sexta-feira, 29 de abril de 2016

D.A.M. - Premonitions (2016) (EP)

D.A.M. -  Premonitions (2016) (EP)
(Independente - Nacional)


01. Premonitions… (Under the Tree of Regrets)
02. The Cage (Breaking the Paradigms)
03. Untouchable (My Past Mistakes…)
04. Anorexic Dysphoria (AElegy for the Brainless)
05. Changing the Directions (Unresolved)
06. Frustration (Imprisoned Dreams)

Uma das coisas mais legais de se acompanhar a carreira de uma banda é poder notar sua evolução a cada trabalho. Quando lançou o EP Possessed (13), o D.A.M., obstante suas qualidades, praticava um Melodic Death Metal bem básico, sem se diferenciar muito do padrão do estilo. Era bem feito, mas genérico.

Daí para frente, em um curto espaço de tempo, a banda capitaneada pelo batalhador Guilherme Alvarenga cresceu e amadureceu com uma velocidade absurdamente rápida. Nos trabalhos seguintes, Tales of the Mad King, debut de 2013, o EP Phantasmagoria e o álbum The Awakening, ambos de 2014, vimos influências diversas de Power Metal e Metal Sinfônico serem agregadas à sonoridade dos mineiros.

Em Premonitions, os mineiros levam sua música um passo além, já que o Progressivo passou a fazer parte do caldeirão de influências da banda. Mas obstante essa complexidade presente em seu trabalho, não abriram mão de características marcantes de seu trabalho, como passagens mais rápidas, a forte presença dos teclados, responsáveis por ótimos arranjos (bem intrincados) e solos (em vários, duelando com as guitarras) e maior responsável pelas melodias. O mesmo também acaba sendo responsável pela aura mais obscura que a música do D.A.M. possui. Belos vocais femininos também se fazem presentes.

Mesmo com doses generosas de melodia, em momento algum a música aqui presente perde em agressividade, já que esta se faz presente nos vocais e nas guitarras, com bastante peso e riffs de bastante qualidade. Imaginem uma mescla do In Flames dos primeiros trabalhos, com Janne Warman nos teclados e Alexi Laiho e Timo Tolkki compondo as músicas em parceria. Sim, essas referências estão todas presentes, o que não impede que o D.A.M. dê uma cara toda sua ao seu trabalho.

Das 6 canções aqui presentes, todas equilibrando muito bem agressividade e melodia, destaco como minhas preferidas, “Premonitions… (Under the Tree of Regrets)”, “Untouchable (My Past Mistakes…)” e “Anorexic Dysphoria (AElegy for the Brainless)”.

Mostrando-se cada vez mais uma banda única dentro de seu estilo no Brasil, o D.A.M. dá mais um passo evolutivo, elevando seu nível de complexidade e enriquecendo ainda mais sua sonoridade, fazendo com que me pergunte até onde o grupo capitaneado por Guilherme pode chegar. Hoje posso afirmar sem medo, que não ficam devendo nada se comparados com qualquer banda que siga essa linha lá fora.

Música de ótimo nível com selo Minas “Hellrais” de qualidade!

NOTA: 8,5

D.A.M. é:
- Guilherme de Alvarenga (Vocal/Sintetizador/Teclado)
- Caio Campos (Baixo)
- Tomás Campos (Guitarra)

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Mediafire (Link disponibilizado pela banda)

quinta-feira, 28 de abril de 2016

Hagbard - Vortex To An Iron Age (2016)


Hagbard - Vortex To An Iron Age (2016)
(Heavy Metal Rock - Nacional)


01. Intro
02. Never Call the Sage to Drink in Your Home
03. Bridge to a New Era
04. Iron Fleet Commander
05. Last Blazing Ashes
06. Death Dealer
07. Relic of the Damned
08. Inner Inquisition
09. Deviant Heathen
10. Shield Wall
11. Outro

Quando estava me preparando para escrever essa resenha, percebi que entre a demo Warriors Legacy e esse segundo trabalho dos mineiros da Hagbard, se passaram apenas 5 anos. Digo isso, pois, por mais que as qualidades e o potencial da banda fossem mais que evidentes em 2011, a evolução do quinteto juiz de forano nesse período foi algo surpreendente. Poucas vezes nessa vida vi uma banda crescer tanto em tão pouco espaço de tempo.

O debut Rise of the Sea King foi um dos melhores CD’s nacionais de 2013, o EP Tales of Frost and Flames, um dos destaques de 2015 e pelas audições aqui feitas, Vortex To An Iron Age deve seguir pelo mesmo caminho e entrar em várias listas de no final de 2016, já que aqui nos deparamos com uma banda ainda mais coesa e madura.

As guitarras de Danilo “Marreta” Souza continuam com aquela característica marcante de despejar ótimas melodias sem abrir mão do peso (tanto um como o outro se encontram mais reforçados aqui), mas conseguindo atingir um patamar acima em matéria de qualidade. Já os vocais urrados de Igor Rhein mantêm a pegada e qualidade dos trabalhos anteriores e contando sempre com o precioso apoio dos vocais limpos do tecladista Gabriel Soares, que se destacam quando surgem. Aliás, o trabalho deste nos teclados se faz digno de aplausos, pois se faz sem exageros e consegue dar um clima Folk/Sinfônico às canções. Já Rômulo “Sancho” Piovezana (Baixo) e Everton “Tonton” Moreira mostram ainda mais técnica e consistência que nos trabalhos anteriores, além de diversidade e peso.

Aliás, diversidade é a palavra de ordem quando falamos do trabalho da Hagbard, pois não são uma simples banda de Folk Metal, já que sua música traz junto elementos de Metal Sinfônico, Viking Metal e Death Melódico. Saca aquela banda que vai agradar fãs do Amon Amarth, do Ensiferum e do Korpiklaani? Então. Vale destacar que as canções aqui presentes deram um passo à frente em matéria de arranjos, que se encontram ainda mais bem trabalhados que no debut e no EP, sendo enriquecidos por belas passagens de violino, corais e vocais femininos.

Dentre as canções aqui presentes, se destacaram aos meus ouvidos “Never Call the Sage to Drink in Your Home”, “Bridge to a New Era”, “Iron Fleet Commander”, “Last Blazing Ashes”, “Relic of the Damned”, “Deviant Heathen” e “Shield Wall”.

Vortex To An Iron Age contou com as participações especiais de Vinicius Faza Paiva no violino, Livia Kodato nos vocais femininos, Luqui Di Falco (Glitter Magic) tocando violão em “Last Blazing Ashes” e Mauricio Fernandes fazendo backing vocals. Gravado em Juiz de Fora/MG, teve a masterização e mixagem feitas na Suécia, por Jerry Torstensson (Dead Dog Farm Studio), que já havia trabalhado em Rise of the Sea King (13). A qualidade ficou totalmente condizente com a grandeza da música da Hagbard. Já a capa é mais um belíssimo trabalho de Marcelo Vasco (Slayer, Borknagar) e casa perfeitamente com a proposta sonora da banda.

Sem querer desmerecer as demais, que possuem sim, muita qualidade, hoje, para este que vos escreve, não existe uma banda de Folk/Viking Metal no Brasil que esteja no mesmo patamar que o quinteto mineiro em matéria de qualidade. Não existem hordas de Vikings no Brasil? Apareça pelos lados de Juiz de Fora e verá que sim, eles estão entre nós!

NOTA: 9,0

Hagbard é:
- Igor Rhein (Vocal)
- Gabriel Soares (Teclado, Vocais limpos e Backing Vocal)
- Danilo “Marreta” Souza (Guitarra)
- Romulo “Sancho” Piovezana (Baixo)
- Everton “Tonton” Moreira (Bateria)

Participações Especiais:
- Vinicius Faza Paiva (Violino)
- Livia Kodato (Vocal Feminino)
- Luqui Di Falco (Violão)
- Mauricio Fernandes (Backing Vocal)

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terça-feira, 26 de abril de 2016

W.A.S.P. - Babylon (2009)


W.A.S.P. - Babylon (2009)
(Shinigami Records - Nacional)


01. Crazy
02. Live To Die Another Day
03. Babylon's Burning
04. Burn (Deep Purple Cover)
05. Into The Fire
06. Thunder Red
07. Seas Of Fire
08. Godless Run
09. Promised Land (Chuck Berry Cover)

Eis que após as versões nacionais de Golgotha (15) e Dominator (07), a Shinigami presenteia os fãs do W.A.S.P. com Babylon, lançado no ano de 2009. E bem, a verdade é que por mais que tenha retornado ao Cristianismo, algo impensável para um músico que se notabilizou pelas polêmicas com os setores conservadores/religiosos americanos, Blackie Lawless nunca deixou de fazer música de extrema qualidade. O conteúdo lírico nunca vai influir em nada no que tange sua sonoridade.

Mantendo a formação de Dominator, com Doug Blair (guitarra), Mike Duda (baixo) e Mike Dupke (bateria), Babylon é a continuação natural de seu antecessor, seguindo na mesma pegada. Então, tome aquela mescla competentíssima de Hard e Heavy, com os vocais inconfundíveis de Blackie, que forma bela dupla com Doug Blair, sendo responsáveis por ótimas bases e riffs, além de solos de grande qualidade e excelentes melodias. Já a dupla Duda e Dupke (que saiu da banda após Golgotha) formam uma parte rítmica muito técnica, com pegada e muita precisão.

A música do W.A.S.P. sempre teve grande apelo comercial, mesmo que nunca deixe de lado o peso e aqui isso não é diferente. Sendo assim, a maioria das canções aqui presentes são daquelas que você se pega cantando junto sem nem mesmo perceber, com destaque para os refrões, simplesmente grudentos. Claro que nem tudo são flores, pois Lawless segue uma fórmula pronta e qualquer uma das canções aqui presentes poderia estar em Dominator ou Golgotha sem soarem deslocadas, o que pode vir a cansar alguns ouvintes que não sejam tão fãs da banda, mas não é algo que comprometa tanto assim o resultado final.

Dentre as 9 canções que compõem Babylon, duas são covers, “Burn”, do Deep Purple, que ganhou uma ótima versão (é um dos destaques do álbum) e “Promised Land”, de Chuck Berry, coverizada por Elvis Presley na década de 70 e que serviu de base para esta (perceba como os vocais de Blackie remetem aos do “Rei”). Ficou bem legal, mas soa deslocada dentro do contexto geral do trabalho. Vale a pena citar também as ótimas “Crazy” e “Babylon’s Burning”, além de “Live To Die Another Day” e “Seas Of Fire”.

Criativo, enérgico e com a categoria de sempre, Blackie Lawless e seu W.A.S.P. apresentaram em Babylon um álbum talhado para agradar a todos os amantes de um bom Hard/Heavy e que certamente vai ter um lugar em muitas coleções de CD por ai.

NOTA: 8,0

W.A.S.P. é:
- Blackie Lawless (Vocal/Guitarra)
- Doug Blair (Guitarra)
- Mike Duda (Baixo)
- Mike Dupke (Bateria)

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segunda-feira, 25 de abril de 2016

Gamma Ray - Heading For Tomorrow - Anniversary Edition (2015)


Gamma Ray - Heading For Tomorrow - Anniversary Edition (2015)
(Shinigami Records - Nacional)


Disco 1:
01. Welcome
02. Lust for Life
03. Heaven Can Wait
04. Space Eater
05. Money
06. The Silence
07. Hold Your Ground
08. Free Time
09. Heading For Tomorrow
10. Look at Yourself (Uriah Heep cover)
11. Mr. Outlaw 
12. Sail On
13. Lonesome Stranger

Disco 2:
01. Who Do You Think You Are?
02. Heaven Can Wait (versão do EP)
03. Money (versão Demo com Kai nos vocais)
04. Sail On (versão Demo com Kai nos vocais)
05. Heading for Tomorrow (ao vivo, medley)
06. Space Eater (ao vivo) 
07. The Silence (versão Demo com Kai nos vocais)
08. Mr. Outlaw (versão Instrumental)
09. Heaven Can Wait (versão Demo com Kai nos vocais)
10. Heading For Tomorrow (versão Karaokê)
11. Space Eater (versão Karaokê)
12. Lonesome Stranger (versão Demo)

Não é exagero afirmar que Kai Hansen é o pai do Power Metal Melódico. Primeiro, em 1978, ao lado de Piet Sielck (com quem veio a tocar depois no Iron Savior) fundou o Gentry, que após algumas trocas de nome e a entrada de Michael Weikath, resultou no Helloween, com quem lançou trabalhos verdadeiramente clássicos. Em 1988 resolveu sair da banda a qual fundou e após cogitar lançar um trabalho solo, acabou fundando o Gamma Ray ao lado de Ralf Scheepers (que antes da entrada de Kiske, havia sido convidado para assumir os vocais do Helloween), continuando de forma natural o que iniciou em sua ex-banda e dando contornos definitivos ao estilo.

Originalmente lançado em Fevereiro de 1990, Heading For Tomorrow recebeu ano passado uma edição comemorativa pelos 25 anos de carreira do Gamma Ray e ganha agora uma versão nacional via Shinigami Records. Aqui, além do álbum remasterizado pela dupla Alexander Dietz (G/Heaven Shall Burn) e Eike Freese (V/G Dark Age), que já haviam trabalhado no último trabalho de estúdio da banda, temos também uma nova capa, elaborada por Hervé Monjeaud (Gamma Ray, Iron Maiden) e uma série de faixas bônus, mais precisamente as presentes no EP Heaven Can Wait (90), faixas ao vivo, demos com Kai no vocal e versões para karaokê.

Heading For Tomorrow é o retrato de uma banda que começava a encontrar sua cara. Claro que temos aqui faixas rápidas, com aqueles riffs melódicos inconfundíveis que só Kai Hansen sabe forjar, além de solos cativantes, vocais épicos de Scheepers (aqui mais contido do que nos dias atuais com o Primal Fear) e uma parte rítmica, formada por Uwe Wessel (Baixo) e Matthias Burchardt (Bateria), que imprime peso e que dá uma diversidade ao Gamma Ray maior do que a maioria das bandas do estilo, mas isso tudo convive com passagens típicas do Metal Tradicional (que Hansen nunca negou ser uma influência) e até mesmo algo de Hard Rock, como podemos ver em “Free Time”, por exemplo.

Dentre as canções aqui presentes, os destaques mais que óbvios vão para “Lust for Life”, “Heaven Can Wait”, “Space Eater”, a balada “The Silence” e a mais que épica “Heading For Tomorrow” (para quem não sabe, composta ainda nos tempos pré-Helloween). Cabe também citações para o cover do Uriah Heep, “Look at Yourself”, “Sail On” e o medley ao vivo que une “Heading for Tomorrow” e "Dream Healer", canção presente no álbum seguinte, Sigh No More (91).

A título de curiosidade, o trabalho ainda contou com as participações especiais de Tommy Newton (responsável pela mixagem do trabalho original) tocando guitarra em “Free Time”, Mischa Gerlach nos teclados, Tammo Vollmers na bateria em “Heaven Can Wait” e Dirk Schlächter, tocando baixo nas faixas “Money” e “The Silence”. Dirk por sinal foi efetivado no Gamma Ray nesse mesmo ano, como guitarrista (e de 1997 em diante no Baixo) e nela permanece até os dias de hoje, sendo o fiel escudeiro de Kai Hansen.

Resumindo a história, agora os fãs, não só da banda como também de Power Metal, tem em mãos esse trabalho seminal, em uma edição caprichada e que vale a pena ter na coleção. Heading For Tomorrow foi o primeiro passo na consolidação do Gamma Ray e de sua sonoridade clássica, que 3 álbuns e 5 anos depois, culminaria no mais que clássico Land of the Free (95) e em uma sequência soberba de álbuns até o início dos anos 2000. Obrigatório!

NOTA: 8,5

Gamma Ray (Gravação):
- Ralf Scheepers (Vocal)
- Kai Hansen (Guitarra/Vocal)
- Uwe Wessel (Baixo)
- Matthias Burchardt (Bateria)

Participações Especiais:
- Tommy Newton (Guitarra em "Free Time")
- Mischa Gerlach (Teclado)
- Tammo Vollmers (Bateria em “Heaven Can Wait”)
- Dirk Schlächter (Baixo em "Money" e Baixo adicional em "The Silence")

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sábado, 23 de abril de 2016

Fast Review – Resenhas rápidas para consumo imediato!

Varg - Das Ende aller Lügen (2016)
(Napalm Records - Importado)


Em seu 5º trabalho de estúdio, os alemães chegam apresentando uma mescla bem interessante de Death Melódico, Black, Pagan e Metalcore, com alguns toques de Folk aqui e ali, tornando sua música difícil de rotular. Diversificação, boas melodias, refrães grudentos e algumas harmonias e vocalizações muito interessantes fazem parte do pacote. Pena que em outros momentos, soem um tanto insossos e até mesmo equivocados, como em "Achtung". Ainda assim, um álbum dentro da média. (7,0)

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Blood Ceremony - Lord Of Misrule (2016)
(Rise Above Records - Importado)
Os canadenses do Blood Ceremony chegam a seu 4º álbum de estúdio apresentando sua mescla de Occult Rock, Doom e Rock Psicodélico que sempre rendeu trabalhos de inegável qualidade. Aqui não é diferente e comandados pela talentosa vocalista Alia O'Brien (também responsável pelas Flautas, Órgão e Mellotron), temos um verdadeiro passeio pelos anos 60 e 70. Uma verdadeira aula de boa música e desde já, candidato a um dos melhores álbuns de 2016. (9,0)

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Spiritual Beggars - Sunrise To Sundown (2016)
(Inside Out Music - Importado)

Parece que foi ontem que Michael Amott surgiu com o Spiritual Beggars, mas a verdade é que já se vão 24 anos de estrada. E sabe qual o mais incrível disso tudo? É que nunca erraram a mão e sempre lançaram ótimos álbuns. Ok, aqui não temos mais aquele Stoner Metal do início de carreira e hoje em dia pendem mais para um Classic Rock setentista, mas isso em nada afeta a qualidade de Sunrise To Sundown. Recheado de ótimas melodias, com os teclados de Per Wiberg tomando a frente em várias canções e o vocalista Apollo Papathanasio "voando baixo", esse é um trabalho que não vai decepcionar em nada os fãs da banda e do estilo. (8,5)

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Human Fortress - Thieves of the Night (2016)
(Rise Above Records - Importado)

O grupo alemão sempre se caracterizou por um Power Metal com contronos mais épicos, mas desde que o brasileiro Gus Monsanto (Symbolica, ex-Revolution Renaissance, ex-Adagio) assumu os vocais, sua música vem adquirindo alguns aspectos bem interessantes e que pendem para o Hard/Heavy, tirando assim o Human Fortress da vala comum do estilo. O maior destaque aqui vai para Gus, que canta com a competência que lhe é natural. Cabem ressalvas à produção, que poderia ter sido um pouco mais caprichada, mas ainda assim temos um bom álbum em mãos. (7,5)

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Diamond Head - Diamond Head (2016)
(Dissonance Productions - Importado)

A verdade é que todo e qualquer lançamento do Diamond Head terá de conviver com a sombra do clássico Lightning to the Nations (80), um dos melhores trabalhos da história da NWOBHM e que influenciou bandas como Metallica (que coverizou boa parte dele) e Megadeth. Pendendo aqui mais para o Classic Rock do que para o Metal Tradicional, acabaram por soltar um álbum até que bem agradável, mas que passa longe de seu clássico, tanto em qualidade quanto em sonoridade. Rende bons momentos, dignos da história da banda, mas não é aquele trabalho que no final do ano você recordará de ter escutado. (7,0)

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sexta-feira, 22 de abril de 2016

The Assault - Abyss (2016)

The Assault - Abyss (2016)
(Independente - Nacional)


01. Crisis
02. Subdivisions
03. Absolute Ideas
04. Trial
05. Uprise
06. Age Of Freedom
07. Trouble Times
08. The Final Act
09. Introspection
10. Abyss

Prelude To War (15), álbum de estréia do trio de Ararquara/SP, The Assault, passava a sensação de uma banda promissora e com muito potencial de evolução. E bem, podemos dizer que essa impressão se confirma com esse seu segundo álbum. Aliás, Abyss tem uma particularidade bem interessante, pois é um trabalho conceitual baseado no livro Abismo, de autoria do vocalista e guitarrista Artur Rinaldi. No mínimo, uma aposta ousada.

Praticando um Thrash Metal bem grooveado, com os pés fincados nos anos 90, mas sem abandonar algumas referências mais tradicionais, o trio paulista mostra muita evolução quando colocado frente a frente com seu debut. Sua sonoridade é bem pesada e os vocais estridentes de Arthur casam perfeitamente com o som da banda. Nas guitarras, o mesmo é responsável por riffs furiosos e agressivos, enquanto na parte rítmica, o baixista Iuri Rabatini e o baterista Vitor Rinaldi se mostram bem técnicos, impondo boa diversidade aos temas aqui presentes. O resultado disso é uma música muito mais coesa e madura.

As canções estão mais cadenciadas e cada uma delas aborda uma passagem específica do livro, mas apesar disso, funcionam muito bem individualmente falando, o que é positivo em uma época onde boa parcela do público opta por escutar faixas soltas ao invés de um álbum completo. Aponto como minhas preferidas "Crisis", "Absolute Ideas", "Trial", "Age Of Freedom", "Trouble Times" e "Abyss".

A produção ficou superior ao debut, sendo outro ponto de melhora aqui. Apresentando grande evolução, um Thrash Metal pesado, forte, agressivo e com uma proposta ousada, afinal, um álbum conceitual não é para qualquer um, ainda mais em se tratando de um segundo trabalho, passo crucial para a carreira de qualquer banda, o The Assault confirma as expectativas sobre seu potencial em Abyss. Se curte um Thrash com pegada anos 90, aqui está uma banda que precisa conhecer.

NOTA: 8,0

The Assault é:
- Arthur Rinaldi (Vocal/Guitarra)
- Iuri Rabatini (Baixo)
- Vitor Rinaldi (Bateria)

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quarta-feira, 20 de abril de 2016

Terrordome/Chaos Synopsis - Intoxicunts (2016) (Split)


Terrordome/Chaos Synopsis - Intoxicunts (2016) (Split)
(Defense Records - Importado)


Terrordome
01. Reflux
02. Polidics
03. Nothing Else Flickers
04. The 'Hood (Evildead Cover)
05. Beerbong Party

Chaos Synopsis
06. Serpent of the Nile
07. Fire On Babylon
08. Damage Inc. (Metallica Cover)

Para quem desconhece as bandas, vamos lá. O Chaos Synopsis, banda de São Paulo e que já lançou 3 álbuns de estúdio, pratica um Thrash Metal calcado nas bandas da Bay Area, mas com doses de Death Metal mais tradicional e vem de um ótimo trabalho, Seasons of Red (15), que rendeu inclusive uma turnê europeia. Nessa turnê, tocaram com o polonês Terrordome, que também segue a escola oitentista do estilo, mas naquela linha mais Crossover, gerando um som avassalador. Recentemente, no mês de janeiro, estiveram pelo Brasil promovendo seu segundo álbum, Machete Justice (15), tendo a banda paulista como companheira nesse giro. Dessa relação de amizade, surgiu esse Split simplesmente matador.

Após o termino da audição de Intoxicunts, meu pescoço estava dolorido de tanto bater cabeça, já que o Thrash Metal aqui presente é da melhor qualidade. O trabalho abre com o Terrordome e seu Thrash/Crossover ríspido e impiedoso, carregado de vocais enérgicos, riffs ferozes e parte rítmica muito pesada, resultando assim em uma música agressiva e feita para moer pescoços, com destaques para "Polidics", "Beerbong Party" e o cover para "The 'Hood", do Evildead. Em seguida chega a vez do Chaos Synopsis, com seu Thrash bruto e intenso. Mostrando boa técnica e dando variedade às suas canções, já que equilibra bem velocidade com passagens mais cadenciadas, evitando que seu som se torne repetitivo. Das 3 canções aqui presentes (incluindo um cover do Metallica), o grande destaque é sem dúvida "Serpent of the Nile", onde podemos perceber o mesmo clima oriental presente em algumas composições de Seasons of Red. Mas não podemos descartar "Fire On Babylon", já que a mesma também é talhada para moer pescoços alheios.

A parte do Terrordome foi produzida pela própria banda, tendo a mixagem e masterização sido feitas por Szymon Piotrowski (Psychosound Studio), enquanto a do Chaos Synopsis teve produção do baterista Friggi Mad Beats, com engenharia de Fabiano Penna e masterização feita por Neto Grous (Absolute Master). A coesão e qualidades são muito boas, tendo deixado tudo audível, pesado, agressivo e com certa dose de sujeira necessária.

Aqui vão alguns conselhos que o Tio Leandro sequer vai cobrar de vocês, prezados leitores. Antes de dar o play em Intoxicunts, primeiro afastem todos os móveis a sua volta, depois, consigam o telefone de um ortopedista ou, caso não disponha de verba para uma futura consulta, arrumem uma cartela de algum relaxante muscular, porque o moshpit será inevitável e duvido que tenham ossos inteiros no pescoço ao final do split.

NOTA: 8,5

Terrordome é:
- Uappa Terror (Vocal/Guitarra)
- Paua Siffredi (Guitarra)
- The Kapitzator (Baixo/Vocal)
- Murgrabia Mekong (Bateria)

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Chaos Synopsis (Gravação)
- Jairo Vaz (Vocal/Baixo)
- Friggi Mad Beats (Bateria)
- JP (Guitarra)
- Luiz Ferrari (Guitarra)

Chaos Synopsis é:
- Jairo Vaz (Vocal/Baixo)
- Friggi Mad Beats (Bateria)
- Diego Santos (Guitarra)
- Luiz Ferrari (Guitarra)

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terça-feira, 19 de abril de 2016

Woslom - A Near Life Experience (2016)


Woslom - A Near Life Experience (2016)
(Shinigami Records - Nacional)


01. Underworld of Aggression
02. A Near Life Experience
03. Brokenbones
04. Lapses of Sin
05. Redemption
06. Unleash Your Violence
07. Lords of War
08. Total Speed Thrash
09. Thrasher's Return (Bônus Track)

Time To Rise (10), debut do paulistano Woslom, foi uma bela estréia. Já Evolustruction (13), seu trabalho seguinte, mostrou uma evolução natural que deixou o que era muito bom melhor ainda. Sendo assim, a expectativa por A Near Life Experience era imensa. Conseguiriam manter o altíssimo nível apresentado até então? Passariam pelo desafio do 3º álbum, aquele que separa as crianças dos adultos e que já sepultou a carreira de muitas bandas no meio do Metal? Pois bem, aqui está a resposta.

Uma característica que sempre me chamou a atenção de forma positiva no Woslom é a capacidade que possuem de soarem Old School, com uma sonoridade totalmente calcada na Bay Area, mas com uma pegada moderna e que remete às bandas atuais. Esse é um diferencial que, sem dúvida, os coloca muito à frente da concorrência, já que as bandas que surgem na atualidade optam por uma ou outra característica dessas.

A influência do Megadeth na sonoridade dos paulistanos sempre foi inegável, mas inegável também é que a cada lançamento isso vai se fazendo menos perceptível, já que ecos de outros nomes da mesma geração, como Metallica, Slayer e principalmente, Exodus e Testament se fazem cada vez mais presentes. Algo de Iron Maiden e de NWOBHM pode ser percebido, nos momentos em que guitarras gêmeas surgem. Dessa mistura, surge uma sonoridade própria, um som com a cara do Woslom, algo que hoje em dia poucas bandas de Thrash podem se gabar de possuir, seja no Brasil ou no mundo (ao menos quando falamos da nova geração do estilo).

Os vocais de Silvano Aguilera se destacam e continuam soando como aquela mescla muito legal de Dave Mustaine com Chuck Billy, ao mesmo tempo em que ele faz uma dupla matadora com Rafael Iak nas guitarras. A qualidade dos riffs aqui presentes é de deixar qualquer um de queixo caído e em sua maioria, grudam na cabeça do ouvinte, fora os belíssimos solos aqui presentes. Já Andre Mellado (Baixo) e Fernando Oster (Bateria) formam uma parte rítmica destruidora, esbanjando técnica, variedade, peso e intensidade. Os refrães também chamam muito a atenção, já que parecem forjados com supercola, pois grudam na cabeça de tal forma que você dificilmente os irá esquecer depois.

Outro aspecto que me chamou a atenção é que o Woslom está soando ainda mais pesado e agressivo em A Near Life Experience, com energia transbordando por todos os lados. Sua música também se mostra mais variada, equilibrando muito bem as passagens mais velozes com momentos mais cadenciados. A coisa aqui está em um nível que fica realmente difícil destacar faixas sem sentir aquela sensação de estar sendo injusto.

Depois de muito matutar, optei por apontar como minhas preferidas "Underworld of Aggression", onde Mellado e Oster destroem tudo, a moedora de pescoços "A Near Life Experience", a enérgica "Lapses of Sin", "Unleash Your Violence", "Lords of War", melhor faixa do álbum e "Thrasher's Return", cover do Bywar, onde conseguiram impor a personalidade da banda.

A produção ficou a cargo da própria banda, tendo a mixagem sido feita por Danilo Poazzani (Acustica Studio) e a mixagem por Neto Grous (Absolute Master). O resultado é excelente, mantendo a clareza dos instrumentos sem retirar o peso e a agressividade da múscia do Woslom. Já a capa foi feita por Mario Lopez, concebida sobre idéia de Mellado e Aguilera e bem, digamos que ela está no melhor estilo Somewhere In Time, cheia de pequenos detalhes escondidos e que remetem ao quarteto, além de remeter diretamente aos trabalhos oitentistas de Thrash Metal.

O Woslom passou com todos os louvores no teste do terceiro álbum, consolidando de uma vez por todas seu nome entre as principais bandas do cenário nacional. Quase 3 anos atrás, encerrei a resenha de Evolustruction afirmando que haviam soltado o álbum que o Megadeth deveria ter lançado naquele ano (convenhamos, Super Collider foi abaixo das expectativas) e por uma dessas coincidências, novamente ambas estão com novos trabalhos em 2016. E bem, podem me achincalhar, mas ouso dizer que por mais que Dystopia seja uma belíssimo trabalho, à altura da história dos americanos, A Near Life Experience consegue ser ainda mais empolgante.

Pois é, mais uma vez o aluno superou o mestre. Candidato a melhor álbum de Thrash de 2016.

NOTA: 9,0

Woslom é:
- Silvano Aguilera (Vocal/Guitarra)
- Rafael Iak (Guitarra)
- Andre G. Mellado (Baixo)
- Fernando Oster (Bateria)

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segunda-feira, 18 de abril de 2016

Fleshgod Apocalypse – King (2016)


Fleshgod Apocalypse – King (2016)
(Shinigami Records/Nuclear Blast – Nacional)


01. Marche Royale
02. In Aeternum
03. Healing Through War
04. The Fool
05. Cold As Perfection
06. Mitra
07. Paramour (Die Leidenschaft Bringt Leiden)
08. And The Vulture Beholds
09. Gravity
10. A Million Deaths
11. Syphilis
12. King

No Metal existe espaço para tudo. Existem aquelas bandas que nasceram para fazer o simples, o básico, com muita qualidade, mas existem também aquelas que vieram ao mundo para fazer um trabalho grandioso em todos os sentidos. E com todo respeito, os italianos do Fleshgod Apocalypse se encaixam exatamente no segundo grupo, com sua música de sonoridade irrotulável. Durante toda a audição de King, fiquei me perguntando como definir o quinteto italiano, que pratica um Metal extremo, pesado, agressivo, moderno, muito técnico e carregado de elementos orquestrais e operísticos que transformam seu trabalho em algo único. E querem saber, simplesmente não consegui encontrar tal definição.

O que mais impressiona nesse trabalho é que apesar de toda a pompa que tais elementos orquestrais/operísticos trazem a música praticada pelo Fleshgod Apocalypse, com direito a belos coros e a participação da soprano Veronica Bordacchini, ainda assim conseguem manter todo o peso e agressividade necessários a uma banda de Metal. Estão ali os vocais guturais (que alternam com limpos em muitos momentos), ótimos riffs e solos e a parte rítmica que esbanja técnica, solidez, variedade e uma música que parece pesar uma tonelada.

Apesar de toda a complexidade e riqueza dos arranjos aqui presentes, das inúmeras mudanças rítmicas presentes em todo álbum, King é um trabalho surpreendentemente fácil de ser escutado, já que a musicalidade se faz mais do que presente no mesmo. Contando com uma introdução (“Marche Royale”) e uma peça de piano que o encerra (“King”), temos aqui 9 verdadeiras obras primas, onde aponto como minhas preferidas “In Aeternum”, “The Fool”, a trinca que conta com a participação de Veronica - “Cold As Perfection”, “Paramour (Die Leidenschaft Bringt Leiden)” (com letra baseada em obra de Goethe) e “Syphilis”“And The Vulture Beholds” e “A Million Deaths”. Mas não se enganem, qualquer uma das demais poderia ter sido citada aqui.

A mixagem e masterização do onipresente Jens Bogren deixou tudo ainda mais grandioso, já que apesar da enormidade de coisas ocorrendo ao mesmo tempo, tudo aqui é absolutamente claro. A capa é um belíssimo trabalho de Eliran Kantor e candidata a mais bonita do ano. A apresentação gráfica do encarte também é belíssima e casa 100% com a proposta que apresentam no álbum, fechando assim um pacote perfeito.

Se enveredar por esses caminhos e buscar uma música tão grandiosa é algo perigoso, pois acaba sendo muito fácil se perder meio a exageros e à pomposidade em excesso. Vide o exemplo dos últimos trabalhos de outro músico italiano, Luca Turilli, com sua versão do Rhapsody, onde o orquestral soterra o Metal. Felizmente o Fleshgod Apocalypse não sofre desse mal, já que consegue equilibrar muito bem arranjos riquíssimos, complexidade e uma sonoridade pesada, técnica e agressiva. O resultado é um álbum primoroso e que certamente estará entre os melhores de 2016 em dezembro. Simplesmente obrigatório!

NOTA: 9,0

Fleshgod Apocalypse é:
- Tommaso Riccardi (Vocal/Guitarra)
- Cristiano Trionfera (Guitarra)
- Paolo Rossi (Baixo/Vocal Limpo)
- Francesco Ferrini (Piano/Orquestrações)
- Francesco Paoli (Bateria/Guitarra/Vocal)

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quinta-feira, 14 de abril de 2016

Black Mantra - From The Graves Of Madness (EP) (2016)


Black Mantra - From The Graves Of Madness (EP) (2016)
(Independente - Nacional)


01. Devil's Whorehouse
02. Your Red In My White
03. Stillborn
04. The Left-Handed
05. From The Graves Of Madness (Live)

O underground nacional não se cansa de me surpreender, dada a sua capacidade de gerar bandas de inegável qualidade e que nada ficam devendo às "gringas". O Black Mantra surgiu no ano de 2013, em Vitória da Conquista/BA e confesso, me deixou de queixo caído com seu trabalho de estreia, o EP From The Graves Of Madness.

Por muito tempo, sonoridades como o Stoner e o Doom ficaram um tanto relegadas por esses lados, mas felizmente nos últimos anos, uma ótima geração de bandas que apostam nesses estilos está surgindo país afora. No caso dos baianos do Black Mantra, temos uma mescla muito legal não só de ambos, como também doses de psicodelismo, Occult Rock e até mesmo Gótico. O que sei é que desse caldeirão de influências, acaba por surgir uma música muito legal e claro, bem obscura e de digestão não tão simples pelos não acostumados com tal proposta.

Os vocais fúnebres de Dimitri Garcez (que gravou todos os instrumentos no EP), certamente farão muitos ouvintes se recordarem do saudoso Peter Steele (Type O Negative), por mais que não soem como cópia e possuam bastante personalidade. Eles é que dão o toque gótico às canções. Os riffs de guitarra são bem pesados, lentos e arrastados, mas tem muito mais a função de fazer a base para o trabalho do orgão, certamente o grande responsável pelo clima obscuro, sombrio e funéreo presente na música do Black Mantra. A parte rítmica faz bem sua função, com uma levada bem arrastada e conseguindo dar variedade as canções.

Por falar em canções, são 5 aqui presentes, sendo a primeira instrumental e a última uma versão ao vivo da faixa título. Fica até complicado destacar alguma, tamanha a qualidade do trabalho aqui apresentado, mas minhas preferidas são "Your Red In My White", "Stillborn" e "From The Graves Of Madness".

A produção é bem suja, passando longe dessa coisa excessivamente asséptica dos dias atuais e talvez por isso tenha combinado tanto com o clima que perpassa todo álbum. Ainda sim é algo que pode vir a ser um pouco mais refinado nos próximos trabalhos, mas sem exageros, afinal essa sujeira toda acaba sendo um dos grandes diferenciais aqui (se foi proposital ou não, já não sei dizer). Já a capa é belíssima e casa perfeitamente com a proposta do grupo baiano. É daquelas que só de olhar, você já sabe o que irá encontrar ao iniciar a audição.

Quem me conhece, sabe que estou sempre procurando novas bandas, algo com que a internet ajuda muito e quando me deparo com um nome como o Black Mantra, fico me perguntado como podem existir pessoas que enchem a boca para falar que no Brasil não se faz Metal de qualidade. Aqui temos mais uma prova de tal equívoco. Pesado, lento, arrastado, sombrio, melancólico e psicodélico, adjetivos que definem bem o que o ouvinte irá encontrar aqui. Uma banda altamente indicada para aquelas pessoas de alma mais triste e claro, amantes de música de qualidade.

NOTA: 8,5

Black Mantra é:
- Dimitri Garcez (Vocal/Orgão)
- Felipe Lima (Baixo)
- Jeferson Sousa (Bateria)

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Tarja – Luna Park Ride (2015) (CD/DVD)


Tarja – Luna Park Ride (2015) (CD/DVD)
(Shinigami Records – Nacional)


CD1
01. Dark Star
02. My Little Phoenix
03. The Crying Moon
04. I Walk Alone
05. Falling Awake
06. Signos (Soda Stereo cover)
07. Little Lies
08. Underneath
09. Stargazers (Nightwish cover)
10. Ciarán's Well
11. In for a Kill
12. Where Were You Last Night / Heaven Is a Place on Earth / Livin' on a Prayer (Medley)
13. Die Alive
14. Until My Last Breath
15. Wishmaster (Nightwish cover)

CD2
01. In for a Kill
02. I Walk Alone
03. Archive of Lost Dreams
04. Crimson Deep
05. I Feel Immortal
06. The Siren (Nightwish cover)
07. Until My Last Breath
08. 500 Letters
09. Damned & Divine
10. Neverlight
11. Anteroom of Death feat. Van Canto
12. Never Enough
13. Die Alive
14. Victim of Ritual

Tarja é um nome que dispensa apresentações, graças ao respeito que angariou entre os fãs de Metal pelo seu trabalho no Nightwish, onde participou dos principais clássicos da banda. É curioso como em alguns momentos nem nos damos conta que já faz 11 anos que o rompimento se deu e que muita água já passou por debaixo da ponte. Hoje a finlandesa já possui uma carreira mais que consolidada, com diversos trabalhos solos lançados e certamente possui fãs por ai que sequer a viram em sua ex-banda.

Luna Park Ride foi gravado no ano de 2011, em Buenos Aires e o repertório cobre os álbuns pós-Nightwish lançado até então pela cantora, My Winter Storm (07) e What Lies Beneath (10). Confesso a vocês que sou um tanto crítico quanto à carreira solo de Tarja, pois a mesma é bem diversificada e acabo sentindo falta de um pouco mais de peso em suas canções, mas isso é muito mais uma percepção pessoal minha. Acho tudo muito limpo, muito certinho. Não sou louco de afirmar que a mesma não possui qualidades. Dessa forma, algo que me chamou bem a atenção aqui, tanto no CD quanto no DVD, foi o fato de que ao vivo as canções soam mais pesadas, mais “Metal”, isso valendo inclusive para o desempenho vocal de Tarja. Essa é certamente a maior virtude desse trabalho.

Vale destacar aqui a ótima qualidade da banda que a acompanha, com destaque inevitável para o monstro Mike Terrana, que esbanja técnica e imprime peso às músicas. Os destaques da apresentação ficam por conta de “Dark Star”, “I Walk Alone”, “Falling Awake”, “Ciarán's Well”, “Until My Last Breath”, o cover de “Signos”, do argentino Soda Estereo, o medley “Where Were You Last Night / Heaven Is a Place on Earth / Livin' on a Prayer”, além de “Stargazers” e “Wishmaster”, ambas do Nightwish. Já no CD2 temos um apanhado de apresentações em diversos festivais europeus, como Summer Breeze, Wacken, dentre outros, captados entre 2010 e 2014. Aqui os destaques ficam principalmente com “The Siren” (outro cover de sua ex-banda) e com a parceria de Tarja com o Van Canto, em “Anteroom of Death”.

No DVD, temos exatamente o mesmo conteúdo dos Cd’s e ali podemos visualizar com uma ótima qualidade de imagem tudo que escutamos anteriormente, com destaque para a ótima variedade de câmeras e a qualidade de captação tanto de imagem quanto de som. Material muito bem produzido por Tarja e Mic, com mixagem do experiente Tim Palmer (Sepultura, Ozzy Osbourne) e masterização de Svante Forsback. O nível é altíssimo. Vale destacar também a belíssima parte gráfica, responsabilidade de Buro Dirk Rudolph (capa), Alexander Mertsch e Groothuis (Layout).

Ao final, temos um material de inegável qualidade e simplesmente imperdível tanto para os fãs de Tarja, quanto para os de Nightwish e o melhor de tudo, agora em versão nacional. Ou seja, você que é fã não tem mais desculpa para não contar com esses materiais em seu acervo. Está esperando o quê?

NOTA: 8,0

Tarja é:
- Tarja (Vocal)
- Alex Scholpp (Guitarra)
- Doug Wimbish (Baixo)
- Mike Terrana (Bateria)
- Christian Kretschmar (Teclado)
- Max Lilja (Violoncelo)

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quarta-feira, 13 de abril de 2016

Rhapsody Of Fire – Into The Legend (2016)


Rhapsody Of Fire – Into The Legend (2016)
(Shinigami Records/Nuclear Blast – Nacional)


01. In Principio
02. Distant Sky
03. Into The Legend
04. Winter’s Rain
05. A Voice In The Cold Wind
06. Valley Of Shadows
07. Shining Star
08. Realms Of Light
09. Rage Of Darkness
10. The Kiss Of Life

Quando surgiu em meados dos anos 90, lançando duas verdadeiras obras primas do Power Metal Melódico Sinfônico, Legendary Tales (97), Symphony of Enchanted Lands (98) e um ótimo álbum, Dawn of Victory (00), muita gente ficou impressionada com a grandiosidade da música dos italianos. O problema é que após isso, tudo foi ficando repetitivo e a fórmula, manjada. Com a saída de Luca Turilli em 2011 para formar seu próprio Rhapsody (Luca Turilli's Rhapsody), uma nuvem negra pareceu pairar sobre a banda e muitos questionaram se valia a pena continuar sem um dos seus principais compositores. O tempo tratou de dar essa resposta.

Enquanto Luca se aprofundou ainda mais naquela fórmula já desgastada, elevando-a um um nível estratosférico de exagero e pomposidade, o Rhapsody procurou em Dark Wings of Steel, encontrar novas soluções para sua música, mas sem se distanciar de suas maiores características. Nesse ponto, a entrada do guitarrista Roby De Micheli acabou sendo muito importante, já que além da guitarra passar a se fazer mais presente, ele se mostra bem mais direto que Turilli, o que acaba por ser uma grande vantagem. Into The Legend é uma continuação natural desse trabalho.

Claro, não vou mentir para meus prezados leitores, todos aqueles clichês característicos que marcaram a carreira dos italianos até então, continuam se fazendo presentes aqui. A introdução sinfônica que abre o álbum, os trechos cantados em latim, a faixa épica que encerra o álbum (aqui com quase 17 minutos), arranjos e mais arranjos orquestrais (tocados por uma Orquestra de verdade), vocal de Lione lá no alto, linhas rápidas de guitarra, baixo, bateria e teclado, esse se fazendo sempre muito presente, nada falta em Into The Legend. Falando assim, parece que o desastre aqui se faz iminente, correto? Mas não é bem assim, felizmente.

Sem fugir de sua receita de bolo pronto, o Rhapsody (nunca irei aceitar esse "Of Fire") consegue equilibrar muito bem os clichês, sem soar chato e repetitivo, até porque o trabalho possui um ar mais moderno, algo não tão presente em álbuns anteriores e que evita assim que o mesmo soe datado. Lione, por exemplo, em diversos momentos segue um caminho mais agressivo em seus vocais, o que beneficia a banda. Já nas guitarras (mais presentes e pesada), podemos ver os italianos buscando algo diferente do trivial em matéria de riffs, com Roby mostrando toda a sua importância na atual sonoridade da banda. A verdade é que se por um lado soam previsíveis, por outro soam renovados.

Dentre as 10 faixas aqui presentes, aponto como minhas preferidas a rápida "Distant Sky", que possui aquele refrão típico da banda, "Into The Legend", talvez a mais pesada de todo álbum, "Winter’s Rain", com um belo trabalho de Roby, "Valley Of Shadows", com uma linda participação da soprano Manuela Kriscak, coral e trechos em latim, a bela balada "Shining Star" e a épica "The Kiss Of Life", um monstro de quase 17 minutos, cantada em três idiomas (inglês, italiano e latim), com ótimas orquestrações de Staropoli e Alex Holzwarth se destacando na bateria.

A produção ficou nas mãos do chefão Alex Staropoli, com mixagem de Alberto Bravin e masterização de Maor Appelbaum e bem, está no nível Rhapsody de excelência, grandioso como o som da banda. Já a capa é mais uma obra do colombiano Felipe Machado Franco, estando dentro do padrão de capas dos italianos. Clichê, mas bonita. Dando aos fãs exatamente o que eles esperam de um trabalho da banda, o Rhapsody conseguiu lançar seu melhor trabalho em muito tempo. Pode não estar no nível de seus clássicos, mas ainda assim vai agradar em cheio aos fãs do estilo.

NOTA: 8,5

Rhapsody é:
- Fabio Lione (Vocal)
- Alex Staropoli (Teclado)
- Roby De Micheli (Guitarra)
- Alessandro Sala (Baixo)
- Alex Holzwarth (Bateria)

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terça-feira, 12 de abril de 2016

Ruínas de Sade - Ruínas de Sade (2016)


Ruínas de Sade - Ruínas de Sade (2016)
(Independente - Nacional)


01. Funeral do Sol
02. Divindade Abissal
03. Cadáver da Terra

A cena Stoner/Doom nacional anda a mil e bandas de qualidade inquestionável andam surgindo por todos os lados. Isso é algo muito positivo, pois a variedade musical é algo muito positivo para qualquer estilo e no caso do Metal, isso não é diferente. Quanto maior o número de vertentes se destacando, melhor.

O Ruínas de Sade é uma banda oriunda de Brusque/SC e aposta em um Stoner/Doom arrastado, com doses de Sludge e altamente lisérgico, possuindo nítidas influências de Black Sabbath, Sleep, Cathedral, Kyuss e demais nomes nessa linha. Mas veja bem, falo de influências e não de emulação pura e simples, já que seu som tem uma identidade própria.

Em um primeiro momento o ouvinte pode se assustar com a duração das canções, todas na casa dos 10 minutos, o que leva esse EP a ter cerca de meia hora, apesar de possuir apenas 3 músicas. O som aqui encontrado é bem sujo e arrastado, carregado de riffs e solos bem interessantes, baixo pesado e bem marcante, uma bateria técnica, versátil e sólida, além de claro, sintetizadores muito bem encaixados. Os vocais são sombrios, funestos eu diria, gerando assim um clima um tanto quanto sinistro e as letras são cantadas em português. O resultado disso é um delicioso clima de letargia e psicodelia que vai agradar em cheio aqueles mais acostumados com esse tipo de proposta.

O peso presente nas canções chega a ser opressor em alguns momentos e entre “Funeral do Sol”, “Divindade Abissal” e “Cadáver da Terra”, fica realmente impossível destacar alguma música, já que as três estão no mesmo nível de qualidade. Se não acredita, vá ao Bandcamp da banda e as escute, verá que não estou exagerando.

A produção é 100% condizente com a proposta do Ruínas de Sade, tendo equilibrado muito bem sujeira e clareza dos instrumentos. Já a capa é um trabalho simplesmente fantástico de Ars Moriendee e certamente estará entre as mais bonitas do estilo nesse ano de 2016.

O maior mérito do EP de estréia do Ruínas de Sade é conseguir não soar cansativo, um dos grandes riscos existentes ao se enveredar por tal proposta musical. A coisa aqui é tão boa que você sequer percebe o tempo passar e acaba sendo automático deixar o mesmo rolando repetidamente por um tempo. Em resumo, deixa aquele gosto de quero mais e uma torcida para que não demorem a lançar um álbum completo. Certamente um dos grandes trabalhos nacionais de 2016!

NOTA: 8,5

Ruínas de Sade (Gravação):
- Hugo Grubert (Vocal)
- Vitor "Bob" Zen (Guitarra)
- Paulo Machado (Baixo/Sintetizador)
- Gustavo Gamba (Bateria)

Ruínas de Sade é:
- Hugo Grubert (Vocal)
- Vitor "Bob" Zen (Guitarra)
- Paulo Machado (Baixo/Sintetizador)
- Carlos "Molly" Civinski (Bateria)

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Soilwork - The Ride Majestic (2015)


Soilwork - The Ride Majestic (2015)
(Shinigami Records/Nuclear Blast - Nacional)

01. The Ride Majestic
02. Alight In The Aftermath
03. Death In General
04. Enemies In Fidelity
05. Petrichor By Sulphur
06. The Phantom
07. The Ride Majestic (Aspire Angelic)
08. Whirl of Pain
09. All Along Echoing Paths
10. Shining Lights
11. Father and Son, Watching The World Go Down
12. Of Hollow Dreams (Bônus Track)
13. Ghosts And Thunder (Bônus Track)

De todas as bandas surgidas na onda do Gothenburg Sound no final dos anos 90 e início dos anos 2000, o Soilwork certamente é a que se manteve mais forte por todo esse tempo. Claro que durante sua trajetória, ocorreram alguns momentos turbulentos, como a saída, retorno e nova saída de seu fundador e guitarrista Peter Wichers, além de alguns álbuns questionáveis, que culminaram no fraquíssimo Sworn to a Great Divide (lançado na época da primeira saída de Peter), mas ainda sim não entregaram os pontos em momento algum.

Quando da segunda saída de Wichers, muitos questionaram qual seria o futuro do Soilwork e a resposta veio através de um ótimo trabalho duplo, The Living Infinite (13), que ainda rendeu um ótimo EP de sobras, Beyond The Infinite (14) e mostrou ao mundo que os suecos estavam mais vivos que nunca e passando talvez pelo seu melhor momento criativo. Claro que a sonoridade da banda sofreu transformações e se modernizou graças a doses de Groove Metal e Metalcore, o que gera reclamações de alguns fãs mais ortodoxos, mas em momento algum se afastaram de suas raízes.

Um antigo filósofo grego, Heráclito de Éfeso, disse que um homem nunca se banha duas vezes no mesmo rio, já que nem ele e nem o rio são os mesmos da segunda vez. Sendo assim, se você espera um novo Natural Born Chaos (02) ou mesmo outro Figure Number Five (03), esqueça. Isso é passado, o mundo gira e a vida segue em frente. O tempo e as mudanças que o mesmo traz são inexoráveis e ponto final.

Aqui o ouvinte irá encontrar aquela mescla de melodia e agressividade que o Soilwork sempre fez tão bem, com guitarras bem melódicas, riffs rápidos, ótimas harmonias, teclados muito bem encaixados e uma parte rítmica bem técnica e pesada. Bjorn “Speed” Strid mais uma vez prova ser o melhor vocalista do estilo, mostrando uma versatilidade absurda. A forma absurdamente natural como consegue ir do gutural para o limpo, passando para o gritado, impressiona. Nada soa forçado.

Se comparado com o trabalho anterior, The Ride Majestic é um trabalho mais direto e com menos variações rítmicas, além de ser um pouco menos pesado e mais melodioso. Mas antes que isso cause calafrios nos fãs, registro nos autos dessa resenha que isso não significa que perderam em agressividade. Ela continua lá, intocada. Minhas preferidas aqui são “The Ride Majestic”, “Alight In The Aftermath”, “Death In General”, “Petrichor By Sulphur”, “The Phantom” (que conta com Pascal Poulsen, do Odium), “Whirl of Pain” e “Father and Son, Watching The World Go Down” (com participação de Nathan James Biggs, do Sonic Syndicate).

Produzido por David Castillo e pela própria banda, tendo sido mixado e masterizado pelo onipresente Jens Bogren (o cara está em todas), o resultado final é excelente. Limpo, cristalino, mas sem tirar o peso e a agressividade necessários. Já a capa é um belo trabalho de Róbert Borbás.

Com um álbum intenso, empolgante, cheio de boas melodias e com ótima dose de agressividade, o Soilwork confirma seu bom momento e mostra de uma vez por todas que não necessita de seu ex-guitarrista para fazer música de qualidade. E como atrativo, a versão nacional vem com duas ótimas faixas bônus. Mais um motivo para The Ride Majestic fazer parte de seu acervo.

NOTA: 8,5

Soilwork (Gravação):
- Björn "Speed" Strid (Vocal)
- Sylvain Coudret (Guitarra/Baixo)
- David Andersson (Guitarra/Baixo)
- Dirk Verbeuren (Bateria)
- Sven Karlsson (Teclado)

Soilwork é:
- Björn "Speed" Strid (Vocal)
- Sylvain Coudret (Guitarra)
- David Andersson (Guitarra)
- Markus Wibom (Baixo)
- Dirk Verbeuren (Bateria)
- Sven Karlsson (Teclado)

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segunda-feira, 11 de abril de 2016

Rotten Pieces - Rot In Pieces (2015) (EP)


Rotten Pieces - Rot In Pieces (2015) (EP)
(Marquee Records - Nacional)


01. Rot In Pieces
02. Hell Soldier
03. The Refugee Of Suicidals
04. Blood For Freedom
05. Pure Words
06. Colony

É impossível não se orgulhar da capacidade do brasileiro para vertentes mais extremas do Metal quando nos deparamos com um nome como o Rotten Pieces. Apesar de ter surgido apenas no ano de 2013, o que escutamos em seu EP de estréia é para deixar até mesmo bangers mais experientes impressionados, tamanha a qualidade demonstrada aqui.

Os caras não inventam e apostam em uma mescla animal de Death e Thrash Metal, sem espaço para invencionices. É porrada do início ao fim, com músicas agressivas, brutais e que mostram o pior lado do ser humano em suas letras. O nível de fúria e raiva que emana em menos de 30 minutos de duração de Rot In Pieces é algo de deixar o ouvinte de ouvido em pé e timpanos dilacerados, no caso daqueles mais sensíveis.

Os guturais de Léo Morales estão ótimos, além de transparecer toda a insanidade da música do Rotten Pieces. Além disso, o mesmo faz um belo trabalho no baixo, mostrando muita precisão. Já Lucas Bertagia destrói tudo com sua guitarra, despejando riffs dilacerantes, além de ótimas bases e solos de qualidade. Davi Menezes se mostra um baterista técnico, diversificado e como seu companheiro Léo, muito preciso. Você chega até a duvidar que a banda tem tão pouco tempo de estrada, tamanha a coesão apresentada pelo trio.

Nada é descartável aqui, já que todas as faixas mostram muita qualidade, mas destaco como minhas preferidas "Rot In Pieces", "Hell Soldier", "Blood For Freedom" e "Colony".

A produção consegiu aliar clareza, peso, brutalidade e aquela dose de sujeira mais do que necessária para esse tipo de som.  A apresentação se dá em um digipack simples, funcional e caprichado, com a parte gráfica tendo sido elaborada por Mauricio Reguffe. Estão de parabéns.

Não, o Rotten Pieces não reinventou a roda, até porque não se faz necessário tal feito. Afinal, para que inventar em cima de algo que já funciona tão bem? Sua música é direta, curta, grossa e agressiva, exatamente como um álbum de Death/Thrash deve ser e certamente irá moer muitos pescoços por aí. Uma banda que mostra muito potencial e que está mais do que pronta para lançar um álbum completo. E que ele não demore muito.

NOTA: 8,0

Rotten Pieces é:
- Léo Morales (Vocal/Baixo)
- Lucas Bertagia (Guitarra)
- Davi Menezes (Bateria)

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Circle II Circle – Reign Of Darkness (2015)


Circle II Circle – Reign Of Darkness (2015)
(Shinigami Records - Nacional)


01. Over-Underture
02. Victim of the Night
03. Untold Dreams
04. It's All Over
05. One More Day
06. Ghost of the Devil
07. Somewhere
08. Deep Within
09. Taken Away
10. Sinister Love
11. Solitary Rain

Bem, a essa altura do campeonato, o Circle II Circle dispensa apresentações. Chegando a seu 7º álbum de estúdio, a banda de Zak Stevens e que conta com dois brasileiros em sua formação, o guitarrista Bill Hudson e o baterista Marcelo Moreira, chega apresentando sua sonoridade já característica, ou seja, aquele Power/Prog que remete a trabalhos de sua ex-banda, o Savatage, mas com uma pegada mais atual e agressiva.

Quando falamos de simlaridades com o Savatage, dois trabalhos específicos surgem de imediato a minha cabeça durante a audição de Reign of Darkness, Edge of Thorns e Handful of Rain. Claro que nessa hora um compositor do porte de Jon Oliva faz falta, mas isso só faz aumentar os méritos de Zak e seus companheiros de banda, já que qualidade não falta aqui. Esse também é o trabalho mais pesado já lançado pelo CIIC e muito disso se dá certamente pelas afinações mais baixas impostas às guitarras, responsável também pela sonoridade mais moderna apresentada.

Quanto a parte vocal, não tem muito o que falar aqui. Estamos falando de Zak Stevens e isso significa um trabalho irrepreensível, já que o tempo só parece fazer bem a sua voz. Já os guitarristas Christian Wentz e Bill Hudson se destacam graças aos riffs pesados e de muita qualidade e, principalmente, pelas ótimas melodias e solos aqui presentes. Mitch Stewart se destaca com seu baixo, imprimindo linhas bem fortes e mostrando precisão, enquanto o estreante Marcelo Moreira mostra sua já conhecida categoria, mostrando muita técnica e pegada, além de imprimir muita variedade em suas partes. Por último, as partes de teclado e piano, a cargo de Henning Wanner se mostram muito boas, sem exageros e perfeitamente encaixadas nas músicas.

As músicas aqui presentes estão bem variadas e com alguns refrães bem marcantes e grudentos. Minhas preferidas aqui são "Victim of the Night", "Untold Dreams", "One More Day", "Somewhere", "Deep Within" e "Taken Away", mas mesmo as não citadas mostram boas qualidades.

A produção ficou muito boa, tendo sido realizada pelo guitarrista Christian Wentz. Já a mixagem foi feita por Ron Keeler e a masterização por ninguém menos que James Murphy. O resultado disso tudo é uma sonoridade bem clara, transparente, mas com peso e boa agressividade. Já na capa, temos mais um brasileiro, João Duarte (www.jduartedesign.com), com um ótimo trabalho, transpondo para a capa o clima mais sombrio do álbum.

A verdade é que se até hoje não lançou algo fenomenal, o CIIC também nunca lançou um trabalho que pudesse ser taxado de ruim, mantendo assim sempre uma média de bons álbuns. Com Reign Of Darkness isso não é diferente. Ok, pode não ser um álbum do Savatage, mas ainda assim vai agradar em cheio aos fãs da banda e claro, os que o Circle II Circle conquistou em toda a sua caminhada. Se quer um bom álbum de Power/Prog, mas sem soar datado, está aqui uma aquisição necessária para seu acervo de CD's.

NOTA: 8,0

Circle II Circle é:
- Zak Stevens (Vocal)
- Christian Wentz (Guitarra)
- Bill Hudson (Guitarra)
- Mitch Stewart (Baixo)
- Marcelo Moreira (Bateria)
- Henning Wanner (Teclado)

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sábado, 9 de abril de 2016

Fast Review – Resenhas rápidas para consumo imediato!

Onslaught - Live At Slaughterhouse (2016)
(AFM Records - Importado)
 

Sy Keller e cia massacram os pescoços alheios com esse trabalho ao vivo gravado durante a turnê de promoção do ótimo VI (13). Uma verdadeira aula de Thrash Metal para as novas gerações, em uma mescla de músicas mais atuais e antigos clássicos dos ingleses. Insano, irrepreensível e obrigatório! (8,5)

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Anvil - Anvil Is Anvil (2016)
(SPV/Steamhammer - Importado)
 
 
Nunca um título de álbum do Anvil soou tão perfeito, já que aqui encontramos um típico álbum dos canadenses, pois os inseparáveis Steve "Lips" Kudlow e Robb Reiner apresentam aquele Metal Clássico, mas com boa dose de peso e agressividade que todo fã já espera. O único porém aqui é que Anvil Is Anvil padece de um problema recorrente nos últimos álbuns do grupo, boas músicas dividindo espaço com alguns momentos totalmente sem inspiração. mas ainda assim, um belo trabalho. (7,5)

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Cauldron - In Ruin (2016)
(The End Records - Importado)
 
 
Dessa leva surgida nos últimos anos da intitulada New Wave Of Traditional Heavy Metal, o trio canadense Cauldron é indiscutivelmente um dos melhores nomes. Apresentando uma ótima mescla de Metal Tradicional e Speed Metal, refrães grudentos e solos de inegável qualidade, seu 4º e melhor álbum até o momento vai fazer a alegria dos amantes de um bom e velho Metal oitentista. (8,5)

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Church Of Misery - And Then There Were None (2016)
(Rise Above Records - Importado)
 

Com duas décadas de estrada, o japonês Church Of Misery continua firme e forte, fazendo a alegria dos amantes de um Stoner/Doom de qualidade com sua música que mescla referências a nomes como Black Sabbath, Sleep, Trouble e Saint Vitus, tudo com muita criatividade e categoria. E como sempre, sua temática lírica é voltada para Serial Killers. Simplesmente obrigatório para amantes do estilo! (9,0)

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Elvenking - The Night Of Nights (2016)
(AFM Records - Importado)
 

Quem é fã de Folk Metal, conhece bem os italianos do Elvenking e sua capacidade inconteste de forjar bons temas. Nesse seu primeiro trabalho ao vivo, revisam toda a sua carreira com um show que empolgou a todos os presentes, em uma verdadeira celebração ao Folk Metal, contando inclusive com a participação especial de dois ex-integrantes, o guitarrista Jarpen e o baixista Gorlan. Um trabalho altamente indicado aos fãs da banda e do estilo. (8,0)

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sexta-feira, 8 de abril de 2016

Rebotte - Insurgência (2016)


Rebotte - Insurgência (2016)
(Independente - Nacional)


01.Insurgência
02. Cicatrizes
03. Discórdia
04. Amanhecer
05. Existência

Surgido em 2013, pelas mãos da vocalista Livia Almeida e da baterista Ellen War, o paulistano Rebotte trabalhou sem parar nesse período, divulgando seu trabalho e correndo atrás de shows dentro da cena independente. O resultado de toda essa luta tomou forma através de seu EP de estréia, Insurgência, composto de 5 faixas, sendo uma delas uma breve introdução. Confesso que ao receber esse material, o coloquei no som com certa expectativa, afinal, os singles divulgados em 2014, "Cicatrizes" e "Fim da Inocência" haviam me deixado uma boa impressão. E bem, agora posso dizer que não me decepcionei com o resultado final.

Para quem não conhece o trabalho do Rebotte, o sexteto paulistano pratica um Metal bem moderno, pesado, agressivo, mas que não abre mão das boas melodias e nem de manter os pés em um certo tradicionalismo, refletindo assim todas as influências musicais de seus membros. Isso significa que ao mesmo tempo em que você é capaz de escutar referências a nomes mais atuais como Lamb Of God, Hatebreed ou Suicide Silence você também será capaz de observar passagens que irão te remeter a nomes mais "tradicionais" como Slayer, Pantera e até mesmo Fear Factory. Um verdadeiro caldeirão de influências.

Individualmente, todos aqui acabam se destacando. A vocalista Lívia se mostra monstruosamente agressiva, enquanto a dupla de guitarristas, Bruno Abud e Vitor Acácio, despejam riffs verdadeiramente furiosos e raivosos. Já o baixista Robin Gaia e a baterista Ellen formam uma parte rítmica muito precisa e que imprime grande peso às canções, enquanto Santiago Soares encaixa com precisão seus samplers, sem qualquer tipo de exagero. Tamanha coesão chega até a assustar quando lembramos que ainda estão a caminho de completar o terceiro ano de vida.

As letras, bem fortes, são todas cantadas em português, reforçando uma tendência muito legal que vêm crescendo entre bandas dessa nova geração. Sim, Metal pode ser cantado em português e fica muito bom! Os refrães são bem marcantes, grudentos até, sendo outro ponto que merece ser citado.  É até um tanto injusto apontar destaques aqui, afinal são apenas 4 músicas, mas minhas preferidas são "Cicatrizes", "Amanhecer" e "Existência".

A produção, mixagem e masterização foram executadas por Rogério Oliveira, no Flight Estúdio. Conseguiu unir clareza, já que todos os instrumentos estão 100% audíveis, com o peso e a agressividade que a música do Rebotte pede. Já a apresentação de Insurgência se dá através de um digipack caprichadíssimo e que teve toda a sua parte gráfica elaborada pela dupla Hugo Silva (Ilustração) e Henrique Baptista (Artwork), fechando assim um pacote que demonstra todo o profissionalismo do grupo paulistano.

Transbordando criatividade, peso e agressividade, mostrando também boa diversidade, o sexteto estreia com o pé direito, apresentando um trabalho que vai agradar em cheio aos amantes de uma sonoridade mais moderna. Curte bandas como Project46 e afins? Então Insurgência é aquela aquisição necessária para seu acervo de CD's. E bem, o que mais posso dizer...#GoRebotte!

NOTA: 8,5

Rebotte é:
- Livia Almeida (Vocal)
- Ellen War (Bateria)
- Robin Gaia (Baixo)
- Bruno Abud (Guitarra)
- Vitor Acacio (Guitarra)
- Santiago Soares (Sampler) 

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Deep Purple - To The Rising Sun...In Tokyo (2015) (CD/DVD)


Deep Purple - To The Rising Sun...In Tokyo (2015) (CD/DVD)
(Shinigami Records – Nacional)


CD1
01. Après Vous
02. Into The Fire
03. Hard Lovin' Man
04. Strange Kind Of Woman
05. Vincent Price
06. Contact Lost
07. Uncommon Man
08. The Well - Dressed Guitar
09. The Mule
10. Above And Beyond
11. Lazy

CD2
01.Hell To Pay
02.Don Airey's Solo
03.Perfect Strangers
04.Space Truckin'
05.Smoke On The Water
06.Green Onions/Hush
07.Black Night

Bem, acho que podemos pular as apresentações aqui, afinal, estamos falando de mais um lançamento ao vivo do Deep Purple. To The Rising Sun...In Tokyo é um irmão quase gêmeo de From The Setting Sun...In Wacken, como o próprio nome entrega, tendo sido gravado com um intervalo de poucos meses com relação ao primeiro. As diferenças de repertório aqui são mínimas, tendo saído do set list "Highway Star" e "No One Came" e tendo sido incluídas "Après Vous", "Uncommon Man" e "The Mule". E agora, tanto o CD quanto o DVD da apresentação realizada no dia 12 de Abril de 2014 no lendário Budokan, ganham sua versão nacional através da Shinigami Records.

Musicalmente não temos muito a dizer aqui, já que escutamos/vemos o Deep Purple com sua competência contumaz, desfilando um repertório de clássicos absolutos do Classic Rock e fazendo a alegria de todos os fãs presentes nesse show. E tome "Into The Fire", "Strange Kind of Woman", "Lazy", "Space Truckin'", "Perfect Stranger", "Black Night" ou a incansável e icônica "Smoke On The Water". Já escutamos essas músicas em outras dezenas de lançamentos ao vivo da banda? Sim, mas quem disse que música boa cansa os ouvidos? Por mim posso escutar mais algumas dezenas de outras vezes que ainda assim não enjoarei. Gillian hoje em dia tem que cantar de forma mais comedida, sem poder alcançar certas notas? Ok, mas ainda assim o The Silver Voice coloca no bolso 90% dos vocalistas em atividade nos dias de hoje. Steve Morse é um monstro das 6 cordas, seja em estúdio, seja ao vivo, sempre brilhando com solos carregados de feeling, enquanto Roger Glover e Ian Paice mostram porque são Roger Glover e Ian Paice, ou seja, duas verdadeiras lendas do Rock. Don Airey tem a tarefa mais espinhosa aqui, que é substituir o insubstituivel Jon Lord e ainda assim brilha em diversos momentos durante as 18 canções aqui presentes.

O Purple mostra uma presença de palco monstruosa, e seu show é indiscutivelmente um dos melhores da atualidade, já que não falta muita energia e ótima interação com o público. Já a captação de imagem e som aqui é perfeita, não podendo se esperar menos de um trabalho dos britânicos, o que só torna esse item ainda mais indispensável na coleção de qualquer fã, não só da banda como de boa música.

NOTA: 9,0

Deep Purple é:
- Ian Gillian (Vocal)
- Steve Morse (Guitarra)
- Roger Glover (Baixo)
- Don Airey (Teclado)
- Ian Paice (Bateria)

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