirem bandas nacionais que batam de frente em qualidade com bandas gringas? Sinto informar que anda bem equivocado e o Ancesttral é uma prova disso, já que ao lado dos novos trabalhos do Woslom e Blackning, lançou um dos melhores álbuns de Thrash Metal desse ano de 2016.

NOTA: 8,5

Ancesttral é:
- Alexandre Grunheidt (vocal/guitarra)
- Leonardo Brito (guitarra)
- Renato Canonico (baixo)
- Denis Grunheidt (bateria)

Convidado
- Rodrigo Flausino (solo na faixa 11)

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Metalmedia (Assessoria de Imprensa)

Witherscape - The Northern Sanctuary (2016)


Witherscape - The Northern Sanctuary (2016)
(Century Media - Importado)


01. Wake of Infinity
02. In the Eyes of Idols
03. Rapture Ballet
04. The Examiner
05. Marionette
06. Divinity
07. God of Ruin
08. The Northern Sanctuary
09. Vila I Frid

Antes de tudo, #DanSwanöGênio.

Sucessor do ótimo The Inheritance (13), as primeiras pistas sobre o rumo que seria tomado em The Northern Sanctuary foram dadas por Dan e Ragnar Widerberg (Shadowquest, Witchcraft) no EP de 2014, The New Tomorrow. Ali, em sua única faixa inédita, escutávamos algo que caminhava mais na linha do Opeth, deixando um pouco as influências de Classic Rock setentista de lado. E bem, podemos dizer que tal pista não era de todo errada.

Sim, realmente temos bastante de Opeth aqui, principalmente de sua fase inicial. O apelo mais setentista também ficou um pouco para trás, sendo substituída por uma sonoridade que remete ao Metal dos anos 80. Já o Death Metal com apelo mais melódico e o Progressivo continuam sendo a base do som praticado pelo Witherscape. Tente imaginar uma mescla do Edge Of Sanity com Opeth, com algo daquela sonoridade adotada por Dan em outro projeto seu, o Nightingale e até mesmo um pouco de King Diamond e Rock Progressivo aqui e ali. Conseguiu? Não? Pois é, só escutando para entender o brilhantismo de tal mistura.

O primeiro grande destaque deve ser dado aos vocais de Swanö. Variando os mesmos de forma brilhante entre o gutural, o rasgado e o limpo, consegue imprimir uma dinâmica incrível ao mesmo, com direito a melodias bem marcantes. Escute por exemplo a ótima faixa de abertura, “Wake Of Infinity” ou a “balada” “Marionette”, bem pesada e com um pé no Gothic/Doom e entenderá. Aliás, vale dizer que os vocais limpos são usados com moderação e de forma muito equilibrada. Já Ragnar fez um trabalho fenomenal nas guitarras. O cara esbanja peso e imprime melodias realmente cativantes. Bons exemplos disso podem ser encontrados em “In the Eyes of Idols”, que mescla muito bem Rock com Death Melódico, com algo de King Diamond nas guitarras e “Rapture Ballet”, com um riff para lá de marcante, além de ser outra com melodias vocais bem legais. Mas o grande destaque do álbum fica realmente com a faixa título. Com quase 14 minutos de duração, Dan e Ragnar dão uma aula de como mesclar Death, Doom e Progressivo. Ela é a personificação perfeita daquela descrição que dei logo no início da resenha. Agressiva, progressiva, altamente emocional, é uma verdadeira montanha russa e mostra toda a personalidade contida na sonoridade da dupla.

A gravação foi dividida em 3 estúdios, Unisound (bateria, teclado e vocal), Studio Finesse (guitarra, baixo e teclado) e Grandvägen 26 (guitarra e baixo de “Marionette”), com todo o trabalho de produção, mixagem e masterização tendo ficado a cargo de Dan Swanö. Conhecendo seu trabalho, é meio desnecessário descrever o resultado. Já a arte da capa foi obra de Gyula Havancsák (Destruction, Grave Digger, Annihilator, Stratovarius), sendo uma das melhores de 2016 até o momento. Vale destacar que todas as letras foram escritas por Paul Kuhr, vocalista do November Doom.

Soando ainda mais inspirados e confiantes nos rumos a serem tomados que no debut, Dan e Ragnar nos entregam um dos melhores álbuns de Metal desse ano de 2016. E levando em conta o talento mostrado aqui, não parece existir limite para a música do Witherscape.

NOTA: 9,0

Witherscape é:
- Dan Swanö (vocal, teclado, bateria)
- Ragnar Widerberg (guitarra, baixo)

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terça-feira, 30 de agosto de 2016

Kataklysm - Of Ghosts and Gods (2015)


Kataklysm - Of Ghosts and Gods (2015)
(Shinigami Records/Nuclear Blast - Nacional)


01. Breaching the Asylum
02. The Black Sheep
03. Marching Through Graveyards
04. Thy Serpent's Tongue
05. Vindication
06. Soul Destroyer
07. Carrying Crosses
08. Shattered
09. Hate Spirit
10. The World Is a Dying Insect
Bônus - Live In South Africa
11. Fire
12. Push the Venon
13. Elevate
14. Blood in Heaven

O ano passado foi bem positivo em matéria de lançamentos, diria até surpreendente. Em todas as vertentes do Metal tivemos material de muita qualidade e dentro das mais extremas, um dos mais legais de 2015 foi justamente Of Ghosts and Gods, 12º trabalho de estúdio dos canadenses do Kataklysm. Com mais de duas décadas de estrada, o quarteto hoje formado por Maurizio Iacono (vocal), J-F Dagenais (guitarra e único membro original), Stéphane Barbe (baixo) e Olivier Beaudoin (bateria, estreando em estúdio), sempre nos presenteou com material de qualidade.

Mas bem, com tanto tempo de estrada, é claro que certas coisas acabam por mudar. Sendo assim, se você não escuta o Kataklysm há algum tempo e espera se deparar com algo na linha do que lançaram nos anos 90, como um Sorcery (95), um Temple of Knowledge (98), um Victims of This Fallen World (98), ou mesmo trabalhos do porte do que foi lançado no ínicio dos anos 2000, mais precisamente os excelentes Epic (The Poetry of War) (01) e Shadows & Dust (02), certamente terá uma forte decepção.

Quem acompanha de perto a carreira do Kataklysm, vinha observando a transição entre o Death de outrora e o Death Metal Melódico que já vinham executando nos últimos trabalhos. E bem, podemos dizer que finalmente a mesma foi finalizada. Os momentos mais velozes não se fazem mais tão presentes em Of Ghosts and Gods, que se mostra um trabalho claramente mais diversificado, com muito mais melodias e um ar de modernidade que certamente vai incomodar os mais puristas.

Já na abertura, com a forte “Breaching the Asylum”, com uma levada mais “cadenciada”, podemos observar tais mudanças. Destaque também para o ótimo refrão e para o trabalho do estreante Olivier Beaudoin. A mescla entre agressividade e melodia também dá as caras em “The Black Sheep”, outra de refrão bem marcante, ótimos riffs e que vai fazer você bater cabeça sem sequer notar. Chamam a atenção também a bruta “Marching Through Graveyards”, com alguns momentos bem velozes, a moderna “Thy Serpent's Tongue”, com belíssimo desempenho de Iacono e principalmente, a faixa que encerra o trabalho, “The World Is a Dying Insect”, a mais variada de todas, com riffs que grudam na cabeça, partes atmosféricas bem interessantes e belíssimas melodias.

Produzido pela própria banda, Of Ghosts and Gods teve o trabalho de mixagem e masterização realizados por Andy Sneap (Accept, Exodus, Carcass, Amon Amarth, Kreator, Megadeth, Fear Factory, Saxon, Testamente, dentre muitos outros). Talvez tenhamos aqui a melhor produção já realizada em um álbum do Kataklysm. Já a belíssima capa e todo layout do CD, foi obra da esposa de Maurício, Surtsey, da Ocvlta Designs.

Os fãs mais old school podem até reclamar, mas a verdade é que Of Ghosts and Gods é um álbum consistente, coeso, variado e que mescla de forma equilibrada as melodias e a agressividade. Um dos melhores lançamentos dos canadenses até hoje, e não foi sem merecimento que ganharam em Abril desse ano o Juno Awards, maior prêmio canadense de música, como melhor álbum de Metal de 2015. Um reconhecimento por esse belíssimo trabalho!

NOTA: 8,5

Kataklysm é:
- Maurizio Iacono (vocal)
- J-F Dagenais (guitarra)
- Stéphane Barbe (baixo)
- Olivier Beaudoin (bateria)

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Buried Side - Heading To The Light (2016)


Buried Side - Heading To The Light (2016)
(Independente - Importado)

 
01. The Great March
02. The Elevation
03. Ways of Transfiguration
04. The Judgement
05. The Divine Traveler
06. Out of Times (Instrumental)
07. Son of Chaos
08. Burning Star
09. The Quiet River
10. Towards Infinity

Apesar de ter gerado alguns bons nomes no que tange o Rock/Metal, a Suíça nunca foi um grande celeiro de bandas do estilo. Mas é exatamente de lá que vem o Buried Side, banda surgida em 2011, com um EP lançado e que chega agora a seu debut apostando em um estilo que é visto com muitas ressalvas pelos fãs de Metal mais tradicionalistas, o Deathcore. Mas em um estilo que dá claros sinais de estagnação, o que uma banda com tão pouco tempo de estrada poderia apresentar de novo para se destacar ante a concorrência?

Definir apenas como Deathcore a sonoridade adotada pelo Buried Side, é querer limitar uma proposta que pretende ser um pouco mais ampla, mesmo que utilizem elementos que já ouvimos em bandas de certo renome. Fora o peso absurdo, que remete ao Death Metal, sua música se mostra bem técnica e fica bem evidente a influência de Progressive/Djent na mesma. Outro aspecto importante e que cabe destaque é a temática adotada pelo quinteto suíço, o Egito antigo. Isso não se reflete apenas na parte gráfica e lírica, mas também nas músicas, já que temos diversas passagens mais atmosféricas nessa linha, geradas tanto pelas guitarras da dupla Gaetan Tellenbach/Quentin Seewer, como também pelos teclados e cítara.

A grosso modo, poderíamos definir o Buried Side como uma mistura da técnica e peso do Born Of Osíris com a parte atmosférica/lírica do Nile. Exemplos para isso não faltam, como por exemplo, em “The Elevation”, o retrato perfeito do álbum, com influências de Djent e guitarra e bateria afiadíssimos, “Ways of Transfiguration”, com alguns trechos atmosféricos bem interessantes e instrumental que vai agradar em cheio aos fãs de Deathcore, “The Divine Traveler”, com um belo trabalho de guitarra e melodias bem cativantes e “Burning Star”, bem pesada e variada. Cabe um destaque também aos vocais de Ian Girod, que alternam entre o urrado e o gritado, conseguindo resultados bem interessantes.

Quanto à parte técnica, falta um pouco de informação por aqui. O que se pode afirmar é que Heading To The Light foi gravado no Black Rabbit Studio, por Olivier e Quentin Seewer e que recebeu mixagem e masterização no Sequence Sound Studio. Já a parte gráfica ficou por conta de Chromatorium.

Carregado de energia, pesado, técnico e com boas melodias, Heading To The Light pode não ser o álbum que irá mudar os rumos do Deathcore, mas que busca saídas para fugir do lugar comum e credencia o Buried Side como uma das bandas de mais potencial no estilo para os próximos anos,

NOTA: 8,0

Buried Side é:
- Ian Girod (vocal)
- Quentin Seewer (guitarra)
- Gaetan Tellenbach (guitarra)
- Nicolas Py (baixo)
- Baptiste Maier (bateria)

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sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Scorpion Child – Scorpion Child (2013)


Scorpion Child – Scorpion Child (2013)
(Shinigami Records/Nuclear Blast - Nacional)

   
01. Kings Highway   
02. Polygon of Eyes
03. The Secret Spot
04. Salvation Slave
05. Liquor
06. Antioch
07. In The Arms of Ecstasy
08. Paradigm
09. Red Blood (The River Flows)
10. Keep Goin (Lucifer’s Friend cover)

Antes de tudo, cabe dizer ao prezado leitor que a primeira revisão deste álbum foi publicada no ano de 2013 (resenha aqui). Com o mesmo finalmente ganhando uma versão nacional e já tendo se passado 3 anos de seu lançamento, optei por voltar a analisar o mesmo para uma nova resenha. Você certamente pode (e deve) estar se perguntando se isso é algo realmente necessário. Pretendo dar essa resposta nas próximas linhas.

Uma coisa é inegável, não só quando se trata de Metal, como de música em geral. Álbuns envelhecem. Alguns não perdem qualidade com a passagem do tempo e conseguem se manter relevantes, pois sua música consegue soar atemporal, mas outros não resistem ao teste do tempo e acabam por soar datados, perdendo parte de sua força. Não há nada de errado nisso, pois no final, são documentos que refletem o período em que foram compostos.

Felizmente o debut dos texanos do Scorpion Child parece se encaixar no primeiro grupo, por mais que um período de tempo de apenas 3 anos pareça pouco para se fazer tal afirmação. Talvez o fato de terem lançado e passado pelo teste de fogo do segundo álbum nesse ano de 2016 (resenha aqui) tenha influência em tal afirmativa minha, mas a verdade é que seu álbum de estreia me soa quase tão bom quanto da primeira vez em que o escutei.

Surgido em 2006, o grupo texano teve 7 anos para trabalhar e amadurecer bem suas composições antes do lançamento de seu primeiro trabalho e esse tempo foi de suma importância para irem construindo sua identidade. Em um período onde se tornou comum o surgimento de bandas que se enveredam pelos caminhos do Hard/Classic Metal setentista, com grande parte delas procurando emular a sonoridade do Black Sabbath, os americanos procuraram seguir outro caminho. Fazem parte de um seleto grupo de bandas, como Rival Sons, Uncle Acid and Deadbeats, Graveyard, Witchcraft ou Ghost, que mesmo sem negar suas influências, procuram dar suas caras às composições.

É inegável que a influência mais latente do Scorpion Child em seu debut foi o Led Zeppelin, com muito disso podendo ser colocado na conta do vocalista Aryn Jonathan Black, que em muitos momentos consegue soar como uma versão jovem de Robert Plant. Isso pode ser observado, por exemplo, em músicas como “Liquor”, com sua melodia contagiosa, “Antioch”, onde você jura se tratar de alguma faixa perdida do Led, “In The Arms of Ecstasy” e “Paradigm”. Mas limitar a música dos americanos a isso é soar raso. Temos aqui o Blues em “Kings Highway” (que refrão grudento), o Psicodélico em “The Secret Spot”, o Metal Tradicional em “Salvation Slave”, só para ficar em alguns exemplos. Querer negar a influência de outros nomes como Free, Humble Pie ou Lucifer’s Friend (que tem uma de suas músicas brilhantemente coverizada aqui) na música do Scorpion Child é querer dar murro em ponta de faca. Está tudo aqui, basta não se recusar a enxergar.

Excetuando-se “Paradigm”, que foi produzida pela própria banda, o restante do trabalho recebeu a produção de Chris Smith, com mixagem de Jason Buntz e masterização de Dave McNair. Conseguiram dar um ar retrô a gravação (você pode jurar em diversos momentos que o trabalho realmente foi gravado nos anos 70), mas com uma cara moderna, evitando que a mesma soasse datada. Já a capa foi obra de Dehron Hite-Benson.

Não foi sem motivo que tal trabalho entrou na minha lista de melhores de 2013, pois a qualidade demonstrada aqui é indiscutível. Já podíamos enxergar nele todo o potencial do Scorpion Child, que acabou por ser confirmado em seu novo álbum, Acid Roulette. “Ah, mas você está dando uma nota menor a ele hoje do que há 3 anos atrás!”. Sim, é verdade, mas isso se dá puramente pelo brilhantismo de seu novo trabalho e não por já não o considerar tão bom quanto antes. Como disse na época e repito, temos aqui uma banda que tem tudo para brilhar muito nos próximos anos.

NOTA: 8,5

Scorpion Child (gravação):
- Aryn Jonathan Black (vocal)
- Tom Frank (guitarra)
- Chris Cowart (guitarra)
- Shaun Avants (baixo)
- Shawn Alvear (bateria)

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The Foreshadowing - Seven Heads Ten Horns (2016)


The Foreshadowing - Seven Heads Ten Horns (2016)
(Cyclone Empire - Importado)


01. Ishtar
02. Fall of Heroes
03. Two Horizons
04. New Babylon
05. Lost Soldiers
06. 17
07. Until We Fail
08. Martyrdom
09. Nimrod (The Eerie Tower - Omelia - Collapse - Inno al Dolare)

O ano de 2016 está sendo excelente para os que apreciam Doom Metal e derivados do mesmo, tamanha a quantidade de ótimos lançamentos. Dentre esses, temos o 4º álbum de estúdio dos italianos do The Foreshadowing, Seven Heads Ten Horns, que tem como conceito a ideia da Europa como uma nova Babilônia, anunciando sua futura decadência e a ruína de um continente unido. Um tema bem atual, como podemos ver nos noticiários dos últimos meses.

Após 3 álbuns que fizeram a alegria dos fãs de Gothic/Doom mundo afora, consolidando assim seu nome como um dos principais do estilo, o The Foreshadowing passou por mudanças. Com a saída do baterista Jonah Padella, Giuseppe Orlando, ex-Novembre, que havia produzido o trabalho anterior da banda, acabou assumindo o posto, o que acabou alterando um pouco a dinâmica de som da banda. Mas calma, não estamos falando de algo drástico.

A atmosfera melancólica e sombria que sempre definiu bem o som dos italianos se mantém bem firme, como podemos observar em faixas como “Lost Soldiers” ou “17”, que possui um toque oriental bem interessante, mas na maior parte do tempo fica muito evidente que a entrada de Giuseppe abriu o leque de influências da banda, trazendo boa dose de Progressivo ao seu som e os aproximando um pouco mais de uma de suas maiores influências, o Katatonia.

Temos um exemplo bem claro disso em “Fall of Heroes”. Apesar do tradicional contraste entre o Gothic e o Doom, sempre presente em suas músicas, do refrão cativante e do clima melancólico, fica mais do que perceptível uma forte dinâmica progressiva na canção. Isso volta a surgir em outros momentos, como por exemplo, em “New Babylon”. Mas se quer mesmo entender esse momento do The Foreshadowing, pule diretamente para “Nimrod”, a épica faixa que encerra Seven Heads Ten Horns. Em seus 14 minutos de duração, divididos em 4 movimentos, temos a união perfeita dos dois lados da banda. Elementos progressivos, com um trabalho primoroso de bateria e baixo, e ótimas melodias que dão um ar bem sombrio à faixa, méritos dos ótimos vocais de Marco Benevento, das guitarras de Alessandro Pace e Andrea Chiodetti e do teclado de Francesco Sosto.

Com relação à produção, o trabalho foi mixado e masterizado no Hertz Studio, na Polônia, pelos irmãos Slawek e Wojtek Wieslawski, que já trabalharam com nomes como Behemoth, Vader e Decapitated. Trabalho de alto nível e que só reforçou ainda mais a qualidade da música do quinteto italiano. Já a capa é mais uma bela arte do grego Seth Siro Anton (Exodus, Moonspell, Paradise Lost, Soilwork, Nile, dentre outros), do Septicflesh.

Denso, bem emocional e carregado de uma atmosfera obscura, o The Foreshadowing procurou dar um passo à frente em sua música, mas sem alterar de forma profunda sua sonoridade já muito bem definida. E bem, conseguiram ser bem felizes em sua proposta. Um trabalho indispensável aos fãs de Gothic/Doom.

NOTA: 8,5

The Foreshadowing é:
- Marco Benevento (vocal)
- Alessandro Pace (guitarra)
- Andrea Chiodetti (guitarra)
- Francesco Giulianelli (baixo)
- Giuseppe Orlando (bateria)

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quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Gamma Ray - Heading for the East (2015)


Gamma Ray - Heading for the East (2015)
(Shinigami Records/earMUSIC - Nacional)


Disc 1
01. Intro         
02. Lust for Life    
03. Heaven Can Wait    
04. Space Eater    
05. Free Time    
06. Who Do You Think You Are?

Disc 2
01. The Silence    
02. Save Us    
03. I Want Out    
04. Ride the Sky / Hold Your Ground    
05. Money    
06. Heading for Tomorrow    

Normalmente não sou fã de relançamentos, edições comemorativas e coisas do tipo, pois na maioria das vezes não trazem nada de muito relevante. São puramente caça-níqueis. Mas no caso da comemoração dos 25 anos de estrada do Gamma Ray, as coisas são um pouco diferentes. O material que vem sendo relançado está carregado de faixas bônus e como se isso não bastasse, até títulos que ainda não haviam ganho versão em CD estão se tornando acessíveis. São os casos de Lust for Live (resenha aqui) e desse Heading for the East, trabalhos ao vivo que só haviam ganhado versões em VHS e DVD.

Heading for the East foi gravado em 11 de Novembro de 1990, no Shibuya Kokaido Hall, em Tokyo, durante a turnê de Heading for Tomorrow (resenha aqui), e por isso a maior parte do seu repertório está concentrado neste. E bem, o que ouvimos aqui é uma banda com muita garra e cheia de energia, buscando naquele momento firmar seus pés entre as principais do estilo, algo que viria a ocorrer com os lançamentos posteriores. Já contando com Dirk Schlächter (guitarra) e Uli Kusch (bateria), que gravariam o álbum de estúdio seguinte, Sigh no More (resenha aqui), e com desempenhos brilhantes de Ralf e Kai, esse show é uma verdadeira celebração do Metal.

Com relação ao repertório, temos uma mescla de grandes canções, como “Heaven Can Wait”, “Lust for Life”, “Space Eater” e a épica “Heading for Tomorrow”, aqui com pouco mais de 24 minutos, clássicos absolutos do Helloween, “Save Us”, “I Want Out” e “Ride the Sky” e algumas que hoje em dia soam um pouco inocentes até, como “Free Time” ou “Money”. O resultado final dessa mistura é muito legal e empolga qualquer fã do Gamma Ray.

A qualidade do áudio é surpreendentemente boa, ainda mais levando em conta a época que o mesmo foi gravado. Originalmente o material recebeu a produção de Peter Ernst (Kreator, Rage), mas recebeu remasterização pelas mãos de Eike Freese, que vem trabalhando em conjunto com a banda já há algum tempo. Já a capa original, de Henni Hill, foi substituída por uma de Hervé Monjeaud. E para variar, o encarte vem recheado de informações e fotos, como o de todos os trabalhos desse tipo deveriam ser.

O que temos em mãos, amigos, não é um simples CD, mas um documento histórico que representa uma época importante do Metal, o que faz desse material algo obrigatório não só para os fãs de Gamma Ray, como para amantes de boa música.

NOTA: 8,5

Gamma Ray (gravação):
- Ralf Scheepers (vocal)
- Kai Hansen (guitarra)
- Dirk Schlächter (guitarra)
- Uwe Wessel (baixo)
- Uli Kusch (bateria)

Outros
- Jörn Ellerbrock (teclado)

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Moonsorrow - Jumalten Aika (2016)


Moonsorrow - Jumalten Aika (2016)
(Century Media Records - Importado)


01 - Jumalten Aika
02 - Ruttolehto incl. Päivättömän Päivän Kansa
03 - Suden Tunti
04 - Mimisbrunn
05 - Ihmisen Aika (Kumarrus Pimeyteen)

Apesar de raro, existem no Metal algumas bandas com 100% de aproveitamento em seus lançamentos. Esse certamente é o caso dos finlandeses do Moonsorrow, que desde a sua estreia em 2001 com Suden uni, vêm enfileirando um clássico atrás do outro, com seu Pagan/Black Metal que, graças às influências de Folk, adquiriu uma sonoridade única e complexa. Após um hiato de 5 anos, desde o lançamento do primoroso Varjoina kuljemme kuolleiden maassa (sim, adotam sua língua pátria nos lançamentos), retornam com seu 7º álbum de estúdio, intitulado Jumalten Aika.

Uma das maiores e melhores características do Moonsorrow foi o de sempre empurrar seu limite mais para frente a cada lançamento. Sem fugir do seu Pagan Black Metal, nunca repetem um trabalho, sempre adicionando algo novo à sua mistura, o que não é diferente aqui. Durante a audição do trabalho, em vários momentos poderá escutar uma presença bem interessante de elementos xamânicos, seja no instrumental ou através de alguns cantos (cortesia de Jonne Järvelä, do Korpiklaani). Apesar de não ser algo escancarado e que fique excessivamente evidente, esses momentos estão lá presentes em algumas passagens mais atmosféricas.

O processo de canções mais longas que se iniciou em Verisäkeet (05), chega a seu ápice em Jumalten Aika, já que das 5 canções aqui presentes, 3 ultrapassam a marca dos 15 minutos, uma dos 12 e apenas Suden Tunti tem menos de 10, totalizando assim mais de 1 hora de música. Mas a qualidade é tanta que você sequer vê o tempo passar. A melancolia que sempre se fez presente em suas canções continua uma marca muito forte, estando presente durante toda a audição, assim como a complexidade de praxe. Aliás, me impressiona como apesar de forjarem temas complexos, com uma infinidade de detalhes a serem notados, as músicas do Moonsorrow fluem com uma naturalidade e facilidade ímpar.

Acho que sem exagero, posso afirmar que Ville Sorvali se encontra no seu auge vocal, soando mais emotivo e poderoso que nunca com seus urros. Seu trabalho no baixo também é primoroso e aqui seu instrumento soa ainda mais proeminente que em trabalhos anteriores. As guitarras de Henri Sorvali e Mitija Harvilahti estão soando mais poderosas que nunca, enquanto Marko Tarvonen destrói tudo em seu kit de bateria. Já Markus Eurén mostra sua já conhecida categoria nos teclados, gerando uma atmosfera bem sombria.



O retrato mais fiel de Jumalten Aika é sem dúvida a espetacular “Ruttolehto”, onde você encontra todas as características que fazem desse trabalho um clássico. De cara, arrisco dizer que a mesma é a melhor música já composta pelos finlandeses. Aqui você encontra Ville em seu ápice, transbordando emoção em seus vocais, com direito a gritos angustiados. Depara-se também com riffs totalmente Black Metal (com algumas reminiscências de Burzum), blast beats furiosos, coros e melodias grudentas. Também irá encontrar elementos Folk e trechos atmosféricos recheados de elementos xamânicos. Decididamente uma canção épica.

Mas não pensem que as demais canções ficam muito atrás. Já na abertura, temos a épica faixa título, com seus riffs bombásticos, refrão melódico e partes Folk/Xâmanicas. Apesar de ter quase 13 minutos, ela consegue soar muito direta e você mal nota o tempo passar. “Mimisbrunn”, com seus quase 16 minutos, por pouco não toma o posto de “Ruttolehto”, graças a seu peso, suas melodias intensas, seus trechos acústicos, flautas e certo toque orquestral. O encerramento com “Ihmisen Aika” também beira a perfeição, com seus vocais emocionais, passagens acústicas e melodia triunfante. É daquelas canções que vão crescendo minuto a minuto, finalizando de maneira épica o trabalho. A única canção que impede que Jumalten Aika seja perfeito é “Suden Tunti” (justamente a música de trabalho), a mais curta de todas, com seu ritmo marcial e todos os demais elementos que se fazem presentes no álbum. Localizada bem no meio, serve como uma canção de transição entre uma parte e outra. Está longe de ser fraca e pode ser considerada melhor do que 90% do que é lançado sobre o rótulo de Pagan Black por ai, mas está um pouco abaixo das outras já citadas.

A gravação passou por três estúdios diferentes, o Finnvox, o Sonic Pump e o In The Woods, sendo que a mixagem foi feita pela dupla Henri Sorvali e Ahti Kortelainen (Sonata Arctica, Impaled Nazarene, Sentenced, Kalmah) no Tico Tico Studio. Já a masterização, ocorrida no Finnvox, ficou a cargo de Mika Jussila (Amorphis, Nightwish, Edguy, Moonspell, Stratovarius, Avantasia). Conseguiram deixar cada detalhe audível, mas sem tirar a agressividade e o clima sombrio necessário a um álbum de Pagan Black. Já a bela arte da capa é obra de Ritual (Impaled Nazarene, Ensiferum).

Mais uma vez o Moonsorrow não decepciona, lançando um trabalho primoroso e que pode ser considerado seu melhor trabalho até então, mesmo diante de uma discografia composta apenas de trabalhos clássicos. E em se tratando de uma banda que nunca se repete e sempre busca se renovar, fica a pergunta. Até onde podem chegar?

NOTA: 9,5

Moonsorrow é:
- Ville Sorvali (vocal/baixo)
- Henri Sorvali (guitarra)
- Mitija Harvilahti (guitarra)
- Marko Tarvonen (bateria)
- Markus Eurén (teclado)

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segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Rage - The Devil Strikes Again (2016)

 
Rage - The Devil Strikes Again (2016)
(Shinigami Records/Nuclear Blast - Nacional)


Disco 1
01. The Devil Strikes Again    
02. My Way    
03. Back on Track    
04. The Final Curtain    
05. War    
06. Ocean Full of Tears    
07. Deaf, Dumb and Blind    
08. Spirits of the Night    
09. Times of Darkness    
10. The Dark Side of the Sun
    
Disc 2
01. Bring Me Down    
02. Requiem    
03. Into the Fire    
04. Slave to the Grind (Skid Row cover)    
05. Bravado (Rush cover)    
06. Open Fire (Y&T cover)

Se formos contar apenas o período em que alteraram seu nome de Avenger para Rage, já são três décadas de estrada, dezenas de lançamentos e infindáveis mudanças de formação. Na última, ano passado, saíram o baterista André Hilgers e o guitarrista Victor Smolski, talvez o grande responsável pelo direcionamento musical do grupo alemão nos últimos 15 anos (e 7 álbuns). Coube mais uma vez a Peter “Peavy” Wagner manter o Rage vivo, contando agora ao seu lado com o guitarrista Marcos Rodríguez (Soundchaser) e o baterista Vassilios "Lucky" Maniatopoulos.

Após finalizar a audição de The Devil Strikes Again, 21º álbum de estúdio do trio alemão, me perguntei o quanto de influência os demais projetos de Peavy não tiveram sobre esse trabalho. Hoje o mesmo mantém o Lingua Mortis Orchestra, onde dá vazão ao lado sinfônico de sua música e também outro trio, o Refuge, que montou com outros dois ex-companheiros de Rage, ninguém menos que o guitarrista Manni Schmidt e o baterista Chris Efthimiadis, revivendo uma formação que gravou ao menos 5 grandes álbuns entre o final dos anos 80 e o início dos anos 90, dentre eles os clássicos Perfect Man (88) e The Missing Link (93).

E se me fiz tal pergunta acima, isso tem um motivo muito forte. Em The Devil Strikes Again, Peavy busca nitidamente recuperar a energia dos anos 80/90, o que resultou em um trabalho que pode remeter a clássicos como o já citado The Missing Link e a Black in Mind (95) (que ainda contava com Chris na bateria). A música aqui contida é o que podemos definir de curtas e grossas, com canções cruas, velozes, simples em sua estrutura, com ótimas melodias e riffs bem agressivos. É sem sombra de dúvidas, o álbum menos “progressista” lançado pelo Rage em muito tempo e o mais direto em décadas.

E vejam bem, quando falo em riffs agressivos, eu estou realmente falando sério. Em muitos momentos chegam a resvalar no Thrash e no Speed Metal de outrora. Não acredita? Escute então “Ocean Full of Tears”, com bom groove e ótimo refrão (uma das características mais marcantes desse trabalho), a acelerada “The Dark Side of the Sun”, com um ótimo solo e algumas passagens com influências orientais e a acelerada “The Devil Strikes Again”, com suas melodias fortes e sua crueza e comprove o que eu digo. Outras que certamente agradarão são “War”, com sua melodia cativante e seu riff galopante, a pesada “My Way”, com um refrão épico e “Times of Darkness”, que vai te fazer bater cabeça sem perceber.

A produção ficou por conta do guitarrista Marcos Rodriguez, enquanto a mixagem e a masterização foram feitas pelo mestre Dan Swanö (Bloodbath, Dark Funeral, Dissection, Edge of Sanity, Katatonia, Marduk, Novembers Doom, Opeth, Pain). O som ficou bem cheio, com destaque principalmente para os riffs. Já a capa foi obra de Karim König e define bem o material aqui contido.

Na versão nacional, ainda temos um CD bônus que saiu na versão digipack europeia de The Devil Strikes Again, o que torna a aquisição desse material ainda mais interessante. Enfatizando acima de tudo o peso da banda, o Rage se mostra acima de tudo revigorado e vai agradar em cheio aqueles que sentiam falta de algo mais direto vindo da banda. Um grande álbum, sem dúvida alguma.

NOTA: 8,0

Rage é:
- Peter "Peavy" Wagner (vocal/baixo)
- Marcos Rodríguez (guitarra)
- Vassilios "Lucky" Maniatopoulos (bateria)

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Suicidal Angels - Division of Blood (2016)


Suicidal Angels - Division of Blood (2016)
(NoiseArt Records - Importado)


01. Capital of War
02. Division of Blood
03. Eternally to Suffer
04. Image of the Serpent
05. Set the Cities on Fire
06. Frontgate
07. Bullet in the Chamber
08. Cold Blood Murder
09. Of Thy Shall Bring the Light

Chegando a seu 6º álbum nos últimos 9 anos, os gregos do Suicidal Angels já dispensam apresentações, sendo uma das principais bandas dessa nova geração do Thrash Metal. Com sua sonoridade Old School, que soa como uma mescla do Slayer com o Kreator, encontraram uma fórmula em Dead Again (10) e desde então vêm seguindo a mesma à risca, optando por não correr riscos. Afinal, por que mexer em time que está ganhando?

Uma aposta desse tipo é sempre arriscada, afinal sempre se corre o risco de soar repetitivo e receber acusações de estar lançando sempre o mesmo álbum. Felizmente esse não é o caso dos gregos. Claro, aqui você irá encontrar tudo que espera de um álbum deles, ou seja, Thrash Metal Old School, canções rápidas, os vocais bem característicos de Nick Melissourgos e muita energia em cada canção. Mas de alguma forma, conseguem fazer isso sem soarem datados, como se estivéssemos diante de uma versão moderna das bandas clássicas dos anos 80.

Na maior parte do tempo, nos deparamos com canções de andamento mais rápido, vide por exemplo a curta e técnica “Image of the Serpent” e a carregada de adrenalina “Set the Cities on Fire”, verdadeiras pauladas do primeiro ao último segundo. Indubitavelmente, dois dos destaques de Division Of Blood. Mas não pense que o Suicidal Angels se limita apenas a isso. A furiosa faixa de abertura, “Capital of War”, além de possuir um ótimo trabalho de guitarras, se destaca por boas mudanças rítmicas e pelo excelente trabalho de baixo e bateria. Já a bruta “Of Thy Shall Bring the Light”, que encerra o álbum, tem uma levada mid tempo.

Individualmente não se tem muito que falar aqui. Nick não só executa um belo trabalho vocal, como em parceria com o estreante Gus Drax, despejam riffs tipicamente Thrash, que cativam fácil o ouvinte. Já Aggelos Lelikakis (baixo) e Orpheas Tzortzopoulos (bateria) conseguem formar uma parte rítmica não só técnica, segura e coesa, como também capaz de dar a variedade que a música do Suicidal Angels necessita para não soar repetitiva e cansativa.

Gravado no Soundlodge Studios, na Alemanha, Division Of Blood teve a produção de Jörg Uken (Dew-Scented, Sinister, Bloodbath, God Dethroned) e possui boa qualidade, já que Jörg conseguiu aliar o clima Old School com uma produção moderna. Já a capa dispensa apresentações, sendo mais uma obra do mestre Ed Repka (Megadeth, Death, entre muitos outros).

Cheio de energia, divertido e com algumas canções simplesmente viciantes, Division Of Blood não vai decepcionar os fãs da banda, já que vem no mesmo embalo dos trabalhos anteriores e vai agradar em cheio os que curtem um Thrash Metal mais clássico, mas com sonoridade mais moderna.

NOTA: 8,5

Suicidal Angels é:
- Nick Melissourgos (vocal/guitarra)
- Gus Drax (guitarra)
- Aggelos Lelikakis (baixo)
- Orpheas Tzortzopoulos (bateria)

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quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Gamma Ray - Sigh No More - Anniversary Edition (2015)

Gamma Ray - Sigh No More - Anniversary Edition (2015)
(Shinigami Records/earMUSIC - Nacional)


Disco 1:
01. Changes
02. Rich & Famous
03. As Time Goes By    
04. (We Won't) Stop the War    
05. Father and Son    
06. One with the World    
07. Start Running    
08. Countdown
09. Dream Healer
10. The Spirit
11. Sail On (Live)        
12. Changes (Live)

Disco 2:
01. One with the World (Live at Wacken 2011)    
02. Dream Healer (Live in Montreal 2006)    
03. Changes (Blast from the Past version)         
04. Rich and Famous (Blast from the Past version)         
05. One with the World (Blast from the Past version)         
06. Dream Healer (Blast from the Past version)        
07. Heroes (Preproduction)        
08. Dream Healer (Preproduction)        
09. As Times Goes By (Preproduction)         
10. (We Won’t) Stop the War (Preproduction)         
11. Dream Healer (Demo)        
12. Rich and Famous (Demo)    

Após sair do Helloween, Kai Hansen montou o Gamma Ray e começou a produzir freneticamente. Entre 1990 e 1991, soltou não só o elogiado debut da banda, Heading for Tomorrow, como também um EP (Heaven Can Wait), um vídeo da turnê de estreia (Heading for the East) e em seguida, já liberou seu 2º álbum, Sigh no More. Em um primeiro momento, não foi tão bem recebido, mas hoje, analisando de forma imparcial, podemos perceber como certas críticas foram injustas.

O maior “problema” de Sigh no More é não ser um típico álbum de Power Metal, como era esperado pelos fãs. Claro que temos presentes aqui canções com melodias, velozes, potentes, como manda a receita do estilo, mas na maior parte do tempo as influências de estilos como Metal Tradicional e Hard Rock ficam evidentes. Se isso por um lado o torna um trabalho menos típico do estilo, por outro dá a ele uma variedade maior.

Antes de falar mais um pouco do lado musical, vale ressaltar que Sigh no More apresentas duas mudanças em relação à formação que gravou Heading for Tomorrow, uma delas bem marcante. No lugar do baterista Matthias Burchardt, entrou Uli Kusch, que tempos depois assumiria as baquetas do Helloween, e a principal, Dirk Schlächter assumiu a outra guitarra, posto em que se manteve até 1997, quando migrou para o baixo (para quem não sabe, tocou o instrumento em duas músicas do debut, como convidado), onde permanece até hoje.

A sequência inicial é simplesmente matadora. “Changes” abre os trabalhos causando um pouco de estranhamento a quem esperava uma faixa típica do estilo, já que começa mais lenta e foge da fórmula tradicional. Com seu andamento mais variado, tem como destaques o desempenho de Ralf e o ótimo trabalho de guitarras. Em seguida, duas canções mais rápidas e de ótima qualidade, “Rich & Famous”, com refrão cativante e ótimos solos e “As Time Goes By”, uma das mais rápidas de Sigh no More, sendo outra que possui um refrão marcante. As três podem entrar tranquilamente no hall das faixas clássicas da banda. O problema é que dai para frente a inconstância toma conta do álbum, alternando entre faixas medianas ou fracas, como “(We Won't) Stop the War”, “Father and Son” e “Countdown” e que se aproximam em muito do trio inicial, como as típicas “One with the World” e “Start Running”, que possuem a sonoridade clássica do Gamma Ray e a quase épica e variada “Dream Healer”, com suas boas melodias e ótimo trabalho da dupla Kai e Dirk.

Essa edição de aniversário possui um Cd bônus muito legal, contendo versões ao vivo, regravações, demos e versões de pré-produção. Material que certamente fará a alegria dos fãs do Gamma Ray. Originalmente, Sigh no More foi gravado no KARO Studios, com produção e mixagem de Tommy Newton (Helloween, Kreator, Kamelot). Aqui, passou por uma remasterização pelas mãos de Eike Freese (Dark Age, Deep Purple, Deadlock) no Chameleon Studios. Já a capa original, de Roger Gorman (Metallica, Queensrÿche), foi substituída por uma de Hervé Monjeaud (Iron Maiden, Silent Force, Persuader) e o encarte, além de contar um pouco sobre essa fase da banda, também vem recheado de fotos. Ou seja, capricharam no pacote.

O tempo passa, as pessoas vão amadurecendo e deixando certos radicalismos de lado. Recebido com ressalvas na época de seu lançamento, Sigh no More acabou envelhecendo bem e se mostra hoje um álbum bem mais interessante, que foge da fórmula tradicional de se fazer Power Metal. Variado, pesado, com ótimas melodias e desempenhos individuais brilhantes, principalmente do trio Ralf, Kai e Dirk, talvez seja o momento de darmos uma segunda chance ao mesmo. Pode não ser o melhor trabalho dos alemães, mas ainda sim merece muito o nosso respeito.

NOTA: 8,0

Gamma Ray (gravação)
- Ralf Scheepers (vocal)
- Kai Hansen (guitarra)
- Dirk Schlächter (guitarra)
- Uwe Wessel (baixo)
- Uli Kusch (bateria)

Participações especiais:
- Piet Sielck (teclado/backings vocals)
- Tommy Hansen (teclado)
- Fritz Randow (tarol militar na faixa 6)
- Tommy Newton (guitarra nas faixas 5 e 8/backings vocals)
- Rolf Köhler (backings vocals)

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Fabiano Negri - Z.3.R.O. (2016)

 
Fabiano Negri - Z.3.R.O. (2016)
(Independente - Nacional)


01. Don't Try Me
02. Forbbiden Grace
03. My Dark Passenger
04. Z.3.R.O.
05. Hopeland
06. The Muse
07. Faithless Alley
08. Future Paradise
09. The Blue Bird (Mortality/Come Back Home/Pain/Farewell)

Fabiano Negri é um desses músicos de raro talento que não recebe o devido reconhecimento da grande mídia. São mais de 20 anos de carreira e dezenas de trabalhos lançados, seja por sua ex-banda, o Rei Lagarto, pelo Dust Old Fingers, em sua carreira solo ou pelos demais projetos em que participou. E uma de suas marcas registradas é sem dúvida alguma o ecletismo musical, já que sempre opta pela liberdade em seu processo de criação.

Responsável por um dos álbuns mais legais de 2015, Maybe we'll have a good time...for the last time, Fabiano volta à carga com Z3RO, seu 3º trabalho. E bem, quem o conhece sabe que vai encontrar uma obra versátil e que reflete toda a bagagem musical do vocalista. Aqui, além do Classic Rock, Hard, Metal, Soul, Funk e Pop, Negri resolveu usar e abusar dos sintetizadores, adicionando assim influências eletrônicas que vão do quase Industrial até o synthpop oitentista. E olha, o resultado final acaba sendo muito legal.

Sem sombra de dúvidas esse é seu projeto mais ousado até então. Ao optar em não impor limites a si mesmo,  Fabiano abriu um leque extenso de sonoridades. Já na abertura, com a ótima “Don't Try Me”, podemos perceber a presença dos elementos eletrônicos que acabam por enriquecer o resultado final da música. Ele soube usar os sintetizadores de forma muito equilibrada, sem que roubassem o espaço das guitarras. Outro momento onde podemos observar bem isso é na obscura “My Dark Passenger”. A variedade musical dá as caras em  “Faithless Alley”, com uma pegada bem Soul, na mais pop “Future Paradise”, na densa e pesada “Z3RO” ou na melancólica “Hopeland”, uma das melhores do álbum. Ainda assim, nada se compara em matéria de ousadia com a faixa que encerra o trabalho, a épica “The Blue Bird”, que com seus mais de 11 minutos, trafega por diversos estilos, como Classic Rock, Hard, Progressivo, dentre outros.

A ousadia também se dá em outras áreas. Como o próprio Fabiano diz no release enviado, hoje em dia a relação custo/retorno de um CD físico torna tudo muito difícil. Para não deixar de produzir, optou por gravar todos os instrumentos em seu home studio, barateando assim os custos e deixando apenas o trabalho de mixagem e masterização nas mãos de Ricardo Palma, com quem já trabalhou em outras ocasiões. Além disso, Z3RO não foi lançado em mídia física, sendo vendido apenas em cópias digitais (basta acessar o site). A parte gráfica, muito bem elaborada, vale dizer, ficou a cargo de Wagner Galesco.

Mostrando-se ousado e sem medo de arriscar e ampliar seus limites, mais uma vez Fabiano Negri acerta na mosca e sai da mesmice musical. Mais um belo trabalho e candidato forte a listas de melhores de 2016. E aos interessados, o trabalho está disponível para audição em diversas plataformas digitais.

NOTA: 8,5

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SHOW: HEAVY FEST em edição especial e internacional


O Heavy Fest chega a sua décima segunda edição mantendo-se fiel a proposta inicial de priorizar o trabalho autoral e a diversidade de estilos dentro do Rock. Outra característica marcante tem sido a presença constante de atrações internacionais nos eventos produzidos por Sabazim Produções, dessa vez a banda argentina DRACONIS inicia em Conselheiro Lafaiete sua turnê brasileira. Apresentando um Death Metal melódico e bem trabalhado o DRACONIS vem promovendo seu novo CD que será lançado na Europa pelo selo londrino Secret Service Records. Outra banda integrante do catálogo da Secret Service Records e com presença confirmada no evento é a carioca REVENGIN. Um dos shows mais aguardados do festival é o do FOR BELLA SPANKA que retorna as atividades após um hiato de oito anos, em 2008 eles fizeram uma apresentação inesquecível no Rising Metal Fest. Destaque em vários eventos da região a banda 2 DEDO faz uma simbiose perfeita entre o Heavy Metal e o Classic Rock e promete uma viagem ao som dos anos 70.Formada por músicos experientes e representando o som pesado de Lafaiete a banda de Groove Metal DOWNFALL faz seu show de estreia no Heavy Fest e apresenta as músicas que farão parte de seu primeiro EP.

SERVIÇO COMPLETO: 12º HEAVY FEST

DRACONIS - Melodic Death Metal- Diretamente da Argentina


REVENGIN – Symphonic Metal – Rio De Janeiro


FOR BELLA SPANKA - Gothic Rock - Belo Horizonte

2 DEDO - Heavy Rock - Mariana

DOWNFALL – Groove Metal – Conselheiro Lafaiete


DATA: 09/09/16 (Sexta-Feira)
HORÁRIO: 21 Horas
LOCAL: Boate do Clube Santa Cecília-Rua Tavares De Melo,395,centro,Conselheiro Lafaiete/MG
INGRESSO ANTECIPADO:25 REAIS
INGRESSO NA PORTARIA:30 REAIS
POSTOS DE VENDAS:
CONSELHEIRO LAFAIETE: BAR DO BANHA-Praça Barão De Queluz,150,centro
CONGONHAS: 3G GAMES-Rua Padre Antônio Correa,69,loja 07,Quarteirão Açominas
OURO BRANCO: MAD HOUSE EMPÓRIO ALTERNATIVO-Av.Mariza De Souza Mendes,650 loja 106,2° piso

Realização: SABAZIM PRODUÇÕES
INFORMAÇÕES: (31) 98883 3052

FONTE: SABAZIM PRODUÇÕES

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

Destruction - Under Attack (2016)


Destruction - Under Attack (2016)
(Voice Music/Nuclear Blast - Nacional)


01. Under Attack
02. Generation Nevermore
03. Dethroned
04. Getting Used to the Evil
05. Pathogenic
06. Elegant Pigs
07. Second to None
08. Stand up for What You Deliver
09. Conductor of the Void
10. Stigmatized
Bônus
11. Black Metal (Venom cover feat. Alex Camargo)
12. Thrash Attack (Re-recorded)
13. Princess Of The Night (Saxon cover)
14. Carnivore [Guest Version]

Se descontarmos a controversa e hoje renegada fase pós Cracked Brain (90), que rendeu os EP’s Destruction (94), Them Not Me (98) e o álbum The Least Successful Human Cannonball (98) – nenhum consta na discografia oficial da banda – Under Attack é o 13º álbum de estúdio dessa verdadeira instituição do Thrash alemão.

Desde o retorno de Schmier, o Destruction vem mantendo uma constância de lançamentos, sendo que o maior hiato se deu justamente entre seu último trabalho em 2012 e esse Under Attack. E bem, acho que nem o mais fanático vai negar a inconstância dos lançamentos nesse período. Se por um lado, o início rendeu álbuns muito bons, como All Hell Breaks Loose (00) e The Antichrist (01), depois a banda entrou em uma descendente, seguida de trabalhos medianos, caso de Metal Discharge (03) e Inventor of Evil (05) e outros repetitivos, mais precisamente os dois últimos, Day of Reckoning (11) e Spiritual Genocide (12). Foram oito álbuns em doze anos, estando ai talvez a motivação para tal fato. Um outro fator que incomodava demais era a produção excessivamente saturada dos últimos álbuns, algo que certamente prejudicava em muito o resultado final.

Bem, então vamos às boas notícias. A primeira delas é que deixaram de lado toda a saturação da produção, procurando fazer algo mais simples. A segunda e melhor notícia é que essa simplificação também se refletiu no som, já que aqui o Destruction soa como uma versão mais moderna daquilo que escutávamos nos anos 80. Mas calma, não estou aqui querendo fazer comparações com clássicos do porte de Sentence of Death (84), Infernal Overkill (85) ou Eternal Devastation (86), até porque esses são inigualáveis, mas sim que o clima remete a esse período. Muito disso se dá pelo fato de terem saído do comodismo e nitidamente tocado com a faca entre os dentes em Under Attack.

O resultado final acabou sendo muito bom, talvez o melhor trabalho da banda desde All Hell Breaks Loose. Soando bem mais orgânico, bem mais cru, podemos notar uma maior versatilidade em diversos aspectos. Um exemplo são os vocais de Schmier, que apesar de manter sua sonoridade característica, se mostra mais variado. Mostrando que realmente resolveram sair da zona de conforto dos últimos álbuns, estão menos agressivos, mas soando muito mais enérgicos, mantendo assim o peso com o qual estamos acostumados. Mike faz um belo trabalho nas guitarras e, além de termos uma quantidade muito maior de riffs aqui do que vinha sendo apresentado, eles têm mais cara de Destruction, algo que não vinha ocorrendo. Vaaver apresenta seu melhor trabalho de bateria desde que entrou para o grupo alemão, esbanjando criatividade e técnica, se mostrando muito mais presente nas canções.

Quer ter uma amostra desse “novo” Destruction? Pode começar por “Under Attack”, agressiva e onde Schmier se destaca nos vocais, passar para a furiosa “Generation Nevermore”, com seu refrão grudento, seguir pela pesada e cativante “Dethroned” e finalizar em “Pathogenic”, com seu riffs destruidores e que remete diretamente ao passado glorioso da banda.

A produção ficou a cargo da própria banda, em parceria com V.O.Pluver, que já trabalha com a banda há algum tempo e cuidou da mixagem e masterização. Como já dito, o resultado final ficou muito bom, já que não soa saturado como os anteriores e está bem mais orgânico. Já a capa ficou mais uma vez por conta de Gyula Havancsák (Annihilator, Elvenking, Grave Digger, Stratovarius, Týr, Witherscape), em uma parceria que vem desde Inventor of Evil.

Soando como não soava há muito tempo, o Destruction sacudiu a poeira e resolveu mostrar todo o seu potencial, em um dos melhores trabalhos de sua carreira. Estava cansado daquele som repetitivo e saturado dos últimos trabalhos? Talvez devesse dar então uma chance a Under Attack. E para os fãs, no Brasil está saindo através da Voice, uma versão em digipack, limitada, numerada e exclusiva com 4 faixas bônus (o cover do Saxon só é encontrado na versão brasileira), incluindo um cover do Venom com participação de Alex Camargo, do Krisiun. Ou seja, vale a pena o investimento.

NOTA: 8,5

Destruction é:
- Schmier (vocal/baixo)
- Mike (guitarra)
- Vaaver (bateria)

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Candlemass - Death Thy Lover (EP) (2016)


Candlemass - Death Thy Lover (EP) (2016)
(Die Hard Records - Nacional)


01 - Death Thy Lover
02 - Sleeping Giant
03 - Sinister and Sweet
04 - The Goose

Foi há 30 anos que surgiu uma pequena obra prima que revolucionou a forma de se fazer Doom Metal, Epicus Doomicus Metallicus. Pois em homenagem a isso, os mestres do Candlemass resolveram retornar ao estúdio depois de 4 anos para registrar material inédito,  surpreendendo quem imaginou que não lançariam mais nada após Psalms for the Dead. De lá saíram com Death Thy Lover.

Death Thy Lover marca a estreia do vocalista Mats Levén (que já havia passado pelo Candlemass em 2006) em estúdio com a banda. Quem já conhece o trabalho dele em nomes como Adagio, At Vance, Firewind, Therion e Yngwie Malmsteen, já sabe que não existem motivos para preocupação. E bem, ele não decepciona, dando certo toque teatral à sua interpretação em alguns momentos, o que torna tudo bem interessante.

Não é preciso dizer que a ansiedade dos fãs era imensa. O que esperar das 4 músicas que compunham o EP? Bem, em primeiro lugar, faz-se necessário avisar que se você aguardava algo que remetesse ao material clássico dos anos 80, vai se decepcionar um pouco. O que temos aqui remete ao material mais atual da banda e a tudo que vêm fazendo desde o lançamento de seu trabalho autointitulado de 2005. Isso é ruim? De forma alguma, afinal, trabalhos como King of the Grey Islands (07) ou o já citado Psalms for the Dead (12) são trabalhos de qualidade inquestionável. Mas ai também reside um aspecto que pode incomodar aos fãs mais puristas. Qualquer uma das músicas aqui presentes poderia estar em álbuns dos atuais projetos do “chefe” Leif Edling.

Exageros? Escute por exemplo a pesada e melancólica “Sinister and Sweet” (que solo!) e me diga se a mesma não poderia estar em qualquer um dos álbuns lançados pelo Avatarium, assim como também a faixa título, que além de melodias grudentas e grandes riffs, possui um ótimo refrão e uma abordagem muito mais voltada para o Classic Rock/Metal. Ainda assim, a forte “Sleeping Giant”, com ótimo desempenho de Levén e riffs tipicamente Doom, e a instrumental “The Goose” (com a identidade do Candlemass encravada em seu DNA) vão agradar aos fãs do estilo.

Gravado em 3 estúdios diferentes, Ghost Ward, Deep Well (guitarras) e Uzi G (vocais), Death Thy Lover teve a produção e a mixagem realizados por David Castillo (Moonspell, Opeth, Katatonia, Amorphis, Soilwork). Já a masterização foi feita no Fascination Street, pelo onipresente, onipotente, onisciente e arroz de festa Jens Bogren (Paradise Lost, Borknagar, Amorphis, Angra, Amon Amarth e mais algumas centenas de bandas), que parece ser responsável por 11 em cada 10 álbuns lançados atualmente. Com um time desse, a qualidade só poderia ser ótima. Já a capa é obra de Erik Rovanperä, que trabalhou com o Avatarium.

Mantendo a essência melancólica de sua música, mesmo distante da sonoridade clássica dos anos 80, o Candlemass solta um trabalho sólido e onde mostra a qualidade e categoria de sempre. É esperar que em breve soltem um trabalho completo de estúdio. E aos interessados, Death Thy Lover está sendo lançado no Brasil pela Die Hard por um preço justo, ou seja, equivalente ao preço real de um EP e não de um CD completo. Vale muito o investimento.

NOTA: 8,5

Candlemass é:
- Mats Levén (vocal)
- Mats Björkman (guitarra)
- Lars Johansson (guitarra)
- Leif Edling (baixo)
- Jan Lindh (bateria)

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sexta-feira, 12 de agosto de 2016

Maestrick - The Trick Side of Some Songs (EP) (2016)


Maestrick - The Trick Side of Some Songs (EP) (2016)
(Independente - Nacional)


01. Near -  Brain Damage
02. Yes, It’s a Medley!
03. The Ogre Fellers Master March - Part I: The Battle
04. The Ogre Fellers Master March - Part II: The Fairy and the Black Queen
05. Aqualung
06. While My Guitar Gently Weeps
07. Near -  Brain Damage (Reprise)
08. Rainbow Eyes (Bonus Track)

Responsáveis por Unpuzzle! (11), um dos trabalhos mais instigantes e criativos da história do Metal nacional, o Maestrick ressurge depois de 5 anos com The Trick Side of Some Songs, EP de covers feito para prestar reverência a algumas de suas principais influências, além de preparar o caminho para seu tão esperado segundo álbum. Mas chamar esse de um trabalho de covers é subestimá-lo, já que o que temos aqui são versões onde procuram, a sua forma, incorporar seu DNA a cada uma das canções.

Tanto na abertura como no encerramento, temos “Near – Brain Damage”, uma adaptação com letra feita pela banda, de “Almost a Brain Damage” do Pink Floyd, o que já mostra bem o espírito do EP. Em seguida, temos um medley bem legal do Yes, com trechos de “Soon”, “Close to the Edge”, “Roundabout”, “Changes” e “Give Love Each Day”. Sem perder o ritmo, emendam com duas do Queen, “The Ogre Fellers Master March – Part I: The Battle” e “The Ogre Fellers Master March – Part II: The Fairy and the Black Queen” (onde mesclam “The Fairy Fellers Master Stroke” e “The March of The Black Queen”). Nessa sequência de abertura simplesmente matadora, temos a banda imprimindo sua forte identidade em cada uma das versões.

Após esse início avassalador, temos versões para “Aqualung” (Jethro Tull) e “While My Guitar Gently Weeps” (Beatles), onde tiram o pé do acelerador e não se afastam tanto assim das versões originais, o que não significa que não tenham procurado, e conseguido, dar uma cara de Maestrick às canções. Após o encerramento com “Near – Brain Damage (Reprise)”, temos um bônus muito especial. A já conhecida versão para “Rainbow Eyes” (Rainbow), que fizeram para homenagear os 5 anos do falecimento de Ronnie James Dio, contando com a participação da Orquestra Belas Artes, que enriquece em muito o resultado final.

Produzido pela banda, The Trick Side of Some Songs teve mixagem e masterização feitas por Leandro Matos, com um resultado muito bom. Já a capa é novamente obra de Ricardo Chucky. Se alguém ainda tinha dúvidas, Maestrick mostrou ser uma das bandas mais criativas em atividade no Brasil. Dentro da proposta do EP, homenagear parte de suas maiores influências sem soarem como simples cópias, foram muito felizes, já que deram cara própria às versões aqui presentes.

E sabe qual o melhor de tudo? O Maestrick disponibilizou The Trick Side of Some Songs para download gratuito em seu site (clique aqui). Sendo assim, o que está fazendo aí parado que não foi trás da sua cópia ainda?

NOTA: 8,0

Maestrick é:
- Fábio Caldeira (vocal/piano/teclado)
- Renato Somera (baixo)
- Heitor Matos (bateria)

Participações:
- Rubens Silva (guitarra 1-7 e vocais nas faixas 1 e 7)
- Maurício Lopes (teclados e backings nas faixas 3 e 4)
- Dani Castro (vocais e backings)
- Carol Penhavel (vocais e backings)
- Andrea Porzio Vernino (arranjos orquestrais e condução na faixa 8)
- Oquestra Belas Artes (faixa 8)
- Paulo Pacheco (guitarra na faixa 8)

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Maestrick - Unpuzzle! (2011)


Maestrick - Unpuzzle! (2011)
(WikiMetal Music - Nacional)


01. H.U.C.
02. Aquarela
03. Pescador
04. Sir Kus
05. Puzzler
06. Disturbia
07.Treasures of the World
08. Radio Active
09. SmileSnif
10. Yellown of the Ebrium
11. Lake of Emotions

Sabe aquele conto da carochinha de que no Brasil não existe banda de Heavy Metal de qualidade? Então, da próxima vez que alguém vier com esse papo para o seu lado, esfregue Unpuzzle!, álbum de estreia do Maestrick lançado em 2011 na cara do indivíduo. Exagero? Não, de forma alguma, pois o debut do grupo de Prog Metal oriundo de São José do Rio Preto/SP, é um dos melhores álbuns do estilo lançados no país e não fica devendo nada para boa parte dos trabalhos de medalhões lá de fora.

Equilibrando muito bem Prog Metal e Rock Progressivo, o Maestrick se recusa a ser apenas mais uma banda do estilo, já que agrega ao seu som uma infinidade de outros estilos, o que resulta em uma identidade única. Vai encontrar ecos de nomes como Yes, Queen, Rush, Angra ou Dream Theater? Com toda certeza, mas também irá se deparar com elementos de MPB, Baião, Samba, Folk, Blues, Jazz e tudo mais que o quinteto julgar caber em sua música.

“Mas isso deve soar como uma verdadeira colcha de retalhos, Leandro!”. Sim, eu sei que você acabou de pensar isso, e nem o condeno por tal, já que o mesmo passaria por minha cabeça se eu estivesse no lugar de algum de vocês. Mas é ai que todos se enganam. Isso na verdade acaba por gerar composições com uma riqueza de arranjos ímpar e que saem completamente do lugar-comum. Claro, existem alguns poucos momentos no qual optam por fazer o básico do estilo (muito bem, por sinal), como em “Treasures of the World”, mas é quando se permitem experimentar que conseguem os melhores resultados.

Duvida? Escute por exemplo, faixas como a ótima “Pescador”, cantada em português e com forte influência de MPB e Baião (algo na linha do que o Angra fez em Holy Land), “Puzzler”, com sua mescla de Folk e Jazz ou “Yellown of the Ebrium”, que une de forma primorosa Prog, Blues e Samba e me diga se não está diante de um dos trabalhos mais criativos já lançados nesse país. Vale também destacar “Aquarela”, onde podemos observar a influência do Queen no som do Maestrick e a épica “Lake of Emotions”, com seus 21 incríveis minutos. Simplesmente primorosa.

A produção, mixagem e masterização ficaram a cargo de Gustavo Carmo e o resultado ficou ótimo, já que permite observar com clareza cada detalhe da complexa música do Maestrick, mas sem que a mesma perca o peso. Já a capa é um belo trabalho de Ricardo Chucky. Individualmente, elogiar Fábio Caldeira (vocal/teclado), Danilo Augusto (guitarra), Maurício Figueiredo (guitarra), Renato Montanha (baixo/vocal) e Heitor Matos (bateria) é chover no molhado, já que todos brilharam aqui.

O maior pecado do Maestrick é que após um trabalho de tamanha qualidade, entraram em um hiato que já dura 5 anos com relação a um trabalho de inéditas, já que não estou contando aqui o EP de covers The Trick Side of Some Songs, lançado no início desse ano. Ao que parece, finalmente estão finalizando seu segundo álbum, que pode sair ainda nesse ano de 2016. Torço por isso, já que por tudo que escutamos em seu debut, esse é um trabalho que promete demais.

NOTA: 9,0

Maestrick (gravação):
- Fábio Caldeira (vocal/teclado)
- Danilo Augusto (guitarra)
- Maurício Figueiredo (guitarra)
- Renato Montanha (baixo/vocal)
- Heitor Matos (bateria)

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quarta-feira, 10 de agosto de 2016

King Bird - Got Newz (2016)


King Bird - Got Newz (2016)
(Independente - Nacional)


01. Immortal Rider
02. Break Away
03. Years Gone By
04. Back In Time
05. Gonna Rock You
06. Freeze Frame My Life
07. Daybreak
08. The Road You Ride
09. Doomsday
10. Smoke Signals
11. Last Page

Qualquer um que acompanha a cena nacional e aprecia um bom Hard/Classic Rock, conhece bem o King Bird, já que seu nome sempre foi sinal de boa música. Vindo de um hiato de 4 anos, desde o EP Beyond The Rainbow e de uma importante mudança de formação, a saída do vocalista João Luiz e a entrada de Tom Cremon, existia aquela ansiedade natural de como soaria a banda com um novo vocal, por mais que já tivessem liberado duas delas, “Break Away” e “Daybreak”.

Pois bem, agora ficou provado de uma vez por todas que a mudança de vocalista em nada afetou a qualidade do trabalho apresentado pelo King Bird. Diria até que deu uma renovada na sonoridade da banda. Mas calma, não falamos aqui de mudanças radicais. Aquele Classic Rock classudo e com pegada setentista continua mais que presente aqui, mas com uma saudável influência daquele Hard Rock dos anos 80 e 90. Isso acabou por dar um ar mais atual à música e ficou muito legal. Agora, as influências de nomes como Rainbow, Black Sabbath, UFO ou Deep Purple, caminham lado a lado com as de Whitesnake, Gotthard, Mr.Big e afins.

Os vocais de Tom são muito bons e variados, alcançando tons mais altos sem soar irritante. Silvio Lopes continua se mostrando um legítimo herdeiro de guitarristas como Iommi, Paul Kossof e Blackmore, despejando alguns dos melhores riffs já escutados em um trabalho do King Bird. Obrigatório também destacar os excelentes solos executados por ele aqui. Já a parte rítmica não tem mistério, com um ótimo e marcante trabalho da dupla Fábio César (baixo) e Marcelo Ladwig (bateria), coesos, pesados e diversificados. E não posso esquecer dos refrões aqui presentes, bem grudentos.

Aponto como minhas faixas preferidas aqui “Immortal Rider”, com uma base pesada e riffs marcantes, “Break Away”, com desempenho primoroso de Cremon, a direta “Back In Time”, “Daybreak”, já bem conhecida do público e com um refrão forte e “Last Page”, a mais diversificada do trabalho.

A produção ficou a cargo de Henrique Baboom, sendo a melhor da banda até hoje. Tudo limpo, 100% audível, mas soando bem orgânico e sem certos exageros cometidos hoje em dia. Já a capa é um trabalho bem legal de Emerson Russo. Got Newz ainda contou com as participaões especiais do vocalista Nando Fernandes e  do tecladista Rodrigo Hid. Se mostrando renovado e pronto para novos desafios, o King Bird lançou um dos melhores trabalhos nacionais de 2016 e que se mostra mais do que obrigatório para qualquer fã de Classic/Hard Rock.

NOTA: 8,5

King Bird é:
- Tom Cremon (vocal)
- Silvio Lopes (guitarra)
- Fabio César (baixo)
- Marcelo Ladwig (bateria)

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terça-feira, 9 de agosto de 2016

Khrophus - Eyes of Madness (2013)


Khrophus - Eyes of Madness (2013)
(Brutal Records - Nacional)


01. Smoke Screen
02. Dead Face
03. By the Sun
04. Interposition
05. Forbidden Melodies
06. The Book of the Dead
07. Lost Initiations
08. Master of Shadows
09. Harvest (Eyes of Madness)
10. Chimeras

Surgido no ano de 1993, os catarinenses do Khrophus se firmaram como uma das principais bandas do cenário Death nacional. Eyes of Madness, seu terceiro trabalho de estúdio, sucedeu o muito bom Presages (09) e vinha com a espinhosa missão de no mínimo igualar a qualidade deste. A tarefa não era nada fácil.

Eyes of Madness é a continuação natural de seu antecessor e nele encontramos aquele Death Metal pesado, brutal e muito técnico (mas sem exageros) que sempre marcou a carreira do grupo. Apesar de ser repleta de passagens mais complexas e intrincadas, mudanças de ritmo e andamentos mais quebrados, a música do Khrophus não é difícil de se assimilar e conquista de forma muito fácil o ouvinte.

A primeira coisa que chama a atenção é a variedade vocal imposta por Alex Pazetto, o que acaba ajudando demais a evitar que o álbum se torne cansativo. Alex também realiza um belíssimo trabalho no baixo, imprimindo linhas bem fortes e que são um diferencial grande no som dos catarinenses. Adriano Ribeiro também se sai muito bem nas guitarras e impressiona com a quantidade imensa de riffs que surgem de seu instrumento. O cara parece uma máquina. Por falar em máquina, a precisão do baterista Carlos Fernandes impressiona. Velocidade, técnica, ótimas viradas, tudo que você espera de um baterista do estilo, encontrará aqui.

Como já dito, apesar de mostrarem muita técnica, não abusam da mesma, o que ajuda demais no resultado final das canções. Vide por exemplo “Smoke Screen”, com ótimos riffs e blast beats insanos, “By the Sun”, com um trabalho de baixo soberbo, “Master of Shadows” e a pesada e densa “Chimeras”. A produção, a cargo da banda e o trabalho de mixagem e masterização realizados por Alexei Leão, ficaram muito bons, já que apesar de ter deixado tudo bem claro, não abriu mão da crueza importante para uma banda de Death Metal. Já a capa foi obra do vocalista Alex Pazetto.

Brutal, agressivo e esbanjando técnica, Eyes of Madness é um trabalho que vai agradar em cheio os amantes de Technical Death Metal e mostra que o Khrophus não fica devendo nada aos grandes medalhões do estilo. Se sua praia for essa, está ai um investimento que vale a pena fazer para a sua coleção.

NOTA: 8,0

Khrophus é:
- Alex Pazetto (vocal/baixo)
- Adriano Ribeiro (guitarra)
- Carlos Fernandes (bateria)