quinta-feira, 27 de junho de 2013

Lacerated And Carbonized – The Core Of Disruption (2013)




01. L.A.C.
02. Third World Slavery
03. Awake The Thirst
04. O Ódio e o Caos
05. Unnatural Agression
06. The Candelária Massacre
07. BloodDawn
08. Call For Blood
09. Final Enclosure
10. Corrupt Foundations
11. System Torn Apart

Fazia tempo que um álbum de Death Metal nacional não me empolgava tanto quanto o segundo trabalho dos cariocas do Lacerated And Carbonized. Quem acompanha a carreira da banda e teve a oportunidade de escutar Homicidal Rapture (11), já conhecia todo o potencial de seu som. Sendo assim, quando fui escutar The Core Of Disruption, minhas expectativas eram altíssimas. E quer saber, em momento algum o LAC me decepcionou durante toda a audição do álbum.

O Death Metal apresentado aqui é brutal, técnico, agressivo e muito forte. Mas ao contrário de muitas bandas que apostam nessa proposta, o LAC se diferencia por diversificar nos riffs, o que dá um dinamismo maior a seu som e permite que não soe cansativo ao ouvinte comum em momento algum. Outro fator que conta a favor são alguns toques de regionalismo que surgem em momentos específicos e que acabam por enriquecer mais ainda o trabalho. The Core Of Disruption já abre a toda com a veloz “L.A.C.”, sendo seguida da ótima e brutal “Third World Slavery”, que alterna entre a cadencia e a velocidade, além de contar com umas batidas tribais bem legais. “Awake The Thirst” tem uma levada sensacional, e vai fazer o ouvinte bater cabeça pelo quarto. Poderia apresentar muitos e muitos outros destaques aqui, como a agressiva “O Ódio e o Caos”, que tem seu refrão cantado em português, ou a intensa “The Candelária Massacre”, onde te garanto, você vai ficar com o refrão dela colado na sua cabeça por dias e dias, mas estaria sendo injusto com as demais faixas, pois esse é um trabalho absurdamente homogêneo e nivelado por cima.

Com um trabalho carregado de muito peso, brutalidade e técnica, letras fortes tratando da violência cotidiana do RJ, The Core Of Disruption é um passo adiante na carreira da banda. Vale destacar aqui á ótima produção, a cargo do guitarrista Caio Mendonça e da mixagem, a cargo de Andy Classen. O som da banda ficou perfeitamente audível, mas com todo o peso e a sujeira que se são características do estilo. De alto nível mesmo. Com esse álbum, o Lacerated And Carbonized deixa de ser uma promessa para se tornar uma realidade e assim, se formar como uma das principais bandas de Death metal do Brasil. E querem saber de uma coisa? Eles têm todo potencial para voos muito mais altos! Um dos melhores álbuns do cenário nacional de 2013.

NOTA: 9,0



quarta-feira, 26 de junho de 2013

Amon Amarth – Deceiver Of The Gods (2013)




01. Deceiver Of The Gods
02. As Loke Falls
03. Father of the Wolf
04. Shape Shifter
05. Under Siege
06. Blood Eagle
07. We Shall Destroy
08. Hel
09. Coming of the Tide
10. Warriors of the North

Preparam-se, pois os Vikings suecos voltam a atacar. Não, podem se acalmar. Não estou falando de um novo raid dos históricos guerreiros nórdicos, mas sim do novo álbum do Amon Amarth. Reconhecida pela alta qualidade de seus lançamentos, ouso dizer que nunca lançaram um álbum que não fosse no mínimo bom, e aqui, com Deceiver Of The Gods, 9º álbum de estúdio da banda, as coisas não são diferentes. Lançado pouco mais de 1 ano e meio após o ótimo Surtur Rising (11), periga esse ser o melhor trabalho da banda até então. Exagero meu? Veremos... 

Com uma identidade bem marcante e consistente, pode-se dizer que já sabemos o que esperar do Amon Amarth. E de cara, já temos aquela tradicional faixa de abertura com cara de single, “Deceiver of the Gods”. Com um pé no Thrash, possui riffs agressivos que me remeteram ao Testament fase The Gathering, muita melodia e um vocal arrasador do grande Johan Hegg. Como canta esse cara! Definitivamente, uma abertura esmagadora. A faixa seguinte, “As Loke Falls”, é a candidata a “Pursuit of Vikings” da vez, e quer saber, tem tudo para se tornar tão clássica quanto esta. Com uma fúria rítmica galopante (será que só eu ouvi algo de Maiden aqui?), vocais ferozes e riffs pesados, é divertida de se ouvir e, tranquilamente, a melhor faixa de todo o trabalho. “Father of the Wolf” mantêm a qualidade lá no alto, com melodias para lá de cativantes, um ótimo refrão e uma levada que vai te fazer sair batendo cabeça pela sala (estou louco ou temos mais um pouco de Maiden por aqui?). A feroz “Shape Shifter” é outra que vai te deixar com o pescoço dolorido. A banda continua enfileirando destaques atrás de destaques, com a cadenciada “Under Siege” que remete ao material mais antigo da banda, a intensa, brutal e veloz “Blood Eagle”, que vai fazer cair seu queixo e a pesada “We Shall Destroy”, que me fez imaginar um exército marchando para batalha. Já “Hel”, faixa seguinte, é diferente de tudo que o Amon Amarth fez até hoje. É uma espécie de Epic Doom e que conta com o grande Messiah Marcolin dividindo os vocais com Hegg. Você até pode estranhar um pouco no início, mas com o tempo, ela vai se transformar em uma das suas faixas preferidas. O álbum encerra com mais duas grandes músicas, “Coming of the Tide”, outra que remete a fase mais antiga, e a épica “Warriors of the North”, com riffs bem na linha Judas e Iron.

Definitivamente, “Deceiver of the Gods” é um álbum do Amon Amarth. Com um estilo todo seu, refinado ao longo mais de 20 anos, eles provam que não é necessário para uma banda ficar se reinventado a cada trabalho, ainda mais quando as coisas estão funcionando muito bem e você consegue dar uma personalidade própria a seu som. Aqui, conseguem capturar toda a sua discografia em um único trabalho. Você quer aquela crueza dos tempos de Once Sent From the Golden Hall (98), The Avenger (99) e The Crusher (01)? Graças à ótima produção de Andy Sneap, você irá encontrar aqui. Quer aquelas melodias presentes em Versus The World (02), Fate of Nors (04) e With Oden On Our Side (06) ou a energia de Twilight of the Thunder God (08) e Surtur Rising (11)? Também se fazem presente. Com um trabalho cativante, faixas poderosas, melodias fortes bem características da banda, o Amon Amarth mostra que está no seu auge criativo. É desses álbuns para você deixar no repeat de uma vez, já que quando a audição acabar, você vai querer ouvir ele todo novamente. Um dos melhores álbuns de 2013!

NOTA: 9,5 


quarta-feira, 19 de junho de 2013

Woslom – Evolustruction (2013)




01. Evolustruction
02. Haunted by the Past
03. Pray to Kill
04. River of Souls
05. No Last Chance
06. New Faith
07. Breathless (Justice’s Fall)
08. Purgatory
09. Breakdown (Mad Dragzter Cover)
10. Evolustruction (Ext Version)

É quando nos deparamos com um trabalho como esse, que jogamos de vez para escanteio qualquer duvida sobre a qualidade das bandas nacionais diante de seus pares estrangeiros. Vindo de um ótimo debut em 2010, Time to Rise, existia uma inegável expectativa pelo segundo lançamento do Woslom. O que posso dizer aqui, de antemão, é que Evolustruction não decepciona nem um pouco. O que já era bom ficou melhor ainda, com a evolução da banda, em todos os sentidos, para esse trabalho.

Inegavelmente, Dave Mustaine e seu Megadeth podem ser apontados como maior influência da banda, mas vemos ecos aqui de vários outros nomes da Bay Area, como Metallica, Testament ou Exodus, e em momento algum o Woslom soa como uma simples cópia das citadas. Vale destacar também que os vocais de Silvano Aguilera são uma mistura perfeita de Dave Mustaine com Chuck Billy, sendo um dos grandes destaques do trabalho. O álbum abre com a faixa título, ótima e com um refrão grudento. O massacre continua com as diretas e agressivas “Haunted by the Past” e “Pray to Kill”, dessas de deixar qualquer banger com o pescoço em petição de miséria. Já “New Last Chance” é um thrashão agressivo, com riffs grudentos e um refrão bem melódico, que vai grudar na cabeça do ouvinte. “New Faith” tem um tempero de Testament em seu instrumental, além de ótimos riffs. Por sinal, o trabalho de guitarras em todo álbum, a cargo de Silvano e de Rafael Iak, é excepcional, com riffs absurdamente inspirados. É um álbum bem homogêneo, onde não existem pontos negativos, e mesmo as faixas que não citei, possuem muitas qualidades.

Em Evolustruction, o Woslom mostra-se uma banda mais coesa que em seu debut, mostrando que as turnês que fizeram nesse tempo amadureceram muito a banda. Aqui, conseguiram equilibrar com perfeição e muito bom gosto, velocidade, peso, melodia e técnica em sua música, algo raro nos dias de hoje. Vale a pena destacar também o excelente trabalho de produção, a cargo da própria banda. É para acabar de vez com qualquer preconceito que alguns bangers por ai ainda podem ter contra a cena nacional. Algo realmente de altíssimo nível. E querem saber de uma coisa? Para mim, o Woslom lançou o álbum que o Megadeth deveria ter lançado há algumas semanas atrás. Uma verdadeira aula de Thrash e, desde já, candidato a um dos melhores álbuns de Metal do ano de 2013!

NOTA: 9,0


terça-feira, 18 de junho de 2013

Children Of Bodom – Halo Of Blood (2013)




01. Waste of Skin
02. Halo of Blood
03. Scream for Silence
04. Transference
05. Bodom Blue Moon (The Second Coming)
06. The Days Are Numbered
07. Dead Man’s Hand on You
08. Damage Beyond Repair
09. All Twisted
10. One Bottle and a Knee Deep
11. Crazy Nights (Loudness Cover/Bônus Track)
12. Sleeping In My Car (Roxette Cover/Bônus Track)

Quando surgiu com Something Wild (97), o Children Of Bodom causou certo alvoroço na cena, com uma música que misturava o peso do Death Metal, com a melodia típica do Metal Melódico. Mas foram com os álbuns Follow the Reaper (01) e Hate Crew Deathroll (03), que a banda estourou de vez, caindo no gosto dos fãs e se tornando verdadeiras estrelas em seu país natal, a Finlândia. Infelizmente, após isso a banda caiu em um aparente comodismo, e é inegável que seus 3 últimos álbuns foram um tanto quanto burocráticos.

Talvez por isso, quando peguei para escutar Halo Of Blood, não estava muito empolgado. Mas já na primeira música, percebi que poderia me surpreender com esse trabalho, pois aparentemente, aquela velha energia dos primeiros álbuns estava de volta. “Waste of Skin” já chega mostrando todo o poder de fogo do que iremos encontrar, com muito peso, melodia, além de vocais e riffs nervosos a cargo de Alexi Laiho, a alma por trás do COB. A faixa título vem em seguida, se mostrando um verdadeiro arrasa-quarteirão, apresentando mais peso do que de costume. Temos aqui riffs que remetem a uma sonoridade mais Black e vocais mais Death, transformando essa numa das melhores faixas de Halo Of Blood. “Scream for Silence” e “Transference” se destacam por uma pegada mais Hard/Heavy, sendo que os teclados da primeira poderiam tranquilamente se encontrar em um álbum do Stratovarius. A essa altura, já percebemos que realmente, aquela raiva visceral e energia que marcavam a banda em seu início resurgiram para ficar. Vale destacar também as faixas “The Days are Numbered”, rápida e poderosa, com elementos que vão te remeter ao Slayer, e “Damage Beyond Repair”, um thrash mais cadenciado, que soa como uma mistura do COB com Pantera.

Com um trabalho que vai remeter o ouvinte aos tempos de Follow the Reaper e Hate Crew Deathroll, a banda ressuscita seu som inicial, acrescentando é claro, alguns elementos presentes nos últimos álbuns. Com essa mistura de nostalgia e progressão, Halo Of Blood é um dos trabalhos mais pesados da banda, e muito divertido de se ouvir. Inegavelmente, o melhor álbum do COB nos últimos anos.

NOTA: 8,5 



segunda-feira, 17 de junho de 2013

Burzum – Sôl Austan, Mâni Vestan (2013)




01. Sôl Austan
02. Rûnar Munt bû Finna
03. Sôlarrâs
04. Haugaeldr
05. Feôrahellir
06. Solarguôi
07. Ganga At Sôlu
08. Hiô
09. Heljarmyrkr
10. Mâni Vestan
11. Sôlbjörg

Bem, acho que posso chamar essa resenha de esquizofrênica, ou algo do tipo. Por quê? Em breve o prezado leitor irá entender. O Burzum é dessas bandas que dispensam muitas apresentações, já que qualquer banger que se preze e que saiba o que ocorreu na cena nos últimos 20 anos, em algum momento se deparou com questões sobre Inner Circle norueguês, incêndios criminosos em Igrejas e, principalmente, o assassinato de Euronymous, do Mayhem. Posto isso, irei pular a fase de apresentações e ir ao que realmente interessa, que é a música presente em Sôl Austan, Mâni Vestan.

O Burzum, por toda a sua história, sempre foi um nome que impressionou, fosse pelo radicalismo de seu líder, Varg Vikernes, fosse pela rispidez de seu Black Metal, o que fez com que angariasse uma legião de seguidores. Mas mesmo para o mais apaixonado dos fãs, era visível que no pós-prisão, o Black Metal havia se tornado algo um tanto vazio pra Varg e que seus lançamentos nesse período vinham decrescendo cada vez mais de qualidade. Sendo assim, talvez não tenha sido tão surpreendente a decisão de deixar o estilo de lado e investir na sonoridade atmosférica de álbuns do período em que esteve preso, como Daudi Baldrs e Hildskjalf. Por sinal, Sôl Austan, Mâni Vestan, começa do ponto onde este último parou. A música que temos aqui é de uma natureza quase cósmica, carregada de uma ampla gama de sons e emoções. Com um som simples, lúdico, cativante e misterioso, temos aqui algo tão sublime quanto o desabrochar de uma flor. O resultado disso tudo é uma música que hipnotiza e leva o ouvinte a uma experiência quase metafísica. Com um álbum relaxante e intrigante, Varg nos oferece um trabalho agradável de se ouvir em qualquer ambiente. No final, tudo acaba sendo uma questão de contexto em que se escuta o álbum.

O Burzum, por toda a sua história, sempre foi um nome que impressionou, fosse pelo radicalismo de seu líder, Varg Vikernes, fosse pela rispidez de seu Black Metal, o que fez com que angariasse uma legião de seguidores. Mas mesmo para o mais apaixonado dos fãs, era visível que no pós-prisão, o Black Metal havia se tornado algo um tanto vazio pra Varg e que seus lançamentos nesse período vinham decrescendo cada vez mais de qualidade. Sendo assim, talvez não tenha sido tão surpreendente a decisão de deixar o estilo de lado e investir na sonoridade atmosférica de álbuns do período em que esteve preso, como Daudi Baldrs e Hildskjalf. Por sinal, Sôl Austan, Mâni Vestan, começa do ponto onde este último parou. Sendo assim, o que temos aqui passa a milhares de quilômetros Black Metal radical, ríspido e de aura maléfica que marcou os primórdios do Burzum. Isso é ruim? Bem, depende da qualidade da música apresentada, e nesse caso específico, ela não é nada boa. Você, caro leitor, consegue imaginar uma música do Burzum sendo escutada em um momento de relaxamento em um Spa? Ou então termos como “meditativa”, “calma”, “singela” ou “sublime” sendo usados para se referir a uma música da banda? Ok, você pode alegar que tudo é uma questão de contexto em que se escuta o álbum, mas isso não vai mudar o fato de que falta variedade ao trabalho e que ficamos com a impressão que o mesmo é composto de uma única e interminável faixa. No final, o que resta é uma música chata pra caramba, mais desagradável que tratamento de canal. Um dia, o Burzum foi um nome que impôs respeito e significou música de qualidade. Hoje em dia, é apenas um nome que vive do passado e garante o sustento pós-prisão de Varg Vikernes.

NOTA: 8,5 ou 1,5