domingo, 24 de setembro de 2017

Fast Review – Resenhas rápidas para consumo imediato!

Ghost Bath - Starmourner (2017)
(Nuclear Blast Entertainment – Importado)
 

Eis uma banda que se ama ou odeia, afinal, seu Depressive/Post-Black Metal sempre desperta extremos. Se em seu trabalho anterior, Moonlover (15), o Ghost Bath seguiu um caminho mais atmosférico, em Starmourner é a agressividade que se sobressai, graças a riffs tipicamente Black que surgem a todo momento, fazendo deste o seu álbum mais pesado. Ainda assim, as passagens mais atmosféricas continuam mais que presentes, dando diversidade ao álbum e gerando uma espécie de jogo de luz e sombra musical, já que é capaz de despertar sentimentos díspares como agonia e esperança. Certamente seu trabalho mais maduro e original. (8,5)

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Lich King – The Omniclasm (2017)
(Independente – Importado)
 

Eis uma das bandas mais legais surgidas nessa onda Retrô-Thrash dos últimos anos. Lá se vão 5 anos desde o lançamento de Born of the Bomb, e nesse meio tempo os fãs tiveram apenas o EP Do-Over para saciar a sede pelo Thrash Metal dos americanos. Sem tirarem o pé do acelerador, em The Omniclasm nos entregam um dos melhores álbuns do estilo em 2017. Veloz, pesado e agressivo, temos aqui uma profusão de ótimos riffs, um pé bem fincado no Punk e letras que trafegam entre o bom humor e o cinismo, algo que sempre marcou sua carreira. É original? De forma alguma, mas ainda assim é muito bom e vai render 43 minutos de pura diversão. Além de ossos e vértebras triturados. (8,5)

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The Great Old Ones – EOD: A Tale of Dark Legacy (2017)
(Season of Mist – Importado)
 

Os franceses do The Great Old Ones são uma das bandas mais competentes e instigantes do cenário Black da atualidade. Com seu conteúdo lírico voltado para a obra de H.P. Lovecraft, o quinteto capitaneado pelo guitarrista e vocalista Benjamin Guerry nos apresenta em seu 3º álbum um trabalho baseado no livro A Sombra de Innsmouth. A forma como conseguem levar o ouvinte para dentro da história, transformando em música a narrativa do escritor americano, é algo incrível. Com riffs sombrios e uma atmosfera assombrosa, de mistério e loucura, tudo aqui reflete musicalmente a gradeza do material retratado. Uma aula em forma de Metal e Literatura. (9,0)

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Attic – Sanctimonious (2017)
(Ván Records – Importado)
 

Imaginem um grupo de caras muito fãs de King Diamond/Mercyful Fate. Após um hiato de 5 anos, os alemães do Attic finalmente apresentam o sucessor do bom The Invocation, se mantendo firme e forte no caminho trilhado pelo Rei Diamante. O clima de horror emanando de cada canção, uma história que une satanismo e uma freira pecadora, riffs que poderiam ser tocados por Andy LaRocque, Michael Denner ou Hank Shermann, os vocais em falsete de Meister Cagliostro, que quase emulam o de King, tudo aqui nos remeterá à obra de Kim Bendix Petersen. Você pode até querer argumentar que isso já foi feito de forma muito superior em álbuns como Fatal Portrait ou Abigail, mais isso não tira o mérito de que a música do Attic é muito bem-feita e que  Sanctimonious é um álbum muito legal de se escutar. (8,0)

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Pagan Altar - The Room of Shadows (2017)
(Temple of Mystery Records – Importado)
 

Eis o último ato da lenda britânica do Heavy/Doom. Terry Jones partiu em 2015, mas antes deixou esse CD gravado. Seu filho e fiel parceiro de banda, Alan Jones, como último tributo ao pai, regravou parte do trabalho e o lançou com o nome de The Room of Shadows (originalmente se chamaria Never Quite Dead). O que temos aqui é aquela conhecida e competente mescla de Classic Rock. Heavy Metal e Doom, com os vocais bem característicos de Terry, bons riffs, passagens acústicas interessantes e uma sensação de saudosismo que se abate sobre o ouvinte, quando se lembra que não mais teremos oportunidade de escutar o Pagan Altar novamente. Uma despedida merecida e muito digna. (8,5)

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Broken Hope - Mutilated and Assimilated (2017)
(Century Media Records – Importado)
 

Capitaneado pelo guitarrista Jeremy Wagner, o Broken Hope chega a seu 7º trabalho de estúdio (o segundo desde a volta em 2012) apresentando exatamente o que esperamos, ou seja, Death Metal clássico, bruto, direto e sem enrolação. Você pode argumentar que isso não é nada diferente do que apresentaram em todos os seus trabalhos anteriores, e certamente estará certo, mas a verdade é que temos aqui alguns dos melhores riffs dos americanos em muito tempo (aliás, Jeff Hanneman ficaria orgulhoso, já que ele é a principal influência aqui). Pode não ser um clássico como Swamped in Gore (91), mas ainda assim é um álbum onde temos um Death Metal sólido. Certamente vai agradar em cheio os fãs do estilo. (7,5)

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sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Danzig - Black Laden Crown (2017)


Danzig - Black Laden Crown (2017)
(Shinigami Records/Nuclear Blast - Nacional)


01. Black Laden Crown
02. Eyes Ripping Fire
03. Devil On Hwy 9
04. Last Ride
05. The Witching Hour
06. But A Nightmare
07. Skulls & Daisies
08. Blackness Falls
09. Pull The Sun

Goste ou não da figura de Glenn Danzig, é impossível negar a sua importância para o Rock/Metal. Seja com seu trabalho à frente do The Misfits, ou posteriormente com o Samhain e o Danzig, seu nome está muito bem gravado na história do estilo. Além disso, sua voz de barítono, uma mescla de Jim Morrison com Elvis Presley, mas na versão “Evil”, está entre as mais marcantes do estilo. É dessas que você escuta e de cara já identifica. Simplesmente inconfundível.

Com o Danzig, teve um início arrebatador. Mesclando Metal, Doom, Southern Rock e Blues, lançou talvez a melhor sequência de uma banda no final dos 80 e início dos 90. Danzig (88), Danzig II - Lucifuge (90), Danzig III: How the Gods Kill (92) e Danzig: 4p (94) estão indiscutivelmente entre os melhores trabalhos gravados do período citado. Com o esfacelamento da formação original, seguiu-se uma fase para lá de controversa, com Danzig 5: Blackacidevil (96), Danzig 6:66: Satans Child (99) e Danzig 777: I Luciferi (02), onde seu som sofreu modificações e acabou por gerar insatisfação entre uma parcela de seus fãs.

A partir de 2004, já tendo juntado suas forças com o guitarrista Tommy Victor (Prong), as coisas começaram a mudar de figura, e dois bons álbuns foram lançados, Circle of Snakes (04) e Deth Red Sabaoth (10). Mesmo o trágico álbum de covers, intitulado Skeletons (15), não foi capaz de atrapalhar tal recuperação. Sendo assim, mesmo com a ausência de um baterista fixo, a expectativa pelo lançamento de Black Laden Crown era das melhores por parte de seus fãs.

E bem, acho que podemos dizer que esses não irão se decepcionar com o 11º álbum de estúdio do Danzig, já que talvez esse seja seu trabalho que mais se aproxima esteticamente da sua brilhante fase inicial. É como se estivéssemos diante de uma versão minimalista do mesmo. A voz de Glenn já começa a sentir o peso da idade e não é a mesma dos áureos tempos, mas ainda assim impõe muito respeito, mesmo com alguma limitação. Aliás, aí está a palavra chave para entender Black Laden Crown, limitação.


Esse é um álbum construído em torno de limitações. As músicas se mostram mais lentas, mais cadenciadas, aproximando ainda mais sua sonoridade do Doom. Tommy Victor, como não poderia deixar de ser, faz um belo trabalho na guitarra, se aproximando demais do que foi feito por John Christ no auge da banda, mas é um trabalho simples, com bons riffs, pesados e diria até despreocupados, estando aí talvez seu maior mérito. A parte rítmica faz bem o seu serviço, de forma correta, sendo que o baixo foi assumido pelo próprio Glenn e a bateria ficou a cargo de nomes como Johnny Kelly, Joey Castillo, Karl Rokfist, com participações em álbuns anteriores da banda, e Dirk Verbeuren (Megadeth).

Boa parte das 9 canções aqui presentes se mostram dentro da média, com alguns destaques óbvios. “Eyes Ripping Fire” e “Devil On Hwy 9” se mostram bons rocks, com destaque para o trabalho da guitarra em ambos. Já “Last Ride” é mais cadenciada e tem um ar mais introspectivo, trazendo aquela aura obscura, muito dela em virtude dos ótimos vocais de Glenn. “But A Nightmare” tem bom peso e “Pull the Sun” se mostra bem melancólica. Mas no final, essa abordagem mais minimalista das composições acaba por gerar uma sensação de que as músicas poderiam ter sido um pouco mais bem trabalhadas, mais aprofundadas. São boas, mas poderiam ser ainda melhores.

A produção, que ficou a cargo do vocalista, também ajuda demais nisso. Seca e orgânica como de praxe, afinal Glenn prima por gravar seu material sempre com equipamento analógico, até está dentro da média, mas em muitos momentos deixa a música um tanto magra, sem força. Ainda assim, ao final de tudo, temos o trabalho mais coeso e forte do Danzig em anos. Se não é um clássico, passa longe de ser trágico, já que optam por não inventar e muito menos reinventar, entregando ao fã o que ele espera e deseja de um álbum da banda.

NOTA: 7,0

Danzig é (gravação):
- Glenn Danzig (vocal, guitarra, baixo e bateria nas faixas 2, 4 e 6)
- Tommy Victor (guitarra/baixo)
- Johnny Kelly (bateria nas faixas 1 e 5)
- Joey Castillo (bateria nas faixas 3 e 8)
- Karl Rokfist (bateria na faixa 9)
- Dirk Verbeuren (bateria na faixa 6)

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quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Hansen & Friends - Thank You Wacken (Live) (CD + DVD)


Hansen & Friends - Thank You Wacken (Live) (CD + DVD)
(Shinigami Records/earMUSIC - Nacional)


01. Born Free
02. Ride the Sky (Hellowen cover)
03. Contract Song
04. Victim of Fate (Hellowen cover)
05. Enemies of Fun
06. Fire and Ice
07. Burning Bridges
08. Follow the Sun
09. I Want Out (Hellowen cover)
10. Future World (Hellowen cover)
11. All or Nothing
12. Save Us (Hellowen cover)

Ano passado, Kai Hansen resolveu comemorar suas 3 décadas de amor e serviços brilhantemente prestados ao Heavy Metal soltando seu 1º álbum solo, XXX: Three Decades in Metal (resenha aqui), contando com uma série de participações especiais. Mas como isso aparentemente era pouco, resolveu também fazer uma apresentação no Wacken (festival com o qual possui forte ligação, tendo tocado no mesmo pela primeira vez em 1994), e foi dela que nasceu o CD/DVD intitulado Thank You Wacken, que a Shinigami, em parceria com a earMUSIC, nos faz o favor de lançar em versão nacional.

Antes de tudo, o que temos aqui é uma celebração que envolve um artista não só absurdamente talentoso, como também carismático, e um público que o idolatra. Também pudera, o cara não só é o pai do Power Metal como também é criador talvez das duas maiores bandas do estilo, o Helloween e o Gamma Ray, fora seu dedo em nomes como Iron Savior e Unisonic. Hansen possui um legado que deve ser muito respeitado, goste você ou não.

E é em cima desse legado que ele aposta aqui. Das 12 músicas, 7 saíram de seu trabalho solo, enquanto outras 5 são clássicos dos seus tempos de Helloween. Também se cercou de músicos para lá de talentosos. Além da banda formada por Eike Freese (guitarra, Dark Age), Alexander Dietz (baixo, Heaven Shall Burn), Michael Ehré (bateria, Gamma Ray) e Corvin Bahn (teclado, Crystal Breed e Gamma Ray ao vivo), tivemos as participações para lá de especiais de Clémentine Delauney (vocal, Visions of Atlantis), Frank Beck (vocal, Gamma Ray) e sim, ele, Michael Kiske (esse dispensa qualquer apresentação). Em suma, Kai estava muito bem acompanhado em cima do palco.


Uma coisa é indiscutível. As músicas de seu trabalho solo, que já eram boas, conseguiram soar mais fortes e enérgicas ao vivo. Veja os casos de “Born Free”, “Enemies of Fun”, “Fire and Ice” (com um belo dueto entre Kai/Clémentine), “Burning Bridges” e “All or Nothing” (outra a contar com Clémentine), que conseguiram empolgar o público. E vale dizer que esse show foi gravado em 5 de agosto de 2016, sendo que XXX: Three Decades in Metal saiu apenas em setembro, ou seja, estamos falando de músicas que eram desconhecidas dos presentes. Quanto aos clássicos do Helloween executados, aí chega a ser covardia. A forma como “Ride the Sky”, “Victim of Fate”, “Save Us” (ambas com participação de Frank e Clémentine), “I Want Out” e “Future World” inflama a todos é algo impressionante, principalmente as duas últimas, com Kiske nos vocais. Uma bela prévia do que veremos na Pumpkins United World Tour (que passa pelo Brasil em outubro). De quebra, ainda temos um DVD com a apresentação na íntegra, onde podemos constatar todo o clima e interação entre artista e público. Decididamente, ele consegue capturar com precisão toda a energia do show.

Com uma banda entrosada e afiadíssima, e participações especiais que enriquecem mais ainda o trabalho final, o que temos de resultado final é uma verdadeira celebração à carreira de um dos músicos mais talentosos de todo o cenário do Heavy Metal. Com muita entrega de todos, energia e muita diversão, temos aqui um material imperdível. E só existe uma forma de encerrar essa resenha: muito obrigado, Kai Hansen!

NOTA: 8,5

Kai Hansen é:
- Kai Hansen (vocal/guitarra);
- Eike Freese (guitarra);
- Alexander Dietz (baixo);
- Michael Ehré (bateria);
- Corvin Bahn (teclado).

Participações Especiais
- Clémentine Delauney (vocal nas faixas 4, 6, 11 e 12/backing vocals)
- Frank Beck (vocal na faixa 4/backing vocals)
- Michael Kiske (vocal nas faixas 9 e 10)

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terça-feira, 19 de setembro de 2017

Municipal Waste - Slime And Punishment (2017)

Municipal Waste - Slime And Punishment (2017)
(Shinigami Records/Nuclear Blast – Nacional)


01. Breathe Grease
02. Enjoy The Night
03. Dingy Situations
04. Shrednecks
05. Poison The Preacher
06. Bourbon Discipline
07. Parole Violators
08. Slime And Punishment
09. Amateur Sketch
10. Excessive Celebration
11. Low Tolerance
12. Under The Waste Command
13. Death Proof
14. Think Fast

Lá se vão 5 anos desde que os americanos do Municipal Waste, uma das melhores bandas de Thrash/Crossover da nova geração, lançou The Fatal Feast (Waste in Space) (12). Nesse período, excursionaram por um bom tempo, chegaram a compor um álbum inteiro, que foi descartado por não ser considerado bom o suficiente, além de Tony Foresta (vocal) e Land Phil terem lançado 3 trabalhos com o Iron Reagan (este último ainda soltou 2 CD’s com o Cannabis Corpse, do qual também faz parte. Além disso, desde 2016 se tornou um quinteto, com a entrada do guitarrista Nick Poulos.

Um novo membro que altere a estrutura da banda de tal forma (já que passaram a ter 2 guitarristas) é sempre algo arriscado, já que se faz necessário um tempo de adaptação entre os músicos. Felizmente isso não foi um problema aqui, já que Nick tocou com Phil no Cannabis Corpse e no Vulture, sendo que nessa, ele ainda toca ao lado do guitarrista Ryan Waste. Ou seja, a química já existia e isso acaba tendo reflexos mais que positivos em Slime And Punishment, 6º álbum de estúdio do grupo.

A sonoridade da banda se mantém praticamente intocada. É aquele Thrash/Crossover rápido, pesado, agressivo, com riffs marcantes, vocais insanos e parte rítmica direta. Mas agora sua música se mostra mais madura, e por mais que você possa perceber a influência de nomes como Nuclear Assault, D.R.I ou Anthrax, ela soa mais do que nunca como Municipal Waste. Vale destacar o trabalho das guitarras, que está simplesmente excelente, com riffs verdadeiramente viciantes.

Como de praxe, as canções são curtíssimas e nenhuma chega à casa dos 3 minutos. É um verdadeiro massacre musical. O álbum abre com a intensa e agressiva “Breathe Grease”, e tem continuidade com a sequência formada por “Enjoy The Night”, um Thrashcore brutal que dura menos de 1 minuto, e “Dingy Situations”. “Shrednecks” tem o poder de uma bomba de hidrogênio, com ótimos riffs e grande poder de destruição, enquanto em “Poison The Preacher” o lado Hardcore fala um pouco mais alto, com toda a sua energia e intensidade. O alto nível de qualidade se mantém em “Bourbon Discipline”, “Parole Violators” (que conta com a participação de Vinnie Stigma, do Agnostic Front, interpretando um policial), veloz e intensa e em “Slime And Punishment”, com uma levada mais cadenciada, mas sem perder a intensidade. A velocidade retorna com “Amateur Sketch” e “Excessive Celebration”, que vão direto ao ponto, soando bem diretas. “Low Tolerance” abre a sequência final de forma bem agressiva, sendo seguida pela ótima instrumental “Under The Waste Command”, por “Death Proof”, outra com momentos um pouco mais cadenciados e a ótima “Think Fast”, um crossover de 1ª categoria, que encerra o álbum com chave de ouro.


Gravado no Blaze of Torment Studios, com produção da própria banda, Slime And Punishment teve sua mixagem e masterização feitas por ninguém menos que Bill Metoyer. O resultado final foi ótimo, já que apesar da música soar bem old school, a produção não deixa que ela soe datada, dando à mesma um ar bem atual. A capa é   de autoria de Andrei Bouzikov, com layout do encarte feito por Marcelo Vasco. Ótimo trabalho de ambos.

Rápido, barulhento e agressivo. Eis aqui um resumo perfeito do que é Slime And Punishment. Eis aqui um CD para você afastar por completo os móveis da sala, bater cabeça freneticamente e moer por cada vértebra do pescoço.

NOTA: 8,5

Municipal Waste é:
- Tony Foresta (vocal);
- Ryan Waste (guitarra);
- Nick Poulos (guitarra);
- Landphil (baixo);
- Dave Witte (bateria).

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domingo, 17 de setembro de 2017

Fast Review – Resenhas rápidas para consumo imediato!

Adagio - Life (2017)
(Zeta Nemesis Records – Importado)
 

Apesar de completar 17 anos de carreira, esse é apenas o 5º álbum de estúdio dos franceses, muito disso devido à alta rotatividade do posto de vocalista (Kelly Sundown Carpenter é quem ocupa o cargo agora). Após um hiato de 8 anos desde o lançamento de Archangels in Black (09), retornam apresentando um trabalho que consegue ser tão bom (ou quem sabe melhor) que o excelente Underworld (03). Podemos até dizer que, em matéria de estrutura musical, esse é um retorno à 1ª fase da banda, já que deixaram de lado os elementos mais extremos adotados nos últimos álbuns em prol de uma linha mais Prog/Power (pendendo mais para o primeiro). A diferença é que aqui soam bem atuais, muito pelos toques de Djent que surgem aqui e ali. Conseguiram também se afastar das comparações (que eram justas) com o Symphony X, parecendo que finalmente encontraram sua identidade. Life é um álbum grandioso, onde conseguem equilibrar muito bem ótimos refrões, melodias marcantes, partes atmosféricas, muita progressividade e peso. Uma das grandes surpresas de 2017. (9,0)

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Tau Cross  - Pillar Of Fire (2017)
(Relapse Records – Importado)
 

Quando Rob “The Baron” Miller (Amebix) e Michel “Away” Langevin (Voi Vod) juntaram suas forças em um novo projeto, criaram as melhores expectativas, que se confirmaram no autointitulado álbum de estreia do Tau Cross, onde mesclaram de forma primorosa Punk, Crust e Thrash Metal. Em Pillar Of Fire não só conseguem manter a qualidade mostrada no debut, como conseguem ir além, trazendo para sua música até mesmo alguns elementos acústicos que surgem aqui e ali. Os vocais de Miller continuam intensos e variados, e o ótimo trabalho de guitarra, com riffs simples, pesados e altamente funcionais, é um outro ponto a se destacar. Diversificado, divertido e cativante como poucos álbuns que escutei neste ano. (8,5)

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Masterplan – PumpKings (2017)
(AFM Records – Importado)
 

No meio da música, poder fazer algo não significa que tenha propriamente que fazer. Timing também é algo muito importante, já que, dependendo da situação, você pode passar a impressão de oportunismo. Roland Grapow tem uma história importante ao lado do Helloween, mas lançar um trabalho com versões de músicas dos alemães que ele ou escreveu ou coescreveu, em um momento em que esses estão em uma badalada turnê mundial ao lado de Kai Hansen e Michael Kiske (e da qual ele ficou fora por motivos mais que óbvios), faz com que PumpKings tenha um tremendo cheiro de caça-níqueis. Mas, sejamos justos, obstante essa sensação chata, estamos diante de um bom trabalho, já que o conteúdo do álbum, além de agradável, é bem coeso e sólido. Além disso, as versões ficaram bem legais, com uma cara mais próxima do que o Masterplan faz em seus álbuns, muitas vezes estando mais rápidas e pesadas que as originais. Certamente vai agradar aos fãs do seu trabalho, mas ainda assim aquela impressão de oportunismo não se dissipa. Aos interessados, PumpKings está saindo em versão nacional pela Valhall Music. (7,5)

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Lacrimosa - Testimonium (2017)
(Hall Of Sermon – Importado)
 

O 13º álbum de estúdio do Lacrimosa é, segundo Tilo Wolff, dedicado a grandes artistas que faleceram no ano de 2016 e que lhe serviram de inspiração. E como não poderia ser diferente, sua mescla de Música Clássica, Darkwave, Rock Gótico e Metal, possui aquela atmosfera escura que nos acostumamos em trabalhos do grupo. Pendendo um pouco mais para o Gothic Metal, Testimonium tem bom peso, mas peca por muitas vezes soar previsível, já que nada aqui surpreende o ouvinte. Além disso, falta ao álbum aquela canção bombástica, que gruda na sua cabeça e você demora dias e dias para esquecer. Ainda assim, é justamente por ser tão óbvio, que certamente fará a alegria dos fãs. (7,5)

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Desultory - Through Aching Aeons (2017)
(Pulverised Records – Importado)
 

Ah, o bom e velho Death Metal Sueco! Pois é isso que encontramos em Through Aching Aeons, 5º trabalho de estúdio dos veteranos do Desultory. O peso se faz presente com sobra aqui, enquanto as guitarras despejam riffs violentos e são responsáveis por melodias um tanto sombrias, fazendo com que sua sonoridade soe como uma mescla de Dismember, Entombed e At The Gates. Podem até não alcançar o nível de excelência de Into Eternity (93) e Bitterness (94), mas ainda assim nos apresentam um registro de Death Metal forte, feroz e potente, desses capazes de moer pescoços alheios. (8,0)

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Arthemis - Blood - Fury - Domination (2017)
(Scarlet Records – Importado)
 

Quando pensamos em uma banda de Power Metal vinda da Itália, de imediato já imaginamos algo na linha do Rhapsody (of Fire) e afins, com partes velozes e melodias e partes sinfônicas aos borbotões. Mas esse não é o caso do Arthemis, banda que está na ativa desde 1999 e que chega ao seu 8º álbum. Seu Power Metal é pesado, moderno, com alguns bons flertes com Thrash/Groove, fugindo assim de uma fórmula que já está pra lá de desgastada e que raramente tem rendido algo memorável nos últimos anos. Uma surpresa para lá de positiva. (7,5)

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quarta-feira, 13 de setembro de 2017

EZoo - Feeding The Beast (2017)


EZoo - Feeding The Beast (2017)
(Shinigami Records/earMUSIC - Nacional)


01. You Are Your Wallet
02. The Flight Of The Sapini
03. C’est La Vie
04. Guys From God
05. Feeding The Beast
06. Eyes Of The World
07. Colder Than Cool
08. Too High to Be Falling
09. Motorbike
10. Since You Been Gone
11. Don’t Look Back
12. CODA

Graham Bonnet é um músico que dispensa apresentações. Seja por sua passagem por nomes como Rainbow (onde substituiu Dio), Michael Schenker Group, Alcatrazz, Impellitteri e Blackthorne (em que tocou com Bob Kulick, Chuck Wright e Frankie Banali), ou por sua carreira solo, o britânico marcou seu nome como uma das maiores vozes do Hard/Heavy de todos os tempos. Já o guitarrista italiano Dario Mollo pode não ser tão badalado, mas seus álbuns com o Crossbones, The Cage (ao lado de Tony Martin, ex-Black Sabbath) e Voodoo Hill (uma parceria com ninguém menos que Glenn Hughes), além de seu renome como produtor, deixam bem evidente que estamos diante de um grande talento.

Apesar de Feeding The Beast ser o trabalho de estreia do EZoo, as raízes do projeto são muito mais antigas. No ano de 2001, Graham e Dario tiveram a oportunidade de excursionar na banda de Don Airey (Deep Purple), e a química entre o vocalista e o guitarrista funcionou tão bem, que em 2004 resolveram formar o Electric Zoo. Com a banda, excursionaram pela Europa e chegaram a planejar um álbum para o ano de 2007, mas devido aos diversos compromissos musicais de ambos, a ideia acabou no limbo, ficando de recordação apenas 3 covers que haviam gravado nos ensaios para a turnê de 2004. Pois foi após escutar as mesmas esse ano, que Bonnet resolveu entrar em contato com Mollo, sugerindo que finalmente tocassem a ideia em frente. E bem, agora finalmente temos o resultado dessa união em mãos.

Antes de tudo, o prezado leitor tem que ter em mente que Graham Bonnet, com seus 69 anos, não é mais o mesmo vocalista que gravou trabalhos como Down to Earth (Rainbow), No Parole from Rock 'n' Roll (Alcatrazz), Stand in Line (Impellitteri) ou Assault Attack (MSG). Ele adaptou sua voz à sua atual realidade, e mesmo que não tenha todo o alcance vocal de 40 anos atrás, ainda assim é um verdadeiro monstro quando o assunto é cantar. Já Dario Mollo não esconde em momento algum toda a influência que possui de nomes como Ritchie Blackmore e Eddie Van Halen, nos entregando de bandeja ótimos riffs e melodias, além de alguns solos verdadeiramente primorosos. O cara realmente é bom no que faz.




Acompanhados do baixista/tecladista Dario Patti (Crossbones, The Cage, Voodoo Hill) e do baterista Roberto Gualdi (Premiata Forneria Marconi, The Cage, ex-Voodoo Hill), a dupla Bonnet/Mollo lançou um dos melhores trabalhos de Hard/Heavy de 2017. O primeiro mostra que, apesar do tempo, a idade não pesa (ao menos em estúdio), e nos entrega um trabalho vocal bem característico e carregado de identidade. Potente e com seu timbre bem característico, é incrível como sua voz se encaixou bem no instrumental. Já Dario brilha com guitarras simplesmente fenomenais, tanto no que tange as bases, como também nos riffs e solos, e tudo isso sem precisar cometer exageros para demonstrar toda a sua técnica.

Das 12 faixas aqui presentes, 2 são instrumentais, “The Flight Of The Sapini” (duvido você não lembrar de “Eruption”, do Van Halen) e “CODA”, que encerra o álbum. Das demais, eu apontaria como destaques a cativante e forte faixa de abertura, “You Are Your Wallet”, o Hard intenso de “C’est La Vie”, com brilhantes desempenhos de Dario e Bonnet, a grudenta “Guys From God”, com sua pegada meio Blues, a enérgica “Colder Than Cool” e a ótima “Motorbike”, um Hard daqueles, que vai te transportar diretamente aos anos 80. E claro, não podemos esquecer aqui dos 2 covers do Rainbow presentes (e que contam com Guido Block no baixo), “Eyes Of The World” e “Since You Been Gone” (que originalmente já se trata de um cover de Russ Ballard), onde o Ezoo, sem inventar, consegue imprimir sua personalidade.

Com ótimas melodias, algumas verdadeiramente grudentas, peso e agressividade na medida certa, um trabalho de guitarra magistral e linhas vocais marcantes, o Ezoo entrega com Feeding The Beast uma verdadeira aula de como fazer Hard 'n' Heavy. Simplesmente obrigatório para qualquer fã do estilo.

NOTA: 8,5

Ezoo é:
- Graham Bonnet (vocal);
- Dario Mollo (guitarra);
- Dario Patti (baixo/teclado);
- Roberto Gualdi (bateria).

Graham Bonnet:
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Dario Mollo
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terça-feira, 12 de setembro de 2017

Marillion - Marbles in the Park (2017) (DVD)


Marillion - Marbles in the Park (2017) (DVD)
(Shinigami Records/earMUSIC - Nacional)


01. The Invisible Man
02. Marbles I
03. Genie
04. Fantastic Place
05. The Only Unforgivable Thing
06. Marbles II
07. Ocean Cloud
08. Marbles III
09. The Damage
10. Don’t Hurt Yourself
11. You’re Gone
12. Angelina
13. Drilling Holes
14. Marbles IV
15. Neverland
16. Out Of This World
17. King
18. Sounds That Can’t Be Made

Com quase 40 anos de carreira nas costas, o Marillion dispensa apresentações, e álbuns como Script for a Jester's Tear (83), Fugazi (84) e Misplaced Childhood (85), lançados com Fish nos vocais, estão na memória de qualquer fã, não só da banda, como de Rock Progressivo. E apesar de muitos por ai possuírem certa implicância com a fase Steve Hogarth, a verdade é que ótimos álbuns foram lançados com o mesmo no vocal, como Brave (94), Afraid of Sunlight (95), Marbles (04) e o recente Fear (16).

E foi um destes, Marbles, que o quinteto formado por Hogarth, Steve Rothery (guitarra), Pete Trewavas (baixo), Ian Mosley (bateria) e Mark Kelly (teclado) resolveu apresentar na íntegra, durante um show realizado em 21 de março de 2015, na edição do Marillion Weekend ocorrido no Center Parcs, Port Zelande, Holanda. E se o CD duplo resenhado há alguns meses (resenha aqui) já era algo acima da média, o que temos a oportunidade de assistir nesse DVD é algo ainda mais absurdo, tamanha a qualidade. Só vendo para crer.

Em relação à qualidade sonora, ela já era fantástica no CD e aqui a mesma se mantém, mas ter a oportunidade de ver com seus olhos o que foi tal apresentação, é que acaba por tornar a experiência de Marbles in the Park ainda mais forte. A captação das imagens beira a perfeição, mas o grande diferencial é o clima intimista criado por um evento desse tipo, já que a maior proximidade e ligação da banda com seus fãs permite uma relação muito mais emocional, que você dificilmente presenciaria em um festival com diversas bandas, por exemplo.


Tudo soa muito mais impactante com os efeitos visuais projetados no telão e com os jogos de luzes. Mas são os músicos que fazem a diferença no resultado final, principalmente a figura de Steve Hogarth, com todo seu carisma e força, além da capacidade ímpar de deixar transparecer as emoções presentes nas canções do Marillion. Ele tem o público em suas mãos durante toda a apresentação. O restante da banda não fica muito atrás. Steve Rothery, um monstro com sua guitarra, desfila toda a sua categoria e talento, acompanhado de Trewavas, Mosley e Kelly. Podem ser discretos em suas movimentações em cima de um palco, mas são explosivos quando tocam seus instrumentos.

Quanto às músicas, todas, todas mesmo se destacam. As que já chamavam a atenção no CD, se tornam ainda mais incríveis, enquanto as demais sobem mais um patamar em matéria de qualidade. “The Invisible Man”, “Ocean Cloud”, "Neverland", “The Damage”, “You’re Gone”, "Fantastic Place", “Drilling Holes”, “The Only Unforgivable Thing”, "Angelina", as 4 partes de "Marbles", todas possuem seus momentos de brilho. É difícil para um fã de boa música descolar os olhos da tela durante a execução do DVD, diante de tão belíssimas imagens e de uma apresentação tão forte e marcante. É isso que torna esse material mais do que obrigatório na coleção de qualquer um.

NOTA: 9,5

Marillion é:
- Steve Hogarth (vocal);
- Steve Rothery (guitarra);
- Pete Trewavas (baixo);
- Mark Kelly (teclado);
- Ian Mosley (bateria).

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