quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Tankard - One Foot in the Grave (2017)


Tankard - One Foot in the Grave (2017)
(Shinigami Records/Nuclear Blast – Nacional)


CD 1:
01. Pay to Pray
02. Arena of the True Lies
03. Don’t Bullshit Us!
04. One Foot in the Grave
05. Syrian Nightmare
06. Northern Crown (Lament of the Undead King)
07. Lock ‘Em Up!
08. The Evil that Men Display
09. Secret Order 1516
10. Sole Grinder

CD 2 (Rock Hard Festival 2016):
01. Intro
02. Zombie Attack
03. The Morning After
04. Fooled by Your Guts
05. Rapid Fire (A Tyrant’s Elegy)
06. Rules for Fools
07. R.I.B. (Rest in Beer)
08. Metal to Metal
09. Not One Day Dead
10. Chemical Invasion
11. A Girl Called Cerveza
12. Rectifier
13. (Empty) Tankard

E lá se vão 35 anos de uma carreira que, apesar de seus altos e baixos (algo inerente a um período tão extenso), sempre foi sólida e recheada de trabalhos de qualidade. Álbuns como Zombie Attack (86), Chemical Invasion (87), The Morning After (88) e The Beauty and the Beer (06), marcaram não só a história do Metal alemão, como também do Thrash Metal. E mesmo nos anos 90, quando tudo parecia ir contra o Heavy Metal, o Tankard se manteve firme e forte levantando a bandeira do estilo e sem fazer concessões, como alguns outros nomes fizeram.

Era nítido que após The Beauty and the Beer, o Tankard havia dado uma pequena acomodada, lançando 3 álbuns medianos em sequência, mas com R.I.B as coisas voltaram a entrar nos trilhos, com o quarteto formado por Andreas “Gerre” Geremia (vocal), Andy Gutjahr (guitarra), Frank Thorwarth (baixo) e Olaf Zissel (bateria) mostrando estar com a criatividade em dia. Sendo assim, a pergunta que pairava antes do lançamento de One Foot in the Grave, seu 17º trabalho de estúdio, é se conseguiriam manter esse momento positivo. E já posso adiantar ao leitor que sim, conseguiram.

Claro que ninguém espera que o Tankard fuja muito da fórmula padrão de estrofe/refrão/estrofe/refrão/solo/estrofe, mas isso não torna sua música menos interessante. Talvez a força de suas canções esteja justamente na obviedade, até porque convenhamos, do mesmo jeito que sair do padrão não é garantia de boa música, se prender a ele não significa falta de qualidade. Apesar de ser possível observar um pouco mais de melodia, sua música continua muito pesada e agressiva, graças ao ótimo trabalho das guitarras. Os vocais se mostram bem variados, enquanto a parte rítmica faz um trabalho firme e coeso. As letras misturam o tradicional bom humor da banda com temas sérios, como guerra, racismo, crise de refugiados, religião e mídia.


O álbum abre com “Pay to Pray”, um Thrash padrão, com riffs fortes, bom refrão e ótimo desempenho da parte rítmica. Em seguida, a grudenta “Arena of the True Lies” surge como forte candidata a futuro clássico do Tankard, com um ótimo trabalho das guitarras e solo marcante. “Don’t Bullshit Us!” soa bem direta e agressiva, enquanto “One Foot in the Grave” tem um pé no Metal Tradicional e ótimo uso das guitarras gêmeas. “Syrian Nightmare” possui um ótimo arranjo de guitarras, além de um certo ar sombrio que casa bem com o tema abordado, dando fim à primeira metade do álbum. “Northern Crown (Lament of the Undead King)” possui um pouco mais de melodia, além de um refrão muito bom, e “Lock ‘Em Up!” é uma daquelas faixas padrão Tankard, com destaque para os riffs. A sequência final abre com “The Evil that Men Display”, que remete aos trabalhos iniciais da banda nos anos 80, segue com “Secret Order 1516”, que possui um ótimo solo, e encerra da mesma forma que teve início, com um Thrash padrão de riffs fortes, intitulado “Sole Grinder”. Vale dizer que a versão nacional conta com um Cd bônus, gravado ao vivo no Rock Hard Festival de 2016 e que conta com clássicos como “Zombie Attack”,  “The Morning After”,  “Chemical Invasion” e “(Empty) Tankard”.

Gravado no Gerhard Studios, teve sua produção, mixagem e masterização realizadas pelo baterista do Perzonal War, Martin Buchwalter, que já trabalhou com nomes como Destruction, Suidakra e Elvenking. O resultado ficou muito bom, com a banda soando mais pesada e direta que nos álbuns anteriores. A capa, assim como nos dois últimos trabalhos, ficou a cargo de Patrick Strogulski e mantém aquele padrão de capas divertidas do Tankard.

O tempo passa, os álbuns vão sendo lançados, e o Tankard continua firme e forte, se dedicando com paixão ímpar ao Thrash Metal e justificando o porquê de ser uma das maiores bandas do estilo em todos os tempos. Não podemos afirmar que One Foot in the Grave vai se tornar um clássico na discografia da banda, mas podemos dizer sem medo que estará entre os melhores álbuns do estilo lançados em 2017.

NOTA: 8,5

Tankard é:
- Andreas “Gerre” Geremia (vocal);
- Andy Gutjahr (guitarra);
- Frank Thorwarth(baixo);
- Olaf Zissel (bateria).

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quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Axel Rudi Pell - The Ballads V (2017)


Axel Rudi Pell - The Ballads V (2017)
(Shinigami Records/SPV/Steamhammer - Nacional)


01. Love’s Holding On
02. I See Fire (Ed Sheeran cover)
03. On the Edge of Our Time
04. Hey Hey My My (Neil Young cover)
05. Lived Our Lives Before
06. When Truth Hurts
07. Forever Free
08. Lost in Love
09. The Line (live)
10. Mistreated (Deep Purple cover) (live)

O talento de Axel Rudi Pell é algo indiscutível. Seja nos trabalhos lançados com o Steeler nos anos 80, ou na sua posterior carreira solo, ele sempre deu provas de sobra quanto a ser um músico e compositor acima da média. Muito desse talento se reflete na sua capacidade ímpar de compor belas baladas, tanto que em 1993 ele resolveu lançar uma coletânea apenas com baladas, The Ballads. Funcionou tão bem, mas tão bem, que chegamos agora ao seu 5º volume. E antes mesmo que você se pergunte, já respondo de antemão que, ao contrário do que você possa imaginar, nesse caso específico os trabalhos não ficam maçantes.

Em The Ballads V, a coisa não é diferente. Das 10 canções presentes, temos 3 inéditas, 5 que entraram em seus últimos trabalhos de estúdio, Circle of the Oath (12), Into the Storm (14) e Game of Sins (16) (resenha aqui), e outras 2 ao vivo. Dentre as faixas inéditas, uma conta com a participação de Bonnie Tyler (sim, aquela mesma, do megassucesso oitentista Total Eclipse of the Heart e uma das maiores vozes do Country Rock/Pop) e outra é um improvável cover do cantor de Pop/Folk britânico Ed Sheeran. Uma das faixas ao vivo é nada mais, nada menos, que um cover para  “Mistreated”, do Deep Purple, que conta com participações especiais do vocalista Doogie White (Rainbow, MSG, Cornerstone, Yngwie Malmsteen) e do tecladista Tony Carey (Rainbow), presente apenas no DVD/Blu-ray Magic Moments (25th Anniversary Special Show) (15). Ou seja, existe um diferencial no material que justifica a compra.

Mas vamos ao que interessa. A abertura se dá com o material inédito, começando com “Love’s Holding On”, onde Johnny Gioeli divide os vocais com Bonnie Tyler. Por sinal, essa faixa foi composta especialmente para a voz da mesma por Axel. É uma belíssima balada, com lindas melodias e um clima que remete bastante aos anos 80. Por si só já valeria a aquisição do CD. Em seguida, temos “I See Fire”, música de Ed Sheeran que esteve presente na trilha sonora de O Hobbit – A Desolação de Smaug. Originalmente acústica, aqui recebeu um belo arranjo de piano, que abrilhantou ainda mais a canção (sim, a original é uma boa música Pop/Folk), além de possuir um ótimo solo de guitarra. A outra inédita, “On the Edge of Our Time”, é aquela típica Power Ballad, com destaque para o trabalho da dupla formada por Volker Krawczak (baixo) e Bobby Rondinelli (bateria).


O trabalho tem sequência com 5 canções já conhecidas pelos fãs que acompanham a carreira recente de Pell. “Hey Hey My My” é um cover para a clássica canção de Neil Young, presente em Into the Storm (14), possuindo um clima bem sombrio e melancólico. Já “Lived Our Lives Before”, retirada de Circle of the Oath (12), soa bem profunda e se destaca pelo ótimo trabalho da bateria, que na época estava a cargo de ninguém menos que Mike Terrana (Tarja, ex-Masterplan, ex-Rage). Em seguida, temos a excelente “When Truth Hurts”, outra faixa oriunda de Into the Storm, e a dobradinha “Forever Free”/Lost in Love, ambas saídas de seu último trabalho de estúdio, Game of Sins (16) (resenha aqui). A sequência ao vivo abre com “The Line”, presente no clássico The Masquerade Ball (00), e que foi gravada no Rock of Ages, em 2016. É outra bela Power Ballad, que se destaca pelas belas melodias e pelo refrão forte. Os mais atentos se recordarão de que a versão de estúdio da mesma fez parte do The Ballads III (04). Fechando com chave de ouro, temos uma brilhante versão para “Mistreated”, gravada no Bang You Head de 2014 e que fez parte do trabalho em comemoração dos 25 anos de carreira de Axel. Simplesmente épica e conta com um solo verdadeiramente magistral.

Produzido pelo próprio Axel Rudi Pell, teve nas faixas inéditas a co-produção de Charlie Bauerfeind (Helloween, Blind Guardian, Angra, Hammerfall, Gamma Ray, Saxon, Rage). A masterização foi realizada por Ulf Horbelt (Arch Enemy, Moonspell, Dark Tranquillity, Sodom, Paradise Lost, Krisiun), que já trabalha com a banda há 25 anos. Como nos seus últimos 5 trabalhos (incluindo The Ballads IV), a capa mais uma vez foi obra de Martin McKenna. Não existem ressalvas a serem feitas na parte técnica.

Mostrando a competência que lhe é de praxe para compor belas baladas, Axel Rudi Pell nos entrega mais um trabalho de rara elegância, e que vai satisfazer não só os seus fãs usuais, como também aos amantes de uma boa e velha Power Ballad.

NOTA: 8,0

Axel Rudi Pell é:
- Johnny Gioeli (vocal);
- Axel Rudi Pell (guitarra);
- Volker Krawczak (baixo)
- Bobby Rondinelli (bateria)
- Ferdy Doernberg (teclado)

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terça-feira, 15 de agosto de 2017

Tumulto - Conflitos Sociais (2016)


Tumulto - Conflitos Sociais (2016)
(Independente - Nacional)


01. Realidade
02. Massacrados
03. Corruptos
04. Conflitos Sociais
05. Humanidade Desumana
06. Sociedade é uma Prisão
07. Meu Filho (Cover Cambio Negro HC)
08. Desconstrução (Cover Ação Direta)
09. Medo (Cover Cólera)

Uma das coisas legais de se estudar história é que, através do passado, se acaba por entender muito do presente e até mesmo consegue-se evitar repetir certos erros, quando se tem a capacidade de aprender com os mesmos. Infelizmente, essa parte do aprendizado não faz parte do ser humano tanto assim. Veja o caso do Brasil: entre 91 e 92, passamos por um período conturbado, com denúncias de corrupção e impeachment de um Presidente. Muitos disseram que seria a moralização do país. Não foi, e 25 anos depois, passamos por um momento idêntico. Até o discurso de que o país vai se moralizar é o mesmo.

Pois foi em 1991 que surgiu em Foz do Iguaçu/PR o Tumulto, que na época investia no Punk/Hardcore. No ano seguinte, soltaram um Split junto com a banda Morthal, intitulado Conflitos Sociais, produzido por ninguém menos que o saudoso Rédson, vocalista e guitarrista do Cólera. A vida seguiu em frente, mudanças ocorreram, não só de formação como também de sonoridade, já que foram migrando gradativamente para o Heavy/Thrash. Mas o país infelizmente se manteve o mesmo, e dentro desse contexto, por que não revisitar o passado, os primórdios da banda?

Observando as letras, fica claro que nada mudou nos últimos 25 anos, tornando assim a regravação de Conflitos Sociais algo totalmente relevante. E foi isso que o trio formado pelo vocalista e guitarrista Germano Duarte, pelo baixista Rafael Feldman e o baterista Marcio Duarte (único integrante original) resolveu fazer. Mantendo o espírito de inconformismo original, conseguiram dar uma roupagem mais atual ao trabalho, e ainda de bônus, acrescentaram 3 covers que vão de encontro às suas raízes, “Meu Filho”, do Câmbio Negro HC, “Desconstrução”, do Ação Direta, e a mais que clássica “Medo”, do Cólera, um dos maiores hinos do Punk nacional.


Mesmo dando às antigas faixas uma roupagem que reflete sua sonoridade atual, a veia Punk/Hardcore das mesmas é inegável. Sendo assim, temos um típico Crossover, onde a energia do Punk se une ao peso e agressividade do Heavy/Thrash, gerando uma música simples, mas altamente raivosa e que vai te fazer bater cabeça do primeiro ao último segundo. Das 6 faixas originais, os destaques ficam por conta da pesada e insana “Realidade”, das empolgantes “Massacrados” e “Humanidade Desumana”, que não negam seu DNA e a intensa “Corruptos”, com suas boas melodias.

A produção, obviamente bem superior à original, ficou por conta de Emerson Pereira (Embrio), enquanto a mixagem e masterização foram feitas por Anderson Vieira. O resultado final ficou muito bom para a proposta sonora do Tumulto, soando bem orgânica e agressiva, mas clara e audível. A capa é uma releitura da original, feita por Elielcio Dreher, com um ótimo resultado. Normalmente, não sou muito fã de regravações, mas confesso que nesse caso, o resultado foi ótimo, já que finalmente as boas músicas do debut receberam o tratamento que mereciam. Agora é esperar o próximo álbum de inéditas, que já está sendo preparado. Se sua praia é o Thrash/Crossover, está aqui um álbum nacional que vai querer ter em sua coleção.

NOTA: 8,0

Tumulto é:
- Germano Duarte (vocal/guitarra);
- Rafael Feldman (baixo);
- Marcio Duarte (bateria).

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domingo, 13 de agosto de 2017

Fast Review – Resenhas rápidas para consumo imediato!

Kobra And The Lotus – Prevail I (2017)
(Napalm Records – Importado)
 

Com seus dois trabalhos anteriores, o Kobra And The Lotus chamou a atenção dos fãs de Heavy/Power, graças não só à força da sua música, como também pelos ótimos vocais de Brittany "Kobra" Paige. Em Prevail I, alguns fãs podem estranhar a postura levemente mais comercial que podemos observar em certas músicas, talvez por influência do produtor Jacob Hansen, que já trabalhou com nomes como Volbeat e Amaranthe, mas na maior parte do tempo, temos a sonoridade característica da banda, que consegue unir abordagens tradicionais e modernas com primor, gerando assim um Heavy/Power atual e longe de soar datado. Ok, não supera o ótimo High Priestess (14), mas ainda assim é um álbum que impõe respeito. (8,0)

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Avelion – Illusion of Transparency (2017)
(Revalve Records – Importado)
 

Quando pensamos em uma banda de Power Metal vinda da Itália, é quase certo que imaginaremos algo na linha do Rhapsody. Pois esse não é o caso do Avelion, que estreia com Illusion of Transparency. Mesclando Power Melódico, Progressive Metal e Modern Metal, conseguem gerar uma sonoridade bem interessante e atual, com bons riffs e melodias, muita técnica e elementos eletrônicos muito bem encaixados. A forma como conseguem equilibrar todas essas facetas, sem que nenhuma sobrepuje a outra, chama muito a atenção, além de fugir do lugar-comum em que o estilo se enfiou desde a década passada. Uma estreia muito promissora! (8,0)

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Sacred Oath – Twelve Bells (2017)
(Angel Thorne Music - Importado)
 

O veterano grupo americano chega a seu 8º álbum sem negar suas raízes e apresentando seu tradicional Power Metal, pesado, forte e que flerta com o Thrash e o Prog em alguns momentos. Por sinal, isso evita que sua música soe datada, dando a ela um ar minimamente atual. Ecos de nomes como Judas Priest, Metal Church, Fates Warning e Queensryche podem ser ouvidos aqui e ali, e são ótimas referências caso o leitor não conheça a banda. Pode não ter o brilho do clássico A Crystal Vision (87), mas ainda assim é um álbum que merece muito respeito. (7,5)

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Alunah – Solennial (2017)
(Svart Records – Importado)
 

Se você é amante de Stoner/Doom, mas não conhece o Alunah, eis aqui uma ótima chance de corrigir isso. Apesar de estar um pouco menos pesado que nos trabalhos anteriores, a música do quarteto não perdeu a sua força, mantendo um pé na psicodelia, além de apresentar ótimos riffs e melodias, que acabam por criar um clima deliciosamente esotérico. E ainda por cima temos a  hipnótica voz da talentosa Sophie Day. Pode não superar o excelente White Hoarhound (12), mas se mostra superior ao ótimo Awakening the Forest (14). Recomendado aos fãs do estilo. (8,5)

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God Dethroned – The World Ablaze (2017)
(Metal Blade Records – Importado)
 

Quem acompanha a carreira dos holandeses do God Dethroned, sabe que o único “erro” da sua carreira foi terem encerrado as atividades em 2012, algo que foi corrido com seu retorno 2 anos depois. E finalmente, após 7 anos do lançamento de Under the Sign of the Iron Cross (10), finalizam a trilogia baseada na 1ª Guerra Mundial, que teve início com Passiondale (09). Em The World Ablaze, apresentam aquela tradicional variedade, que leva sua música a transitar pelo Death, Black e Thrash metal, com muito peso e agressividade, mas sem abrir mão das ótimas melodias e refrões. Um trabalho viciante e forte candidato a estar entre os melhores álbuns de Death Metal de 2017. (9,0)

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Nokturnal Mortum – Істина (2017)
(Oriana Music – Importado)
 

Pelo seu passado nacionalista (impossível negar a ode ao nazismo presente em “The Call of Aryan Spirit”, presente em Нехристь/Nechrist (99), por exemplo), o ucraniano Nokturnal Mortum é visto com ressalvas por muitos. Não dá para condenar quem o faz. Hoje em dia, as letras antissemitas/cristãs, ficaram no passado, e o foco é o folclore e o paganismo eslavo, assim como a música do grupo se tornou muito mais rica. Seu Black Metal Sinfônico tem forte apelo étnico, graças à utilização farta de instrumentos típicos da região, o que acaba por dar grande profundidade às suas canções, algo que só os instrumentos tradicionais certamente não dariam. Істина/Verity não apresenta uma sonoridade de fácil assimilação, até mesmo se comparado com seu álbum anterior, Голос сталі/The Voice os Steel, lançado no já distante ano de 2009, mas se você se permitir dar tempo ao mesmo, irá se deparar com um dos álbuns mais criativos desse ano. (9,0)

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sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Viletale – From the Depths ov Mind (2017) (EP)


Viletale – From the Depths ov Mind (2017) (EP)
(Independente - Nacional)


01. Innsmouth
02. Shattered Existance
03. Reign Upon Ulthar
04. Chant of the Mountain
05. O Espasmo e a Sabedoria
06. Tentacle God
07. Arise, O Guardian

A ligação do Rock/Metal com o Terror sempre rendeu ótimos resultados, vide exemplos de artistas como King Diamond, Alice Cooper e Misfits, que sempre abordaram o tema em suas letras. Fora isso, quantas e quantas vezes o Rock e o Metal não foram utilizados em trilhas sonoras de filmes? Sendo assim, nada mais normal do que uma banda buscar inspiração para o seu trabalho na obra do mestre do horror, H.P. Lovecraft. E é esse o caso do Viletale, banda surgida no ano de 2016 em Blumenau, e que tem na obra do lendário escritor norte-americano a base para seu trabalho em From the Depths ov Mind.

Em matéria de sonoridade, o grupo catarinense aposta em um Death Metal com toques de Black, bruto, agressivo, mas que possui boas melodias, além de se mostrar bem técnico. Um fator positivo e que torna a audição agradável, é que conseguem equilibrar bem velocidade e cadência, o que dá uma diversidade bem legal à obra. Essa variedade também se dá nos vocais, que trafegam com bastante naturalidade entre o rasgado e o gutural, enquanto a guitarra faz um bom trabalho, apresentando linhas melódicas interessantes, dando um ar minimamente palatável à música bruta do Viletale. Já a parte rítmica se mostra bem técnica e diversificada, além de claro, pesada.

Apesar do pouco tempo de estrada e de deixarem suas referências bem óbvias em alguns momentos (duvido que não se lembre de um Death, um Cannibal Corpse ou um Suffocation em passagens aqui e ali), até que mostram um bom nível de maturidade para uma banda que sequer completou 2 anos de estrada. Sinal de que estamos diante de um nome com muito potencial de crescimento. Das 7 músicas aqui presentes, “Innsmouth” é basicamente uma introdução, que julguei desnecessária, e “O Espasmo e a Sabedoria” é mais uma narração. Das que sobram, vale destacar principalmente “Reign Upon Ulthar”, com uma levada mais cadenciada, muito peso e vocais variados, “Chant of the Mountain”, bruta, angustiante e variada, com alguma influência de Doom e a épica e grandiosa “Arise, O Guardian”, que fecha o trabalho com chave de ouro.

Mas claro que em uma banda que está iniciando sua caminhada, existem pontos a serem aprimorados, e no caso do Viletale, a produção seria o calcanhar de aquiles do EP. Por mais que não seja efetivamente fraca, a verdade é que exageraram na crueza, o que acabou tirando um pouco do impacto que as músicas poderiam ter no ouvinte. Que uma dose de sujeira se faz necessária para esse tipo de sonoridade, é algo tão certo quanto 2 + 2 serem 4, mas isso não significa que não precise ter uma certa polidez na produção. Vou pegar como exemplo, a transição entre “Innsmouth” e “Shattered Existance”. A introdução te passa à ideia de que algo grandioso está por vir, e ai de repente o volume despenca, a segunda música entra e você solta um palavrão, mas não porque achou aquilo incrível, mas sim porque se sentiu meio que enganado. Apesar de “Shattered Existance” ser uma boa música, forte e bem técnica, ela perde completamente o impacto que deveria ter. Aliás, me pergunto o motivo do volume da introdução ser mais alto que o das demais músicas do EP.


Outra coisa que sou obrigado a falar: notaram que não forneci o nome dos responsáveis pela parte técnica do trabalho (algo que sempre faço questão de fazer) e muito menos citei o nome dos músicos? Sabem o motivo, prezados leitores? É porque nada disso consta no encarte que, por sinal, apesar de simples, é bem feito, com tons que dão um ar sombrio e que se encaixam com perfeição na temática lírica adotada pelo Viletale, além de conter todas as letras (ótimas por sinal). Claro que com uma pesquisa na internet, consegui tudo que buscava, mas depois resolvi não colocar nada aqui. O mínimo que se espera em um material profissional é que tais informações constem nele, afinal, tanto o ouvinte que compra o material físico quanto os que irão escrever sobre o mesmo gostam de tê-las em mãos. Que isso seja corrigido no próximo EP que estão para lançar ainda esse ano (assim como o excesso de crueza da produção).

No fim, nos deparamos com uma banda que tem um potencial imenso, e que com as arestas aparadas, pode até mesmo buscar espaço fora do Brasil, pois é perceptível que possui qualidades de sobra para ansiar algo maior. Mas para conseguir isso se faz necessário profissionalismo, porque basta uma breve observada na história do Metal no Brasil para ficar mais do que óbvio que só talento, técnica e força de vontade não são o suficiente para uma banda marcar seu nome. Ser profissional é algo essencial para se vencer em um cenário concorrido como o atual, caso contrário, você acaba sendo apenas mais um nome promissor que se perdeu no mar de lançamentos que ocorrem todos os dias mundo afora. Em qual desses grupos o Viletale quer se encaixar? Espero que no primeiro.

NOTA: 7,5

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quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Avatarium - Hurricanes and Halos (2017)


Avatarium - Hurricanes and Halos (2017)
(Shinigami Records/Nuclear Blast - Nacional)


01. Into the Fire / Into the Storm   
02. The Starless Sleep    
03. Road to Jerusalem    
04. Medusa Child    
05. The Sky at the Bottom of the Sea   
06. When Breath Turns to Air    
07. A Kiss (From the End of the World)   
08. Hurricanes and Halos

Era o ano de 2014, quando Leif Edling sofreu um colapso causado por uma doença conhecida como Síndrome da Fadiga Crônica, para a qual não existe cura definitiva, apenas tratamentos paliativos que podem fazer o paciente ter uma melhora clínica, recuperando sua qualidade de vida (sendo que apenas de 5% a 10% dos afetados conseguem efetivamente se recuperar por completo). Curiosamente, é uma doença que, contrariando o que o nome indica, piora com o repouso absoluto, sendo indicado ao paciente fazer psicoterapia e exercícios físicos leves com regularidade, o que leva à melhora a longo prazo.

Não teve jeito: Leif teve que se afastar dos palcos em um primeiro momento, mas como não podia parar por completo, acabou encontrando na sua música umas das formas de terapia de que necessitava, passando a produzir em escala quase industrial. Primeiro, tivemos o 2º álbum do Avatarium, The Girl with the Raven Mask (15), depois o EP Death Thy Lover (16), do Candlemass, e por último, nesse ano de 2017, o lançamento do debut autointitulado do The Doomsday Kingdom, e esse que é o 3º trabalho do Avatarium. Ainda assim, nesse último caso, optou por se afastar da banda para não prejudicar seu crescimento, sendo substituído primeiramente ao vivo por Anders Iwers (Dark Tranquillity, ex-In Flames) e Mats Rydström, sendo que desde 2016 esse último se tornou um membro efetivo. Das 8 canções aqui presentes, 6 são composições de Leif, mostrando que mesmo não estando mais presente com a banda em estúdio e ao vivo, sua presença na mesma continuará sendo marcante.

Quem acompanha a carreira do grupo sabe que estão em constante evolução. Se no debut se mantinham bem na cola do Candlemass, seu álbum seguinte já mostrava uma vibe mais progressiva. Agora, com Hurricanes and Halos, apresentam seu trabalho mais Stoner, mesclando com muita competência Classic Rock, Blues e boas doses daquele Rock Psicodélico dos anos 60. Os vocais de Jennie-Ann Smith continuam sendo um dos diferenciais da banda, cativando o ouvinte, enquanto Marcus Jidell (The Doomsday Kingdom, ex-Evergrey) soa simplesmente incrível e não esconde as influências de Progressivo e Rock Psicodélico em sua guitarra. A parte rítmica, com Mats Rydström e Lars Sköld (bateria, Tiamat) soa muito entrosada e coesa, além de variada e pesada, enquanto o estreante Rickard Nilsson faz um belo trabalho no teclado/órgão, soando como um misto de Jon Lord com Ray Manzarek.

O álbum abre com a ótima “Into the Fire / Into the Storm”, com uma veia mais Deep Purple, bem pesada, com bom uso do Hammond, além de um ótimo desempenho de baixo/bateria e um refrão grudento. Na sequência, “The Starless Sleep7” surge com melodias cativantes, soando como uma mescla de Uriah Heep com Jefferson Airplane, enquanto a bela “Road to Jerusalem” possui uma pegada oriental e remete ao Led Zeppelin, com destaque para o trabalho vocal e a guitarra. “Medusa Child” soa sombria e pesada, bem épica com vozes de apoio que se destacam. “The Sky at the Bottom of the Sea” vai te remeter novamente a nomes como Purple e Heep, sendo seguida pela suave “When Breath Turns to Air”, com forte influência de Blues. Na sequência final, temos a ótima “A Kiss (From the End of the World)”, com riffs pesados, refrão forte, ótimo desempenho da parte rítmica e que soa como uma mescla de Free com Black Sabbath na fase Dio, e a instrumental “Hurricanes and Halos”, com uma atmosfera bem melancólica.


Quanto à parte técnica, o álbum teve a produção feita por Marcus Jidell, enquanto a mixagem foi realizada por David Castillo (Katatonia, Amorphis, Moonspell, Kreator, Sepultura) e a masterização ficou a cargo do onisciente, onipotente e onipresente Jens Bogren. O resultado final não é menos que excelente. Já a capa é de autoria de Erik Rovanperä (Candlemass, Crucified Barbara, The Doomsday Kingdom) e se encaixa perfeitamente na sonoridade do Avatarium.

Em Hurricanes and Halos, nos deparamos com uma banda mais madura, que trabalha de forma equilibrada suas referências, sem emulá-las e, principalmente, sem soar datada, se desvinculando assim de uma vez por todas de qualquer comparação com o Candlemass. Agora é observar atentamente seus próximos passos e ver o quanto Leif se manterá presente nas composições. Mais um belo álbum lançado nesse ano de 2017.

NOTA: 8,5

Avatarium é:
- Jennie-Ann Smith (vocal);
- Marcus Jidell (guitarra);
- Mats Rydström (baixo);
- Leif Edling (baixo);
- Lars Sköld (bateria);
- Rickard Nilsson (teclado/orgão).

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terça-feira, 8 de agosto de 2017

Havok - Conformicide (2017)


Havok - Conformicide (2017)
(Shinigami Records/Century Media - Nacional)


01. F.P.C
02. Hang 'Em High
03. Dogmaniacal
04. Intention to Deceive
05. Ingsoc
06. Masterplan
07. Peace Is In Pieces
08. Claiming Certainty
09. Wake Up
10. Circling the Drain
11. String Break (Bonus Track)
12. Slaughtered (Bonus Track)

De toda a leva de bandas surgidas na onda do Retro-Thrash dos últimos anos, os americanos do Havok possuem uma posição de destaque, sendo talvez responsáveis pelo melhor álbum desse período, o excelente Time Up (11). Após um hiato de 4 anos, desde o lançamento do ótimo Unnatural Selection (13), o quarteto, estreando mais uma vez nova formação, agora com o excelente baixista Nick Schendzielos (Cephalic Carnage, Job for a Cowboy), nos apresenta Conformicide, seu 4º trabalho de estúdio. E meus amigos, que trabalho.

Muitos fãs do estilo possuem certa implicância com os novos nomes que tomaram a cena Thrash de assalto nos últimos anos, já que a maioria esmagadora das mesmas se limita a emular e reciclar a sonoridade e riffs dos nomes consagrados do estilo nos anos 80. Eu mesmo sou um que tem um pé atrás com grande parte dessas bandas. Mas decididamente esse não é e nunca foi o caso do Havok, uma banda que sempre primou pela qualidade e por não se satisfazer em ser apenas mais um nome no meio de tantos outros.

Claro, existiam alguns nomes que serviam como referência para sua sonoridade, como Evile, Warbringer e Exodus, assim como hoje é inevitável não pensarmos em nomes como Megadeth e Testament, mas a verdade é que nada aqui soa como material reciclado dessas bandas. Sua música consegue, como poucas, unir aquela energia e atitude do Thrash Metal Old School, com a técnica e variedade da escola atual do estilo, remetendo até mesmo a nomes do Progressive Thrash, como o excelente Vektor. Gostem ou não, o Havok soa como Havok e não como nenhum dos nomes citados acima.

Conformicide é a prova cabal da evolução do quarteto como banda, já que não só soa mais maduro, como também mais variado e dinâmico. Os vocais de David Sanchez se mostram fortes, com algumas reminiscências de Overkill, ao mesmo tempo em que ele faz uma dupla primorosa com Reece Scruggs. O trabalho das guitarras é um dos grandes diferenciais aqui. Os riffs soam afiadíssimos, simplesmente cruéis, enquanto os solos estão ótimos. Só conseguem ser suplantados em posição de destaque pelo incrível trabalho do estreante Nick Schendzielos. Além de ser simplesmente monstruoso em seu instrumento, foi ajudado pela ótima produção, que deixou o baixo 100% audível, algo que, convenhamos, é bem improvável em um trabalho do estilo. Ao lado de Peter Webber, forma uma das melhores partes rítmicas do Thrash Metal atual. Aliás, cabe dizer que a bateria aqui soa simplesmente visceral.


Cabe dizer que a maior parte das canções aqui ultrapassa a casa dos 5 minutos, com algumas chegando até mesmo aos 7 (o que pode incomodar alguns), mas sem exageros, não existe nenhuma música aqui que possa ser taxada de fraca ou descartável, já que todas soam muito fortes. Destas, eu destacaria “F.P.C”, com uma letra fortíssima, baixo primoroso e parte rítmica carregada de groove, “Hang 'Em High”, com alguns dos riffs mais viciantes de toda a obra (e outro ótimo desempenho de Nick), “Intention to Deceive” e “Ingsoc”, ambas com ótimas mudanças de tempo, além de bons solos e riffs capazes de cativar a qualquer um, além de “Masterplan”, simplesmente grandiosa, e “Claiming Certainty”, ríspida e direta.

Aqui estamos diante de uma das melhores produções que escutei no gênero nos últimos anos. Com engenharia, produção e mixagem a cargo de Steve Evetts e masterização realizada por Alan Douches, o resultado final é ótimo. Soa clara, audível, com o baixo bem presente, além de pesada e agressiva como deve ser. E o melhor, sem aquele ar plastificado que escutamos por aí. Já na parte gráfica, a capa foi obra de Hasley Swain, com arte de Andrei Bouzikov, Gregory Lenni e o próprio Hasley, além de layout feito por Matt Akana. Simplesmente excelente.

O que vou dizer pode até mesmo soar controverso, mas ouso afirmar que estamos diante de um trabalho que, se tivesse sido lançado nos anos 80, seria comentado por todos até hoje. Unindo o antigo e o novo, a verdade é que Conformicide não é apenas um clássico do Thrash Metal moderno, mas do estilo como um todo, tamanha sua qualidade e ferocidade. Sim, os caras superaram Time Up!

Eis aqui o álbum que coloca de forma definitiva, o Havok no topo da cena Thrash da atualidade. Certamente o melhor álbum do estilo em 2017.

NOTA: 9,0

Havok é:
- David Sanchez (vocal/guitarra);
- Reece Scruggs (guitarra);
- Nick Schendzielos (baixo);
- Peter Webber (bateria).

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